CONVERSA

Quando o sr.K. ama uma pessoa

“O que você faz”, perguntaram ao sr. K., “quando ama uma pessoa?” “Eu faço um esboço dela”, disse o sr K., “e cuido para que seja semelhante.” “O quê?” O esboço? ” “Não”, disse o sr. K., “a pessoa.”

(p.36)

Conversas

“Não podemos mais conversar um com o outro”, disse o sr. K. a um homem. “Por quê? “, perguntou ele assombrado. “Em sua presença não me ocorre nada sensato.”, queixou-se o sr. K. “Mas isso não me incomoda “, disse o homem para consolá-lo. “Acredito”, disse o sr. K. irritado, “mas a mim incomoda.”

Este volume apresenta um conjunto de 102 histórias do sr. Keuner – o maior número já reunido em uma única edição -, incluído quinze novos textos recém descobertos e pela primeira vez publicados fora da Alemanha.

(p.34)

 Histórias do sr. Keuner, Tradução de Paulo César de Souza, Bertolt Brecht – Editora 34

MANCHETE com LUXO

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Promessas soam falsas. Conchavos inexplicáveis. Legendas, e mais legendas. Figurinhas se colam umas nas outras. O que se pensa, desmorona, e o que se diz não significa. O meu amigo, aquele? Qual é? Me poupa! Antigos, perdidos em bombachas do tempo, e lá se vão aquelas mentiras. Geração em cima de geração…Volto pra casa, vou votar, em quem? Como? Na urna eletrônica, o mais fácil.  Aperta o botão. Qualquer um, pouco importa! Qualquer um, não faz diferença em quem…Emaranhado de escândalos. Não importa, minha ferida é aqui. Novelo de lã apertado. O que dizem? Não sei. Salvar, mudar, resolver, reformar, moralizar…Piadas, e mais piadas, Isso é que só vai… Só vai… Vinganças pequenas, abraços, risadas, panelaços.  Desgosto. Um exército que vem, outro exército que vai. Campo aberto. Seriedade, não seiQuem pode é que pode, o poder. Sacode os arreios, galopa no campo, e se vai. Vontade enorme de chorar! Conchavos inexplicáveis. Agruras, comida farta, malocas, favelas, quitandas, lindos parques! É assim, muito fogo, fogo aberto. Queimada, barracos, seca, mentiras. Afinal, o que é que se vai fazer?

Fotos tirados do BLOG http://thefullerview.tumblr.com/

PERGUNTA sem resposta

Esta coisa de inventar ! Tamanho, sabor, peso, e tudo o mais. Tem medida. Tempo feito, desfeita  a coisa de te pensar. De nunca explicar. Destes amores passados, inventados. Dou-me conta que o certo, o bom, o real não funciona, não perdura. Desenho, imagem, jeito, cheiro fica, mas onde se esconde o real?  Estatura, pensamento, conceito. Desaparece sentimento. Quando se trata de Tavares, escritor, inventor, as proporções mudam todas… Em que mundo mesmo ele está?  E a formiga instigada sai correndo descabelada do monte povoado, e se perde na calçada. Engodo de amar torto, desavisado.

Será que não entendi nada do que acontece, assim,  a toda hora de pensar, ou votar? Escorrego neste chuvoso inesperado, ventosa primavera! Contar, repetir, contar outra vez, quebrar a memória, e entender. Como foi mesmo esta loucura de te amar?