O GRUPO DE BAGÉ

Deixo a memória de menina chegar. Em 1955 acompanhei a festa imaginando o salão dos espelhos do Clube do Comércio. Casa cheia nos preparativos para o grande dia! A mãe costura e borda o cetim azul do vestido que minha irmã vai usar no Baile de Debutantes.  Estou sentada na ponta da escada, atenta. Glauco Rodrigues também costura. Dele o desenho. O jovem artista usa com habilidade a agulha. Enfia minúsculos canutilhos, contas azuis e prateadas no risco do cetim. Vejo os moldes em papel de seda! A sala de jantar é o grande ateliê. Penso no baile. Nas cores. E os quadros da casa se movimentam na minha imaginação! Estou atenta ao biombo desenhado em nanquim por Glauco (ainda não conheço os painéis do cinema Cacique) que divide a biblioteca da sala grande. Imagino o prazer das virgens da lenda A Salamanca do Jarau.  A tentação do gaúcho dos pampas. Minha memória. Deixo-me queimar. Passados tantos anos! Encontro mensagens, jornais, protesto, e já são bem outros tempos! Os anos escondidos, guardados nas grandes caixas de papelão, e a história volta com O GRUPO DE BAGÉ.  Elizabeth M.B. Mattos – março de 2013 – Porto Alegre

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Complicado ser pessoa

Ventilaste o assunto da forma certa. É tudo misturado mesmo. E as ‘queixas’ são disfarçadas, as minhas nas tuas. As mesmas. Caímos em armadilhas, e o susto sufoca no grito. Se concordamos, nos exasperamos ou nos aborrecemos… É esponja, é molhado, é áspero… Complicado ser pessoa.

Terrível, difícil, arriscado

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“O diabo é que ele acertou e isso pode lhe dar caloria para criticar quem não acerta. “Dane-se que, segunda-feira, quando o crítico voltar à cena, ou o poeta, ou o amigo, Febre de Viver e Juventude, embora defeitos, embora imperfeições, estarão na cabeceira, a mostrar que vieram de um homem que, desfeito de vestes e acessórios, topou a aventura – difícil, terrível, arriscada – de contar histórias. Paris, 4 e 7 de novembro de 1998.”

 Gutfreind lê Hecker

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PICADAS e TRITURADAS

Voltei com a cesta cheia de amoras azuis

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Não acontece, não por inteiro, não concluído. Apenas esperança… A vida tem a esquisita forma de ludibriar o indivíduo. No momento de assumir inteiro, vamos escapando pelas beiradas, onipotentes. Distraídos com sentimentos. Terminamos por misturar mal os ingredientes. A receita possível não acontece: nem jornalismo, nem livro, nem Limoges, nem Paris… Nem Rio de Janeiro. Ser plural, tudo abraçar é nada reter… Uma prova, um cheiro, um sentimento pequeno, uma resenha, não a história. E fica a massa fermentando, agigantando-se, mas o bolo de chocolate, com nozes e ovos moles fica com o vizinho. Passivamente colecionamos miettes, confetes…

Papel picado sem carnaval.

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CORPO E ALMA

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Revista Globo. Meteóricas publicações. Flávio Carneiro ilustração… miettes e  confetes… Iberê Camargo acreditou.

Eu me distrai por caminhos pedregosos e lindos!

Voltei com a cesta cheia de amor azuis…

“Beth Menna Barreto Mattos está levando à França seu trabalho-tese a respeito de Iberê Camargo. A trajetória da pesquisa se desenvolveu a partir da correspondência da autora com o pintor – são cem cartas ao todo, reportagens, autobiografia e textos sobre diversas fases da pintura que complementam o trabalho o material estudado. Será entregue aos professores Jean-Marie Grassin e Madame Seris, da Universidade de Limoges, orientadores de Beth, que  breve estará concluindo seu doutorado.”

ZERO HORA – Gasparotto – SEGUNDA-FEIRA, 5 DE JULHO DE 1999.

ZERO HORA: 2 de setembro de 2007. Flavio Carneiro homenageado pela ULBRA. “ A história profissional de Flávio Carneiro começou em 1959, quando ingressou na Revista do Globo.