Pessoas com coisas

Idas e vindas não te levam para nenhum lugar. Estás em trânsito sempre no meio do caminho lavada de incerteza infantil que  se   imagina especial.. Não existe. Sou eu. És tu, e depois o amontoado de referências que escapa…  uma certa urgência. Olhar nos teus olhos  e dizer a verdade: não a tua verdade, nem a minha. A verdade. Aquietar o teatro, a representação ruidosa. Calor é um tumulto  que derrete, e o teu sorriso tem fome, no entanto, não te perguntas de onde vem a voracidade. Aquieta teu coração. Arranca a tristeza e vamos nos fantasiar, dançar e dançar…É carnaval! Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2017 – Torres

Pessoas com coisas, pessoas sem coisas, coisas  sem pessoas, pouco importa, eu espero poder varrer tudo isso em pouco tempo. Não vejo como. O mais simples seria não começar. Mas sou obrigado a começar. Quer dizer que sou obrigado a continuar. Acabarei talvez por estar muito cercado,  numa confusão. Idas e vindas incessantes, atmosfera de bazar. Estou tranquilo, vamos.”(p.6) O Indomável,  Samuel Beckett

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Idas e vindas não te levam para nenhum lugar. Estás em trânsito de passagem …

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Mulheres marrons

Mulheres marrons, carcomidas pelo sol, circulam pela nossa cidade e chamam a isto de beleza de verão. Meu Deus! E as mulheres brancas, alabastrinas, cuja pele nunca foi desfolhada por nenhum raio de sol, onde elas se encontram, em que país, em que parte do mundo habitam? As escarpadas rochas marinhas escalavradas pelo vento, pelo mar e pelo sol lembram a pele das bronzeadas morenas brasileiras.” (p.18)

Diário, volume II Francisco Brennand

Atrapalhada. Atropelo a vontade de escrever. Eu me curvo à ventania morna de Torres, e entro no calor, nem os peixes se movimentam na lagoa. Não resisti ao parágrafo do Diário. Segundo volume. Atabalhoada. Ansiosa, ou agitada, acumulo ideia tarefa e desejo vontade sem chegar lá … As cartas se perdem as contas esperam. O dia sufoca. Asfixiado o tempo de ler. Esqueci o primeiro volume no Rio de Janeiro.

Está quieto aqui dentro! Fechado … Tão devagar … Sou eu mesma a consumir esquecer lembrar  voltar  esquecer este tempo de envelhecer. Esquisito engraçado gozado nostálgico saber que a vida termina com ponto final, não é virgula, nem exclamação ou interrogação …  Três pontos. Não entendo a finitude  nem o sol nem as mulheres marrons.

Que o verde das montanhas encante e o sol pequeno se esconda no regador …

2016-02-08 23.24.21

Que o verde das montanhas nos encante, e o sol fique pequeno e se esconda no regador. … não quero a caverna, mas a frescura da água.