o inverno um danado carrasco! basta casaco ou aquecimento, ou sei lá o quê? (lamentando quem não tem, e muito!) mas o que a gente faz com este espírito gelado? a falta indefinida… pois é! tô impressionada com o danado demônio deste sentimento. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 (tô toda hora escrevendo 2016! sintomático!) Torres
TÔ empilhando ansiedade
aquela pessoa que acorda azeda / humor eriçado, sem falar mau dos gatos / gosto de cães e gatos, passarinhos e até gostava da chuva, achava inverno passageiro, tipo estação com avesso e direito como escreve tão perfeito, tô imitando SEI SHÔNAGON… ah! tão lindo o que / e o como escreve!
Da primavera, o amanhecer […] Do verão, a noite. Em especial, os tempos de luar, mas também as trevas, de vaga-lumes entrecruzando-se em profusão. Ou então, os solitários ou mesmo em pares que seguem brilhos fugazes. A chuva também é igualmente bela. Do outono o entardecer […] Do inverno, o despertar. (p.43) Sei Shônagon O livro do travesseiro Editora 34
atordoo na leitura, estremeço com o texto. assim mesmo doem as costas, as pernas, sinto o nariz gelado, e o humor espicaçado… penso, ficar / ser azeda muda tudo! que venha o sol! mas também tenho medo do verão. sinto saudades da Ônix! Elizabeth Menna Barreto Mattos – agosto de 2026 – Torres

turbulência a me afogar
tempestade entrando, levantando as cobertas, o tapete, sacudiu a cortina rasgou minha coragem. tô assustada / preciso serenar: alma entender o vento. voltar a te ver, tocar. saudade não dói mais mas espicaçou o tempo… que preço! Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2026 – Torres naufragada.
credo! que frio!
escrever deveria dar um calorzinho! Jesus Maria José! estou apreendendo a sentir frio! sempre uma novidade esquisita acontece! quando neva deve ser melhor! estranhamento… que gelo! Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 TORRES
medo enjoado
eu me achava corajosa…
memória esfarrapada
esburacada lembrança, e, sem lista esqueci uma das coisas que precisava e comprei outras que já tinham (achando, com certeza, que faltava)… acordo incomodada. tenho duas irmãs mais velhas do que eu, cinco e seis anos que se movem muito bem na memória… Suzana com mesmo número de filhos, pois é… nada de comparar, eu sei. mas, por que não? apostei na minha memória, no meu fazer. sem brilhantismo mas eu dava conta. rabiscos, listas, estranhamento… será que nunca tive boa memória e agora tá falando mesmo? esta coisa carnavalesca do envelhecer… juro, uma dança sem música? ou estou escutando mal também? como chove! um inverno que não termina, uma lágrima que volta. eu gostava da preguiça, daquela vontade de ficar fazendo nada num prazer morno. nas conversas compridas que não me deixavam exausta, tudo me cansa… tenho que voltar , voltar, mas não sei exatamente para onde. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – Torres indefinido, indefinido, indefinido
preguiça enterrada
tenho uma preguiça enterrada na bancada da cozinha chegando a pia, feito um monte Everest / as camas com vendaval de roupas que chegam nas cadeiras… e o mundo se mostra tempestivo, desafiador as temperaturas incontroláveis. O que posso fazer? troquei os móveis de lugar num surto de novidade, abençoadas mudanças pelo João que me faz rir e me sentir viva… vamos, vamos, dona Beth! A vida pode ser um jogo de amor bem interessante! Amanhã amanhã os filhos se reúnem, os amigos abençoam…Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – Torres
devagar, quase parando
coroa, palmas para o hábito, para a rotina. esta organização arrumada, planejada, no meu caso, ajuda. o improviso me causa espanto, encanta, mas, desorganizo fácil: o tempo de olhar estrelas atrapalha o sono, o passeio demorado atrapalha a ordem da casa. como se frutas voassem… e pássaros pousassem na minha mão…
querido, não posso esquecer de te escrever todos os dias, hoje não mais papel, tinta, envelopes e selos, mas mesmo a corrida atual, instantânea me faz pensar naquele encantamento preparado dos blocos de carta… eu me deixo embalar. verdade? preciso do tempo arrastado e manso de ficar contigo. deve ser saudade. hoje me apresso. um beijo. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – Torres
