zelar pode ser essência do amor: devagar, olhar, então amar: filhos, vida, casa, ideia mesmo de te gostar / iluminar o caminho, acolher. EMBMattos – abril de 2026 – Torres
amado querido, não esquecido
pois, meu amado meu querido = silêncio e contenção. por quê? não sei. não te esqueço por dentro, não te esqueço… faço chover, faço sol, faço tedio e faço risos… não te faço chegar. assim mesmo eu te espero. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – Torres
um poema de Murasaki Shikibu:
“Se entre nós não há noite que nos separem, por que o dia haveria de ser tão ofuscante?”
rotina hábito e passos
sim, seguindo a rotina, meu querido, encontro o meu amigo hábito. dou uma volta na quadra, faço a comida. muitos e muitos banhos, adoro água e odor. ah! me atraem… persigo pessegueiros carregados, goiabeiras a se rirem… estou a pensar nas laranjas, bergamotas, comprei limões, amarelos, verdes e peguei uns desmaiados também, solidária… sim, cada pedacinho de vida refeito na rotina. Elizabeth Menna Barreto Mattos – abril de 2026 – Torres
não tem um ponto final
não tem ponto final. tem a intensidade do contínuo // o que eu esperava? não envelhecer? seguir amando, reencontrara e… amar um pouco mais? continuar a escutar música muito / bem alto, voltar ao francês, apreender inglês. sorrir e brindar como se tu estivesses sempre lá, aqui. abro a porta… tu me dás um beijo perdido / outro demorado /agora, ou no tempo de tantos anos?
…a querer o final da história de amor, a minha história fica. a calçada fica. o temporal fica. tu estás de costas… visão filosófica, inquietante. amontoei rejeições, espanei a dor, mas qualquer coisa incomoda… ah! estes cacos/pedaços de vida! pensei, suponho, acho que deveríamos usar a técnica de colar vidrinhos / como se chama isso? não os de igreja, cacos de vidro / coloridos ou não, misturados numa poeira que se transforme em massa, depois objeto. sim, este processo dos amores desfeitos deveriam ser colocados na prateira em forma de vaso, de luxo, de lembrança, caixa. // ia ficar bonito assim , enfileirado o passado: JCKCM Antônio JMKHJHJCL Alcibíades CMD Paulo / Flávio encantado, os meninos da rua, as meninas das calçadas, as braçadas na piscina de Petrópolis / a volta para rua Vitor Hugo, 229. ah! a história que quero contar / esta engasgada meninice florida, livre. juventude festejada: o tempo e a volta, minha amiga Sonia Maria! ah! as amigas que existem… eu tive preciosas e generosas amigas!
Forma delicada, intimista gesto / as palavras se recolhem num susto, ou se explicitam? dança misteriosa, rítmica, sai assim, enquanto balanço o corpo. memória suada, se interrompe a cada susto, flutua. a vida! este cotidiano sereno // a substância está dentro, e se agita criativa, mas tímida. paradoxal.
lento e morno este tempo… viver tem um gozo inexplicável! Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – TORRES


não, não nasci para viajar / nem levar a vida nas costas de lá pra cá olhando o mundo // gosto de estar / ficar e viver de dentro… sei lá… o mundo é lindo // e eu quero ficar…
passeado / passando pelos livros…
KIOTO Yasunari Kawabata
os próprios escritos de Kawabata refletem tendências como a ‘escrita automática’ de Gertrude Stein, ou o ‘fluxo de consciência’ de James Joyce Joyce //
o livro Kioto é transformação entre Modernidade e a vida.
Kawabata recebeu o Nobel de Literatura em 1968 pelo ‘domínio de sua narrativa, expressando com admirável sensibilidade o espírito japonês” //além de Kioto li No País das Neves //
“o trabalho de Kawabata, apesar de ter assimilado e destilado influências do Ocidente, permanece essencialmente japonês, o que dificulta sua comparação com outros mestres da literatura contemporânea”.
Yasunari Kawabata nasceu em Kioto a 11 de junho de 1899 / morreu em 22 de abril de 1972 //. O pai era médico e a mãe interessava-se vivamente pela literatura. Ele pretendia ser pintor, mas quando alcançou os doze anos, já no curso intermediário, decidiu dedicar-se a literatura. Passou a interessar-se pela literatura budista, particularmente o período Hian, que se estende do século IX ao XII. O valor das escrituras budistas, em particular, não se encontra nos ensinamentos religiosos, mas em suas versões literárias, em suas fantasias, diria Kawabata. Foi seu protegido (que li quase tudo) YUKIO MISHIMA
vida / anotada nas páginas do livro:
acho que tenho saudade da varanda, sim, estar ao ar livre, diante do campo / no campo. vida foi rica em apaziguamento! // quando casei com o Jorge e me recolhi para viver a vida de Santa Cruz do Sul / Rio Pardo. amadureci e solidifiquei por dentro, compreendi quem eu era… aos quarenta anos decidi ter mais uma filha: Luiza a minha menina gaúcha. então, os meus três filhos cariocas viveram/tiveram meninice maravilhosa e uma nova irmã! nossa bebê!
Chieko descobriu as violetas que floresciam no velho tronco de carvalho.
e o livro começa… Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – Torres
escrever requer / exige muita leitura, atenção com as palavras, vocabulário
entre as violetas, o carvalho. encontra-se conhecer-se impressionado pela vida e pela solidão em que crescem...
Limitam-se a cumprir sua existência, continuando a reproduzir-se.
este limite de mundo / existe para algumas pessoas…
[…] as cerejeira do imenso parque tinham começado a florir.
Yasunari Kawabata
Y no es que sea tímida; lo que ocurre es que, como no quiero que me critiquem más de la cuenta, me resigno a pensar que toda comunicación es imposible y prefiero hacerme la tonta o la despistada.
El diario de la dama Murasaki (p.25) Traducción Akiko Imoto y Carlos Rubio / Introcucción Carlos Rubio Editora SATORI
não reconheço
estas recordações com um mal-estar que não tenho capacidade para definir estão adulteradas e ridículas. por pudor, deveria guardá-las. a vida é sem coerência. boas histórias em livros: torcem a vida, inventam a verossimilhança… o mundo vesgo. volto a te pedir desculpas de ser tão desastrada nestas lembranças /nesta saudade, meu querido, e sigo sem te escrever pensando que logo mandarás tuas reflexões e teu beijo. nesta floresta de palavras saio a escolher apenas as necessárias… imito tua urgência, mas nem menciono o Peter Pan. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – Torres
registro de praia na semana passada / graças a Ana Maria!

dor ausência perda
algumas pessoas embora longe / definitivamente separadas significam / bons sentimentos mergulham na doçura e a perda… bem, nós temos a hora certa… eu sou apegada / mas igual terei que ir / enfim! nenhuma homenagem basta, ou todas são virtuosas… não sei. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – Torres / mas eu poderia estar no Rio de Janeiro / foi tão bom olhar de noite pro Cristo Redentor / cariocar / os filhos e estudar, trabalhar, um amontoado de recomeços e sequenci… positivas lembranças.
