balas e pedaços de pedras

Há neste estrambótico e complicado negócio, que é a vida, certos períodos estranhos em o homem considera o universo inteiro como uma simples e enorme farsa, ainda que mal vislumbre em que pode consistir a brincadeira e tenha bastante confiança de que esta (a farsa) se realiza à sua custa. Entretanto, nada o desalenta e nada parece valer a pena enquanto está lutando. Engole todos os acontecimentos, ideias, credos e opiniões e todas as coisas, visíveis ou invisíveis, por mais encaroçadas que sejam; como um avestruz de poderosa digestão engole balas e pedaços de pedras. E quanto as pequenas dificuldades, preocupações, perspectivas de desastres imediatos, perigos, grandes e pequenos, tudo isso, e até a própria morte, aparecem apenas como dissimuladas, benévolas e graciosas palmadinhas nas costas, dada pelo velho e misterioso trocista. Essa espécie de humor estranho e rebelde se apodera do homem apenas em momentos de extrema angústia e surge no meio da própria ansiedade; de modo que, o que até então parecia da maior importância torna-se uma alternativa a mais da enorme farsa. Nada como os perigos da caça de baleias para criar essa espécie de filosofia caprichosa e temerária […] p. 256 Herman Melville MOBY DICK

literatura universal, o que a gente ainda chama de clássico. Moby Dick foi suporte de filmes / literatura infantil, por quê? porque a verdade e a vida não tem nacionalidade nem idade / importa tudo, sempre: todos os sentimentos / fico a me perguntar o que e como fazemos hoje… atravessamos guerras, fotos e fotos de beldades, notícias e notícias políticas desfocadas, atrapalhadas. excesso de calor que trará excesso de frio, e, conversas de nada sobre o nada // já vencemos na/com música, até na pintura, a pescar literatura / poetamos com política e posições, cinema meio empacado no mesmo do mesmo (ou não sei nada?!) temos Deus e o Diabo na Terra do Sol, Vidas Secas (texto e filme), temos HISTÓRIA para contar… a do Brasil, pouco divulgada / tão setorizada! português é língua preciosa / rica / difícil e o brasileiro esta fala aonde está? pois é, ainda temos um pedaço da Amazônia e falastrões, aos montes. não sei se estou mesmo a pensar… Elizabeth M. B. Mattos – março de 2026 – Torres num dia de calor calor calor e parado, sem se mexer… eu agitada, por dentro.

despedaçado amor

nostalgia aguda. amor despedaço que tenho por mim mesma. eu me esforço, alimento o querer, decidir, voluntariar. projeto no outro um sentimento esfarrapado, o meu. meus cães / minhas saudades, amores submissos / entregues. passarinhos tão alegres / laboriosos e fiéis, livres, ah saudade da Dark, Ônix, Coca, do Chima, Mia a gata amarela, ou a gata preta sem nome selvagem, tão minha também! aonde as batalhas? perdidas guerras, todas. eles / amaram, aceitaram, e, se submetem… e nós? e eu? o que eu faço? choro pelos cantos. Elizabeth M. B. Mattos – março de 2026 – Torres

muito muito quente por aqui… muito quente o sentimento, o dia, a saudade: escondidas vozes… amar tem este gosto despedaçado, esfarrapado do impossível no possível.

O SONHO é mais FORTE do que a experiência

Aquilo que é puramente fictício para o conhecimento objetivo permanece portanto profundamente real e ativo e, relação aos devaneios inconscientes. O sonho é mais forte do que a experiência.

(p.43) Gaston Bachelard A psicanálise do fogo (coleção Omega -1972

Manuel Bandeira com as evidências do corpo in Arte de Amar e Bachelard a nos fazer pensar o sonho. Querido, querido // estou nos teus braços, a te pensar… No devaneio do amor nunca deixaste de estar comigo, nunca, estou contigo. Elizabeth M. B. Mattos – março de 2026 – Torres

ARTE DE AMAR

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.

A alma é que estraga o amor.

Só em Deus ela pode encontrar satisfação,

Não noutra alma.

Só em Deus – ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo estender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

(p.351) Manuel Banderia – POESIAS

PETER PAN

Peter Pan tem razão… As histórias podem ser boas, as noites passam fáceis, mas voar é muito melhor… Estar apaixonado, aceita: a voz doce, a certeza, o aconchego do quarto, mas o mundo…, o mundo, os mares, o capitão Gancho, o tic-tac do jacaré, ah! Crescer deve ser bom, mas não tanto assim… Apaixonar-se é ter amarras… e também sofrer…

Quero muito, muito mesmo voltar nas histórias, depois de dormir, de descansar, de acreditar, ouvir, chorar no teu abraço… Ah! como tenho sentido saudade! Misteriosa saudade lacrimejante, mas ainda não abri a porta, está chaveada. Espera, amanhã eu vou estar melhor, amanhã… Elizabeth M.B. Mattos – março de 2026 – Torres chuvisca, chove, molha, depois seca, depois chove outra vez… incerto, és tu. Um beijo

confissão de amor para FRANCISCO – SACI e as histórias

cheiro e gosto das conversas de verão, ou não era verão? nós dois a falar e a falar, era agosto, era choro de amor de teu consola nas minhas lágrimas: consolo, não sei, era Francisco e eu. tu e eu juntos a recordar infância -, adultos, machucados nós nos amamos. os caixotes e as árvores de Ipanema / gosto e cheiro de nós dois a brincar de casinha, nós dois… e nos reencontramos. Porto Alegre nos escondeu? guardou / guarda / segura este amor juvenil desencontrado e achado. casaste com uma Elizabeth / viveste uma vida bonita! misturados nós dois, Francisco e Elizabeth. semente amorosa gaúcha por inteiro. Elizabeth M. B. Mattos – março de 2026 – Torres – um beijo

malheur de aimer

dores de amar, cores de arco íris // do dia: couleur d’ orange / cor de laranja, azul, cinzento e o preto da noite e o amarelo do sol: vida vida e amor! Elizabeth M. B. Mattos – março de 2026 – Torres e também o gosto do sono nos teus braços, meu querido!

transparente ou invisível

a gente quer ser tanto como o outro, ter o que o outro tem, parecer -se com o outro, ser mais do que o outro, entristecer por causa do outro. comer o que o outro come. vestir a moda, pentear-se como o outro, amorenar-se ao sol como diz a saúde e a medicina. o dinheiro faz bem isso tudo. os mesmos jardins, os mesmos envidraçados, as mesmas casas lisas, suntuosas, os muros de vidro, para que tudo seja tropicalmente visto… a mesma imponência. salvam-se as flores e as árvores, eu acho, porque são feitos experimentos e mutações. (rosas azuis) e tal gosto tropical pelos coqueiros e palmeiras, o toque do dinheiro. resultado: transparente e invisível as pessoas, as moradas. desapego do passado, perfeito, e viva também o porcelanato! um hoje limpo e transparente, invisível e psicanalisado: perfeito. para todos o mesmo ócio / as mesmas magníficas contas bancárias! (ah! se o que escrevo fosse verdade! O admirável mundo novo e A Ilha de Aldous Huxley e…) Elizabeth M. B. Mattos – março de 2026 – Torres

  • bugigangas diferentes! uauuuuu!