GEORGE SAND

Qu’ on soit pur ou impur, petit ou grand, il y a toujours vanité, vanité puérile et malheurese, à entreprendre sa propre justification. que a gente seja puro ou impuro, pequeno ou grande, há – existe sempre vaidade, vaidade pueril ou infeliz para explicar a própria justificação. uma tradução mais ou menos.

justificar o medo, a saudade, a vergonha ou a coragem em determinada situação / o que eu posso ou o que eu não posso fazer… fracassar ou ter sucesso // ganhar ou perder // mas a gente perde sempre / perdemos, então, prosseguir é um ganho / já deve/é / com certeza / a medalha como tu sussurrarias pra mim…

quando volto aos livros de Marguerite Yourcenar / pois é, ali está o medo, de como mulher, se revelar / será mesmo permitido? elas, as poderosas, grandes mulheres, salvo Cleópatra (sempre), são reservadas… eu não, a história, sim. Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2026 – Torres

aborrecida, chateada

eu não queria que fosse assim, ou sei lá… deveria não me importar, mas eu me importo: aborrecimento da idade / ou com a idade / aborrecimento instalado / instalou-se. será que escolhi errado quando a decisão foi ficar eu comigo? ainda bem que me mandaste um beijo. careço deles. aborrecida com a ideia de perder /perco / extravio / sei lá! enumerar o perdido. / sinto falta de ti / mas me acostumo // esquisitices de viver. coisa complicada viver / escrever / um vício estar viva / tudo bem. digamos que sempre escrevi, sempre respirei / ou tentei escrever, teclar… até agora, estou viva. acreditei na observação, levar a sério a droga do escrever (que sofrencia!)/ mas agora… agora / neste momento tenho os tais 80 anos pra aceitar / atropelam, consomem… redondos / poderia já ser logo 83 anos ou 85 anos… será que seria melhor? violetas ou rosas, papoulas / hortênsia estou estremecida, sem tempo. quero flores. Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2026 – Torres

sinto saudade da ÔNIX

por que não vai embora

por que o frio estacionou? / por que não estou lá, estou aqui? rota estranha… neurastenia floresce. esquisito assistir no camarote este humor enraizando… brota temperamento esquisito: o espetáculo. hoje vou começar a história / a tal novela encroada… sem plano, engasgada mesmo. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2026 /Torres

cupins / tantos!

devoram: fazem ruido, cada vez mais audaciosos.

eu? cada vez mais negligente / sim, medo de fazer / ser julgada, o que significa isso? medo de ser eu?! uauuu! como vou mudar isso? amanhã. amanhã eu começo a escrever / amanhã… imagino um leitor / minha filha sugeriu / enviar direto para ela… ser ela a leitora. será? a coisa de imprimir desaparece /

sei lá / era bom quando conseguia pensar uma história / quando imaginei Isabel / quando não tinha nome a/o personagem / quando era Ela. Ela se movia… que entusiasmo! uauuuu! não posso desistir ANTES da hora. que a hora desista por mim… amanhã é quarta-feira. amanhã compro pão e coca-cola. compro laranjas, sei lá… não tenho tomado limonada, nem feito bifes, nem cozinhei as batatas. nenhum cálice de vinho. não caminhei. preguiça, descaso, não sei. ainda bem que estás vivo, aí. ainda bem que eu te penso, não me mexo, não te escrevo. eu te sinto. amanhã vou estar melhor. um beijo. amanhã estarás aqui. que seja. Elizabeth M.B. Mattos / outubro de 2026 – Torres / perdi / perco coisas preciosas dentro de caso, e o dia fica movimentado. eu procuro. sinto tua tua falta. um beijo.

não é frio

coisa esquisita / tá partido o sentimento, a voz estranha, leio atravessado.

escrever / pensar, desejar, deixar o dia terminar. dormir não é solução, o sono sacudido não resolve. tempo demais na cama a revirar… vontade de voltar a dirigir / sair por aí ser eu antes / é… não envelhecer, claro! tô revoltada com esta coisa de envelhecer. tudo pesa e tudo rodopia: coisa esquisita. sim, uma novidade. se é que se precisa de novidade. envelhecer é uma novidade! Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2026 – Torres / chuviscos, mas vai chover bastante, muito

liberdade

minha juventude embebeu-se na corrente mais cristalina da tua verdade; a pena das minhas lides aparou-se no fio penetrante do teu amor, e nunca se imbuiu num sofisma ou se dissimulou num subterfúgio, para advogar uma causa que te não honrasse. De posto em posto a minha vida ascensão na vida publica se graduou invariavelmente pela das tuas conquistas; as vicissitudes da minha carreira acompanharam o diagrama das alternativas do teu curso; contra os dois partidos, que dividiam o Império, lutei pela tua realidade sempre desmentida; renunciei por ti, as galas do poder, suspirada por tantos, com que ele me acenou; sozinho, sem chefes, nem soldados, tive por ti a fé, que transpõe montanhas; ousei por na funda de jornalista pequeno a pedra de que zombaram os gigantes; ( e ele segue engrandecendo a verdade) // (Rui Barbosa / Hino à LIBERDADE / Coletânea Literária p.143)

e tenho a sensação de estar escondida, acuada, com medo de dizer ou ser / apenas o medo / de certo, a falta completa de liberdade, o susto destes tempos complicados e descabelados / desarrumados / sim, assustados. sigo atrás da verdade e do vigor de ser eu / difícil entender o que sinto dentro do medo. venta / esquisita temperatura, sei lá… frio ou só ventania?! Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2026 – Torres

cães / gatos / animais

tenho histórias mal resolvidas / talvez eu devesse mesmo adotar um cão que precisasse, talvez eu pudesse fazer uma diferença com este cuidado / talvez, talvez, talvez, talvez eu devesse ter um gato… talvez eu pudesse fazer a diferença…

tenha tantas certezas da minha impossibilidade / teria outra barreteira além as da que já existem. assunto espinhento este. Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2026 – Torres tempos de/com tanta turbulência!

cinzento outra vez

meu querido:

atrás de uma promessa tem vontade estressada, mas deve ser igual, uma vontade. estou exausta / canso de esperar um dia depois do outro / cansada de fazer o dia ser dia a te amar! te querer, inventar motivos, lembrar teu beijo / esquisitices do tempo de amar / e eu te amo. o que escreves, o que sinto, o que vês eu penso. quero te mandar um beijo apressado, embora beijo nunca tenha pressa! Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2026 – Torres num dia bem cinzento

conversas que se pretendem política são a doideira do país