um dia

um dia, antes foi fácil / eu conseguia / seguia / não que a vida fosse rosas cor-de-rosa / não era, nunca foi. mas a vida era mais fácil… esquisito. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres

pensei: porque dependia apenas da minha vontade / agora, não depende mais de mim… com o tempo fui ficando leve, muito leve… e o vento decide.

pedra branca

” Há muito tempo, ela pegou uma pedrinha branca na praia. Removeu a areia, colocou -a no bolso da calça e, chegando em casa, guardou-a na gaveta. Era uma pedra redonda e lisa, degastada pela ondas. Pensou que fosse tão clara que pudesse ver seu interior, mas, na verdade, não era transparente a esse ponto ( na realidade, era uma pedra branca comum). Às vezes, ela tirava a pedra do seu recanto e a pousava na palma da mão. Imaginava que, se pudesse condensar o silêncio no menor e mais sólido objeto, essa seria a sensação tátil.” (p.93) Han Kang – O livro branco

” A vida não é particularmente gentil com ninguém. O granizo cai enquanto ela caminha sabendo desse fato. Tudo passa. Ao andar ela se lembra de que, no fim, tudo que você agarra usando todas as forças vai desaparecer.”

Agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura 2024. Han Kang nasceu na Coréia do Sul em 1970

E eu? Fotografo folhas, minhas pedras, o tempo… Quero escrever sobre agarrar o tempo. Fotografo minha alma aos pouquinhos. Mas, o fato é que está tudo embaciado. Não compreendo. Hoje faz sol. O dia tá pacífico… de certo eu vou chegar até você. você encontrado, perdido, outra vez achado, o amor é com as ondas do mar… vai, volta.. fica, tá lá no mar… Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – nada que fotografei consegui que ficasse. (risos)

das frestas

pode ser bom… a fresta se alarga…vira uma janela, tudo ali… aberto para ser visto. como acordar devagar: espio, fecho os olhos outra vez, volto a espiar… vejo luz, a sombra fica luz. abro os olhos. nem sempre é o bom, o melhor, mas a gente tenta acertar no café da manhã… se tiver leite, pão e vontade dá pra se fazer um bom dia. haja vontade! sim, a tal vontade de x ou z ou y ou aquilo e aquela blusa azul resolvem. nem sempre consigo. o inferno de hoje é entender o amanhã que está neste agora. tudo é hoje. bocejo ou resmungo. Elizabeth M. B. Mattos – maio se despedindo pra deixar o inverno chegar. 2026 – Torres

existe uma vaidade apressada / vaidade atrapalha tudo, certa humildade alegre faz bem, sem competição… coração aberto sem medo. não meu querido, não vou publicar nem remexer nos teus desabafos ou teus escritos / com ou sem autorização… a gente dá o beijo, mas o beijo compartilhado não tem dono nem publicação, eu sei, escutar / ler teus sonhos é muito bom! Liz Eliz Beth

HAN KANG

SILÊNCIO

Ao final de um dia longo, o silêncio é necessário. Assim como se faz sem perceber em frente ao fogo, é o tempo de esticar as mãos duras em direção ao ligeiro calor do silêncio. (p.145) Han Kang O livro branco

meu querido, meu amado, estou contigo: quero conversar, tomar chocolate quente, conversar, resolver as mágoas, fazer uma comida, entender que meu abraço vai curar tua dor ou potencializar tua alegria, esparramar algumas lágrimas com método. comer uma pizza/ rir e concluir: tudo está no melhor dos tempos possíveis como diria Voltaire.

Ela está sentada em frente à escrivaninha como alguém que nunca sofreu. Não igual a alguém que acabara de chorar ou que que estava prestes a isso. Como alguém que nunca foi despedaçado. Como se nunca tivesse havido um tempo em que um único conforto era o fato de que não podemos carregar a aternidade. (p.103)

então, meu amado, todas as coisas que eu quero te dizer, a cura, a liberdade, não está nas minhas mãos, mas nas tuas. vamos sentar, tu e eu, e conversar. preciso te dizer… que te amo. Elizabeth M.B. Mattos – maio de2026 – Torres

DO outro lado do sonho tem o HOJE

o caminho, não sei / sigo caminhando em tua direção. com certeza logo pegarás a minha mão e dirás, agora é para sempre… eu te amo. acabo de ler Um mergulho no AMAZONAS , em busca da medicina pública para o Brasil. foste viveste o sonho / tuas memórias de jovem médico do SESP na Amazônia, reflexões de um velho sanitarista 50 anos depois. existem estes anos todos? Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres //repovoamos o mundo / tu estavas tão longe! estás //Boca do Acre // longe e eu a te escrever escrever escrever / Eduardo Azeredo Costa / não mais Menna Barreto /// os ciclos da vida… e tu, lá do outro lado. Eu ainda não lia Huxley e sabia dançar ou danser! migalhas do tempo! queria falar contigo hoje, agora.

queijo leite e paciência

queijo, leite, paciência e concentração. não entendo nada. chá talvez resolva… sei lá. acerto interno. cheiro, intuição e batidas no coração. mil anos / tenho que recomeçar / chegar do outro lado, vou me surpreender / vou saber o que acontece do lado de cá… tempo para reler os livros, com certeza. prestar atenção. âncora! que o mar se agite// ler sem urgência ou ler o que intuímos e sabemos, ou seja, reler. . .quero conhecer o Japão. Isso é relevante?

meu querido: pensei nossos passeios, o avião sobrevoado Torres balneário // tua dinâmica e meu passo arrastado. amigos / flutuamos na / dentro de nossa amizade. eu adorava tomar chá com a tua avó, tu corrias para todos os lados… claro! tivemos a Vitor Hugo / Petrópolis / os bailes nós não dançávamos, ou dançamos? / era só na SAPT dos verões? importa lembrar? sempre escorregamos na memória. caminhos internos estranhos, mas nossos. Vivemos. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres