“O amor ao livro e o hábito da leitura vêm de longe e constituem um dos interesses centrais da minha vida. Esses interesses poderiam ter sido atendidos sem que tivessem resultado numa biblioteca de proporções talvez excessivas, se eu me tivesse sempre limitado aos livros que conseguisse ler, comprando um livro de cada vez, e só comprando o seguinte depois de ter lido o anterior. Mas não foi o que aconteceu.
O livro exerce uma atração multiforme, que vai muito além da leitura, embora esta seja um ponto de partida fundamental. Em primeiro lugar, existe sempre a ilusão de que se vai conseguir ler mais do que na realidade se consegue. Depois vem o desejo de ter à mão o maior número possível de obras de um autor de que se gosta – já é o começo de uma coleção. Conseguindo o conjunto possível, surge o interesse pelas primeiras edições […]” José Mindlin Uma vida entre livros Reencontro com o tempo
[…] primeiras edições, geralmente, raras, e a atração pelo livro como objeto, e também como objeto de arte, em que entra a qualidade do projeto gráfico, a ilustração, a diagramação, o papel, a tipografia, a encadernação; e aí já surge a busca da raridade. Quando se chega a esse estágio, aquele que pensava em ser na vida apenas um leitor metódico, está irremediavelmente perdido. Sua relação com o livro passa a ter uma dimensão quase patológica, pois a compulsão de possuí-lo é mais ou menos irreversível ( mais mais do que menos ).
Ele é ótimo! Como me identifiquei! Claro! Minhas proporções emocionais / não reais // mas as coisas de ler ler e ler estão no que ele escreve. ” O que não gosto, e raramente acontece, é de ler por obrigação.
Desconfio dos livros de sucesso, e desses, em geral, só vou ler os que tiveram um tempo de decantação. Se os próprios escritores, especialmente os principiantes, pusessem o livro na gaveta […] reconheço que isso é meio utópico. […]
Procuro, neste assunto, ter em mente a frase de Thomas Mann, segundo a qual a leitura de bons livros deveria ser proibida, porque existem os ótimos – mas não sou tão radical. Há muitos livros apenas “bons” que merecem ser lidos, e nem sempre o bom e o ótimo são classificados uniformemente por leitores diferentes.
Não gosto de livro difícil, a não ser excepcionalmente, e só com boas razões. […]
Aqui ele conta / explica os motivos e quais autores importam / depois cita Montaigne (Segundo Livro dos Ensaios):
‘Quando encontro dificuldades na leitura não me preocupo demais, pois se insistisse perder-me-ia e o meu tempo; meu espírito é de compreensão imediata. O que não entendo a primeira vista, entendo menos me obstinando, não faço nada sem alegria.’
Não faço nada sem alegria diz/ escreve Montaigne // aqui o grande segredo // parece meio categórico ou impossível, mas é o segredo de viver / da leitura / até da preguiça / de fazer a comida, de cuidar de um filho, de tagarelar na esquina, de beber um copo d´água, de comprar frutas, ou se deixar fazer nada A L E G R I A ALEGRIA
Alegria é a palavra mágica tanto no frio quanto no calor // a pequena descoberta é a grande e fantástica alegria… IMPULSIONA
Les difficultez, si j’en rencontre en lisant, je n’en ronge pas mes ongles. je les laisse là, après leurs avoir fait une charge ou deux. Si je m’y plantois, je m’y perdrois & le temps: car j’ ay un esprit primsautier: ce que je ne vois de la première charge, je le vois moins en m’y obstinant. Je ne fais rien sans gayeté” (primeira edição de 1588)
UAUU! ALEGRIA sempre. Elizabeth M.B. Mattos julho de 2026 Torres