inferno

se coisas de inferno existem, e acontecem, todos os dias… concluo que o tal lugar queimando queimando / doendo e doendo / sem refresco nem pausa, exista // talvez com esta imagem na memória, vez que outra, as pessoas consigam ser gentis e tolerantes. por medo de certo, nunca por amor… cadê a doçura e a tolerância? o sacrifício natural de amar? deixar passar o outro e não se aborrecer? nossas crianças não sabem mais nada de gentileza / estão automatizadas. tudo numa lágrima! Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres

ORIANA FALLACI

italiana de Florença, onde nasceu em a 29 de junho de 1930 Oriana Fallaci adquiriu renome internacional por suas reportagens como correspondente de duas revistas italianas: Epoca e Europeu /minha lástima foi ter emprestado o livro que Gianfranco me deu Lettera a un bambine mai nato / relato sobre o filho que não pode ter de sua união com o ativista grego Alexandre Panagulis. emprestar um livro que tinha apresso e… gosto de reler o que me importam. enfim! lamentar e chorar não resolve. livros deixam rastros… podemos esquecer detalhes da leitura, ou sei lá, mas não esquecemos o tempo da leitura… as letras ficam embutidas, sei lá, e se o volume lido volta às mãos… estou na saudade! pessoa e presente, fotos e tempo. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres / tem um lado certo de pensar.

O homem / é seu primeiro romance.

traição

meu querido: a traição de um amigo é mais traumatizante que a traição do amor de apaixonar… que, cá entre nós, atordoa as ideias. por quê? a gente meio que vive nesta ponte de desconfiança gerada pelo ciúme. o amor é uma graça, um dom… um lado divino nisso… aquieta, apazigua. completa. ( estou a pensar no assunto). EMBM

caminhar a noite

qualquer pessoa provida de imaginação está sujeita a sentir medo. eu posso ir a qualquer lugar sem sentir medo. ( não tenho imaginação ) fico como que a sapatear nos mesmos sentimentos. contemplativa estou a observar o mesmo do mesmo. caçar estrelas no céu… deixar o vento e a chuva a me assustarem. dormir de cansada, acordar com sono, banalidade. não quero seguir. quero voltar. aliás, estou sempre voltando… esquisito constatar. e este negócio de perdoar aperta. ou a gente perdoa de fato, ou ‘passa’ por distraído… se a gente briga ninguém entende nada. amar, esta coisa de amar complica, mas, sei lá, mas como seria viver diferente sem pescar bons sentimentos? nunca tive paciência para pescar… agitação de fora para dentro, de dentro para fora… ser o que sou / como sou, o tempo todo distraída com o sol, e tão atenta as letras, a curvatura da palavra, entranhas do idioma… ainda posso te escutar? sei lá. um dia, meu querido, tu olhaste no meu sorriso e eu sonhei guardar olhos azuis. conseguimos ser um do outro, naquele eterno de um momento. Basta? Elizabeth M. B. Mattos. maio de 2026 – Torres

inundar

inundar bom verbo

inundar de alegria ou de tristeza

inundar de gozo ou de desespero // a gente não pensa em tudo que nos ronda / espreita / ouvimos vozes e sorrisos, também escuto as lágrimas da chuva: viver – inundar-se…. de certo surpresas. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres

coisinhas…

pois é /quero te dizer: coisas do viver que não compreendo / ou já não sei mais… não sei dizer. como se fosse caminhar, mexer as pernas, e, de repente, não saber mais colocar uma perna na frente da outra pra seguir… será assim viver? aprender e depois esquecer… é isso, ao envelhecer a gente encolhe mesmo. dar conselho então! parece a maior idiotice do mundo… será que o querer ajuda ajuda? deve ajudar. ser pessoa, ser gente, gostar de si, gostar do outro, é coisa de querer! eu, eu Beth, Elizabeth? gosto de estar viva. sim querido, com certeza somos / podemos ser eternos um no amor do outro, e seguir com mais acertos que erros: tentar importa, eu acho! ficar feliz com os amores amados. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres

vez que outra

vez que outra a pessoa (eu) / alguém sai do mundo real / o alternativo existe? ou apenas se perde a noção // como quando se está na piscina // (Magda deve lembrar) íamos caminhando com água até o pescoço / e, pronto, caímos no mais fundo da piscina grande e nadamos / de qualquer jeito, batemos os pés e os braços / ou nos afogaríamos com certeza… tem sempre alguém vigiando as crianças sem noção…Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres

tem sempre alguém vigiando, tem sempre alguém fazendo besteira, tem sempre alguém se esforçando, inventado. o certo ou o errado, pedindo ou esquecendo de pedir, cuidado…

escrever me organiza a cabeça.