não reconheço

estas recordações com um mal-estar que não tenho capacidade para definir estão adulteradas e ridículas. por pudor, deveria guardá-las. a vida é sem coerência. boas histórias em livros: torcem a vida, inventam a verossimilhança… o mundo vesgo. volto a te pedir desculpas de ser tão desastrada nestas lembranças /nesta saudade, meu querido, e sigo sem te escrever pensando que logo mandarás tuas reflexões e teu beijo. nesta floresta de palavras saio a escolher apenas as necessárias… imito tua urgência, mas nem menciono o Peter Pan. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – Torres

registro de praia na semana passada / graças a Ana Maria!

dor ausência perda

algumas pessoas embora longe / definitivamente separadas significam / bons sentimentos mergulham na doçura e a perda… bem, nós temos a hora certa… eu sou apegada / mas igual terei que ir / enfim! nenhuma homenagem basta, ou todas são virtuosas… não sei. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – Torres / mas eu poderia estar no Rio de Janeiro / foi tão bom olhar de noite pro Cristo Redentor / cariocar / os filhos e estudar, trabalhar, um amontoado de recomeços e sequenci… positivas lembranças.

amorar não é fácil

que foto! amorar não é fácil, ler também exige / até organizar, limpar os livros… afinal, viver é difícil! Tigrinho, Mimoso… viva aos gatos! levam / trazem bons fluídos. independentes e leitores! gatos leem / cartas explicam. divago… preciso escrever pro Ricardo, preciso voltar a tecer / ser… preciso dar respostas, pensar, ser eu, ser tu. ser, de repente nós. Elizabeth M. B. Mattos / 20 de abril de 2023 / Torres (niver do Lucas)

um bilhete / não texto, não… ou um sim?

enfiado o sentir…

viver é coisa esquisita / ou na solidão, quase saudável, ou enfiado, um na vida do outro, entre respingos e tumulto a nada entender /

um se perde nesta esquina, outro se agarra naquela árvore, outro choraminga solidão, entre o silêncio e a baderna /// que confusão?

as tribos se perdem: flechas sem veneno, fogueiras danosas, índios perdidos, colonizadores saciados… e as cidades? cidades tristes, chorosas… que dor! Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – Torres / calor de abril abre os braços para o veranico de maio…

desordenado perfume

jasmins miúdos pelo chão / entro com a alma perfuma.. imediato prazer: sobe e desce pelo corpo o perfume, bons cheiros da terra. uma volta pela lagoa, logo suada / apressada / entre trocas, olhares, conversa aquela alegria peculiar ao sábado. feira livre / movimentada e colorida. lembrei… menina mimada, agarrada as bonecas de papel, as tampinhas de refrigerante, pedrinhas… depois os vestido sofisticados com rendas, bordados: beleza nascida do bom gosto da minha mãe… aliás, ela tocava nas coisas e a mágica se fazia. essência do colorido, do belo! felicidade, música de pianos e violinos…rua Vitor Hugo 229 / Petrópolis / Porto Alegre.

…depois Viúva Lacerda / Humaitá / Rio de Janeiro. Cristo Redentor… e a Feira Livre… das quartas-feiras: o peixe, o camarão, as invenções cariocas de legumes estranhos e frutas exóticas para gaúchos! Eu adorava bisbilhotar e levar pra casa as surpresas que seriam preparadas. dou risada e agradeço, como se a vida fosse parque de diversões e tanta música! num lampejo lembro dos 15 anos, bailes, verões festivos em Torres, coisas de boa memória, preciosas lembranças embrulhadas nos anos felizes de sentir feliz. Ia me estender nos detalhes da feira -livre // deste hábito bom de passar pelas calçadas e buscar frutas e colorido… e cheiros novos… atravessei os jasmins e me deu a languidez da paz = estou feliz, por hora, estou feliz, acho que é isso. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – Torres

Ângela sugeriu um café / vamos beber café e dar risadas…

indispensável na vida

hábito ou rotina? um dia depois do outro entre espera / respiro. vivência / aquilo que se repete e passa… remota / grossa saudade // manhã, café, depois abrir as janelas:

deixar o vento varrer: esperar a tempestade. sempre chega uma tempestade: tempestade de sentimentos. palavra sorriso acanhado. tempestade de certa tristeza empacotada… claro, empacotada na esperança premente ou permanente // vamos acertar.

querido, meu querido: estejas bem. seguir é tão bom! teu beijo e teu abraço segur tempo… sei, eu sei: estás presente. ausências estranhas a vida .

um beijo. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – Torres agora…antes de escurecer, contigo…

verdade ou indelicadeza?

detalhes… quando se mora na praia, modo geral, se pensa roupa de praias: shorts curtinhos, vestidinhos de algodão, coloridos... biquini em baixo de saias coloridas, sandálias, sorrisos e leveza… sem tapetes, estofados, xícaras descartáveis… mar, areia, sol e leveza. e pessoas em ritmo de férias, leveza e sorriso amigo. pois é, aqui na minha casa é diferente… tenho tudo e o peso de morar numa casa tipo serra, tipo chata, chatíssima… sirvo chá e água. e o tempo? pois é o tempo está preso no teclado, se espreguiça, durmo na hora do sol, acordo com a noite bocejando… e como frutas. destes acertos eu preciso. como explicar? digo a verdade com sorriso, embarco na indelicadeza… ou aceito a visita? Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – Torres ( o centro do meu mundo ) // sem telefone.

sim, faz tempo // ela, ela era… também era cheia de reservas… e sou de natureza alegre, comunicativa e adaptável // livros / os discos / lápis e tempo invertido… esquisitices autênticas! um velho disco e todas as risadas amontoadas, e outras livre, soltas! não sei explicar.