apoio estratégico / rotina / olhar / pausa

não sei bem como combinar tudo / amar fica meio transloucado… sem medida justa / tudo num minuto, no impulso. como ajustar estar coisas no meio de fazeres comuns como tomar banho, comer, limpar e deixar o mundo entrar pela janela, sim, mas fechar na hora certa?! não cair / sair para as tentações! as danadas tentações do prazer imediato… como vou explicar isso. como se apreende a viver? Cônegas de Santo Agostinho. Não foi apenas o colégio // estar no internato, acompanhar o embalo das missas diárias (nunca obrigatórias) esquisito isso… haviam regras a serem observadas e flexibilidade. explicar estes acertos pode ser complicado. eu gostava de ter cartilha e seguir o que importava, seguir a fantasia de ser apesar de / apesar de eu era apenas eu…Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2026 – Torres

meu querido: deves ter chegado ao teu destino. viagem acidentada a tua. cheia de objetivos… ah! esta onde de possibilidades do mundo assusta. as pessoas estão remexidas, aturdidas entre o certo e errado, comida esquisita, ar estranho, estradas confusas. preciso te escrever com calma. não imaginas o que me aconteceu?! tropecei no fio do aspirador (eu com minhas manias de limpar) e fui direto na parede… uah! meu olho está apenas terrível! aparentemente estou viva! na semana marcarei um médico, uma radiografia, um alguma coisa que confirme: estás viva! poderás seguir com teus projetos de 100 anos/ quem sabe 120 embalando melhor a sorte. um beijo

pense, pense outra vez

penso, desenho, imagino o mundo com grilos (muitos)… o mundo dos carvalhos e das violetas. desenho o que seria o troco de um carvalho, enorme, e um grilo desajeitado, ali. e as violetas também… vou ver as cerejeiras em flor no espetáculo, espetáculo anual da primavera no Japão… flores: o sorriso da natureza…, eu li. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2026 – Torres num inverno que diminui com tanto sol… ( eu sigo esquisita, tanto! talvez um sono fora do lugar me faça bem, talvez um sorriso, quero flores)

o filho – da – estrela

Era uma vez dois pobres Lenhadores que estavam indo para casa através de uma grande floresta de pinheiros. Era inverno, e fazia um frio terrível. A neve estava alta no chão e recobria os ramos das árvores; o gelo ia estourando os raminhos mais tenros, enquanto passavam; e quando chegaram à Torrente da Montanha ela estava pairando no ar, imóvel, pois o REi do Gelo já a beijara.

O frio era tão intenso que nem mesmo os animais e os pássaros sabiam o que pensar.

– Uuuhh! – rosnou o Lobo, enquanto capengava entre as plantas rasteiras, com o rabo entre as pernas. – Isso é o que eu chamo de tempo realmente pésssimo. Por que será que o Governo não faz alguma coisa?

-Piu!piu!piu! – chilrearam os Pintarroxos. – A velha Terra morreu e foi embrulhada em uma mortalha branca.

-A Terra vai se casar, e esse é seu vestido de noiva – sussurrou uma Pomba-rola para outra.

Seus pezinhos cor-de-rosa estava congelados, mas as pombas achavam que era seu dever encarar tudo com certo romantismo.

-Que bobagem! -grunhiu o Lobo. – Estou dizendo que é culpa do Governo, e se não me acreditarem, eu as comerei. (p.109-110) Oscar Wilde –Histórias de Fadas

deu vontade de contar às minhas fadas adormecidas histórias que eu vivi / aquela, por exemplo, que o mundo berrava, urrava de tanta chuva com trovoada, sábado de manhã – eu tinha que abrir a galeria Garagem de Arte e fechar às 13 horas / não importava ser sábado, nem chover, nem ter clientes / regra é regra: os sábados eram longos no verão…

agora fico pensando na lógica.

aconteceu sábado, sexta feriado, já feriado // Porto Alegre quase esvaziada… horário é horário // e o que eu conseguira para não ficar presa na cidade? uma carona pra Torres / 14 horas o combinado para me buscar e seguir viagem. Moinhos de Vento deserto, tudo quente e deserto. Fomos sequestrados. Foi horrível! Revólver na barriga / entraram na caminhonete, os três e seguimos… Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de um ano que não lembro agora / junho de 2026 / Torres

eu

tive mania por bolsas / bainhas impecáveis / perfumes. adoro cheiro, bananas fritas, batatas fritas e balas de goma. ah! laranjas, bergamotas e cerejas. nunca fui boa nas contas, estudei mais ou menos, li, li de um jeito acelerado… com prazer é claro, e sempre quis ser escritora, escrevinhar me salvava do tédio. histórias e estórias. certeza certa, eu me apaixonei muitas vezes pelo improvável, mas segui o possível. não sei se isso é escolha, bom ou ruim. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2026 – Torres – janelas abertas e uma preguiça terrível de seguir o dia.

transformações / morena, loira, castanha e cabelos brancos antes da moda, muito antes…

surpresasssssss

quando se menciona, ou se pensa o outro… vira meta / o outro se transforma em meta. caminho de amor, de amizade: amontoado de A a ah há de ter / de contido! arrepia… sou / estou equivocada porque quero estar no outro: consciente ou não, o modelo / o lugar é aonde o outro está / é /defino / desenho a partir deste modelo. quem eu sou? eu sei? acho que ainda não sei. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2026 – Torres / dia ensolarado / escuto o tempo passar / o que será

atrás da casa, atrás do vento, atrás da árvore se esconde um homem

um homem indeciso que poderá convidar para jantar, ou tomar um chá ou me dar um beijo atrasado. vamos rir /porque nossos vinte anos estão escondidos, nas tardes do clube, nos passeios/ temos Porto Alegre, temos Torres/ora ora ora temos 80 anos, mas ainda faremos estrepolias…. prometo comprar um tênis, uma blusa legal, fazer um cabelo legal… será que tu achas não vou conseguir…///// ou vamos sentir os dois e fazer de conta…sinto saudades tuas, ler junto e vamos conversar também

sempre te amei/ vai ser divertido / porque sempre te conheci, e sempre te amei, mesmo agora, longe. Elizabeth M. B. Mattos

um dia

um dia, antes foi fácil / eu conseguia / seguia / não que a vida fosse rosas cor-de-rosa / não era, nunca foi. mas a vida era mais fácil… esquisito. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres

pensei: porque dependia apenas da minha vontade / agora, não depende mais de mim… com o tempo fui ficando leve, muito leve… e o vento decide.