pense, pense outra vez

penso, desenho, imagino o mundo com grilos (muitos)… o mundo dos carvalhos e das violetas. desenho o que seria o troco de um carvalho, enorme, e um grilo desajeitado, ali. e as violetas também… vou ver as cerejeiras em flor no espetáculo, espetáculo anual da primavera no Japão… flores: o sorriso da natureza…, eu li. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2026 – Torres num inverno que diminui com tanto sol… ( eu sigo esquisita, tanto! talvez um sono fora do lugar me faça bem, talvez um sorriso, quero flores)

o filho – da – estrela

Era uma vez dois pobres Lenhadores que estavam indo para casa através de uma grande floresta de pinheiros. Era inverno, e fazia um frio terrível. A neve estava alta no chão e recobria os ramos das árvores; o gelo ia estourando os raminhos mais tenros, enquanto passavam; e quando chegaram à Torrente da Montanha ela estava pairando no ar, imóvel, pois o REi do Gelo já a beijara.

O frio era tão intenso que nem mesmo os animais e os pássaros sabiam o que pensar.

– Uuuhh! – rosnou o Lobo, enquanto capengava entre as plantas rasteiras, com o rabo entre as pernas. – Isso é o que eu chamo de tempo realmente pésssimo. Por que será que o Governo não faz alguma coisa?

-Piu!piu!piu! – chilrearam os Pintarroxos. – A velha Terra morreu e foi embrulhada em uma mortalha branca.

-A Terra vai se casar, e esse é seu vestido de noiva – sussurrou uma Pomba-rola para outra.

Seus pezinhos cor-de-rosa estava congelados, mas as pombas achavam que era seu dever encarar tudo com certo romantismo.

-Que bobagem! -grunhiu o Lobo. – Estou dizendo que é culpa do Governo, e se não me acreditarem, eu as comerei. (p.109-110) Oscar Wilde –Histórias de Fadas

deu vontade de contar às minhas fadas adormecidas histórias que eu vivi / aquela, por exemplo, que o mundo berrava, urrava de tanta chuva com trovoada, sábado de manhã – eu tinha que abrir a galeria Garagem de Arte e fechar às 13 horas / não importava ser sábado, nem chover, nem ter clientes / regra é regra: os sábados eram longos no verão…

agora fico pensando na lógica.

aconteceu sábado, sexta feriado, já feriado // Porto Alegre quase esvaziada… horário é horário // e o que eu conseguira para não ficar presa na cidade? uma carona pra Torres / 14 horas o combinado para me buscar e seguir viagem. Moinhos de Vento deserto, tudo quente e deserto. Fomos sequestrados. Foi horrível! Revólver na barriga / entraram na caminhonete, os três e seguimos… Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de um ano que não lembro agora / junho de 2026 / Torres

eu

tive mania por bolsas / bainhas impecáveis / perfumes. adoro cheiro, bananas fritas, batatas fritas e balas de goma. ah! laranjas, bergamotas e cerejas. nunca fui boa nas contas, estudei mais ou menos, li, li de um jeito acelerado… com prazer é claro, e sempre quis ser escritora, escrevinhar me salvava do tédio. histórias e estórias. certeza certa, eu me apaixonei muitas vezes pelo improvável, mas segui o possível. não sei se isso é escolha, bom ou ruim. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2026 – Torres – janelas abertas e uma preguiça terrível de seguir o dia.

transformações / morena, loira, castanha e cabelos brancos antes da moda, muito antes…

surpresasssssss

quando se menciona, ou se pensa o outro… vira meta / o outro se transforma em meta. caminho de amor, de amizade: amontoado de A a ah há de ter / de contido! arrepia… sou / estou equivocada porque quero estar no outro: consciente ou não, o modelo / o lugar é aonde o outro está / é /defino / desenho a partir deste modelo. quem eu sou? eu sei? acho que ainda não sei. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2026 – Torres / dia ensolarado / escuto o tempo passar / o que será

atrás da casa, atrás do vento, atrás da árvore se esconde um homem

um homem indeciso que poderá convidar para jantar, ou tomar um chá ou me dar um beijo atrasado. vamos rir /porque nossos vinte anos estão escondidos, nas tardes do clube, nos passeios/ temos Porto Alegre, temos Torres/ora ora ora temos 80 anos, mas ainda faremos estrepolias…. prometo comprar um tênis, uma blusa legal, fazer um cabelo legal… será que tu achas não vou conseguir…///// ou vamos sentir os dois e fazer de conta…sinto saudades tuas, ler junto e vamos conversar também

sempre te amei/ vai ser divertido / porque sempre te conheci, e sempre te amei, mesmo agora, longe. Elizabeth M. B. Mattos

um dia

um dia, antes foi fácil / eu conseguia / seguia / não que a vida fosse rosas cor-de-rosa / não era, nunca foi. mas a vida era mais fácil… esquisito. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres

pensei: porque dependia apenas da minha vontade / agora, não depende mais de mim… com o tempo fui ficando leve, muito leve… e o vento decide.

pedra branca

” Há muito tempo, ela pegou uma pedrinha branca na praia. Removeu a areia, colocou -a no bolso da calça e, chegando em casa, guardou-a na gaveta. Era uma pedra redonda e lisa, degastada pela ondas. Pensou que fosse tão clara que pudesse ver seu interior, mas, na verdade, não era transparente a esse ponto ( na realidade, era uma pedra branca comum). Às vezes, ela tirava a pedra do seu recanto e a pousava na palma da mão. Imaginava que, se pudesse condensar o silêncio no menor e mais sólido objeto, essa seria a sensação tátil.” (p.93) Han Kang – O livro branco

” A vida não é particularmente gentil com ninguém. O granizo cai enquanto ela caminha sabendo desse fato. Tudo passa. Ao andar ela se lembra de que, no fim, tudo que você agarra usando todas as forças vai desaparecer.”

Agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura 2024. Han Kang nasceu na Coréia do Sul em 1970

E eu? Fotografo folhas, minhas pedras, o tempo… Quero escrever sobre agarrar o tempo. Fotografo minha alma aos pouquinhos. Mas, o fato é que está tudo embaciado. Não compreendo. Hoje faz sol. O dia tá pacífico… de certo eu vou chegar até você. você encontrado, perdido, outra vez achado, o amor é com as ondas do mar… vai, volta.. fica, tá lá no mar… Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – nada que fotografei consegui que ficasse. (risos)

das frestas

pode ser bom… a fresta se alarga…vira uma janela, tudo ali… aberto para ser visto. como acordar devagar: espio, fecho os olhos outra vez, volto a espiar… vejo luz, a sombra fica luz. abro os olhos. nem sempre é o bom, o melhor, mas a gente tenta acertar no café da manhã… se tiver leite, pão e vontade dá pra se fazer um bom dia. haja vontade! sim, a tal vontade de x ou z ou y ou aquilo e aquela blusa azul resolvem. nem sempre consigo. o inferno de hoje é entender o amanhã que está neste agora. tudo é hoje. bocejo ou resmungo. Elizabeth M. B. Mattos – maio se despedindo pra deixar o inverno chegar. 2026 – Torres

existe uma vaidade apressada / vaidade atrapalha tudo, certa humildade alegre faz bem, sem competição… coração aberto sem medo. não meu querido, não vou publicar nem remexer nos teus desabafos ou teus escritos / com ou sem autorização… a gente dá o beijo, mas o beijo compartilhado não tem dono nem publicação, eu sei, escutar / ler teus sonhos é muito bom! Liz Eliz Beth