banal e ensolarado

ensolarado este frio: bonito. temperatura pode ser feia, razoável ou linda! como aquela menina com tranças. hoje ela está deslumbrante. colocou fitas no trançado. achei tão bonito! um detalhe. o mesmo jeans, o mesmo casaco azul, o mesmo tênis. eu segui, aliás, consegui seguir a rotina: lavei a louça empilhada, arrumei as camas, abri as cortinas, recolhi a roupa, claro! passei aspirador e usei o espanador pra poeira… deve ser as frestas dos vidros… incrível como este pó miúdo insiste em entrar (risos) // meio moída estou, mas limpo… nada divertido envelhecer / o corpo fica meio rendado, algumas pessoas gostam de rendas… eu sigo gostando de ti… meio desastrado, não é? afinal tudo não passou de uma brincadeira! É que gostei tanto de brincar! Elizabeth M. B. Mattos – maio terminando, 2026 – Torres

querido, queria te escrever uma carta derretida, outra amorosa, outra bem furiosa… depois te conto os motivos. um beijo

“As rochas no alto da montanha não são necessariamente perigosas e se as prisões não se esvaziassem de seus presos políticos qual o sentido de se falar em liberdade? Ele jamais se comportaria como um tirano: é inteligente.” (p.303) Oriana Fallaci Um homem

rastros

sigo rastros, repito as trilhas / como fizeram ( eu acho ) meu pai / minha mãe / tios e amigos / fotografo cada instante / as frutas / os livros empilhados num lado da mesa, ou no canto da poltrona. estantes abarrotadas… ou as frutas. vou espiando / sigo passarinho nos meus jasmins… a chuva. coloco na memória doenças, alegrias passadas… a vida de ontem, de antes se mistura assim aos sonhos com amanhã: os mil anos que eu quero viver / lembrando Garcia Marques / amarrada num carvalho a ver o mundo indo e voltando, eu ficando. uma droga ter certeza que o hoje tem limite… o ontem também, amanhã deve ter também. Elizabeth M. B. Mattos – maio com chuva e frio, sem veranico – 2026 – Torres

conversa rasgada

rasgada, depois fiapo… dos panos para a costura, uma ideia de consertar. reunidos para confraternizar, estar juntos. conversar – eu cá penso que estamos tão atrapalhados e incertos dentro deste cesto que virou Brasil que o medo ronda… ora empertigado, enchapelado, lustrado. depois a ventania sacado os cabelos, a chuva desmancha o enfeite, mas…

vai ter um espacinho sacrifício de olhar para o outro e escutar o outro e depois abraçar um pouquinho… ser leve mesmo com assunto tão pesado… vamos fazer bolo, pão e biscoitos e será divertido. Tudo se resume em amor. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres

complicado acertar. conviver, ceder aqui, convencer ali / fazer / ser / fazer / agir para conseguir agarrar o bom sono… estou dormindo muito pouco /e/ verdade verdadeira, devemos dormir no sono / com sono… por que a gente perde a noite rolando na cama, sente sono no susto, descontrolado isso tudo. e por que o medo de ser diferente? um punhado de gente, que se gostam, mas umas tem tranças, outros rasparam a cabelo, aquele está inquieto, este tão calado! veste verde, veste bonito, veste esquisito, não gosta de praia, mas de montanhas, musica com metais, ou pianos? canções… e filmes, séries… rotina de ver coisas e o outro desligado, desliza no tédio indefino, neste nada fazer, um ócio largado… como seria chegar perto? mãe, pai, irmão, irmã, os queridos, os diferente, e avós e tios…e um exercito diferente. o milagre? conversar e não levar ao calabouço toda a ideia diferente. costurar com doçura, remendar com paciência, olhar duas, três vezes, e saldar o dia no abraço… abrir mão de alguma coisa, deixar ir as margaridas com chocolate, porque, na verdade, chegarão as violetas. é aceitar as divergências o sentido perfeito de família…. mas como é difícil?

inferno

se coisas de inferno existem, e acontecem, todos os dias… concluo que o tal lugar queimando queimando / doendo e doendo / sem refresco nem pausa, exista // talvez com esta imagem na memória, vez que outra, as pessoas consigam ser gentis e tolerantes. por medo de certo, nunca por amor… cadê a doçura e a tolerância? o sacrifício natural de amar? deixar passar o outro e não se aborrecer? nossas crianças não sabem mais nada de gentileza / estão automatizadas. tudo numa lágrima! Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres

ORIANA FALLACI

italiana de Florença, onde nasceu em a 29 de junho de 1930 Oriana Fallaci adquiriu renome internacional por suas reportagens como correspondente de duas revistas italianas: Epoca e Europeu /minha lástima foi ter emprestado o livro que Gianfranco me deu Lettera a un bambine mai nato / relato sobre o filho que não pode ter de sua união com o ativista grego Alexandre Panagulis. emprestar um livro que tinha apresso e… gosto de reler o que me importam. enfim! lamentar e chorar não resolve. livros deixam rastros… podemos esquecer detalhes da leitura, ou sei lá, mas não esquecemos o tempo da leitura… as letras ficam embutidas, sei lá, e se o volume lido volta às mãos… estou na saudade! pessoa e presente, fotos e tempo. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres / tem um lado certo de pensar.

O homem / é seu primeiro romance.

traição

meu querido: a traição de um amigo é mais traumatizante que a traição do amor de apaixonar… que, cá entre nós, atordoa as ideias. por quê? a gente meio que vive nesta ponte de desconfiança gerada pelo ciúme. o amor é uma graça, um dom… um lado divino nisso… aquieta, apazigua. completa. ( estou a pensar no assunto). EMBM

caminhar a noite

qualquer pessoa provida de imaginação está sujeita a sentir medo. eu posso ir a qualquer lugar sem sentir medo. ( não tenho imaginação ) fico como que a sapatear nos mesmos sentimentos. contemplativa estou a observar o mesmo do mesmo. caçar estrelas no céu… deixar o vento e a chuva a me assustarem. dormir de cansada, acordar com sono, banalidade. não quero seguir. quero voltar. aliás, estou sempre voltando… esquisito constatar. e este negócio de perdoar aperta. ou a gente perdoa de fato, ou ‘passa’ por distraído… se a gente briga ninguém entende nada. amar, esta coisa de amar complica, mas, sei lá, mas como seria viver diferente sem pescar bons sentimentos? nunca tive paciência para pescar… agitação de fora para dentro, de dentro para fora… ser o que sou / como sou, o tempo todo distraída com o sol, e tão atenta as letras, a curvatura da palavra, entranhas do idioma… ainda posso te escutar? sei lá. um dia, meu querido, tu olhaste no meu sorriso e eu sonhei guardar olhos azuis. conseguimos ser um do outro, naquele eterno de um momento. Basta? Elizabeth M. B. Mattos. maio de 2026 – Torres

inundar

inundar bom verbo

inundar de alegria ou de tristeza

inundar de gozo ou de desespero // a gente não pensa em tudo que nos ronda / espreita / ouvimos vozes e sorrisos, também escuto as lágrimas da chuva: viver – inundar-se…. de certo surpresas. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres