HAN KANG

SILÊNCIO

Ao final de um dia longo, o silêncio é necessário. Assim como se faz sem perceber em frente ao fogo, é o tempo de esticar as mãos duras em direção ao ligeiro calor do silêncio. (p.145) Han Kang O livro branco

meu querido, meu amado, estou contigo: quero conversar, tomar chocolate quente, conversar, resolver as mágoas, fazer uma comida, entender que meu abraço vai curar tua dor ou potencializar tua alegria, esparramar algumas lágrimas com método. comer uma pizza/ rir e concluir: tudo está no melhor dos tempos possíveis como diria Voltaire.

Ela está sentada em frente à escrivaninha como alguém que nunca sofreu. Não igual a alguém que acabara de chorar ou que que estava prestes a isso. Como alguém que nunca foi despedaçado. Como se nunca tivesse havido um tempo em que um único conforto era o fato de que não podemos carregar a aternidade. (p.103)

então, meu amado, todas as coisas que eu quero te dizer, a cura, a liberdade, não está nas minhas mãos, mas nas tuas. vamos sentar, tu e eu, e conversar. preciso te dizer… que te amo. Elizabeth M.B. Mattos – maio de2026 – Torres

DO outro lado do sonho tem o HOJE

o caminho, não sei / sigo caminhando em tua direção. com certeza logo pegarás a minha mão e dirás, agora é para sempre… eu te amo. acabo de ler Um mergulho no AMAZONAS , em busca da medicina pública para o Brasil. foste viveste o sonho / tuas memórias de jovem médico do SESP na Amazônia, reflexões de um velho sanitarista 50 anos depois. existem estes anos todos? Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres //repovoamos o mundo / tu estavas tão longe! estás //Boca do Acre // longe e eu a te escrever escrever escrever / Eduardo Azeredo Costa / não mais Menna Barreto /// os ciclos da vida… e tu, lá do outro lado. Eu ainda não lia Huxley e sabia dançar ou danser! migalhas do tempo! queria falar contigo hoje, agora.

queijo leite e paciência

queijo, leite, paciência e concentração. não entendo nada. chá talvez resolva… sei lá. acerto interno. cheiro, intuição e batidas no coração. mil anos / tenho que recomeçar / chegar do outro lado, vou me surpreender / vou saber o que acontece do lado de cá… tempo para reler os livros, com certeza. prestar atenção. âncora! que o mar se agite// ler sem urgência ou ler o que intuímos e sabemos, ou seja, reler. . .quero conhecer o Japão. Isso é relevante?

meu querido: pensei nossos passeios, o avião sobrevoado Torres balneário // tua dinâmica e meu passo arrastado. amigos / flutuamos na / dentro de nossa amizade. eu adorava tomar chá com a tua avó, tu corrias para todos os lados… claro! tivemos a Vitor Hugo / Petrópolis / os bailes nós não dançávamos, ou dançamos? / era só na SAPT dos verões? importa lembrar? sempre escorregamos na memória. caminhos internos estranhos, mas nossos. Vivemos. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres

banal e ensolarado

ensolarado este frio: bonito. temperatura pode ser feia, razoável ou linda! como aquela menina com tranças. hoje ela está deslumbrante. colocou fitas no trançado. achei tão bonito! um detalhe. o mesmo jeans, o mesmo casaco azul, o mesmo tênis. eu segui, aliás, consegui seguir a rotina: lavei a louça empilhada, arrumei as camas, abri as cortinas, recolhi a roupa, claro! passei aspirador e usei o espanador pra poeira… deve ser as frestas dos vidros… incrível como este pó miúdo insiste em entrar (risos) // meio moída estou, mas limpo… nada divertido envelhecer / o corpo fica meio rendado, algumas pessoas gostam de rendas… eu sigo gostando de ti… meio desastrado, não é? afinal tudo não passou de uma brincadeira! É que gostei tanto de brincar! Elizabeth M. B. Mattos – maio terminando, 2026 – Torres

querido, queria te escrever uma carta derretida, outra amorosa, outra bem furiosa… depois te conto os motivos. um beijo

“As rochas no alto da montanha não são necessariamente perigosas e se as prisões não se esvaziassem de seus presos políticos qual o sentido de se falar em liberdade? Ele jamais se comportaria como um tirano: é inteligente.” (p.303) Oriana Fallaci Um homem

rastros

sigo rastros, repito as trilhas / como fizeram ( eu acho ) meu pai / minha mãe / tios e amigos / fotografo cada instante / as frutas / os livros empilhados num lado da mesa, ou no canto da poltrona. estantes abarrotadas… ou as frutas. vou espiando / sigo passarinho nos meus jasmins… a chuva. coloco na memória doenças, alegrias passadas… a vida de ontem, de antes se mistura assim aos sonhos com amanhã: os mil anos que eu quero viver / lembrando Garcia Marques / amarrada num carvalho a ver o mundo indo e voltando, eu ficando. uma droga ter certeza que o hoje tem limite… o ontem também, amanhã deve ter também. Elizabeth M. B. Mattos – maio com chuva e frio, sem veranico – 2026 – Torres

conversa rasgada

rasgada, depois fiapo… dos panos para a costura, uma ideia de consertar. reunidos para confraternizar, estar juntos. conversar – eu cá penso que estamos tão atrapalhados e incertos dentro deste cesto que virou Brasil que o medo ronda… ora empertigado, enchapelado, lustrado. depois a ventania sacado os cabelos, a chuva desmancha o enfeite, mas…

vai ter um espacinho sacrifício de olhar para o outro e escutar o outro e depois abraçar um pouquinho… ser leve mesmo com assunto tão pesado… vamos fazer bolo, pão e biscoitos e será divertido. Tudo se resume em amor. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres

complicado acertar. conviver, ceder aqui, convencer ali / fazer / ser / fazer / agir para conseguir agarrar o bom sono… estou dormindo muito pouco /e/ verdade verdadeira, devemos dormir no sono / com sono… por que a gente perde a noite rolando na cama, sente sono no susto, descontrolado isso tudo. e por que o medo de ser diferente? um punhado de gente, que se gostam, mas umas tem tranças, outros rasparam a cabelo, aquele está inquieto, este tão calado! veste verde, veste bonito, veste esquisito, não gosta de praia, mas de montanhas, musica com metais, ou pianos? canções… e filmes, séries… rotina de ver coisas e o outro desligado, desliza no tédio indefino, neste nada fazer, um ócio largado… como seria chegar perto? mãe, pai, irmão, irmã, os queridos, os diferente, e avós e tios…e um exercito diferente. o milagre? conversar e não levar ao calabouço toda a ideia diferente. costurar com doçura, remendar com paciência, olhar duas, três vezes, e saldar o dia no abraço… abrir mão de alguma coisa, deixar ir as margaridas com chocolate, porque, na verdade, chegarão as violetas. é aceitar as divergências o sentido perfeito de família…. mas como é difícil?

inferno

se coisas de inferno existem, e acontecem, todos os dias… concluo que o tal lugar queimando queimando / doendo e doendo / sem refresco nem pausa, exista // talvez com esta imagem na memória, vez que outra, as pessoas consigam ser gentis e tolerantes. por medo de certo, nunca por amor… cadê a doçura e a tolerância? o sacrifício natural de amar? deixar passar o outro e não se aborrecer? nossas crianças não sabem mais nada de gentileza / estão automatizadas. tudo numa lágrima! Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres

ORIANA FALLACI

italiana de Florença, onde nasceu em a 29 de junho de 1930 Oriana Fallaci adquiriu renome internacional por suas reportagens como correspondente de duas revistas italianas: Epoca e Europeu /minha lástima foi ter emprestado o livro que Gianfranco me deu Lettera a un bambine mai nato / relato sobre o filho que não pode ter de sua união com o ativista grego Alexandre Panagulis. emprestar um livro que tinha apresso e… gosto de reler o que me importam. enfim! lamentar e chorar não resolve. livros deixam rastros… podemos esquecer detalhes da leitura, ou sei lá, mas não esquecemos o tempo da leitura… as letras ficam embutidas, sei lá, e se o volume lido volta às mãos… estou na saudade! pessoa e presente, fotos e tempo. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres / tem um lado certo de pensar.

O homem / é seu primeiro romance.