bomba e guerra

guerra e bomba / por que nunca termina? ganância ou falta de fé? homem no homem, mulher na mulher… as crianças deixaram de brincar nas calçadas? esquecemos de rir e desconfiamos desconfiamos / não parece absurdo apenas desconfiar… o reino do Vaticano… também está incluído? Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres /

LEON TROTSKY

Minha infância não conheceu fome nem frio. Quando nasci, a família dos meus pais possuía uma certa abastança. Mas era o bem estar-rigoroso da gente que sai da indigência para se elevar e não tem nenhuma vontade de parar no meio do caminho. Todos os músculos eram tendidos, todas as ideias dirigidas no sentido do trabalho e da acumulação. Neste gênero de existência, o lugar reservado às crianças era mais que modesto. Não conhecíamos a necessidade, mas também não conhecemos tampouco as larguezas de vida, nem os seus carinhos. A infância não foi para mim uma clareira ensolarada como para uma minoria ínfima; também não foi a caverna da fome, dos maus tratos e dos insultos, como acontece a muitos, como acontece à maioria. Foi uma infância cinzenta, numa família pequeno-burguesa, na aldeia, num canto perdido, onde a natureza é larga, mas os costumes, as opiniões, os interesses são estreitos, mesquinhos. (p.17) Leon Trotsky Minha Vida Editora Paz e Terra – 1969

estas coisas da infância são os pés de barro da diferença / dos sonhos miúdos e das grandes vitórias porque tecem quem somos: as urgências, as metas, as carências e visam o tal sucesso… a tal meta, a tal vontade, o tal caminho que vai mesmo fazer a diferença. medem os beijos que não damos, as propostas que nos envolvem, os escondidos das nossas escolhas, mitigam felicidade e alegria, e se agarram nas balas de goma ou nas barras de chocolate com que nos lambuzamos, nos fazem crianças espertas ou distraídas. ah! esta habilidade de entender a infância e plantar margaridas! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

de ferro

armadura, ou alma? se as escolhas se envolvem com a alma não com castelos nós tropeçamos… os presídios nos aguardam, sem margaridas, com celas, grades e pedacinhos do céu se forem em torres. afinal, sobreviver tem uma doçura amarga de superação. as histórias se empilham… os desencontros, as tristezas azedas, algumas lacunas podem deixar o ar passar… ah! viver tem esquisitices que se grudam ao corpo, e deixamos, assim, de nos reconhecer… o mito da felicidade na ponta do arco íris. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

superstições políticas

Porque seja qual for a superioridade intelectual de um homem, ele nunca poderá assumir uma supremacia prática e aproveitável sobre outros homens sem o auxílio de alguns artifícios externos e meio solapados, sempre, em si mesmos, mais ou menos vis e baixos. É por isso que os verdadeiros príncipes divinos do Império sempre se mantêm afastados dos discursos do mundo e deixam as mais altas honras que tal aparência pode dar a esses homens que chegam a ser famosos antes por mercê da sua infinita inferioridade – a oculta eleição da Divina Inércia – do que por sua indubitável superioridade sobre o nível morto das massas. Tão grandes virtudes se escondem nestas pequenas coisas, quando as extremas superstições políticas as envolvem que, em certos casos régios, até à magna imbecilidade tem conferido poderio. (p.177) Herman Melville MOBY DICY

uauuuuuu! políticos nas escolas de samba / afinal, é tudo mesmo CARNAVAL! depois da festa / do samba, vamos votar! e se tivermos dinheiro pra pagar o almoço, aquele sanduiche de mortadela…

arreganhado ou arregalada ou escondida

escondida palavra, encolhida, triste, ou espreitando a história que era estória daqueles amores nascentes, encharcados de lágrimas, depois suspiros e goles, goles esganados de felicidade… e o perfume entrou pelas minhas narinas satisfeitos…gozo completo de ser autêntico, sentido. viver tem estes tropeços necessários, justos, um empurrão e pronto. Entrei. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

100 anos

exigências não desaparecem… perfume de rosas, cheiro de jasmim, capim cidreira e aquele desejo derramado e exótico de lavando: corpo X casa X armário. como fazer um bife sem três velas acesas? como lavar a roupa que não fique impregnada de amaciante fresco, o perfume da vida / mínimo / três banhos diários… lençóis impecáveis / travesseiros de feno… perto dos 100 anos / estou, mas sigo perseguindo os cheiros e o prazer dos aromas. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro – 2026 – Torres

cheiro de gramado molhado, de inverno, e de verão doce, perfumado pelo amor de amar. que bom teres chegado!

queridoqueridoqueridoquerido

distância de tempo de um dia de um carnaval, saudade esquisita num dia de recreio festivo… inquieta sem te ver sem te saber, sentindo, é verdade, mas só sentir não muda minha aflição… saber que estás / estou / estamos = vivemos e seremos, ou vamos mesmo deixar o mundo ruir, separar, quebrar? volta meu querido, depressa! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

achas?

tu achas mesmo que te amar não é verdade? ainda processo? transformação? metamorfose? eu te amo: vejo borboletas e cores… não consigo tocar. é verdade. sinto o gosto, o gosto do teu amor. misturo com água e bolinhas e com sabor, sem sabor, às vezes, da fonte: raríssimo. eu amo teu amor. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

TZCmemórias

narrativas flutuantes são / permanecem / brotam sempre contraditórias e íntimas. vamos retirar a saudade / lembranças, objetivar o susto. estatelada em baixo do chuveiro, sem quebrar nada, só o ridículo de cair e levantar bem depressa pra que o susto não surpreenda. aventuras de verão. perdi a colheita dos tomates / já estão na terra virando semente again. o que resta? tua presença ansiosa como a minha… estamos, os dois, estupefatos com este verão misterioso, e, decepcionante… estávamos, tu e eu, esperando, a surpresa das estrelas. bem querido, elas devem estar nos esperando… Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro – 2026 – Torres

MarinaPfeifer