credo! que frio!

escrever deveria dar um calorzinho! Jesus Maria José! estou apreendendo a sentir frio! sempre uma novidade esquisita acontece! quando neva deve ser melhor! estranhamento…Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 TORRES

memória esfarrapada

esburacada lembrança, e, sem lista esqueci uma das coisas que precisava e comprei outras que já tinham (achando, com certeza, que faltava)… acordo incomodada. tenho duas irmãs mais velhas do que eu, cinco e seis anos que se movem muito bem na memória… Suzana com mesmo número de filhos, pois é… nada de comparar, eu sei. mas, por que não? apostei na minha memória, no meu fazer. sem brilhantismo mas eu dava conta. rabiscos, listas, estranhamento… será que nunca tive boa memória e agora tá falando mesmo? esta coisa carnavalesca do envelhecer… juro, uma dança sem música? ou estou escutando mal também? como chove! um inverno que não termina, uma lágrima que volta. eu gostava da preguiça, daquela vontade de ficar fazendo nada num prazer morno. nas conversas compridas que não me deixavam exausta, tudo me cansa… tenho que voltar , voltar, mas não sei exatamente para onde. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – Torres indefinido, indefinido, indefinido

preguiça enterrada

tenho uma preguiça enterrada na bancada da cozinha chegando a pia, feito um monte Everest / as camas com vendaval de roupas que chegam nas cadeiras… e o mundo se mostra tempestivo, desafiador as temperaturas incontroláveis. O que posso fazer? troquei os móveis de lugar num surto de novidade, abençoadas mudanças pelo João que me faz rir e me sentir viva… vamos, vamos, dona Beth! A vida pode ser um jogo de amor bem interessante! Amanhã amanhã os filhos se reúnem, os amigos abençoam…Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – Torres

devagar, quase parando

coroa, palmas para o hábito, para a rotina. esta organização arrumada, planejada, no meu caso, ajuda. o improviso me causa espanto, encanta, mas, desorganizo fácil: o tempo de olhar estrelas atrapalha o sono, o passeio demorado atrapalha a ordem da casa. como se frutas voassem… e pássaros pousassem na minha mão…

querido, não posso esquecer de te escrever todos os dias, hoje não mais papel, tinta, envelopes e selos, mas mesmo a corrida atual, instantânea me faz pensar naquele encantamento preparado dos blocos de carta… eu me deixo embalar. verdade? preciso do tempo arrastado e manso de ficar contigo. deve ser saudade. hoje me apresso. um beijo. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – Torres

medo trava

danado deste sentimento // medo que paralisa. querido, quando tu me achaste / não ao acaso, afinal somos ‘achados de toda uma vida’ / devo ter te conhecido menino // lembras? não lembras; muitas vezes sentada na areia, beira das quadras, vendo vocês jogarem, ah! estas memórias de Torres / das paixonites // lembras Magda, nossas caminhadas na calçada da Prainha de lá pra cá e de cá pra lá? aquela maravilha de ser menina, adolecer em Torres: o verão era festa e festa. saudade da SAPT! em Porto Alegre tudo ( avida com outras surpresas) se transformava no colégio: vida de pátio, da calçada, tempo dos livros. Não. Nunca fui estudiosa, sempre nas beiradas, em momento nenhum me destaquei, mas ler ler ler sim. Ganhei medalha (naquele tempo existiam medalhas de premiação) apenas de comportamento. (risos) hoje se diria que eu era reprimida, sei lá. no Colégio Santa Inês nunca nenhum destaque, nem comportamento. ah! bons tempos de Petrópolis e da Missa aos Domingos na Igreja São Sebastião! namoradeira!? pois é… de olhar, de flertar, de ter amigos, das reuniões dançantes! tempo precioso! dia nublado / querido, meu querido, esta coisa de me apaixonar agora, na curva deste tempo / no meio desta política desgovernada / de informação pra cá e pra lá num quebra-cabeça de 9 mil peças: nenhuma lógica no meu jogo, atrapalhada!? pois é… eu te confesso, tô perdida. Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2026 – Torres (aniversário da Ana chegando, calor / frio / esquisitices climáticas / e o pessoal aqui no terceiro andar a se mexer de lá pra cá / a vida caminhando)

saudade das amigas / Luiza / Mabel / Magda / Ana Helena / da Tânia aqui do prédio / Ângela / amiga das caminhadas / este inverno cortou a alma / picotou tudo. vou festejar o verão nas madrugadas / claro! ainda choramingo a falta a Ônix / faz parte (muito tempo) como chorei muitos e muitos anos a Dark (minha pastor).

“Tinha de cuidar/se quando soprava o vento leste, mas o outono e o inverno não eram tão maus; lá estavam o calor do fogo e os livros, e a gente podia com eles esperar o verão. Naturalmente era do verão que ele gostava mais; além do tempo, que lhe convinha, havia as visitas contínuas de antigos alunos. Todos os fins de semana alguns deles subiam de automóvel até Brookield para visitar Chips. Com frequência o deixavam cansado, se vinham muitos ao mesmo tempo; mas aquilo na verdade não lhe importava porque depois ele podia sempre descansar e dormir. E gostava destas visitas – mais que de qualquer outra coisa no mundo de todas as que ainda podia gozar.” (p.110-111) James Hilton

Adeus, Mr Chips tradução de Érico Veríssimo / Editora Globo

Estas leituras / este tempo / as lembranças enfiadas na memórias a pipocar / afetuosas! coisitas da vida a fazerem cócegas! o meu trabalho tá envelhecendo, patético, mas o que me revigora, ainda, é pensar em ti / és o presente, um agora tão bom! o hoje, o agora empurra tudo o mais… sinto saudade mesmo quando escreves / quando estás… coisas destes tempos / saudade é como amor / SEMPRE

É o tempo / é o tal tempo // tenho que renovar a alma, eu sei, também a energia / novos fa / ze / res (fazeres) / novos caminhos… um amado, na curva.

perseguição

aquele medo me persegue // pois é // vou a reagir // a temperatura aquece até a alma // alma quieta, o sono abraçar sim, com certeza, preciso escrever escrever escrever mais… deixar o dia dançar, sombras livres / a passarinhada se agita / notícias flutuam… eu me preocupo agora, fui distraída a vida inteira, estou com medo? Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – Torres

o medo agarra distraídos / deve ser isso a perseguição, incerteza. / / /não, perfeitamente segura / quantas vezes vou explicar?

susto e confusão

não entre em pânico / detalhes espicaçados de confusões ansiosas / estou colocando tudo na conta do tempo, do envelhecer contrariada / a lança e o olhar afiados… menos, menos, menos. vou buscar um gosto de liberdade viajando, visitando os filhos, ou indo pra Noruega…ou Japão / agarrei um sonho japonês e tudo me interessa / os livros pois é // já tenho uma pequena estante lotada / e meus vizinhos, na Vitor Hugo eram chineses / Tinita, Joyce e os irmãos (eram gêmeos?) lindos… e os muros? eram cercas vivas que também floriam… e as meninas, /às vezes, estavam na calçada. Joyce era cega / a mais velha das meninas, a mais linda, a mais para nós / sempre existe o mais… Tinita amiga e eu ganhava de aniversário lindas caixas de música, belíssimas… detalhes do amor. hoje troquei os horários das terapias, tipo o céu / amanhece cinzentão, súbito, azul, entre o frio e o quente… e seguimos. será que vai chover? eu? estou num esforço GIGANTE pra não subir no poço, entre túneis secretos. plantei margaridas, colhi jasmins, e a bandeja está com frutas, geladeira vazia… bem, nem tudo é perfeito. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – Torres a pensar muito nos cães da Ana, (divinos) e na gata da Luiza! e a Joana com sua loba amarela… e o Pedro chegando / a Claudia amorosa, presente. Esqueci dos genros! Não… nem das minhas sobrinhas Cristina e Marina / porque tem outra leva meio desaparecida… faz parte, faz parte! isso que a família é pequena… bem pequena!

pai , mãe e ANA Maria / Rio de Janeiro