80 anos
tem ponto final? ou interrogação? exclamação… uauu! usei reticências. pois é uma tremenda confusão e sinto um frio danado. as pitangas começam a surgir, não reparei nas amoreiras. deve chegar o verão… ficarei sufocada ou será o tal ponto? não estou desencorajando, mas bota tempo de ser difícil, nem um filme de Wood ou tecnicolor, todos traições, vinganças e dinheiro… o mundo ficou preto e branco, e guerras, disputas, mentiras… promessas e nenhuma risada. Sim, minha amiga Magda, nós ríamos juntas. Era fácil. Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2026 / com chuviscos por aqui, chuviscos e insônia. podia ser melhor?



tenho que renovar as fotos, eu sei. Ah! tecnologia / preciso de ajuda / o difícil é pedir… pedir. as histórias dos outros parecem tão fáceis de resolver, e as nossas? as minhas, se escondem aonde?
amo frutas / tô aborrecida com os tais 80 anos
minha filha Luiza deixou a geladeira, as cestas repletas de frutas, algumas incríveis! todas as possíveis, e devagar com vagar vou sentindo o sabor doce ou amargo do mundo… assim foi sua visita meteórica, de ouvir, segurar minha mão, abraçar, e me dizer, estou pernambucana minha mãe, mas entendo de chimarrão, frio e botas invernosas, de tuas misteriosas história de amor, também entendo. PODE existir amor maior do que ter alguém escute apenas o teu eu e não questione, nem tente te colocar na caixa certinha? Viver é uma estranha / perigosa e boa aventura, contradição… ah! sim! ver oportunismo… e a politica! confuso, meu querido. tanto eu queria te contar! Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2026 – Torres (o lugar aonde meu pai me colocou… escolheu para eu morar!)



tô aborrecida com tais 80 anos, mas, afinal, ainda estou viva pra dizer, estou aborrecida: isso é legal!
A infância não termina quando os brinquedos são guardados…
e tudo permanece ali aonde deixaste. ainda te espero em Torres…imaginaste um dia visitar a antiga casa da praia… respirar a rede da praia…vais te surpreender como acontece comigo qdo saio de casa // mas eu te afirmo, restam algumas casas, vestígios. vestígios fazem a história toda se movimentar… Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2026 – Torres

TUDO
a gente faz quase tudo para ser aceito / por um beijo, um olhar ou uma atenção diferenciada // até se casa / compra coisas incríveis, indesejáveis, come tomates quando não gosta… qualquer coisa para ter um doce olhar, ou alguém que abrace ou diga ‘gosto tanto de ti’ /// pois é… e de repente o gostar deveria estar pendurado, nascido num único fato // gostar de ser você mesmo… ser tu, ou você do jeito que és // e tudo o mais fica doce. claro! se a pessoa tem dinheiro, e coisinhas boas fica tentador /// mas não deveria ser a medida. gostar da mesma música sim, do mesmo sol, sentir frio junto ou separado… enfim! aonde estarão as medidas… mas NINGUÉM muda porque tem poder e dinheiro // claro, ambas as coisas ‘deslumbram’… apreender é pode ser chato para quem nunca aprendeu a gostar de descobrir… Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2026 – Torres /tão difícil educar! brincar! inteligência, sensibilidade e ignorância // pode? deve poder.

ultrapassar limite
inveja tira o centro da própria vida, afinal, viver é sobreviver amando a si próprio, com certeza… invejar é querer o do outro. envelhecer, com certeza, minha amiga Simone, estás certa, é muito mais do que caminhar devagar ou ficar lenta… envelhecer tem desgosto de algumas certezas / hoje evidentes, antes, soavam incertas… o amor do abraço é menor, o beijo fica salgado, ou coisas assim… sol é limite, a sombra também. entender a vida arrasta…, bobagem, a gente nunca vai entender mesmo. Elizabeth M. B. Mattos – setembro, ainda, 2026 Torres / estás vivo? deves estar, notícias de morte fazem barulho! aliás, no mundo de agora acontece tudo / tudo mesmo, no mundo inteiro, ao mesmo tempo // antes, a gente sabia depois, devagar, agora, é agora mesmo.

claro evidente verdade
não dá pra te enfurecer com o que deu errado na tua vida dando pontapés naqueles / que por acaso / são parte da tua vida… os outros, purgam também… respeita o outro na diferença!
ser o que não és
não será este o pior pecado? ausência, muito melhor do que turbulência reparadora… o sensível, o existente não passam, na melhor das hipóteses, de vaidade e mentira. Na pior das hipóteses de tentação corruptora. Em todo o caso, algo de que temos de desconfiar, de que devemos curar / purgar para chegar a uma sã ou conexa visão de mundo. Processo de racionalização. E com isso, retirar, eliminar tudo. Ou ficará para centro como cidadela (fechada) do cérebro. E a vida todo a gente fica dentro do mesmo problema. Furiosos com as consequências ou quem nos toma / tira a tranquilidade de apenas amar a nós mesmos. Amar-se seria o ideal. Elizabeth M. B. Mattos setembro de 2026 – Torres











