saíram do lugar, escaparam, ou se esconderam? deram as costas e se foram… todas as letras. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres


vez que outra a pessoa (eu) / alguém sai do mundo real / o alternativo existe? ou apenas se perde a noção // como quando se está na piscina // (Magda deve lembrar) íamos caminhando com água até o pescoço / e, pronto, caímos no mais fundo da piscina grande e nadamos / de qualquer jeito, batemos os pés e os braços / ou nos afogaríamos com certeza… tem sempre alguém vigiando as crianças sem noção…Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres
tem sempre alguém vigiando, tem sempre alguém fazendo besteira, tem sempre alguém se esforçando, inventado. o certo ou o errado, pedindo ou esquecendo de pedir, cuidado…
escrever me organiza a cabeça.
um encontro com o Lobo Mau na floresta me deixou tensa e tão tão cansada! decisões, artimanhas, defesa e colher maças! cansativo. preciso, dormir 1000 anos como a Bela Adormecida, depois imitando a Cinderela confeccionar um vestido lindo e ir ao Baile… dançar com o meu Príncipe sentindo o abraço e escutando os cochichos…dançar, dançar… a dança é um daqueles raros exercícios e feitiço e mundo externo ou interno (sei lá) que transborda. se existe um paraíso, paraíso de delícias e libertação / certo / é dançando, no movimento, ao embalo da música / qualquer música! ah! nada foi mais fantástico e perfeito que o século XVII (salvo me engano) com seus contadores de vida / sim, os mais belos contos de fadas / de gente / de animais nasceu nesta aula de VIDA! Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 -Torres



“Realmente lançados no mundo, bem no meio das suas forças e sob elas, transformados verdadeiramente em seus súditos, nos envolvemos nas coisas em vez de somente vê-las. Mais do que percepção: aceitação.”(p.43) Michel Serres /Notícias do Mundo
Notícias DO Mundo / MICHEL SERRES
eu nos meus encantos / encantos com a França / a Bretanha / por quê? Não sei, ou sei do agreste / pedra e mar. Sei lá…
” A verdadeira Bretanha se revela no inverno. Caminhar em volta de Belle-Île no final de dezembro, seguir pelas vertiginosas falésias da península, em cruz, de Crozon ou pelos abers (vale invadido pelo mar) do Finistère-Nord, de costas para a brisa ou de frente para as rabanadas de vento, em meio a abertas repentinas e súbitas calmas sucedendo-se aos pés-de-vento, é imergir na felicidade agridoce dos primórdios do mundo. (p.37) Michel Serres Notícias do mundo. Ed. Bertrand Brasil
‘felicidade agridoce dos primórdios do mundo’ / como posso explicar o doce do sentimento? punhado de palavras / de mundo /felicidade.
“Portanto, antes de morrer, eu gostaria de descer, por alguns dias ainda, por Garonne, meu velho amor, sozinho ou a dois, isolado do mundo, e à noite, poder amarrar nosso barco a um choupo, numa margem escarpada e deserta, para contemplar longamente, sentado no cascalho – vida apressada, ainda por alguns minutos -, o sol que se põe, duplo e cinza rosado, entre as correntes, o bagassé, a chama vivaz da correnteza, o cheiro insosso da água doce, o roçar dos caniços, a brisa úmida sobre a pele, no sossego horizontal e na melancolia fugidia daquilo que não cessa de se substituir.”
devagar, lento, o texto chega emocionando: percebo, sinto, estou lá e me envolvo com o detalhado, repartido, dividido do que se chama… nem encontro o nome deste prazer da leitura que escorrega fluído e vivo: texto precioso, mesmo sendo tradução… modo geral, as traduções, acidentadas ou cuidadas escorregam… impotentes tradutores, mergulhados, apaixonados ou não, trabalham, não se consegue fazer o tempo inteiro / completo pendurado na emoção, em certo momento apenas trabalha-se. pela tradução (como tradutor) se apreende o completo. palmas para eles / obrigada… eles encontram e sabem manejar a cor ou o som, o vento, ou a paz… sentimentos em outros idiomas, não o nosso fácil, mas o elaborado / lapidado, escavado sentimento… dificuldade em traduzir / descrever o soluço e o desejo do amor, embaraço em explicar o quanto eu te amo, ou tanto eu me perco em raiva. teu silêncio meu tormento, minha paz, eu sei. como se, finalmente, quebradas ilusões, estamos cada um em seu gramado de quintal… rajada de vento direto do norte / embalada pelos sentimentos de marinheiro de certo meu pai. herda-se emoção, encantamento, devaneio e a tristeza nostálgica do que não aconteceu, mas foi sonhado no quintal da infância, adolescendo, mas crescida eu constato, impossibilitada… quem criou o obstáculo? eu mesma, de certo… viver é criar obstáculos e depois concluir que se pode, afinal, derrubar o muro e tocar no sonho. conviver também. Elizabeth M. B. Mattos – maio (gelado) de 2026 – Torres
“Não hoje / não logo / se abríssemos / o hoje eu diria / a vida foge / se fechássemos / o logo arriscaria / ainda um fogo” Paulo C. Meyer
não é especial este dizer? cheio de hoje / cheio do cheio… a vida tão completa / aberta e SEMPRE. como eu gostei! Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – chegou em Torres o poema, a voz.
FICO aqui a pensar se t amo, mais ou menos que ontem, se o sentimento transborda ou vai terminar… ou multiplicar. Ufa! não importa o quanto, mais ou menos. importa, agora, que te amo…Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres
sim meu querido: tenho uma saudade crônica. sei que o teu tempo, longe do meu tempo, nos teus afazeres te levam a produzir pessoa útil / melhor, melhor. eu te penso. e te penso tanto às vezesme afogo / mergulho fundo demais… existir ficou ser tu e eu, eu e tu. rogo que voltes logo. a rotina, o café da manhã demorado, as caminhadas, teu sorriso e teus silêncios (enormes silêncios) importam… estás a rir? sim, eu faço pequenas invenções, leio e releio o mesmo parágrafo… imagino tua aprovação, releio. anoto, ah! os livros que me deixaste a ler estão decorados errado, eu sei, dizia minha mãe que riscar um livro seria pecado, mas meu pai / a estudar, dar pareceres e vasculhar leis, anotava… e ambos riam / conversavam e conversavam / em português, . a linguagem do amor e das trocas pode ser outra um jarro com flores, uma cesta de laranjas e limões, nós de pinho…sim, inverno pede lareiras, brasas e chamas a conversarem. deu saudade do tempo, saudade boa, alegre que alimenta…Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres – dia de sol e luz, muita luz por aqui.

“O que atordoou Peter não foi a dor do golpe, mas a deslealdade do adversário. Ela o deixou totalmente desarmado. Toda a criança se sente atingida desse modo pela primeira vez que sofre uma injustiça. Quando ela chega até alguém, acredita piamente que é seu direito ser tratada com justiça. Depois que você lhe faz uma injustiça ela voltará a amá-lo, mas nunca mais será a mesma criança. Ninguém jamais supera a primeira injustiça; ninguém, com exceção de Peter. Ele a experimentou com frequência, mas sempre esqueceu. Imagino que esta era a verdadeira diferença entre ele e todos os outros.” (p.121) J.M. Barrie PETER PAN (editora Martin Claret)

deslealdade / injustiça, o golpe que a gente não espera / quando a vida desaba numa decepção a cura não é fácil: flores, nenhum jardim, todas as viagens, em qualquer idioma,nada consola…
não existe compensação, o outro lado da moeda… existe uma dor apertando, indefinida, presente…
o que eu quero dizer? viver é pequeno. preciso de mais 100 anos, preciso de todas as manhãs e de todas as noites a te pensar em estado de amor… passados estes cem anos, talvez, eu direi como Neruda CONFESSO que VIVI e superei a rejeição porque meus braços estiveram floridos, minhas pernas em movimento e meu coração se renovou, dia após dia… Eu confesso que amei mais, mais consciente, mais lúcida e completa / era uma menina boba de 17 anos, ou eram 18 anos quando a deslealdade me surpreendeu? eu me perco nas / em datas. histórias se misturam mas a festa se movimenta… Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres
