Bien entendu (entendido?) / importante

É você… mas também podia ser eu. Ninguém perceberá a diferença. E você é famoso e eu nunca fui ninguém.

-Eu estava pensando justamente nisso há alguns instantes = disse Augusto com um sorriso pensativo. – É engraçado, não é? Um pouco de pintura, uma roupa engraçada – é preciso muito pouca coisa para a gente se transformar em ninguém! É isso o que somos ninguém. E todo o mundo ao mesmo tempo. Nós e a nós que aplaudem, é a si mesmos. Meu caro amigo, preciso ir andando, mas primeiro deixe-me lhe contar uma coisa que aprendi recentemente… Ser você mesmo, apenas você mesmo, é uma coisa grande. E como é que se faz isso, como é que isso acontece? Ah, esse é o mais difícil de todos os truques. É difícil justamente porque não exige nenhum esforço. Você não tenta ser uma coisa ou outra, nem grande nem pequeno, nem inteligente, nem desajeitado… Está compreendendo? Você age de acordo com o momento. Bien entendu, faz as coisas com boa vontade. Porque não existe nada sem importância. Nada. Em vez de risos e aplausos você recebe sorrisos. Pequenos sorrisos satisfeitos – só isso. Mas isso é tudo… Mais do que se pode pedir. Você vai fazendo o trabalho, aliviando a carga das pessoas. Elas ficam felizes, mas você fica muito mais feliz, entende? Naturalmente, é preciso ser discreto, por assim dizer. Não se pode deixá-los perceber o prazer que isso dá. Se perceberem, se descobrirem o segredo, você está perdido. Vão chamá-lo de egoísta, por mais que você faça por eles. Você pode fazer tudo por eles – literalmente matar-se de trabalhar – enquanto eles não desconfiarem que estão enriquecendo você, proporcionando-lhe uma alegria que você próprio nunca poderia se proporcionar… Bem, desculpe, Antônio, eu não queria fazer um discurso. De qualquer modo, esta noite é você quem está me dando um presente. Esta noite posso ser eu mesmo sendo você. Isso é ainda melhor do que ser a gente mesmo, compris?” (p. 25-26) Henry Miller O sorriso ao pé da escada

Destes livros.

Escrito por Miller. Da editora Salamandra. 1979 Henry Miller The smile at the foot of the madder // de repente eu pego abro e… guardei / minha biblioteca é cheia de pequenas surpresas. Do tempo que comprar livros era possível, bom e acontecia. Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2026 – Torres (tá frio outra vez, ou sou eu envelhecendo?)

ilha ilha / arquipélago

Ernest Hemingway sim / sou deste tempo / autor que minha mãe adorava / aquela história de ser ilha, pertencer ao arquipélago / ou chegar ao continente… a gente segue quer ser ao menos par (dois) / ter o outro ou ter nos filhos o continente / ou sei lá / agregar / contudo mas / porém é mesmo tudo uma enorme confusão / nós teremos eleições sim uauuu! / ah! ninguém se explica: todos queremos ser o continente / mas somos / estamos a deriva… que pena! Brasil com s ou com z? meu Elizabeth, mas tem Elisabeth /// pois é. estranho!!! irmãs, irmãos a história (ou estória?) de grana / dinheiro / poder lambuza tudo… cadê o abraço o beijo ou a paz? o tempo de azular já deu lugar para a chuva. Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2026 – Torres /// sigo em Torres e o Rio de Janeiro e Porto Alegre e Recife de Pernambuco e Santa Catarina e ou entendimento / deve ser Paris ou Limoges / deve ser Freud ou narcissisme ou o esquecimento / a memória escapando pelas beiradas. “Assim, bem jovem, o Pequeno Príncipe entrou na guerra” Antoine de Saint- Exupéry. lavagem cerebral… e o tempo. uma lágrima. a cada um seu novo mundo…Torres com chuva. ontem tinha sol.

maldade = infelicidade

felicidade chega com bondade, alegria e doçura // afinal ela é má / personagem estranha, sem vassoura nem feitiços, apenas má / e as maldades atropela… estarei sendo injusta? não sei. se os anjos a rondam, deve ser um pedaço de céu da oração: mas não basta orar, ter altar, imagens e crucifixarão /// é preciso gentileza e bondade. Que bom ter um pouco de sol! Que bom teres ligado, que bom te amar! somos nós… ser dois, ou três, ser gentileza e beijo. Que bom! Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2026 – Torres a minha passarinhada se alegra! eu? eu estou cansada, mas amanhã estarei renovada. um beijo

odor aroma cheiro

olfato é o meu rumo / a minha loucura, o meu… pois é, ando sem tempo para escrever, mas preciso retomar. minha filha Luiza trouxe tantas e perfumadas frutas! Joana e ela foram, mas a montanha perfumada de frutas está aqui / nem fotografei… apenas senti o prazer o prazer e o prazer, o gosto do amor das filhas chegando do Rio de Janeiro de Recife porque o filho já tinha estado, vindo e ido… ah! estar viva tem estes prazeres!

meu querido, amado: não, eu não te esqueci, reservo um tempo para nós. sim, sempre teremos 20 anos e o amor, o desejo, e as coisas boas, perfumadas, macrobióticas ou não… as coisas encasteladas do amor nos esperam. somos dois adolescentes apaixonados. logo te escreverei longa e demorada carta. um beijo

Elizabeth M. B. Mattos setembro de 2026 / Torres

80 70 90 / 81 71 91

101 anos de fantasias / disfarces /… (//!!) quando o carnaval invade /quando o corpo se movimenta e saltita o suor / calor invade como cascata cai… em idades do tempo… ah! 91 81 71 idades do inverno contam /pesam… coisas de inverno se apresentam! urgentes? não sei. /Elizabeth M. B. Mattos / setembro de 2026 / Torres

a voz / vozes…

soluço as palavras enquanto eu me recupero, ofegante. Dos sustos (ao envelhecer /// pois é)// sem chuva / atolada, assim mesmo, nas notícias /// fusão lúgubre… (sei lá). Procuro humor e simplicidade (adoro feijão e arroz). Em mulheres antigas (li isso em algum lugar) tinham espantosa audácia / humor e sentimentalismo / foram donas do mudo / Cleópatra???? Elizabeth M. B. Mattos / setembro de 2026 – Torres