meu querido: a traição de um amigo é mais traumatizante que a traição do amor de apaixonar… que, cá entre nós, atordoa as ideias. por quê? a gente meio que vive nesta ponte de desconfiança gerada pelo ciúme. o amor é uma graça, um dom… um lado divino nisso… aquieta, apazigua. completa. ( estou a pensar no assunto). EMBM
caminhar a noite
qualquer pessoa provida de imaginação está sujeita a sentir medo. eu posso ir a qualquer lugar sem sentir medo. ( não tenho imaginação ) fico como que a sapatear nos mesmos sentimentos. contemplativa estou a observar o mesmo do mesmo. caçar estrelas no céu… deixar o vento e a chuva a me assustarem. dormir de cansada, acordar com sono, banalidade. não quero seguir. quero voltar. aliás, estou sempre voltando… esquisito constatar. e este negócio de perdoar aperta. ou a gente perdoa de fato, ou ‘passa’ por distraído… se a gente briga ninguém entende nada. amar, esta coisa de amar complica, mas, sei lá, mas como seria viver diferente sem pescar bons sentimentos? nunca tive paciência para pescar… agitação de fora para dentro, de dentro para fora… ser o que sou / como sou, o tempo todo distraída com o sol, e tão atenta as letras, a curvatura da palavra, entranhas do idioma… ainda posso te escutar? sei lá. um dia, meu querido, tu olhaste no meu sorriso e eu sonhei guardar olhos azuis. conseguimos ser um do outro, naquele eterno de um momento. Basta? Elizabeth M. B. Mattos. maio de 2026 – Torres
símbolos fotos poema: perfeito / poema / alma transbordam
inundar
inundar bom verbo
inundar de alegria ou de tristeza
inundar de gozo ou de desespero // a gente não pensa em tudo que nos ronda / espreita / ouvimos vozes e sorrisos, também escuto as lágrimas da chuva: viver – inundar-se…. de certo surpresas. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres
voltar é chegar
tua mão na minha mão: sem voz. olhas o céu, eu o gramado. talvez um carinho. voltar é chegar. tempo esvaziado de nós dois! talvez completo. cada um pro tempo de voltar, chegar. talvez venhas, amanhã. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres
coisinhas…
pois é /quero te dizer: coisas do viver que não compreendo / ou já não sei mais… não sei dizer. como se fosse caminhar, mexer as pernas, e, de repente, não saber mais colocar uma perna na frente da outra pra seguir… será assim viver? aprender e depois esquecer… é isso, ao envelhecer a gente encolhe mesmo. dar conselho então! parece a maior idiotice do mundo… será que o querer ajuda ajuda? deve ajudar. ser pessoa, ser gente, gostar de si, gostar do outro, é coisa de querer! eu, eu Beth, Elizabeth? gosto de estar viva. sim querido, com certeza somos / podemos ser eternos um no amor do outro, e seguir com mais acertos que erros: tentar importa, eu acho! ficar feliz com os amores amados. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres

procurando com cuidado, perdi as letras nesta cunfusão
vez que outra
vez que outra a pessoa (eu) / alguém sai do mundo real / o alternativo existe? ou apenas se perde a noção // como quando se está na piscina // (Magda deve lembrar) íamos caminhando com água até o pescoço / e, pronto, caímos no mais fundo da piscina grande e nadamos / de qualquer jeito, batemos os pés e os braços / ou nos afogaríamos com certeza… tem sempre alguém vigiando as crianças sem noção…Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres
tem sempre alguém vigiando, tem sempre alguém fazendo besteira, tem sempre alguém se esforçando, inventado. o certo ou o errado, pedindo ou esquecendo de pedir, cuidado…
escrever me organiza a cabeça.
depois de
um encontro com o Lobo Mau na floresta me deixou tensa e tão tão cansada! decisões, artimanhas, defesa e colher maças! cansativo. preciso, dormir 1000 anos como a Bela Adormecida, depois imitando a Cinderela confeccionar um vestido lindo e ir ao Baile… dançar com o meu Príncipe sentindo o abraço e escutando os cochichos…dançar, dançar… a dança é um daqueles raros exercícios e feitiço e mundo externo ou interno (sei lá) que transborda. se existe um paraíso, paraíso de delícias e libertação / certo / é dançando, no movimento, ao embalo da música / qualquer música! ah! nada foi mais fantástico e perfeito que o século XVII (salvo me engano) com seus contadores de vida / sim, os mais belos contos de fadas / de gente / de animais nasceu nesta aula de VIDA! Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 -Torres



aceitação
“Realmente lançados no mundo, bem no meio das suas forças e sob elas, transformados verdadeiramente em seus súditos, nos envolvemos nas coisas em vez de somente vê-las. Mais do que percepção: aceitação.”(p.43) Michel Serres /Notícias do Mundo

