
dizem que saudade dói mais que tudo…desarruma até a casa, tira as coisas do lugar… e, sem remédio, se espalha. como se deve curar a saudade? haverá um ritual? substituir a saudade por outro sentimento / esquecer. esquecer é o remédio, não voltar, não deixar nunca entrar. fechar a porta. esta anarquia toda, esta desordem completa, esta louça empilhada, e esta roupa para lavar… estas caixas entreabertas… e o amontoado de livros não lidos, estranhos, espalhados… os discos que não foram limpos, nem tocam, se empilham desastradamente… não voltaram pra Modena, não foram viajar, ficaram… estou condoída, desencontro, distração, negligência? talvez esta desordem toda… se enraizou. não basta tomar banho, mil vezes a chuveirada, o mar, a agua que lava e anima… aguar o tempo para que renove. os tomateiros cresceram, o espinafre começa a nascer…as hortênsias, elas se esconderam… a terra. o ar, o sol, o verde, as cores, os lápis, os pincéis… toda aquarela… preciso me concentrar. Não sentir mais a saudade. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

outra queixa, o gosto da comida, prazer sabor, e a dor pelo corpo, sinto um medo gelado, pés gelados. será tudo saudade, meu querido?

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