caos caos caos, e, se fez o mundo…

é assim? era uma vez o caos, indescritível na sua nudez, estou estupefata com o que deixei de ver: beleza da chuva, lareira aquecendo o inverno, roupas coloridas, cachecol, gorro com pompom feito por mim, adorava fazer as bolinhas… a leveza do pesado = alegria pendurada numa lágrima, numa despedida… enfim! difícil pensar o sentimento completo! Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – Torres com chuva, molhada, sempre linda! (é assim que se diz?)

aniversariando, amanhã, minha Ana Maria

agosto, eu te gosto / filha que segurou a vida, a minha, a dela, a dos irmãos… socorreu com força epidemias, turbulências, avançou pelo mundo corajosa, assombrada… forte. forte. A minha Maria, minha luz, eu te gosto! minha Ana /terra (como descreve Érico Veríssimo) e diria Ana Água, poder e coragem! Parabéns a você… OBRIGADA! minha filha! Elizabeth M. B. Mattos agosto de 2026 – Torres

todos juntos na tua festa

PHILIP ROTH

Philip Roth segue sendo o maior / jurei não reler / não jurei, mas achava que havia tanto e muito para ler e maravilhosos, geniais, famosos, incríveis escritores // não, não haveria espaço numa só vida para ler e reler e ler o mesmo… livros espalhados, livros o alcance da mão, inquieta, angustiada porque angustiada porque aflita, sei lá… abro Os fatos a autobiografia de um escritor / hábito assassino/ escrevo nos livros, quase autobiografia / neste / este se refere a Recife /(maio de 2017) e conta pelas margens da minha ida a OFICINA de Brennand quando fui ver a Luiza! Qto tempo que minha filhota se transformou em pernambucana… qto tempo! menciona o Gustavo Py /// e a vida cheia de cortes e espantos e vozes! onde estou que a angustia cobriu tudo? Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 / Torres… quase Porto Alegre ou era Santo Cruz do Sul?

TÔ empilhando ansiedade

aquela pessoa que acorda azeda / humor eriçado, sem falar mau dos gatos / gosto de cães e gatos, passarinhos e até gostava da chuva, achava inverno passageiro, tipo estação com avesso e direito como escreve tão perfeito, tô imitando SEI SHÔNAGON… ah! tão lindo o que / e o como escreve!

Da primavera, o amanhecer […] Do verão, a noite. Em especial, os tempos de luar, mas também as trevas, de vaga-lumes entrecruzando-se em profusão. Ou então, os solitários ou mesmo em pares que seguem brilhos fugazes. A chuva também é igualmente bela. Do outono o entardecer […] Do inverno, o despertar. (p.43) Sei Shônagon O livro do travesseiro Editora 34

atordoo na leitura, estremeço com o texto. assim mesmo doem as costas, as pernas, sinto o nariz gelado, e o humor espicaçado… penso, ficar / ser azeda muda tudo! que venha o sol! mas também tenho medo do verão. sinto saudades da Ônix! Elizabeth Menna Barreto Mattos – agosto de 2026 – Torres

turbulência a me afogar

tempestade entrando, levantando as cobertas, o tapete, sacudiu a cortina rasgou minha coragem. tô assustada / preciso serenar: alma entender o vento. voltar a te ver, tocar. saudade não dói mais mas espicaçou o tempo… que preço! Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2026 – Torres naufragada.

memória esfarrapada

esburacada lembrança, e, sem lista esqueci uma das coisas que precisava e comprei outras que já tinham (achando, com certeza, que faltava)… acordo incomodada. tenho duas irmãs mais velhas do que eu, cinco e seis anos que se movem muito bem na memória… Suzana com mesmo número de filhos, pois é… nada de comparar, eu sei. mas, por que não? apostei na minha memória, no meu fazer. sem brilhantismo mas eu dava conta. rabiscos, listas, estranhamento… será que nunca tive boa memória e agora tá falando mesmo? esta coisa carnavalesca do envelhecer… juro, uma dança sem música? ou estou escutando mal também? como chove! um inverno que não termina, uma lágrima que volta. eu gostava da preguiça, daquela vontade de ficar fazendo nada num prazer morno. nas conversas compridas que não me deixavam exausta, tudo me cansa… tenho que voltar , voltar, mas não sei exatamente para onde. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – Torres indefinido, indefinido, indefinido