tive mania por bolsas / bainhas impecáveis / perfumes. adoro cheiro, bananas fritas, batatas fritas e balas de goma. ah! laranjas, bergamotas e cerejas. nunca fui boa nas contas, estudei mais ou menos, li, li de um jeito acelerado… com prazer é claro, e sempre quis ser escritora, escrevinhar me salvava do tédio. histórias e estórias. certeza certa, eu me apaixonei muitas vezes pelo improvável, mas segui o possível. não sei se isso é escolha, bom ou ruim. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2026 – Torres – janelas abertas e uma preguiça terrível de seguir o dia.
transformações / morena, loira, castanha e cabelos brancos antes da moda, muito antes…
quando se menciona, ou se pensa o outro… vira meta / o outro se transforma em meta. caminho de amor, de amizade: amontoado de A a ah há de ter / de contido! arrepia… sou / estou equivocada porque quero estar no outro: consciente ou não, o modelo / o lugar é aonde o outro está / é /defino / desenho a partir deste modelo. quem eu sou? eu sei? acho que ainda não sei. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2026 – Torres / dia ensolarado / escuto o tempo passar / o que será
um homem indeciso que poderá convidar para jantar, ou tomar um chá ou me dar um beijo atrasado. vamos rir /porque nossos vinte anos estão escondidos, nas tardes do clube, nos passeios/ temos Porto Alegre, temos Torres/ora ora ora temos 80 anos, mas ainda faremos estrepolias…. prometo comprar um tênis, uma blusa legal, fazer um cabelo legal… será que tu achas não vou conseguir…///// ou vamos sentir os dois e fazer de conta…sinto saudades tuas, lia e vamos conversar também
sempre te amei/ vai ser divertido / porque sempre te conheci.
um dia, antes foi fácil / eu conseguia / seguia / não que a vida fosse rosas cor-de-rosa / não era, nunca foi. mas a vida era mais fácil… esquisito. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres
pensei: porque dependia apenas da minha vontade / agora, não depende mais de mim… com o tempo fui ficando leve, muito leve… e o vento decide.
” Há muito tempo, ela pegou uma pedrinha branca na praia. Removeu a areia, colocou -a no bolso da calça e, chegando em casa, guardou-a na gaveta. Era uma pedra redonda e lisa, degastada pela ondas. Pensou que fosse tão clara que pudesse ver seu interior, mas, na verdade, não era transparente a esse ponto ( na realidade, era uma pedra branca comum). Às vezes, ela tirava a pedra do seu recanto e a pousava na palma da mão. Imaginava que, se pudesse condensar o silêncio no menor e mais sólido objeto, essa seria a sensação tátil.” (p.93) Han Kang – O livro branco
” A vida não é particularmente gentil com ninguém. O granizo cai enquanto ela caminha sabendo desse fato. Tudo passa. Ao andar ela se lembra de que, no fim, tudo que você agarra usando todas as forças vai desaparecer.”
Agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura 2024. Han Kang nasceu na Coréia do Sul em 1970
E eu? Fotografo folhas, minhas pedras, o tempo… Quero escrever sobre agarrar o tempo. Fotografo minha alma aos pouquinhos. Mas, o fato é que está tudo embaciado. Não compreendo. Hoje faz sol. O dia tá pacífico… de certo eu vou chegar até você. você encontrado, perdido, outra vez achado, o amor é com as ondas do mar… vai, volta.. fica, tá lá no mar… Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – nada que fotografei consegui que ficasse. (risos)
pode ser bom… a fresta se alarga…vira uma janela, tudo ali… aberto para ser visto. como acordar devagar: espio, fecho os olhos outra vez, volto a espiar… vejo luz, a sombra fica luz. abro os olhos. nem sempre é o bom, o melhor, mas a gente tenta acertar no café da manhã… se tiver leite, pão e vontade dá pra se fazer um bom dia. haja vontade! sim, a tal vontade de x ou z ou y ou aquilo e aquela blusa azul resolvem. nem sempre consigo. o inferno de hoje é entender o amanhã que está neste agora. tudo é hoje. bocejo ou resmungo. Elizabeth M. B. Mattos – maio se despedindo pra deixar o inverno chegar. 2026 – Torres
existe uma vaidade apressada / vaidade atrapalha tudo, certa humildade alegre faz bem, sem competição… coração aberto sem medo. não meu querido, não vou publicar nem remexer nos teus desabafos ou teus escritos / com ou sem autorização… a gente dá o beijo, mas o beijo compartilhado não tem dono nem publicação, eu sei, escutar / ler teus sonhos é muito bom! Liz Eliz Beth
Ao final de um dia longo, o silêncio é necessário. Assim como se faz sem perceber em frente ao fogo, é o tempo de esticar as mãos duras em direção ao ligeiro calor do silêncio. (p.145) Han Kang O livro branco
meu querido, meu amado, estou contigo: quero conversar, tomar chocolate quente, conversar, resolver as mágoas, fazer uma comida, entender que meu abraço vai curar tua dor ou potencializar tua alegria, esparramar algumas lágrimas com método. comer uma pizza/ rir e concluir: tudo está no melhor dos tempos possíveis como diria Voltaire.
Ela está sentada em frente à escrivaninha como alguém que nunca sofreu. Não igual a alguém que acabara de chorar ou que que estava prestes a isso. Como alguém que nunca foi despedaçado. Como se nunca tivesse havido um tempo em que um único conforto era o fato de que não podemos carregar a aternidade. (p.103)
então, meu amado, todas as coisas que eu quero te dizer, a cura, a liberdade, não está nas minhas mãos, mas nas tuas. vamos sentar, tu e eu, e conversar. preciso te dizer… que te amo. Elizabeth M.B. Mattos – maio de2026 – Torres