MURASAKI SHIKIBU

cores do mundo: livros espaço e cantinhos, nichos, restrições e amor… foto colorida da narrativa / conversa / palavras que viajam: encontros… olhos nos olhos, o tempo, os bebês. ah! o perfume da vida que se multiplica, guarda o registro, e lança outra vez. de todos os lugares, o único perfeito, exato, sem começo nem fim, o meu lugar está dentro de mim mesma… posso despejar as histórias, posso rir e chorar ao mesmo tempo, posso voltar e entrar nas encruzilhadas outra vez… o velho está tão fresco no teu beijo, no teu abraço meu querido, histórias nossas. amanhã pego o avião, com conexão, não exatamente como eu gosto. de Torres a viagem parece uma aventura de planeta terra, para planeta, luz, passando pelo amarelo, é longe onde moras. é enorme estar separado, mas eu vou, depois tu vens… ficar não é minha palavra escolhida, já sabes… e quero te contar de Genji, das cartas de Murasaki Shikibu, do diário que ela escreveu… sim, todas as pessoas deveriam ter e ler diários. Data. local, claro. tempo sol ou chuva, tempo no coração, pessoas, e… pensamentos sonhados, outros encontrados, e os do momento que abrem a porta como se fossem bombas explodindo e nos fazem rir e ser feliz, no meio de três lágrimas. lagrimas fazem bem, lavam alma, bochechas e pensamento. aliás, estou com saudades e tantas! e quantas… fico querendo te ver no susto… mas tu e eu somos cheios de medos, sim, já fomos audaciosos, mas hoje não ficou nada solido, todo o momento é de cristal, não achas? um beijo. Elizabeth M. B. Mattos – Torres, com direito a almoço na beira do rio Mampituba e estar com amigos preciosos, iluminados. 2026//// e eu estupidamente feliz. obrigada.

falta querido, falta coragem, falta estares alegre com gosto de perdão e de amor..

falta gesto, falta sentimento de ternura, falta coragem, falta sol, falta chuva, falta tempo, falta amor pelo amor… e o desânimo derrama um sono inquieto, triste, talvez necessário… se eu não posso, se ele não pode, se não conseguimos, desistimos no ponto, sem virgula, sem exclamação, sem luz. esta coisa de amor nasce de dentro pra fora, o respeito é dentro e escorre… alimenta depois. ninguém ensina amor, não ensina, sente… a pessoa vai amando, amando, gostando e se querendo e se descobrindo no sorriso, no copo cheio d’água, na planta que brota… e a vida surpreende. tô triste, mas tristeza termina também… de certo termina como amor, escorrega. Elizabeth m. B. Mattos – maio de 2026 – Torres

pequenas vinganças, quase invisíveis se alojam no ciúme

uma bandeja de petiscos / um raminho de violetas, e o sorriso do dia esparramado na liberdade. como avaliar? sentir? o gosto se modifica e o prazer acanhado estranha o novo cenário. livre… bom, mas a liberdade só cavalga quando estamos meio aos livros, ao novo, nosso, não emprestado… na vontade de apreender / mudar e ter certezas… meias certezas, algumas certezas, claro, todas adocicadas com o amor o tal acolhimento. viver aventura de querer bem… ah! espiar! Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – TORRES

cada um tem seu próprio brinquedo / mágico?

brinquedo de correr e pegar, chegar e sair, motivo para levantar e ir, voltar para depois ficar… o movimento do dia tem este abrir e fechar como fluxo vital e repete / estou aqui / cuido / prsente! sei / penso e modifico. enquanto me encolho e espero o feijão se fazer perfume observo o tal colorido no entra e sai e vai… por que eu me surpreendo? sinto o frio chegar, bem, sem reclamações sérias porque todos gritaram ao mesmo tempo: basta verão! chega de calor! Rio Grande do Sul, o estado que explica as estações do Brasil…Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres

osso para sopa

quase nada ou tudo: a criatura / eu / acorda e se pergunta: onde coloquei o meu cachecol preferido? depois de procurar, procurar, pensa que passar um café vai reanimar… bingo! encontrei… nas costas da cadeira, logo ali… não, não estava nas gavetaem baixo dos travesseiros ou perdido.

coloco o feijão para cozinhar, na panela de ferro e vou pensando no assado, na couve que não comprei, na caminhada que eu devo fazer… a poeira me inquieta… não, meu querido, não podes imaginar a loucura de tirar o pó ou limpar, limpar… já fez parte do meu imaginário… tudo no lugar certo flores iluminando a sala. eu a imaginar o livro, a história. escrever e disciplinaas próximas três horas recheadas de entusiasmo. cadê o tal entusiasmo? será que eles, os políticos, se acertaram nas derrotas, ou semearam os canteiros o que será sério? quando foique D. Pedro imaginou Brasil? republicano… não, não sei dizer o que penso ou sinto escorreg para tristeza de João // faço frases, faço fila na quitanda, e vou dar uma volta na praça. um dia de sol hoje. o edifício cheio de cães que sobem e descem, as vozes do feriado me acordam cedo apesar da insônia. ainda me chamo Elizabeth M. B. Mattos – 2026 – Torres

douleur couleur malheur douceur

votre lettre, que j’ai reçue hier, m’a fait grand plaisir

doer na cor do tempo / infelicidade da doçura de viver, porque estou aqui e agora e posso ler o que me escreves e te dizer o quanto te amar pode ser perfeito… feito

não consegui repassar tuas cartas, eu te sei noutro mundo / colorido / teu / desaguado no passado / presente de retomar, eu te compreendo, meu querido. tu te achas, eu me perco e me reencontro. um beijo Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – Torres

às vezes importa perder para situar o tempo numa possibilidade…