fechar a porta

sim, a coisa toda, meu querido, é fechar a porta. pelas frestas a gente escuta coisas distorcidas. não é fala, mas ruído. como a gente faz quando pensa desagradáveis de dia e dorme pesadelos. uma imagem, uma voz. nós costuramos o boneco. depois furamos os olhos, bruxas fazem assim, e amaldiçoam… rogam pragas. não foi nada pessoal, um detalhe incomodou. não era pessoal, mas eu agarrei como se fosse… então, não posso contar a história porque o desgosto cresceu maior, aquele que se transforma em rancor, em qualquer coisa esquisita que não lembra mais o bom, o gentil, apenas aquela percepção ruim do outro. conversar tem estas arestas… as boas conversas não terminam, quando alguém conta uma história, a pessoa ouve, intrigada, a provocar a ideia, então, veste o boneco de pano com os trapos possíveis. assim a menina do borralho virou Cinderela e dançou com o Príncipe uma noite… mas, estes contos de princesas e príncipes são perfeitas e para sempre… porque nasceram príncipes e princesas, não foi conquista, é da natureza real. transformações existem, feitiços existem, mas a natureza do elemento mágico SEMPRE esteve lá… às vezes, meu querido, esquecemos quem somos e nos impressionamos com o poder passageiro do ambicioso… daqueles que pretendem entrar no reino. estas histórias precisariam ser contadas, reescritas outras vezes, predatoriamente perfeitas, não achas? pensa. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

se a gente pensasse mais na própria raízes… veria o tronco, as folhas e os frutos na perspectiva certa: pais e as mães são raízes… a inteligência, sensibilidade e até a beleza chegam das raízes, o mau caráter, a ambição desmedida, a preguiça, o deslumbramento inútil, também… as histórias da vida, são mesmo os contos de fada, meritórios.

envolvida…

os trapos do tempo me envolvem… e não consigo desligar da música, da voz. deixar, por um pouquinho este cariocando e voltar pra Torres / foi bom viver no Rio! não, eu não tinha tempo, era fazer tanto e tanto: trabalhar, amar, passear, amigas: o tempo como pandorga. as mordomias de ser jovem. ah! tenho saudade do meu pai, da minha mãe que me estenderam a vida… tanto e tanto! não sei nada de Porto Alegre, a escola, o tempo das cônegas, o internato, debutar no Country Club / o primeiro baile. o Colégio Bom Conselho / a festear e festear / festejar. Logo voltei pra cariocar… filhos nasceram no Rio de Janeiro. Claro! depois Jorge me levou pra Rio Pardo / o campo: seca e plantações, açudes. arroz e a soja: girassóis e Santa Cruz do Sul (ah! tenho saudade /e a minha Luiza chegou. tanta vida tem a vida! sou apaixonada por mim mesma / cruel isso. meu barco não tem porto ) Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres – agradecida serei por cada minuto, cada lágrima, cada encontro / cada despedida… ah! preciso urgente ir a Modena, a Itália: caminhar no tempo, claro, descerei em Roma… dia 9 de fevereiro / uma data especial / um caos das lembranças.

OUTRA VEZ

Você foi o maior dos meus casos de todos os abraços o que eu nunca esqueci. Você foi dos amores que eu tive o mais complicado e o mais simples pra mim.Você foi o melhor dos meus erros a mais estranha história que alguém já escreveu. E é por essas e outras razões que a minha saudade faz lembrar de tudo outra vez. Você foi a mentira sincera / brincadeira mais séria que me aconteceu. Você foi o caso mais antigo, o amor mais amigo, que me apareceu. Das lembranças que eu trago na vida, você é a saudade que eu gosto de ter só assim sinto você bem perto de mim outra vez. Esqueci de tentar te esquecer / resolvi te querer por querer / decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade sem nada perder. ah!… Você foi toda a felicidade. Você foi a maldade que só me fez bem / você foi o melhor dos meus planos e o maior dos enganos que eu pude fazer. Das lembranças que eu trago na vida você é a saudade que eu gosto de ter. Só assim sinto você bem perto de mim outra vez… ISOLDA

Giro outra vez nos / em amores amados, escandalosamente, amados / livres. Eu me libertei do casamento amarrado com o bonitinho, aparentemente, sério. (Jesus! Assim formal, sem abraçar, beijar, apenas casar). Enfeitado boneco de ser como deveria ser… aquele famigerado noivo. Eu era alegria, o meu tempo. alegria a minha vida. Coração selvagem fiquei para sempre livre, inteira, não posso ficar presa… A juventude / a maturidade e a velhice sobem inteiras ao prazer de viver / viver… livre me fiz pessoa / gente. Fico enebriada com a música. o toque, o beijo e as palavras / coisas de amar e não esquecer, passar ou ficar, seguir, não importa… O amor é esta passagem: chegas, e sais, voltas, ou já não és. O amor tem recortes e fatias, indigestão? Às vezes, meu querido. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres (ter sobrevivido / ter me socorrido e amar tantas vezes a volta da vida derramar… encontrar, perder = viver). A minha viagem é dentro de mim mesma: ontem triste, nas lagrimas, hoje eufórica, livre… Aberta.)

SIMONE / Pedaços

o nome do disco: Pedaços! esta coisa velha e gostosa de colocar uma memória para tocar com orquestra e tudo. volto no tempo / entro dentro de mim mesma. estou a sentir, viajar dentro de mim, aos pedaços de amor / tão intenso! Claro Ivans Lins – Vitor Martina! Grandes!

Começar de novo. E contar comigo. Vai valer a pena ter amanhecido. Ter ,me rebelado / ter me debatido / ter me machucado / ter sobrevivido / ter virado a mesa / ter me conhecido

fico aqui sem palavras, sem saber dizer. então limpo a casa, termino de limpar a cozinha. passo álcool em tudo. agora eu me debruço dentro de mim, adoro sentir! Vou pra Filadélfia com Roberto / e sair por aí a viajar… estes são os pedaços de viver! tão bom! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

Coisa boa que é a vida!

quem leu ANGÉLICA da Lygia Bojunga Nunes não deve ter esquecido de nenhuma palavra! Nadinha… a boa leitura, o bom namorado, o bom marido, os bons AMIGOS! eterna sensação feliz / claro! explicação, meu querido? a insignificância termina nela mesma… mesmo quando faz parte da decepção. Os equívocos se exibem, mas seguem equívocos. amados não morrem. o equívoca é anedótico, risível… quem não foi amado desaparece. perdas causam dor e mágoas, e apertam. são ausências permanentes…não amados, somem.

Coisa boa que é a vida! Ele era bem pequeno, não sabia direito como é que se vivia, andava louco para saber melhor; pensou um bocado, acabou perguntando: Como é que a gente entra na vida, hem? Tem porta para bater? E batendo… eles abrem? sempre abrem… (p.9 Lygia Bojunga Nunes Angélica. concordo, nunca deixam chaveada a porta, e também não explicam nada. a gente namora, a gente casa, a gente faz o que todos esperam que seja feito, sem manual de instruções. e derrama-se lágrimas aqui e ali, mas, o bom mesmo é viver… e o que se vive é tão misterioso que todas as histórias contadas não conseguem / não sabem medir… Coisa boa que é a vida! quem leu / lê segue na vida dupla de prazer / assim, eu? sigo batendo nas portas, as pessoas abrem, eu entro. experiência boa, porque as ruins não devem ser contadas / nem sublinhadas / às vezes, confessadas (é verdade)… o verão parece maior / mais longo do que o inverno, e a gente sofre do excesso dos dois, sente, porque a vida / estar vivo é assim mesmo / muito bom. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres / Carnaval se apresentando, suado carnaval, alegria e folia, afinal! dançar é muito bom mesmo.

querido

querido, meu querido: somos toda/qualquer aflição deste momento, logo dividido – não consigo resolver. multiplico, potencializo e volto a somar com a vontade de me sentir feliz outra vez. confiante serão vaidades ou encontro, desencontro. os teus, os meus desvios me parecem mais justos. na verdade, todos / tudo são, terrivelmente, cruéis e injustos… coisas da vida! é isso viver? dar voltas na lagoa, ver o sol nascer, a chuva cair e outra banalidade repetida como esta coisa de gosto /sabor / cheiro. eu gosto de viver, mas está tão chuvoso! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

Púlpito

O que poderia existir de mais significativo? Porque o púlpito é sempre a parte avançada da Terra. Tudo o mais vem depois dele. É dele que se divisa primeiro a tormenta da rápida cólera divina e a proa deverá suportar o primeiro embate. É do púlpito que se invoca primeiro ao Deus das brisas favoráveis ou contrárias, para pedir-lhe ventos propícios. Sim, o mundo é um navio em plena travessia e que não terminou a viagem, e o púlpito é a sua proa. (p.75) Herman Melville MOBY DICK

humor carregado de tempestade e restrições: ataques de covardia internos. secretos pedidos de socorro velados… não quero entregar o leme / novas e velhas leituras, releituras, parecem me devorar… o corpo reclama, pequena dor, ambiciosa dor que devora a vontade… depois, ela mesma, sacode o tempo.. eu ia sair, eu ia caminhar, eu ia esticar as pernas mas o céu se movimentou (na já prevista tempestade) e jorrou água como se fosse mesmo o nominado dilúvio / e a minha arca está desfalcada… coisas de amanhecer esquisito. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres escaldando e agora tempestando. o aniversário é da amiga, o presente, os patos -, bem, o inesquecível presente, claro, e tem a torta de morangos chegando, ou cocas colas ou vinho, ou sei lá quantos mimos somados aos anos… virei mesmo uma menina mimada… obrigada minha amiga. obrigada.

superlotado

generalizar não, mas, … mundo vitrine sim. parque de diversão, ar e foguetes e festa: somo nós. coragem zero para escolher apenas uma coisa / um amor / um caminho, uma casa. superlotado de calor ou de frio… de um momento, um sentimento. arrastamos a festa conosco… nada de deixar qualquer coisa para trás. Não saio daqui, não sais daí, ficamos, cada um no seu posto. abrir mão? de jeito nenhum. queremos tudo, banquete, lindas roupas, o melhor chá, o perfume certo, a viagem perfeita… festejamos um dia depois do outro. poderia ser dito, escolhes ser tu mesma. o correto. mas não conseguimos, abrir a vida avesso e direto ao mesmo tempo. somos empurrados vida a fora pela dúvida pelo tudo. claro, o amor salva, o amor, o beijo, o abraço, a festa! difícil sentir compartimentado… o melhor é se deixar ir… Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

muito muito muito calor…muito muito sol, muito verão… e ainda não é o Carnaval. Expectativa.

sobrevivência

uma pergunta desarrumada nesta minha tentativa de ordem: vivi tantos períodos de sobrevivência / susto e tomada de rumo mergulhada numa energia pequena temperada com alegria… se um dos agentes centrais me perguntasse queres voltar? vamos terminar de fazer as coisas juntos… pois é, deve ter muita coisa partida, eu diria, não não quero. insististe, tá difícil aí, terias facilidades, gosto e levezas… eu repetiria, não. não quero mais. e confessaria, eu nunca quis, foi passagem, foi ficando longo, cômodo, mas foi apenas ficando… desajeitadamente ficando. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres ( pensei, talvez ninguém me quisesse mesmo de volta… estou delirando)