pernas coloridas

pernas independentes, e a vontade caminha neste prazer de voar… de desaparecer, voluntariosas pernas com ideias próprias / independência. fico exausta no mando… nem posso me demorar na alegria intensa de guardar estes limões preciosas, procurar o azul, encontrar luz e a cor madura da folha! a beleza numa exaustão quente, ainda é verão! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres


fevereiro – carta 2
mãe: estou apressada porque inquieta. fiz tudo errado: dormi muito, não arrumei a cama, empurrei as coisas para baixo da cama, mas abri as janelas pro calor chegar amanhecendo… afinal, aqui é verão e faz um sol timído, pacífico. ontem as conversas com kf foram atrapalhadas, as explicações viraram divagações e as mãos estavam no lugar errado. depois te conto detalhes. um beijo
fevereiro, (2026)
carta 1
mãe, querida: demorei a te escrever – minhas promessas são voluntariosas, teimosas. castigos sufocam, não exatamente sufocam… parecem privação sem sentido: não compreendo. entre escolhas eu estudo, espero o sono chegar com a janela aberta / estou no meio do campo. rezo depois do sino tocar. imagino como te sentes, sem muita certeza, mas, determinada… assim desenhaste uma vida para ti, com talento. um beijo Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro 2026 – Torres
tomar banho de chuva, correr na chuva, parar e deixar a chuva cair
bomba e guerra
guerra e bomba / por que nunca termina? ganância ou falta de fé? homem no homem, mulher na mulher… as crianças deixaram de brincar nas calçadas? esquecemos de rir e desconfiamos desconfiamos / não parece absurdo apenas desconfiar… o reino do Vaticano… também está incluído? Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres /
LEON TROTSKY
Minha infância não conheceu fome nem frio. Quando nasci, a família dos meus pais possuía uma certa abastança. Mas era o bem estar-rigoroso da gente que sai da indigência para se elevar e não tem nenhuma vontade de parar no meio do caminho. Todos os músculos eram tendidos, todas as ideias dirigidas no sentido do trabalho e da acumulação. Neste gênero de existência, o lugar reservado às crianças era mais que modesto. Não conhecíamos a necessidade, mas também não conhecemos tampouco as larguezas de vida, nem os seus carinhos. A infância não foi para mim uma clareira ensolarada como para uma minoria ínfima; também não foi a caverna da fome, dos maus tratos e dos insultos, como acontece a muitos, como acontece à maioria. Foi uma infância cinzenta, numa família pequeno-burguesa, na aldeia, num canto perdido, onde a natureza é larga, mas os costumes, as opiniões, os interesses são estreitos, mesquinhos. (p.17) Leon Trotsky Minha Vida Editora Paz e Terra – 1969
estas coisas da infância são os pés de barro da diferença / dos sonhos miúdos e das grandes vitórias porque tecem quem somos: as urgências, as metas, as carências e visam o tal sucesso… a tal meta, a tal vontade, o tal caminho que vai mesmo fazer a diferença. medem os beijos que não damos, as propostas que nos envolvem, os escondidos das nossas escolhas, mitigam felicidade e alegria, e se agarram nas balas de goma ou nas barras de chocolate com que nos lambuzamos, nos fazem crianças espertas ou distraídas. ah! esta habilidade de entender a infância e plantar margaridas! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

de ferro
armadura, ou alma? se as escolhas se envolvem com a alma não com castelos nós tropeçamos… os presídios nos aguardam, sem margaridas, com celas, grades e pedacinhos do céu se forem em torres. afinal, sobreviver tem uma doçura amarga de superação. as histórias se empilham… os desencontros, as tristezas azedas, algumas lacunas podem deixar o ar passar… ah! viver tem esquisitices que se grudam ao corpo, e deixamos, assim, de nos reconhecer… o mito da felicidade na ponta do arco íris. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres






superstições políticas
Porque seja qual for a superioridade intelectual de um homem, ele nunca poderá assumir uma supremacia prática e aproveitável sobre outros homens sem o auxílio de alguns artifícios externos e meio solapados, sempre, em si mesmos, mais ou menos vis e baixos. É por isso que os verdadeiros príncipes divinos do Império sempre se mantêm afastados dos discursos do mundo e deixam as mais altas honras que tal aparência pode dar a esses homens que chegam a ser famosos antes por mercê da sua infinita inferioridade – a oculta eleição da Divina Inércia – do que por sua indubitável superioridade sobre o nível morto das massas. Tão grandes virtudes se escondem nestas pequenas coisas, quando as extremas superstições políticas as envolvem que, em certos casos régios, até à magna imbecilidade tem conferido poderio. (p.177) Herman Melville MOBY DICY
uauuuuuu! políticos nas escolas de samba / afinal, é tudo mesmo CARNAVAL! depois da festa / do samba, vamos votar! e se tivermos dinheiro pra pagar o almoço, aquele sanduiche de mortadela…
quando acordar vou contar uma estória, talvez história, quando…
arreganhado ou arregalada ou escondida
escondida palavra, encolhida, triste, ou espreitando a história que era estória daqueles amores nascentes, encharcados de lágrimas, depois suspiros e goles, goles esganados de felicidade… e o perfume entrou pelas minhas narinas satisfeitos…gozo completo de ser autêntico, sentido. viver tem estes tropeços necessários, justos, um empurrão e pronto. Entrei. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres








