entre tijolos

Quantas e quantas vezes eu me sentei para te escrever quantas e quantas vezes olhei para o céu pensei naquela noite achada… Foi pouco, e tão só juventude! Bilhetes perdidos outros medrosos alguns audaciosos esperançosos. E o sentimento de/com raízes que seguram/prendem nesta terra longe. Difícil ir difícil caminhar. Vencer a negação des/ou armar o medo. Cuidar que nada possa ficar diferente nem melhor nem pior. Este fantasma me acompanha. Tão longe estivemos um do outro!

P.S. Não telefono/ligo não é meu jeito, …nem vou tentar explicar, estaria/estarei sem a palavra certa. Compreendo o silêncio, quem não compreende? E a vida se explica. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2017 – E eu não sabia, ainda…

ENTRE os tijolos

junção das águas

Duas vezes ou três vezes não é o que se pode ver: alguma coisa que não sei explicar,mas vai como se…  Não sei dizer como, ainda não sei …  Importa olhar. Será esta a boa resposta?

A minha repentina desconfiança com as palavras me faz reconhecer a necessidade de contrariar toda espécie de conversa desordenada. E nos escritos, […] liquidar com esse aparente cinismo que faz desmoronar o sábio edifício da linguagem, essa aceitação tácita de Babel.” (p.211) Volume I Diário de Francisco Brennand.

…fica o cheiro diferente de mar e de rio, também a surpresa óbvia como caminhar e respirar. A energia passa fica evapora sai entra estaciona. Porque sou/estou feliz? Não Terminei de Gostar. Esta coisa de terminar não tem / não existe. Doçura de nostalgia.

Francisco Brennand mais menino do que nunca. Fechado / inteiro na Oficina, e atento e aberto e já no outro passo o sorriso. Voltei duas vezes a Várzea. Irei uma terceira uma quarta uma quinta vez ou irei até eu me encontrar com os noventa anos daquela juventude…Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2017 Recife, Pernambuco

OLHOS abaixados dois

Prezada Sra. Elizabeth Mattos,

Espero que a junção das águas do Rio Capibaribe com o mar lhe sejam propícias.

Cordialmente,

Francisco Brennand

Prezada Sra. Elizabeth Mattos,

Espero que a junção das águas do Rio Capibaribe com o mar lhe sejam propícias.

Cordialmente,

Francisco Brennand

Ele me salvou, explicou. Eu esqueci o trágico, naqueles dias, depois de chorar e chorar, e dormir e dormir e ser acalentada pela Luiza. Guardei os projetos traçados com Gustavo e entendi que eu apenas estava lá umas horas antes da passagem. Eu era o Benigno de Pedro Almadóvar

Chegar … não sei

Paralisada a pensar no desfazer e subtrair para chegar/encontrar o jeito próprio de dizer.

Vou me desfazer de amados amores.  Desnuda re/encontrar/ começar a história de outro mar …  Chegar onde não sei …  E.M.B. Mattos  – Torres, maio 2017

brennand instituto

“Parece que viemos acumulando muita coisa ao longo da vida. Estamos sobrecarregados de informações, de bagagem, ou seja, as opções nos são oferecidas aos montes e, quando tentamos nos expressar, todo esse peso acaba sobrecarregando o motor. E não conseguimos mais nos mover. Nesse caso, temos que jogar fora o conteúdo desnecessário e limpar o sistema para que nossa mente se torne mais livre e ágil. Então, como separar o que é indispensável do que não é muito necessário e do que é completamente inútil?” (p.57) Haruki Murakami Romancista como vocação, tradução de Eunice Suenaga, editora Alfaguara, 2017

Paralisada a pensar  e chegar onde não sei …

RONALDO BASTOS Quando não se é mais tão jovem

“O passar dos anos não impede a coragem nem a audácia se tivermos a consciência de que não somos mais tão jovens!!

Na maturidade também podemos ter confiança no sexo contanto que saibamos medi-lo pelo metro da qualidade e não da intensidade!!

A entrega jamais será uma perda, em qualquer idade, pois ela representa a capacidade que tivemos – e devemos continuar tendo sempre – de exercer o maior sentimento do ser humano – o amor!!

Tudo será sempre possível enquanto pudermos sonhar com a possibilidade!!

Acreditar é condição para continuar vivendo!!! “ Porto Alegre,  maio, 2017.

Ronaldo Bastos

FALANDO no restaurante

Quando se é jovem temos coragem audácia. E o sexo não faz medo, – é fácil confiar. Na entrega não se tem a dimensão da perda. Quando se é jovem a confiança está depositada na nossa própria juventude posição lógica. Não temos medo quando somos jovens nem nos perguntamos se seria possível … ou isso ou aquilo. Acreditamos que É como É. Elizabeth M.B. Mattos – Recife – 2017.

Seis horas oito horas sem notícia …

Despojada transparente. Você é assim muito demais como és. Deste jeito que és te pões a perigo. Desprendida alegre. Ao dizer surpreendes a surpresa. Não quero que vás quero que fiques, não vás embora. Quero ter você aqui para sempre. Quero ir para onde tu fores … Espera fica vive o sonho. Por que o medo por que te assustas? Você insegura a diminuir te entregas e confias.

… tua pele teus olhos teu beijo, não o meu, tua boca teu pescoço tua simplicidade. E falas falas falas, falas tanto e desarmas. E te desproteges …, e te descuidas. Ah! Este teu medo inseguro visível insegurança que te esconde. O que é menos é maior. Tu és boa és querida e eu te gosto. Difícil complicada simples! Tu dizes as coisas tantas todas que tu pensas, desconcertas e acertas. Sentimento doçura de olhar desprendido. Sofisticada simplicidade. E este jeito de fugir e também entregar, … tua leveza! Vontade de te ter aqui comigo, não vás, diz o que precisas, eu faço … O beijo do/no restaurante. Depois espiar a noite caminhando. E todas aquelas horas … “que tempo bom passamos juntos!”  … o bom beijo. Colorido jeito de chegar… expões o perigo, e você inteligente esconde … insegura aflita. Desorganizada medrosa afetuosa intensa. Chega no silêncio este estranho longe. Agora que te achei não quero te perder tua saúde me preocupa.

… há qualquer coisa dentro de mim que se aflige independente de mim mesma se aflige e desperta errada. Seis horas sem notícias de Elizabeth oito horas sem notícia de Elizabeth.  Uma manhã, uma tarde e um entardecer sem notícias de você … és muito melhor do que te imaginas, e este jeito manso. Deixa eu fazer para ti, espera. Não tomes banho frio.

…  a memória se mistura/confunde.  Se adormeço esqueço.  Há um corpo se desfazendo no jardim onde plantei hortênsias e margaridas. E a figueira que chega audaciosa nascida tão perto do cimento se debruça no terraço … Tempo de enfiar raízes na terra e insistir.  Não tenho direito a completa nudez … estremeço. Este contar sem fim parece um comprido trágico segredo dolorido. Recife,2017.Elizabeth M.B.Mattos

FOTO MUITO LINDA que Luiza tirou

“Enquanto eu falava, eu ia pensando, as histórias  em que as pessoas transformam a vida, as vidas em que as pessoas transformam as histórias.” Nathan Zuckermam, em  O Avesso da Vida, Philip Roth, OS FATOS, 1 edição 2016. Companhia das Letras.

Pernambuco

Brennand e LuizaVida agitada. Aguardo aquieto  observo vejo e sinto calor. Tudo a o mesmo tempo e todo o tempo no movimento de ir e vir. Francisco Brennand interessa. Não consigo parar de olhar e de sentir e de estar e sonhar e acordar seguindo no sonho. Um pedaço de percepção de jeito de entender, um pedaço de coisa concreta neste olhar. Observo vejo e sinto o ir e vir como um alegro musical doméstico … A menina a modelagem a costura o desenho. E também os cães. Limpa e cozinha, lava e dobra.

Estou as margens do Capibaribe num ponto central. Grandes edifícios avenidas parques ditos – espaços verdes – maltratados pelo descaso. Estes ajardinados amarelados separam (?) enfeitam, (?) e as balaustradas margeiam o rio. Pontes ligam apontam outros caminhos. Muitas bicicletas. Um vozerio sobe e se acomoda na sala. Onde estou é fresco e sombrio. Venezianas abaixadas. Recolhimento inesperado/ importante. Os dias passam. A faixada do prédio e laterais, em obra. Um transtorno com poeira neste tempo de ser pernambucana. Fica uma leve convocação a nova visita. No entanto viajar parece aventura deslocada. E estas agitações e gritarias políticas! Desencontro e revelação velada denudas sem pudor! Espantosa corrupção! Não compreendo. Não entendo este entender que um dia depois do outro resolve, … nada se resolve, ao contrário, tudo se complica numa guerra sanguinolenta com/de violência e maledicência e tanta vergonha!

Amigo! Assim neste mês de maio estico um pensamento preguiçoso para tudo que não seja olhar o calor. Não é uma carta/ mas se propõe um chegar/estar mais perto porque sinto saudades de ti, de você de nós dois conversando, pensando, nós dois …

FOTO MARAVILHOSA DAS COSTAS DA LUIZA

Não terminei de gostar

unnamed.jpgjardins

Ainda não terminei de gostar de você. Ainda não terminei de gostar de nós dois. Deste tu que se mudou para o você…  Ainda não entendi quem era aquela menina nem aquela jovem e a mulher que quis te tocar amar cercar e beijar. Ainda não terminei a romaria da reza ainda não terminei de te perseguir ainda não terminei de desejar. Ainda não terminei de te querer.  Então!  Cada dobra de papel cada três pontos cada obrigada ou cada lembrança desta memória tem gosto de permanência de fluidez impossível. Não terminei de te gostar e nem sei mesmo se te gosto! Não segui não fui adiante não vi caminho nem nada … acho que levei um trambolhão, empurrão uma sacudida e uma chuveirada gelada. Estacionei em mim mesma.  Dizem que os sentimentos são assim como soluços … compassados profundos, e misteriosamente superficiais. Eu não terminei de gostar de você nem de mim mesma. Então, se me escreves estremeço e também me assusto e me excito nestes longes que é ter a idade de setenta anos … imaginas? Tu você tu nós dois você indo e eu chegando. Nós românticos.  Tu irritado você longe tu tomando a esquerda da Vitor Hugo. Eu subindo a rua depois de descer do bonde. Era cheio de amoreiras carregadas o caminho … aquelas conversas regadas de chuva e ventania e fogo na lareira. Teu tu e teu eles caminham, passos largos na minha frente. Você não me espera e eu te olho do canto da sala ou da fresta. Recife, maio de 2017. Elizabeth M. B. Mattos

Francisco e eu

unnamed.jpg MINHA FOTO com ele

PALAVRAS sobre PALAVRAS L.C. Carpim

LINDAS AMORAS

As palavras têm poder. No princípio era o verbo, diziam os hebreus. Por esta indicação, vê-se que o verbum era imaterial, mas gerava matéria. Popularizado, o verbum seria parabola e derivaria em palavra, uma realidade capaz de atuar tanto sobre a luz quanto sobre as sombras. Dito de outra forma, a palavra tanto produziria uma declaração de amor quanto uma proclamação de guerra.

Humanas, demasiadamente humanas, as palavras dizem o que querem, mas também querem o que não dizem. Há, portanto, palavras para todas as ocasiões.

Em Elizabeth Menna Barreto Mattos, as palavras constituem um bailado. Não necessariamente, e não apenas, aquele movimento ritmado, que dá forma ao silêncio ou se eleva com a música. Não, trata-se também do pállõ com que os gregos agitavam, meneavam, oscilavam, saltavam ou conduziam.

Desapego da coisa pode ser fácil, mas da palavra, do sentimento, não consigo (2012), diz a autora do blog Amoras Azuis. Aqui, feixes de palavras, por vezes lentamente, por vezes impetuosamente, saltam da amorosidade à angústia, do tédio à euforia, da dúvida à afirmação, do fim ao começo, como se devessem cumprir um ritual: anunciar.

Mas Elizabeth não se desvenda num feixe de palavras. Revela-se um pouco mais no outro, no outro e no outro, fazendo das palavras essências surpreendentes, ambíguas como o enigma, que por ironia desaparece no exato momento em que, ilusoriamente, pensa-se dado ao conhecimento. Totalidades com som e significado, até mesmo quando surgem em frases curtas podem ser tão eloquentes quanto um solene e prolongado discurso.

Ela sabe que palavras podem atrair, seduzir ou fascinar. E as usa de forma sincera e transparente, com a engenhosidade de quem sabe que continua dúbia e incerta.

Em Elizabeth Menna Barreto Mattos, as palavras estão onde devem estar e onde já não podem fazer quase nada, pois ela deixa quase latente que também existe palavra para conceituar o que é fatal e que, exatamente por esta razão, não pode ser detido por nenhuma palavra. São humanas, enfim. Demasiadamente humanas.  Luís Carlos Carpim – Jornalista – (Maio, 2017)

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Somos nós?

Está frio aqui dentro tão quente na calçada gelado aqui dentro. Hoje não chove, não estou te dizendo o que já sabes, escuta: faz sol e o planeta se ilumina apesar desta guerra anunciada o planeta se ilumina. Apesar desta bandidagem solta e violenta o anjo anuncia luz e uma fatia de tranquilidade. Era isso que eu queria te dizer. E contar do livro de Stefan Zueig 24 horas da Vida de uma Mulher o passado e o agora explica o equívoco. Ninguém muda ninguém, ninguém fica diferente do que é mesmo quando não se identifica nem se conhece (este alguém) este Eu aponta para um ele que É. Perfumei o livro. Cheiro de outono, mas também de primavera com folhas amarelas … colorido na calçada. Estamos tu e eu outonando castanhos avermelhados. Branco preto cinza, e nós dois.  Odor vento voo leveza e bom sentimento. Temperatura com gosto de laranja de ameixa de pera sem abacaxi sem uva nem goiaba. Tâmaras? Pode ser outono em qualquer parte do mundo e ao mesmo tempo outono. Cerejas framboesas ou amoras são todas as mesmas. Surpresa ansiedade tormento amor amizade loucura mais (+) silêncio mais (+) tua voz que, afinal chega. Mundo avesso bordado povoado (dois sentidos, adjetivo e substantivo) transborda enlouquece e me deixa gelada. Preciso calor água um copo de bom vinho teus braços, ou estar eu comigo, contigo. Este desejo! … preciso quero entender e se entender eu explico  … Nenhum lugar seguro. Venta tanto dentro de mim! Segura minha mão ou voaremos como aquelas figuras de Chagall … Elizabeth M.B. Mattos, Torres.

Para C.M.  “nous étions prêst  à nous ouvrir, et notre ami spirituel s’est ouvert, et tous deux nous sommes renncontrés au même moment, c’est merveilleux.” Chogyam Trungpa

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“A maioria das pessoas não tem senão uma imaginação débil. O que não lhes toca diretamente, o que não se lhes enterra como uma ponta aguda em pleno cérebro, não chega a comovê – las, mas, se, diante de seus olhos, ao alcance imediato da sua sensibilidade, acontece alguma coisa, por insignificante que seja, logo começa a ferver nelas uma paixão desmedida. Compensam então, até certo ponto, a escassez de interesse que tomam pelos acontecimentos exteriores com uma veemência imprópria e exagerada.” (p.233) 24 Horas da Vida de um Mulher e outras novelas, Stefan Zueig, tradução de Medeiros e Albuquerque. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.