entre tijolos

Quantas e quantas vezes eu me sentei para te escrever quantas e quantas vezes olhei para o céu pensei naquela noite achada … foi pouco e tão só juventude! Bilhetes perdidos outros medrosos alguns audaciosos esperançosos. E o sentimento de/com raízes que seguram/prendem nesta terra longe. Difícil ir difícil caminhar. Vencer a negação des/ou armar o medo. Cuidar que nada possa ficar diferente nem melhor nem pior … este fantasma me acompanha. Tão longe estivemos um do outro!

P.S. Não telefono/ligo não é meu jeito, … nem vou explicar, estaria sem a palavra certa. Compreendo o silêncio, quem não compreende? E a vida se explica.

ENTRE os tijolos

… junção das águas

Duas vezes ou três vezes não é o que se pode ver … alguma coisa que não sei explicar mas vai como se … não sei dizer como, ainda não sei …  Importa olhar. Será esta a boa resposta?

A minha repentina desconfiança com as palavras me faz reconhecer a necessidade de contrariar toda espécie de conversa desordenada. E nos escritos, […] liquidar com esse aparente cinismo que faz desmoronar o sábio edifício da linguagem, essa aceitação tácita de Babel.” (p.211) Volume I Diário de Francisco Brennand.

… fica o cheiro diferente de mar e de rio, também a surpresa óbvia como caminhar e respirar. A energia passa fica evapora sai entra estaciona, … porque sou/estou feliz. Não Terminei de Gostar … Esta coisa de terminar não tem não existe … doçura de nostalgia.

Francisco Brennand mais menino do que nunca … fechado na Oficina e atento e aberto e já no outro passo o sorriso. Voltei duas vezes a Várzea. Irei uma terceira uma quarta uma quinta vez ou irei até eu me encontrar com os noventa anos daquela juventude …

OLHOS abaixados dois

Prezada Sra. Elizabeth Mattos,

Espero que a junção das águas do Rio Capibaribe com o mar lhe sejam propícias.

Cordialmente,

Francisco Brennand

Prezada Sra. Elizabeth Mattos,

Espero que a junção das águas do Rio Capibaribe com o mar lhe sejam propícias.

Cordialmente,

Francisco Brennand

Chegar … não sei

Paralisada a pensar no desfazer e subtrair para chegar/encontrar o jeito próprio de dizer.

Vou me desfazer de amados amores.  Desnuda re/encontrar/ começar a história de outro mar …  Chegar onde não sei …  E.M.B. Mattos  – Torres, maio 2017

brennand instituto

“Parece que viemos acumulando muita coisa ao longo da vida. Estamos sobrecarregados de informações, de bagagem, ou seja, as opções nos são oferecidas aos montes e, quando tentamos nos expressar, todo esse peso acaba sobrecarregando o motor. E não conseguimos mais nos mover. Nesse caso, temos que jogar fora o conteúdo desnecessário e limpar o sistema para que nossa mente se torne mais livre e ágil. Então, como separar o que é indispensável do que não é muito necessário e do que é completamente inútil?” (p.57) Haruki Murakami Romancista como vocação, tradução de Eunice Suenaga, editora Alfaguara, 2017

Paralisada a pensar  e chegar onde não sei …

RONALDO BASTOS Quando não se é mais tão jovem

“O passar dos anos não impede a coragem nem a audácia se tivermos a consciência de que não somos mais tão jovens!!

Na maturidade também podemos ter confiança no sexo contanto que saibamos medi-lo pelo metro da qualidade e não da intensidade!!

A entrega jamais será uma perda, em qualquer idade, pois ela representa a capacidade que tivemos – e devemos continuar tendo sempre – de exercer o maior sentimento do ser humano – o amor!!

Tudo será sempre possível enquanto pudermos sonhar com a possibilidade!!

Acreditar é condição para continuar vivendo!!! “ Porto Alegre,  maio, 2017.

Ronaldo Bastos

FALANDO no restaurante

Quando se é jovem temos coragem audácia. E o sexo não faz medo, – é fácil confiar. Na entrega não se tem a dimensão da perda. Quando se é jovem a confiança está depositada na nossa própria juventude posição lógica. Não temos medo quando somos jovens nem nos perguntamos se seria possível … ou isso ou aquilo. Acreditamos que É como É. Elizabeth M.B. Mattos – Recife – 2017.

Seis horas oito horas sem notícia …

Despojada transparente. Você é assim muito demais como és. Deste jeito que és te pões a perigo. Desprendida alegre. Ao dizer surpreendes a surpresa. Não quero que vás quero que fiques, não vás embora. Quero ter você aqui para sempre. Quero ir para onde tu fores … Espera fica vive o sonho. Por que o medo por que te assustas? Você insegura a diminuir te entregas e confias.

… tua pele teus olhos teu beijo, não o meu, tua boca teu pescoço tua simplicidade. E falas falas falas, falas tanto e desarmas. E te desproteges …, e te descuidas. Ah! Este teu medo inseguro visível insegurança que te esconde. O que é menos é maior. Tu és boa és querida e eu te gosto. Difícil complicada simples! Tu dizes as coisas tantas todas que tu pensas, desconcertas e acertas. Sentimento doçura de olhar desprendido. Sofisticada simplicidade. E este jeito de fugir e também entregar, … tua leveza! Vontade de te ter aqui comigo, não vás, diz o que precisas, eu faço … O beijo do/no restaurante. Depois espiar a noite caminhando. E todas aquelas horas … “que tempo bom passamos juntos!”  … o bom beijo. Colorido jeito de chegar… expões o perigo, e você inteligente esconde … insegura aflita. Desorganizada medrosa afetuosa intensa. Chega no silêncio este estranho longe. Agora que te achei não quero te perder tua saúde me preocupa.

… há qualquer coisa dentro de mim que se aflige independente de mim mesma se aflige e desperta errada. Seis horas sem notícias de Elizabeth oito horas sem notícia de Elizabeth.  Uma manhã, uma tarde e um entardecer sem notícias de você … és muito melhor do que te imaginas, e este jeito manso. Deixa eu fazer para ti, espera. Não tomes banho frio.

…  a memória se mistura/confunde.  Se adormeço esqueço.  Há um corpo se desfazendo no jardim onde plantei hortênsias e margaridas. E a figueira que chega audaciosa nascida tão perto do cimento se debruça no terraço … Tempo de enfiar raízes na terra e insistir.  Não tenho direito a completa nudez … estremeço. Este contar sem fim parece um comprido trágico segredo dolorido. Recife,2017.Elizabeth M.B.Mattos

FOTO MUITO LINDA que Luiza tirou

“Enquanto eu falava, eu ia pensando, as histórias  em que as pessoas transformam a vida, as vidas em que as pessoas transformam as histórias.” Nathan Zuckermam, em  O Avesso da Vida, Philip Roth, OS FATOS, 1 edição 2016. Companhia das Letras.

Pernambuco

Brennand e LuizaVida agitada. Aguardo aquieto  observo vejo e sinto calor. Tudo a o mesmo tempo e todo o tempo no movimento de ir e vir. Francisco Brennand interessa. Não consigo parar de olhar e de sentir e de estar e sonhar e acordar seguindo no sonho. Um pedaço de percepção de jeito de entender, um pedaço de coisa concreta neste olhar. Observo vejo e sinto o ir e vir como um alegro musical doméstico … A menina a modelagem a costura o desenho. E também os cães. Limpa e cozinha, lava e dobra.

Estou as margens do Capibaribe num ponto central. Grandes edifícios avenidas parques ditos – espaços verdes – maltratados pelo descaso. Estes ajardinados amarelados separam (?) enfeitam, (?) e as balaustradas margeiam o rio. Pontes ligam apontam outros caminhos. Muitas bicicletas. Um vozerio sobe e se acomoda na sala. Onde estou é fresco e sombrio. Venezianas abaixadas. Recolhimento inesperado/ importante. Os dias passam. A faixada do prédio e laterais, em obra. Um transtorno com poeira neste tempo de ser pernambucana. Fica uma leve convocação a nova visita. No entanto viajar parece aventura deslocada. E estas agitações e gritarias políticas! Desencontro e revelação velada denudas sem pudor! Espantosa corrupção! Não compreendo. Não entendo este entender que um dia depois do outro resolve, … nada se resolve, ao contrário, tudo se complica numa guerra sanguinolenta com/de violência e maledicência e tanta vergonha!

Amigo! Assim neste mês de maio estico um pensamento preguiçoso para tudo que não seja olhar o calor. Não é uma carta/ mas se propõe um chegar/estar mais perto porque sinto saudades de ti, de você de nós dois conversando, pensando, nós dois …

FOTO MARAVILHOSA DAS COSTAS DA LUIZA