Daniel Glattauer: A@MOR

 Se você já encontrou a pessoa perfeita, por que se arriscar a conhecê-la?

Quando não dá certo com uma pessoa, nem sem ela, só existe uma possibilidade: em vez dela! Léo, você precisa de outra. Você precisa se apaixonar de novo. Somente aí você saber o que lhe fez falta todo esse tempo. A proximidade não é o fim da distância, mas sua superação. A ansiedade não é a falta de completude, mas sim a constante procura por ela e a repetida insistência em obtê-la. (p. 91)

Amigo amado

Parece uma grande tolice ficar transcrevendo páginas e páginas, parece falta de assunto ficar a comentar este ou aquele livro, desdobrar o assunto em meia dúzia de parágrafos para preencher o que precisa ser dito, escrito outra vez, do jeito próprio. Tudo parece uma bobagem! Se eu conto que tomei café preto, e fiquei uma hora olhando pela janela.  Se eu mencionar minha vontade de morar no Rio de Janeiro, ou de viajar, entrar nas malas pra não voltar, não faz sentido. Se eu contar que Torres ainda é um lugar bonito, banalidade! Tudo é pequeno, e pouco. Se eu explicar que as calçadas deveriam ser limpas, que os papéis, as latas, os sacos plástico deveriam ter outro destino que não os canteiros… Que devemos separar lixo seco, de orgânico e etc. Impróprio! Ou que orar faz parte da vida. Ou ainda solidariedade e a generosidade transformam o mundo! Não… Estariam todos rindo porque é quase efeito natalino! Se eu explicasse a Doutrina de Allan Kardec ficariam chocados. Se eu estiver chorando de fome, ou rezando, ou adotando uma criança, tudo seria irrelevante. Sermos como somos é tão banal! Assim mesmos insistimos… Ousamos. E eu transcrevo outra vez Por Favor, Cuide de Mamãe.  Talvez não comprem o livro, nem queiram ver o filme argentino Medianeiras… E eu insisto. Quando li estes parágrafos lembrei do amigo amado. É especialmente para ele este recorte. O meu jeito próprio de dizer é assim camuflado na escrita de Kyung – Sook Shin. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2012 – Torres

“Percebo que fui uma pessoa terrível para você. Deve ser porque o primeiro encontro é importante. Tenho certeza de que, bem no fundo, sempre pensei que você me devesse alguma coisa, e eu demonstrava isso fazendo o que bem entendesse. (…) Parecia deslocado e estranho parado na frente do mar. (…) Jamais consegui esquecer aquela expressão, mas agora que penso no assunto, talvez sua expressão estivesse perguntando: ‘Até aqui ela conseguiu me localizar?’ Komso tornou-se um lugar inesquecível para mim por sua causa. Eu sempre o procurava quando acontecia algo com o qual não conseguia lidar sozinha, mas quando recuperava alguma paz de espírito, o esquecia. Pensava que o esquecia. Quando você me viu em Komso, a primeira pergunta que me fez foi: ’ O que houve de errado?’ Estou dizendo isso só agora, mas quando fui procurá-lo naquela ocasião, era a primeira vez que eu o fazia apenas para vê-lo, não porque tivesse acontecido alguma coisa comigo. (…) Obrigada por ter permanecido no mesmo lugar. Talvez eu tenha conseguido continuar a viver por causa disso. Peço desculpas por ter ido procurá-lo repetidas vezes sempre que me sentia desassossegada, mas sem deixá-lo sequer segurar minha mão. Embora eu o procurasse, quando parecia que você estava me procurando, eu agia com indelicadeza. (…) Sinto muito, muito mesmo. No início, era porque eu achava constrangedor, depois, porque achava que não devíamos e, mais tarde, porque eu estava velha. Você foi meu pecado e minha felicidade. Eu queria parecer digna diante de você.” (p.196-197)

Desculpa

Apenas visão pessoal. Visão interna. De  indivíduo que se pretende…É de dentro que sai a visão. É de dentro que sai o sentimento. Quando o outro recebe, lá do outro lado, já é diferente….Outro….As palavras são jatos que flutuam… Assim, ler as pessoas ocupa um espaço-tempo no nosso tempo. Fechamos os olhos, e ficamos a nos desculpar.

MEDIANEIRAS

O filme é baseado no curta de mesmo nome de GUSTAVO TARETTO. Já deve estar nas locadoras.

MEDIANEIRAS.

Taretto trabalhou por mais de 14 anos com publicidade e em 2004 recebeu o Leão de Ouro em Berlim na respectiva categoria. Quem quer visitar Buenos Aires por um segundo…

Incompetência

Os outros sabem mais do que eu. Em princípio, não aborrece. Depois aborrece. Aborrece bastante. Escrevo, escrevo, escrevo e nada concluo, então, não escrevo apenas desejo… Elas, as histórias, esbarraram no vazio, na incompetência: para viver é preciso ser competente, para contar história é preciso ser competente. Escreve-se, mas não se diz nada… Morte certa. Contar, escrever, quais outros expressões existem? Poetar? Relatar? Copiar? Sem a competência da leitura, do desejo, do olhar, sem obrar não conseguirei. Na medida em que escrever é viver, a tal competência  se faz urgente. Estas histórias são reais? Não. Viver não é real. Repete-se o fictício na química mágica de misturar, aonde o talento não se esconde, mas espuma borbulhante. Ele se reproduz. Sobrevivência. Se as histórias fossem verdadeiras não seriam importante. Histórias é remendo. Discutir o fato seja verdade ou mentira não é relevante. Os limites são sociais, éticos, emocionais. A veracidade está na forma de escrever e na forma de ler, e na minha invenção. A leitura é o peso, o encontro, o entendimento perfeito ou imperfeito; este é o banal conceito de verdade, verdade verdadeira, experiência do espelho. Todos os autores, escritores, jornalistas, cronistas e poetas escrevem a verdade… Eu não. Os leitores sabem da verdade deles próprios. As minhas, as de ninguém? Que importa? Livros fechados embelezam estantes, corredores, ou são queimam para diminuir o frio, interditados… Quando as geleiras desaparecerem, e  inundações engolirem esta terra, quando o sol arder noutro pedaço do mundo, ainda assim leremos. Aberto o papel, preenchido os brancos, pontilhadas as linhas começo a contar uma história, contá-la com reticências, omissões.  Instigar o tempo, isto é, a idade, como ampulheta de veracidade. A categoria ficção, auto-ajuda, teoria, roteiro, biografia, autobiografia, bisbilhotice, uso, mesmo no erro, acerto. UFA! Posso deixar por conta da cronologia? Um personagem inacabado já é história, ou parte dela. Um texto!

Era uma vez uma certeza: em certezas nos afogamos. Na vida caminhos incertos,  olhos abertos… A dúvida nos ilumina porque não paramos de procurar.

Decisão de um pai

A decisão de um pai, o desejo de superar, de aceitar o desafio, lutar a favor dos filhos!

A decisão de um pai, o desejo de se livrar do problema; rejeitar, desistir de um filho!

Não são batatas, são seres humanos. Não existe uma receita para ficar maravilhosos.  Existe amor. Aliás, quem cozinha sem este tal de amor, também não acerta… A vida é um ato de superação, e os homens agregam, ou são assassinos. A guerra é desistir, lutar invertido… A guerra em família é um modelo que se multiplica como fez Richard Kretschmar.

“Acariciei o peito de Tito. Ele permaneceu morto. Acariciei o peito de Tito. Ele permaneceu morto. Acariciei a perna de Tito. Ele permaneceu morto. Acariciei as costas de Tito. No momento em que acariciei suas costas, deu-se o inesperado. Subitamente, ele contorceu o corpo e arqueou a coluna. Tito ressuscitou.” (p.36)

“Adolf Hitler, em 1939, recebeu uma carta de Richard Kretschmar, um lavrador de Leipzig. Richard Kretschmar implorava a Adolf Hitler que o ajudasse a matar aquele que – na carta – ele chamava de ‘monstro’. O ‘monstro’ de Richard Kretschmar era seu filho Gerhard Kretschmar. Gerhard Kretschmar nascera cego, maneta e perneta. Ele nascera também, segundo seu pai ‘idiota’. (…) Em 25 de julho de 1939, aos cinco anos de idade, Gerhard Kretschmar foi executado com uma alta dose de Luminal. (…) O extermínio de Gerhard Kretschmar – um recém-nascido inválido repudiado pelo pai – assumira o caráter de extermínio de um povo: o Holocausto.” (p.39-40 e 45)

Diogo Mainardi A QUEDA

 

 

A casa e o tempo

O tempo Muito Tempo

Uma casa assume as características do morador, e, dependendo de quem seja, pode se tornar uma casa muito boa ou casa muito estranha. Quando a primavera chegar, por favor, plante algumas flores no quintal, dê um polimento no chão e conserte o telhado que despencou com a neve.

Por favor, cuide da mamãe

Kyung – Sook  Shin

Le crépuscule est um arbre. Il fait brûler sa peau. Il  s’ assombrit. Puis le silence passe d’un oiseau sur l’autre. Le bleu devient alors très noir. (Extrait)

Henry Deluy

Foto: edinilson karnopp