E…

A vida do outro exige decisões. E nós dependemos do  prolongamento do  olhar, da vontade, da janela aberta, da voz que importa.

Sequencia, interrupções, e alguns passos, todos os passos… Afinal somos responsáveis pelo que provocamos.  Decisões, hesitações,  covardia ou ousadia.

As palavras. O anel, o círculo.

E o Rio de Janeiro palpita, estremece. São Paulo responde. Porto Alegre tem  frio e chuva. Torres espera.

Braço preguiçosooooo

Todas as pílulas, todos os meios… Que a dor diminua deste jeito, assim, e interrompa  a corrente que aperta. São  lembranças,  faltas, e ausências. Um nada pequeno e sussurrante desta visita que não chegou. É o Rio de Janeiro! Ruas sacodem inteiras em gritos de festa, às vezes doloridas. Possibilidades! Sem ansiedade, menos… O tempo  se move na lembrança cantante, e se declara amigo, pacífico. Lojas exalam perfume, e a delicadeza desta camisola supera o pijama! O sapato! A toalha! Louças delicadas para o chá! E tecidos que se desenham sonolentos. O mar. Ipanema. Delfim Moreira a janela. Volto ao Arpoador. Milhões e milhões de reais que foram cruzeiros cruzados… Saint Moritz não é vez este ano. Vou festejar o futebol do Taiti por três meses, não, quatro pra ficar  Gauguin,  e ser nativa. O certeiro do teu ponto te equilibra paulista. Eu me deixo consumir no copo de vinho azul. Amoras. Cafés. Sucessivos cafés com pão e manteiga, e mel, e leite, outra vez café. O gosto de frutas amassadas, e o caminhar lento, vagaroso rodeando a Igreja Notre Dame de Paris. Outra vez Eu. O vagar medido pela dor pequena e grande que o tempo impõe. Respeito. De volta entro na livraria Da Travessa: mais café. Cheiro de livros pacíficos acalmam o desagrado inteiro de estar, estou? Sozinha. Ele não veio segurar minha mão. Nada a lamentar. Sem memória. Por que contar beijos?

E tu me estendes o braço preguiçoso do amado…

Lembrança censurada

Não contar é apagar um pouco o passado, esquecer, negar…Pode ser um pequeno favor. Lembrar é fazer acontecer… Mas existe  lembrança censurada! Pudor! O que eu te diria, meu amigo? Eu também te esperava nas sessões duplas daqueles domingos… Jujuba, cinema Ritz.  Petrópolis com sol na calçada.

Amarelas amoras azuis

Se amoras azuis existissem! Amoras verdes, pretas…

Existem as vermelhas.  Por que não amarelas?  Uma cor uma fruta. Uma árvore ao acaso do ocaso pra rimar. Inventada, remendada, refeita. Retalhos tricotados no tédio conhecido.

Brancas folhas digitadas! Ou agendas preenchidas com tinta azul, e roxa também. Tinta verde. Canetas preciosas que se escondem em caixas nacaradas… O pote chinês naquela mesa embaixo da janela. Da janela das flores, e tantas flores! E amoras, todas elas amoras azuis e amarelas …

Ora! Agora vejo o mar de Ipanema. Do Arpoador, do Rio de Janeiro em azul.  Elizabeth M.B. Mattos – junho 2013 – Rio de Janeiro