equívoco/ ou luta

Como tu transito/ caminho entre o Livre Arbítrio e o destino, aquilo que se esconde no Ponto de Mutação de Capra, na física quântica. Alguma coisa que nos impulsiona e condiciona,  nem sempre escolha,  talvez impulso,  ou loucura. Fazer acontecer e deixar levar ao espanto. Diferente. Temos o LA para todos os detalhes destaques de nossa pequena vida/estrela,  mas ele acontece/transita também pela saúde mental,  lucidez e nos agarra num minuto,  logo nos solta ou devora.  Ainda não temos todas as respostas. As palavras nos iludem… Se jogam umas contra as outras num lúdico fazer aberto azul iluminado que termina num ponto distante incompreensível.  Então, não faz mais sentido isso ou aquilo e o livro aberto explode esquecido. Temos a memória / lembrança.  Escondido,  solto e aberto o Livre Arbítrio  ri/gargalha desta liberdade possível e inútil!  Sim. Edu,  não é  simples explicar. Mas posso cotejar com a vida.

Vale o resumo de uma vidinha medíocre / ridícula / boa / corajosa, ou festiva, a minha. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2019 – Torres

eu te persigo

vou dançar a tua volta, a seduzir, sem te tocar, apenas te amar com olhar faminto

a música há de nos consumir no ritmo frenético de existir, nada nos possui de  jeito mais profundo e remexido: a música

do teu silêncio eloquente medroso acanhado, mergulho e me  espreguiço neste calor invernoso

és tu derramado no desejo contido de ser jovem, o eterno: não é preciso

no ar o fazer, na espera, no desejo o encanto, a posse

chuviscou / nem molhou, o cinzento do céu anuncia que tudo vai mudar… Esfriar?

não sei, talvez melhorar a roda alegre de te esperar

sou eu, não sou ninguém, nem loira nem morena, nem triste nem esfuziante, sou eu

hoje vou escrever escrever escrever e fazer o texto relato, aquele cheio de palavras e palavras explicativas: a confusão / confissão de te amar atrapalhado, noutro tempo, já passado sem futuro, num agora esquisito e frouxo como o fato

atados na árvore proibida e passivos, estamos todos no Brasil azul verde e amarelo, o nosso Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2019 em Torres a madrugada me acordou de tanto dormir, dormir para passar e acordar, por quê? porque não estás aqui, tu te escondes dos meus sonhos, não adianta, eu te persigo

 

A dor

Tempo pode ser o grito de esperar, sentimento esganiçado despedaçado: não se pode esperar esperar e esperar, há que surpreender, chegar, bater na campainha, na porta, e olhar. E assim mesmo, será  invisível. Não reconheço, não és o amado, mas apenas a expectativa.  Despedaça ilusão já na chegada. Ou na despedida, no frio ou neste calor morno de junho… Pura imaginação este querer/desejar! Não te exergo.

O verão surpreende Portugal, Paris, o inverno deve me surpreender. Frio gelado calor quente: um dia, outro, e ainda outro. E.M.B. Mattos – junho de 2019 – Torres

Ouvi gritos abafados na escada, um reboliço, barulho de passos. Depois, portas batendo e gritos. Era isso. Eles voltavam da Alemanha.

Não pude evitar. Desci, queria fugir para a rua. Beauchamp e D. o sustentavam pelas axilas. Estavam parados no patamar do primeiro andar. Ele estava olhando para cima.

Não sei ao certo. Ele deve ter – me olhado, reconhecido e sorrido. Berrei que não, eu não queria ver. Voltei, subi a escada. Eu berrava, disso me lembro. A guerra saía aos berros. Seis anos sem gritar. Eles me obrigavam a beber rum, despejavam a bebida dentro da boca. Dentro dos gritos. […]

Na minha lembrança, em um determinado momento, os ruídos se extinguem e eu o vejo. Imenso. À minha frente. Não o reconheço. Ele me olha. Sorri. Deixa que o olhem. Um cansaço sobrenatural transparece em seu sorriso, por ter conseguido viver até aquele momento. É por esse sorriso que, de repente, o reconheço, mas de muito longe, como se o visse no fim de um tubel. É um sorriso de confusão. Ele se desculpa por estar assim, reduzido aquele dejeto. E depois o sorriso desaparece. Ele volta a ser um desconhecido. Mas o reconhecimento existe, aquele desconhecido é ele, Robert L., em sua totalidade.” (p.63-64) Marguerite Duras A dor

AQUARELA MELHOR

poucos se garantem antes dos 18 anos, ou 19, até 20 anos

título mãe 1

Estranha conversa! Esdrúxula! Aos 40 anos talvez fosse bom ter um rumo, mas até aos 50 anos dá tempo de virar a curva e recomeçar: trabalhar pode ser apenas colocar um pedaço de lenha no fogo, virar o caldo, cavoucar a terra e plantar batatas! Viver deve ser agregar. Um tijolo e mais outro tijolo, cimento, uma parede. Aos dezoito anos a vida se  revira, aos dezenove, noutros tempos as mulheres já tinham um bebê nos braços, e os meninos?! Pois é! E os meninos, seguiam meninos. Amadurecer não parece ser como laranjeiras, os pêssegos precisam de proteção, as maçãs também. Não amoreiras nem pitangueiras. O mar salga a pele, talvez resolva tudo. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2019 – Torres – Aos nossos jovens a vida! Crescer dói.

tépido

 

tépido, amanhece como se fosse primavera (flores e não folhas)

penso: estaremos amanhã, depois de amanhã, estaremos (sorrindo)

confuso pensar: um passo apertado de esperar, outro apressado de fugir e aquele exitante e confiante de querer.

 

não fiz o bolo, atrapalhada com medidas

velhas certezas incertas (como se diz/escreve hoje)

quero o tépido do aconchego, ou o bonito de acertar, (dar certo, conseguir, somar)

luz  limpeza e gosto, a água descendo cálida e tépida…

luxo das cobertas! céus!

preciso continuar! E.M.B.Mattos

 

não culpo o frio

Nada. Não culpo o frio, mas o nada. Ou será o frio a encolher por dentro. Vida de volta a caverna. E a cama um atrativo insubstituível de quentura. E o corpo se acomoda em baixo das cobertas! A cabeça se esvazia. Já não é como antes na calçada, amanhã volta o quente, uma gangorra de superação. Haja saúde! Exercício de academia, da bicicleta a corrida. Da corrida a respirar, com música, sem música, com ritmo, sem ritmo, entre exausta e estimulada. Depois eu me penso insatisfeita: onde o cuidado, ou a certeza de avançar. Cautelosa? Não. Informações asfixiam, não há tempo, tudo acontece ao mesmo tempo. Sou o tempo da notícia era lenta morosa, e chego filtrada. Sem maratonas! Sem voz. Pátio / quintal, casa e interioridades. A cada um descobrir seus limites, não há sossego. Rodeada de pessoas, projetos e sombras. O vento tira tudo do lugar! E o sol escorrega na chuva. Não. Não consigo. Democratizar a palavra…Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2019 – Torres