não recomende livro nem leitura

Ao acaso Beckett …, distraída. Trancada no romance no poema, larguei tudo, dei uma volta. Pessoa importa. Abraço sorriso, o gosto de sol, do ar …. “As visões no escuro de luz! Quem exclama assim? Quem pergunta quem exclama, Que visões no escuro sem sombras de luz e sombra! Ainda um outro ainda? Inventando isso tudo por companhia. Que acréscimo adicional a companhia ia ser! Ainda um outro ainda inventando isso tudo por companhia. Depressa deixá-lo!” (p.61)  Samuel Beckett – Companhia e outros textos 

Quero que voltes. Apenas tu, sem bagagem, sem conversa  sem palavra, sem sintaxe. quero que voltes. Quero que digas aquele tudo que me arrepia, não entendo, só sei que eu te quero de volta. Eu prometo lavar, passar, esfregar, plantar, regar, e até emagrecer …, eu prometo rejuvenescer. qualquer milagre eu faço para te ver.

Estou maluca/louca/ ensandecida. Logo é Natal. Não compre livros, livros devem ser escolhidos no impulso, pelo cheiro, não indique livros, a cada palavra tu te jogas, neles tu te escondes …, tem que ser acaso/surpresa/atração o amor. Elizabeth M.B. Mattos  – dezembro de 2018 – Torres

Santa Cruz do Sulrelógio e máquina

olhos com flores

Ando com saudade, saudade da leveza de não ser e … Sonhar conquistar. Estar contigo, uma hora, duas, uma tarde, um céu. Tô com ciúmes do campo, dos cães. Quero a comida que perfuma. Imagino a camisa puída, e o meu vestido curto. Seguro teu olhar no verde. Gosto deste contemplar silencioso, da televisão dia e noite, do sono bom … Da tua voz que nunca escutei, da tua mão que eu não seguro. Desta saudade idiota de um dia ter tudo, no outro nada. E gargalhar … Que o tempo nos agarre e segure estupefato. Estarás velho, eu anciã. Que importa? O gosto da cerveja, o perfume do vinho e aquele destilado com gelo e limão. Somos nós a comer pastel, azeitonas e sonhos. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2018 – como pandorga em campo livre, ao vento possível de te encontrar.

 

O poema transformo em texto. Sem licença mexo altero repasso. E são poemas,… “Antes, teu corpo era feito de terra e não tinhas olhos abertos ou fechados que vissem as nuvens soltas nas alturas. Eras imenso, adormecias calmo e estavas sempre desperto nas manhã inexistentes. eras teu próprio sol. Sem saber por quê teus olhos brotaram da terra como flores, nem quando ou como. Agora, o sol te ofusca os olhos quando o olhas e teu corpo sente frio ao acordar: és tecido com a sequência das manhãs que te traz o temor da tarde próxima, da noite imprevisível: os sonhos nada mais te revelam e a luz te chega apenas como luz, nos ângulos móveis dos ponteiro suspendeste tua vida nova: contas agora os dias e os séculos.”  Fernando C. de Garcia – O Príncipe Irreal

O poema transformo em texto. Sem licença mexo altero repasso. E são poemas,… desculpa. É que releio e vira prosa, conversa, e  …. a imaginar e a queres, descrever, sentir e tocar “olhos brotaram da terra como flores” Tao difícil poetar.

Sabbine e Iberê

 

e o estado …

Acordo com aquela sensação estranha de não trabalhar mais. Não saltar da cama enfiar qualquer roupa e ir para a escola … tantos anos! Loucura largar/parar/abandonar. Das quarenta horas , num repente  largar tudo …, sem plano definido. A Ulbra com vinte horas  noturnas, particular alegria. Inovei. Loucura de horários apertados. Engajamento emocional. Ninguém pode ser professor apenas algumas horas. Acordava envolvida e dormia possuída como se este fazer agisse também no sono.  Olhos fechados tudo seguia: vozes, ideias e  livros a serem lidos,  fichas consultadas, gramáticas, filmes. Alunos, escolas, pequenas viagens. Energia para dirigir até Porto Alegre de manhã e voltar a noite. Prazer da estrada. Aquela juventude boa de se entregar ao volante/rodar … Acordei com desejo de entrar no carro. Ir até a beira do rio Mampituba e passar no supermercado. Tomar café com aquele pão quente de farinha bem branca, suco de fruta, e gosto de vida, nova energia. Ideia de aposentar foi a pior que eu tive. Não trabalhar pode ser castigo infringido ao corpo ao tempo, testar alegria. E se desfaz em vagares. Coisa nenhuma. Hoje acordei com vontade estar de volta. Giz, livros, notas, chamada, vozes, pessoas … Eu deveria poder voltar. Desabafo. Novembro segue frio, ainda é muito cedo para providenciar no pão … Vou passar um café preto e desligar o radio. Talvez volte para a cama. Elizabeth M.B.Mattos dezembro de 2018 – Torres

outra foto linda da mesa com ver da batata doce

contar sem pensar

“Meu assombro é que eu me considerava imune a relâmpagos e trovoadas amorosas.

Cansada de simular equilíbrio. Louca loucura sacudida. Desespero, incompreensão. Falta  inteligência amorosa. Escorrego. Verdade pendurada no varal. Muda de de cor a voz, o dizer. Estúpido caminho pedregoso. Desnudar/desvendar/explicar enredo, ou beber vinho e rasgar pêssegos e mangas. Ansiedade sem alegria. Não posso me descuidar, estou perdendo o natural  da natureza alegre. Escorrego. Triste. Enjaulada. Não sei explicar. Não é normal. O corpo aperta os ossos. Efeito de tanto sono e desta saudade ensandecida, louca. Inexplicável.  …. joelhos, braços, pernas escalavradas, palavras  sem sentido.  Perigo! Olha o sinal!  Elizabeth M.B.Mattos – dezembro de 2018 – TORRES

“Cartas! Ela as possui, cartas! […]Cartas onde meu nome aparece […] romance de folhetim não é outra coisa: desenrola-se no ´papel, espelha-se na vida mas elucida-se nas cartas.”

Trivial sempre é simples, quando se reverencia silêncio, mas quando personagens começam a falar, brotam problemas.”( 170-171) Marco Aurélio Barroso  in  …ela mora em Botafogo …

LINDA ILUSTRAçÃO mesa e objetos

 

aipim frito e cerveja

Almoço. Independência e liberdade: aipim frito e cerveja. Que frio neste novembro! …, e choramingo. Queria rir contigo. Loucura da loucura. Sem estrada. Café e sonho …, sesta e abraço. Por que não? Posso tudo. Sempre, até envelhecer, e ficar assim, com rios e lagoas, tropeços e descaso…  Gosto de café e o sono. Beth Mattos – dezembro de 2018 – Torres

querer possuir

Volto e retomo não resisto. Não te pergunto se posso, ou se não posso. Espero. Escrevo…, não sei. Sinto. Despedaço aos pedaços. Coisa esquisita envelhecer invisível.

Estás a me escutar … Único, tocado e sentido sentimento. Antecipado. Ansioso, o meu. Depois que apagaste/enterraste história sem contar nem dizer … Fico a pensar e a te querer, assim, devagar …, sem rumo. Completo. Repasso, retomo, eu te toco. O texto não sou eu, nem a palavra, nem o formato, nem o sentir.  És tu, somos nós. Então, existe um tropeço. Retomo. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro em Torres – 2018

” Não podemos nos esquecer que já somos o que somos. Vida solitária exala algo de sublimemente superior que, ora nos faz brilhantes …ora idiotas.

Insegurança leva – nos ao sorriso. É que. a mais de vezes, não nos damos conta de que prazer de querer possuir é melhor do que próprio ato de possuir. Pensar em amar alguém, abraçar esse alguém, beijar esse alguém, por irrealizável seja, sobrevive e eterniza – se. Beijo não realizado, abraço evitado, encontro mal sucedido podem ser lacunas de toda uma vida. Morre -se sem saborear gosto do beijo, calor do abraço. Mas… se realizado, vai perdendo encanto […]

O prazer sempre é anterior. […]

Certo desejo de não querer chegar nunca. Travar vida onde ela se encontra, para viver esta ânsia inefável de querer encontrá -la mas sem jamais querer encontrá – la. O momento de querer vê – la mas sem querer viver o momento de querer vê – la. Querer senti – la mas sem querer senti – la. Este é o melhor momento. O momento que antecede ao melhor momento. Surpresas de futuro próximo são inenarravelmente melhores do que todo o passado vivido. […] Ideia vira imagem. algo perigoso. Assustador.” (p.102) Marco Aurélio Barroso  …ela mora em Botafogo …ou, esqueça seus dramas, para entender o meu.

mesa preta cheia de coisassssssssssssssssssssssssssss