foi ontem, foi hoje

escrevi / apaguei / pensei, deixei de pensar, achei o jeito, perdi o jeito, sem graça, agora, o vazio / dolorido vazio, aliás, agora é ontem, antes de ontem, quando tu me escrevias e eu gostava de cozinhar! não importa agora, deixa o inverno abraçar / deixa o frio entrar no fogo da lareira e dançar,

a música resolve / a música, a dança… eu me aqueço enquanto penso em ti. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2022 – Torres

o amor

o amor congela

congela quando ferve a nos aquecer, e eterniza

congela o amor!

grandes/pequenos, adequados ou inadequados sentimentos explicam a pessoa

o desenho do amor está na sombra / na euforia / na generosidade aberta

assustador quando existe apenas a dimensão limitada de um único olhar!

somos muitos! somos um! tão óbvio! Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2022 – Torres

mãe ou tia

Penso muito, muito mesmo nesta tia. Com ela todas as minhas memórias de menina-criança. Ela me ensinou a ser pessoa/gente. Poderosas e intensas/tensas lembranças. Preenche um período enorme, toda a minha vida antes do internato, nos primeiros anos escolares / o Grupo Escolar Rio Branco…Tia querida! Com ela as minhas brigas e birras, a mãe presente! Eu tive outras mães, se a coragem chegar pra me agarrar nestas lembranças, ela será, certamente, a principal protagonista. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2022 – Torres -, inclusive nos meus verões!

beijo coroado

Não importa o tempo, nem a idade, muito menos a estação, há/existe o beijo coroado, aquele toque perfeito, assim, durmo nas horas inversas, as minhas! E a tua voz, embala o dia! O segredo:nossas noites! Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2022 – Torres

esvaziado

Ah! Aquelas promessas que se acumulam na minha vontade, adormeço (verbo que uso muito) cheia de boas, belíssimas intenções, justo até depois do café, ainda no começo do dia, tudo é possível. Eu apresso urgências: levar a Ônix para dar uma volta, abrir as janelas, ventilar os miasmas da noite, sacudir os travesseiros e me alegrar com tanto sol! Ah! As danadas das boas intenções estão bem alegrinhas! E começo a me sentir forte, caminho, olho, e me admiro. Volto para casa certa que farei outro tanto! E as conversas / as notícias / os arreios começam! Eu vou ter mesmo que “me levar”? Aperta aqui, ali, ah! melhor ficar do jeito que está, sem tanto exercício, sem tanto fazer! Quatro frases! Sim, ao menos algumas frases e me sentirei melhor! E lá vou eu pra exercitar o fazer! Que eu consiga! Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2022 – Nenhuma obrigação! Apenas desvios! Ótimo! Faz parte deste meu tempo.

trambolho imprestável

Campbell:

“[…] percebe-se que ser um homem moderno é algo extremamente árduo. O esforço tremendo daqueles que assumem o sustento das famílias – bem, essa é uma tarefa que exaure e consome toda uma vida.

Moyers: Mas eu prefiro isso às pestes dos séculos XII e XIV…

Campbell:

O estilo de vida daquela gente era muito mais ativo que o nosso. Nós passamos o tempo sentados em escritórios. É significativo que os problemas da meia-idade sejam tão salientes em nossa civilização.

Moyers:

Você tá tomando a coisa do lado pessoal!

Campbell:

Eu já passei da meia-idade, portanto conheço alguma coisa a respeito. Algo típico de nossas vidas sedentárias é que usufruímos ou podemos usufruir da excitação intelectual, mas o corpo não tem muito a ver com isso. Resultado, você é compelido a se engajar intencionalmente em exercícios físicos, um pouco por dia, e assim por diante. acho muito difícil extrair prazer de tais atividades, mas elas aí estão. Caso contrário, todo o seu corpo lhe dirá; “ei, você me esqueceu completamente. Eu estou me tornando um trambolho imprestável.”

Moyers:

Ainda assim, me parece plausível que essas histórias de heróis se tornem uma espécie de tranquilizador, invocando em nós a passividade benigna de contemplar em vez de agir E o outro lado da moeda é que nosso mundo parece esvaziado de valores espirituais. As pessoas se sentem impotentes. Para mim, esse é o curso da sociedade moderna, a impotência, o tédio que as pessoas sentem, a alienação das pessoas em relação a ordem do mundo ao seu redor. Talvez necessitemos hoje de algum herói que dê voz as nossas aspirações mais profundas.

Campbell: Você está descrevendo exatamente The Wast Land [A Terra devastada], de T.S. Eliot, a estagnação sociológica de idas inautênticas e de um viver que nos foi imposto e não tem nada a ver com nossa vida espiritual, com nossas potencialidades ou até mesmo com nossa coragem física – até, é claro, que isso nos lance numa dessas guerras desumanas. (p.139-140) Joseph Campbell O Poder do Mito com Bill Moyers

sono

Às vezes tenho que inventar o sono, o corpo tá moído de cansaço, mas onde se escondeu o sono? E mesmo o sol, ou principalmente, o sol pesa nos olhos e nos ombros. A leitura fica desarrumada nas carreirinhas das letras, e, quero dormir, quero dormir sem sono, no meio do sol mesmo. Recomeço o movimento de limpar, lustrar, desfiar a música, balançar o corpo, mas estou presa neste dolorido do impacto. Às vezes pode ser uma palavra chamada notícia que inquieta, outras, o vazio ele mesmo, as picadas de dúvidas! Pois é! As respostas não são perguntas, mas fatos. E o fato está congelado. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2022 – Torres

pode ser amor

não dormir pode ser amor, esperar e deixar a sensação de entrega durar, durar, durar a madrugada para ver o dia amanhecer / ensolarar, porque hoje tem sol! não chega o sono, ele saltita lá dentro do corpo agitado, mas a cabeça domina! ah! comer o bolo do presente (obrigada, minha amiga!) fazer uma torrada com queijo derretido, um ovo batido, uma bergamota, ah! fazer, até caminhar! Ônix gostou! E depois, depois, voltar para cama e por algumas horas, desaparecer! É o cheiro de um bom sábado! Elizabeth M.B. Mattos – maio – 2022 – Torres

ou rezar

Insônia comprida! Uma caminhada arrastada pela noite, passos lentos! Que o sono possa derramar coisa boa, e, sem querer querendo eu durma! Demore para acordar! Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2022 -Torres – teimosa / crítica / posso ser perversa / e sofrida seguro a dor feito criança, choro engasgado – deixar as lágrimas escorrerem pode ser o melhor remédio! Ou rezar! Exagero! Um sono desarrumado!