felicidade

muro na lagoa

Entrega sem volta nem resposta ou pergunta: aos poucos, com vagar, lento e constante a vida dentro do outro. Amálgamas alimentam  velhos amores, e doces esperas. Sonho acorda o passado: voz sorriso, … há qualquer coisa de trágico na separação, e na desejada liberdade. Uma espera constante. Um depois para depois, e o tempo da espera se esgota. É preciso preencher a ruptura. Reconhecer premência. Nesta madrugada sinto um vazio maior. Sem socorro. Uma vontade de parar …

Não se pode improvisar a felicidade. É preciso esperar, ficar de tocaia, como se ela fosse uma codorna ou uma garota de asas cansadas. Entre a arte e o ofício está posto um abismo.” (p.55)  Lawrence Durrell Monuntolivre – 3 volume – Quarteto de Alexandria

se fosse

…, começo 2018 -, ano plano. Susto espanto consciência …, filhos netos vozes. Memória, traços. Começo de tanto começo!

Dissipado o sonho e recobrado o senso comum, aquilo não teria grande relevância – eis a história dos delitos imaginários.”

Estou/ ando/ sou distraída atordoada cansada. A lembrança corta, e abre a dor miúda. Se esquece passando, mas segue igual. Acontecido fato …, não é mais; como seria se fosse? … penso encolhida, triste. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2018 – Torres

martelo e objetos

ansiedade devora

…, tem uma ansiedade que devora. E pressiona pescoço, braços. Ela agarra pelas costas. …, vai ver é particular, apenas comigo assim. Preciso usar o silêncio. A quietude. Usar a ciência inteira, … céus! Estou toda tensa! Bom que veio a chuva. Maravilhoso ver/ter a chuva, este céu que se derrama! Não sei o que escrever. Estou inquieta, com medo também, mas sei/acredito/tenho fé. Atravesso o mundo, e vou chegar…

Vou ter que voar, mas eu sei “ Nossa vida deve estar enraizada na terra, e não no sono. Isso não é uma técnica específica. É silêncio. Apenas isso. O silêncio significa que você tem de ser você como realmente é –   aquilo que é em si mesmo. […] tudo o que temos de fazer é sentir o próprio gosto, como somos. ” Dainin Katagirik

 

entre nós, o muro

Carta, mensagem, bilhete, verso ou divagações! O que há para ser dito / narrado, confessado. Escrevo / caminho pelas beiradas. Eu me perco no abraço, no beijo, e deixo escapar suspiros! Já como se despedida fosse, nunca permanência. Desejo de querer sem saber. Gostar medroso, estranho …, que afinal, não é mesmo um querer …, mas desejo.

muro na lagoa

Muro feito com  folhas miúdas que se enfiam entre rachas, flores brancas. Muro de frestas: vegetação selvagem tomando conta …, muro que se colocou/ postou/ ergueu entre nós. Não me perguntes como foi que aconteceu, não sei explicar. Na verdade, entrei na tua vida distraída, curiosa, entregue. Esqueci de imediato a cabeça em um canto da casa, … fui buscar, é claro, e voltando eu me dei conta, devagar, que ali não era o meu lugar, mas o teu sonho. Levantei os olhos e prestei atenção no teu olhar. Atento, alegre, em fresta ele também. Como gostei! Nem tu, nem eu, nós não vimos o muro … Cuidei de espiar a figueira que nascia apertada e se debruçava entre construções a buscar luz no teu terraço. Elas demoram tantos anos para crescer! Têm aquelas folhas miúdas tão verdes! E as escadas. Tantas escadas que vinham e iam, … a cada degrau uma canção, um instrumento, uma melodia. Uma orquestra. E tudo estava no seu devido lugar. Assim, eu entendi que o muro faz sentido …

Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2018 – Torres (muro de contenção na beira da lagoa)

muro desenho com folhas

Sabe, Justine, acredito que os deuses são homens e os homens, deuses; imiscuem –se nas vidas uns dos outros, tentando se expressar por intermédio dos demais – nasce daí essa confusão aparente em nossos estados de espírito, essa intuição acerca de poderes imanentes ou transcendentes … E além disso (escute) creio que raras pessoas percebem que o sexo é um ato psíquico, e não físico. Esse acoplamento deselegante de seres humanos não passa de uma paráfrase biológica da verdade – um método primitivo de colocar duas mentes em contato, de atraí–las. Mas quase todas as pessoas se detêm nesse aspecto físico, alheias ao rapport poético que com tanta deselegância ele busca transmitir. É por isso que todas essas repetições tediosas do mesmo erro não passam de uma enfadonha tabuada de multiplicação, e permanecerão assim até que você tire esse saco de papel da cabeça e comece a raciocinar de forma responsável.’ (p.97)

Lawrence Durrell  Balthazar O Quarteto de Alexandria

loucura grande ou pequena

…, sim, estou velha, bem velha. Um dia foi ontem, e construí / fiz uma história mineira, lembras?  Nem sei como nos perdemos, nem como nos encontramos, e reencontramos. . Loucura grande, ou pequena … Passou tanto tempo! …, amores, outros sentires; o estranho desta lembrança toda é a memória minuciosa. O cheiro da terra. Vigor da beleza, do sertão … E lembro daquela Minas Gerais que guardei apenas para mim …

Elizabeth Mattos – janeiro de 2018 – Torres

ouro preto

 

 

alma cansa mais

O corpo resmunga geme inquieto, e se espreguiça para o cochilo. Seguiria polindo se apenas ele (o corpo) reclamasse, … mas alguém mais reclama, boceja, cochila, e se estica, – a alma. Acho que a alma cansou mesmo … Deixo a alma descansa.Depois da chuva a alma voltou para o corpo satisfeita: orgia de amorosa loucura!

Sem noivo, sem casamento,  vou para o Rio de Janeiro. Os cadetes galonados dançam com as moças-debutantes. Paulo Roberto Pegas deveria ter sido meu par, mas … dançou foi com a Suzana. Majestoso acontecimento no Palácio das Laranjeiras, … Meus quinze anos eram insuficientes, os vinte anos da irmã, melhor. Não fui, … aquela valsa não dancei, … somos feitos de coisas pequenas que não fizemos. Fiquei bonita em Porto Alegre, azul profundo com o Lalo. E baile no Juvenil.

…, histórias! O hoje, o momento certo, é agora. Tu repetes que tu me gostas, …  e eu te digo que me apaixonei, e  somos nós. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2018 – Torres

 

 

proposta de casamento

Alguém deseja, alguém precisa/ necessita de um alguém como ar … questão imperiosa que desenha importância, ou produz o movimento  de ser/estar vivo, ainda …

–  histórias que são estorias, mas ninguém se atreve a escrever sobre elas –

– Falo de uma compreensão na qual a amizade e o conhecimento mútuo podem assumir o lugar do amor até que ele surja, e espero que surja. É claro que dormirei com você, serei um amante, e você uma amiga. Quem sabe? talvez demore um ano. Afinal de contas, todos os casamentos alexandrinos são empreendimentos comerciais de risco. Meu Deus, Justine, como você é tola. Não vê que talvez precisemos um do outro sem perceber? Vale a pena tentar. Obstáculos podem surgir de todos os lugares. Mas não consigo deixar de pensar que a mulher de quem mais preciso em toda a cidade é você. Um homem pode desejar várias mulheres, mas desejar e precisar são coisas diferentes. Posso desejar outras … Mas preciso de você!” (p.49) Lawrence Durrell Balthazar O Quarteto de Alexandria

Lembro porque não esqueço, claro. Não esqueci aquele Luís A. Antunes: desfez o compromisso, tirou a aliança do dedo, desfez o noivado (sem explicar), apenas chorando …  Alguns fatos da vida real são como parágrafos de novela, inexplicáveis .  Na vida imaginária de relações afetivas ordinárias estes parágrafos podem ser subtraídos. Ao lembrar, escrever sobre isso surpreendo  a surpresa: nunca deixei de esperar. …, aquela noiva ainda existe embora já tenha se passado setenta anos. Ela ficou esperando até amanhecer …

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FOTO MUITO LINDA que Luiza tirou

O tempo passa, escorrega, escapa entre os dedo: no gesto, – força. Bravatas conquistas. O relâmpago da alma adentrando o corpo …, esperança reconhecida, história inacabada. A ser contada. Claro que houve um beijo … A verdade esbraveja, não resolve … o livro toma forma. Elizabeth M.B. Mattos –  janeiro de 2018 – Torres