Incomunicável

20140725_033110

Não compreendo. Contas, respondes, argumentas. Palavras soam, repicam, e voltam. Eco. Monólogo. A voz pequena, vazia, ou distante. Não sei repetir. Escuto. Já nem penso, ouço. A cada frase, afirmação… Interferência, uma crítica. Sem palavras minha resposta. Silêncio. A cada história tua voz. Particular. Fotos, muitas fotos.Texto? Pode ser! Desânimo.

20140801_134947

Nomes da memória

Dia de comer dois pastéis. Claro, tomar cerveja, depois espumas na banheira. Folguedos. Nada. A tarde foi se indo para terminar neste pôr do sol grandioso: Rio Grande do Sul, e África. Será? Vontade escondida, como diria Lygia Bojunga Nunes, em histórias de gordas, e grandes vontades… Vontade de viajar. Amarras. Ancorada, isolada. De noite, vinho. Velas. E agora a meia lua…
Biografia? Escrever esvaziado…Nomear? Vianna Moog versus Iberê Camargo, Almeida Lima, Lopes de Almeida, Menna Barreto, Veríssimo, Vitor Hugo, ou Petrópolis? Vargas, Dionélio Machado, Sérgio, Dona Ondina, piano. Frignani, Marco. Gianfranco. Modena. Itália. Esquisitas histórias. São Paulo. Minas Gerais. Voam, apitam os trens. Glauco Rodrigues? Carmélio, Danúbio Gonçalves. Paulo Hecker Filho. Termina, e começa. Francês. Edy Lima. Françoise Hardy, Petrópolis. Porto Alegre. Rio de Janeiro. Rio Pardo, Ipanema, ou Botafogo. Santa Cruz do Sul. Petrópolis. Piscina, barrancos, bonde. Nossa Senhora das Graças. Cônegas. Santo Agostinho. Torres. Praia, Bom Conselho. Rio de Janeiro. Dodge. Fotos. Cartas. Copacabana. Paris. Limoges. Advogado. Processo. Casa. Divórcios. Maridos. Namorados. Escrita, Hemington…Despedida. Amigos. Encontros e desencontros. Livros, textos. Papel, caneta tinteiro… Máquina de escrever.

Felicidade

Sentimento doído diante de pessoas, de coisas: este mundo. O pequeno medo. Sobressalto, doçura, preocupação. Dúvida. É preciso ofício. Procuro a coragem. Sim, o livro é perfeito, no entanto, o essencial se esgota, mergulho no supérfluo. Temida clareza que ofusca. Pessoas passam, vão e vem como sombras colorida, e sonoras. Influências brincam com a  vontade. Felicidade  que ultrapassa minha ambição.

CARIOCA

Completamente carioca. Gaúchos são guapos, corajosos, valentes (não é a mesma coisa?), honestos, politizados, preparados, e a lista é enorme… Nada de chope, batata frita! Rua, cachorro, tênis, conversa, ideia, escola? Cachorro quente, pastel, livraria, sebo, túnel, galeria, Copacabana, Leblon, Ipanema, Floresta da Tijuca. Tu, não, você. Calçada. Sou carioca. Amores cariocas, mar carioca… Rio de Janeiro é demais!  Vinicius de Morais, Prudente de Morais, Urca, Humaitá, Largo do Machado, Parque Laje. O que mais? Carioca.

Nostalgia dolorida, despedida.

Perdi o que preciso, encontrei o que não procurava, afundei na cama, dormi. Tirei o pó, varri a casa, abri as janelas, fechei. Desejei estar ao teu lado, quieta. Não abri o vinho, nem comi o queijo, não fui a praia. Desanimei! Escuto o silêncio. Obedeço…

“E vivemos partindo, ela de mim

E eu dela, enquanto breves vão-se os anos

Para a grande partida que há no fim.”

Vinícius de Morais, Soneto de Carnaval

Sem limites

Quem limita o impossível de cada um?

Envelhecer, medo assombrado. O medo ganha corpo, autonomia, e decide morar na mesma casa, sem perguntar. O intruso entra, e fica…  Não vizinho, mas coabitando. Está no que antes era apenas meu. Deita-se na mesma cama. Come ao lado, na mesma mesa. O mesmo sofá, interfere nas leituras, nas risadas. Decide se vou, ou não abrir o livro. Medo mesquinho, manipulador. Precisar de, sujeitar-se, apequenar-se, despir-se em frente ao estranho. Abre minhas gavetas, espia caixas, deleita-se com a desordem do armário. Altera minha rotina, o medo.

 

Para sobreviver existe, também, alienação automática. A luz se acende… Divagar. Filosofar. Desligar televisão, rádio. Não abrir os jornais, nem as revistas. Num estalo embarcar rumo a ilha. O inacessível. Só o medo, colado ao corpo viaja na mesma prancha, no mesmo surf...  A mesma onda. Dores no corpo, fome, incômodo, frio, insônia, calor. O inteiro possível desliza. Ruído, escuro, passante, vento, excesso, precariedade, carências. Reais. Substantivos dotados de inteligência. Manipulação. Para escapar de incômodos, a caverna.

E se o vento, passarinhos, ou vozes atravessam o mar … Fecho os olhos. Mahler, ou Liszt, não, Jacques Brel, Françoise Hardy, Maysa? Artificial a vida. Volto ao próximo livro.

Limites

A imaginação é uma louca esperança de ver sem limites.

“Decerto a felicidade é expansiva, tem necessidade de concentração, de intimidade. Assim, quando a perdemos, quando a vida proporcionou `maus sonhos`, sentimos saudade da intimidade da felicidade perdida.”

 Gaston Bachelard

–  A Terra e os Devaneios do Repouso –

 

001