interior

Interior a grande tristeza mágoa, dor de morte. Tragédia rasgada. Esgaça a vida que se agita inconstante. Desespero. E.M.B. Mattos – Torres de 2018

“[…] as palavras confusas dos sonhos delas misturam-se com seus gemidos numa trança de sons que os unia de um modo tão íntimo que a certeza de nunca poderem separar como que apaziguava o receio da morte, substituindo – o por uma tranquilizante sensação de eternidade: nada seria diferente do que então era, filhas não cresceriam nunca e a noite prolongar – se ia num enorme silêncio de ternura […]”( p.59) António Lobo Antunes – Memória de Elefante

Janela com sombra

Foto de Luiza M. Domingues – Recife – Oficina Brennand

não recomende livro nem leitura

Ao acaso Beckett …, distraída. Trancada no romance no poema, larguei tudo, dei uma volta. Pessoa importa. Abraço sorriso, o gosto de sol, do ar …. “As visões no escuro de luz! Quem exclama assim? Quem pergunta quem exclama, Que visões no escuro sem sombras de luz e sombra! Ainda um outro ainda? Inventando isso tudo por companhia. Que acréscimo adicional a companhia ia ser! Ainda um outro ainda inventando isso tudo por companhia. Depressa deixá-lo!” (p.61)  Samuel Beckett – Companhia e outros textos 

Quero que voltes. Apenas tu, sem bagagem, sem conversa  sem palavra, sem sintaxe. Quero que voltes. Quero que digas aquele tudo que me arrepia, não entendo, só sei que eu te quero de volta. Eu prometo lavar, passar, esfregar, plantar, regar, e até emagrecer …, eu prometo rejuvenescer. qualquer milagre eu faço para te ver.

Estou maluca/louca/ ensandecida. Logo é Natal. Não compre livros, livros devem ser escolhidos no impulso, pelo cheiro, não indique livros, a cada palavra tu te jogas, neles tu te escondes …, tem que ser acaso/surpresa/atração o amor. Elizabeth M.B. Mattos  – dezembro de 2018 – Torres

Santa Cruz do Sulrelógio e máquina

olhos com flores

Ando com saudade, saudade da leveza de não ser e … Sonhar conquistar. Estar contigo, uma hora, duas, uma tarde, um céu. Tô com ciúmes do campo, dos cães. Quero a comida que perfuma. Imagino a camisa puída, e o meu vestido curto. Seguro teu olhar no verde. Gosto deste contemplar silencioso, da televisão dia e noite, do sono bom … Da tua voz que nunca escutei, da tua mão que eu não seguro. Desta saudade idiota de um dia ter tudo, no outro nada. E gargalhar … Que o tempo nos agarre e segure estupefato. Estarás velho, eu anciã. Que importa? O gosto da cerveja, o perfume do vinho e aquele destilado com gelo e limão. Somos nós a comer pastel, azeitonas e sonhos. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2018 – como pandorga em campo livre, ao vento possível de te encontrar.

O poema transformo em texto. Sem licença mexo altero repasso. E são poemas,… “Antes, teu corpo era feito de terra e não tinhas olhos abertos ou fechados que vissem as nuvens soltas nas alturas. Eras imenso, adormecias calmo e estavas sempre desperto nas manhã inexistentes. Eras teu próprio sol. Sem saber por quê teus olhos brotaram da terra como flores, nem quando ou como. Agora, o sol te ofusca os olhos quando o olhas e teu corpo sente frio ao acordar: és tecido com a sequência das manhãs que te traz o temor da tarde próxima, da noite imprevisível: os sonhos nada mais te revelam e a luz te chega apenas como luz, nos ângulos móveis dos ponteiro suspendeste tua vida nova: contas agora os dias e os séculos.”  Fernando C. de Garcia – O Príncipe Irreal 

olhos brotaram da terra como flores” difícil poetar

Sabbine e Iberê

 

e o estado …

Acordo com aquela sensação estranha de não trabalhar mais. Não saltar da cama enfiar qualquer roupa e ir para a escola … tantos anos! Loucura largar/parar/abandonar. Das quarenta horas , num repente  largar tudo …, sem plano definido. A Ulbra com vinte horas  noturnas, particular alegria. Inovei. Loucura de horários apertados. Engajamento emocional. Ninguém pode ser professor apenas algumas horas. Acordava envolvida e dormia possuída como se este fazer agisse também no sono.  Olhos fechados tudo seguia: vozes, ideias e  livros a serem lidos,  fichas consultadas, gramáticas, filmes. Alunos, escolas, pequenas viagens. Energia para dirigir até Porto Alegre de manhã e voltar a noite. Prazer da estrada. Aquela juventude boa de se entregar ao volante/rodar … Acordei com desejo de entrar no carro. Ir até a beira do rio Mampituba e passar no supermercado. Tomar café com aquele pão quente de farinha bem branca, suco de fruta, e gosto de vida, nova energia. Ideia de aposentar foi a pior que eu tive. Não trabalhar pode ser castigo infringido ao corpo ao tempo, testar alegria. E se desfaz em vagares. Coisa nenhuma. Hoje acordei com vontade estar de volta. Giz, livros, notas, chamada, vozes, pessoas … Eu deveria poder voltar. Desabafo. Novembro segue frio, ainda é muito cedo para providenciar no pão … Vou passar um café preto e desligar o radio. Talvez volte para a cama. Elizabeth M.B.Mattos dezembro de 2018 – Torres

outra foto linda da mesa com ver da batata doce

contar sem pensar

“Meu assombro é que eu me considerava imune a relâmpagos e trovoadas amorosas.

Cansada de simular equilíbrio. Louca loucura sacudida. Desespero, incompreensão. Falta  inteligência amorosa. Escorrego. Verdade pendurada no varal. Muda de de cor a voz, o dizer. Estúpido caminho pedregoso. Desnudar/desvendar/explicar enredo, ou beber vinho e rasgar pêssegos e mangas. Ansiedade sem alegria. Não posso me descuidar, estou perdendo o natural  da natureza alegre. Escorrego. Triste. Enjaulada. Não sei explicar. Não é normal. O corpo aperta os ossos. Efeito de tanto sono e desta saudade ensandecida, louca. Inexplicável.  …. joelhos, braços, pernas escalavradas, palavras  sem sentido.  Perigo! Olha o sinal!  Elizabeth M.B.Mattos – dezembro de 2018 – TORRES

“Cartas! Ela as possui, cartas! […]Cartas onde meu nome aparece […] romance de folhetim não é outra coisa: desenrola-se no ´papel, espelha-se na vida mas elucida-se nas cartas.”

Trivial sempre é simples, quando se reverencia silêncio, mas quando personagens começam a falar, brotam problemas.”( 170-171) Marco Aurélio Barroso  in  …ela mora em Botafogo …

LINDA ILUSTRAçÃO mesa e objetos