ausência

“Queria lembrar -se do filho, mas o filho é uma mancha branca, sem feições, no fundo dos longos corredores da memória. O filho já tinha três anos quando viu o pai pela primeira vez.’Quem é esse senhor?’, perguntou, e ele não se  animou a dizer nada e os outros não disseram nada, porque estar ausente – já se sabe – é estar morto.” (p.87) Eduardo Galeano –Vagamundo

espanto

É espantoso como os acontecimentos nos dominam, como uma grande força oculta se revela, como a que levanta s florestas virgens, que cresce força, surge de todos os lados em volta das grandes obras. […]

“Não sei se o que fiz está certo. Não sei qual é o valor exato da vida humana, nem da justiça, nem do desgosto. Não sei exatamente quanto vale a alegria de um homem. Nem uma mão que treme. Nem a piedade, nem a doçura …” (p.68) Saint-Exupéry  Voo Noturno

delírio

Não é preciso que uma pessoa sofra de um delírio para se comportar de forma análoga. Ao contrário, uma pessoa, mesmo saudável, pode com frequência enganar-se quanto aos motivos de um ato, tomando consciência deles só depois do evento; para tanto só é necessário que um conflito entre as diversas correntes de sentimentos crie as condições para tal confusão.” (p.71) Sigmud Freud  a Gradiva de Jensen

Estranho sentimento que me arranca do real, não mais definido. Justo a indefinição, o vácuo. Não é delírio, mas realidade. Aquele sentimento caminhante rumo ao nada. Elizabeth M.B.Mattos dezembro de 2018

Amós OZ

“Para um lugar em que se possa estar sozinho e onde acontecem coisas não planejadas, coisas que não são nenhum elo na corrente nem mais uma etapa positiva ou negativa ou grave. E ser um homem livre.“(p.189) AMÓS OZ, no livro UMA CERTA PAZ .

Diz /escreve com intensidade. Os livros trazem inquietação, ansiedade pela liberdade. Não é questão política, mas ter ar e direitos como todos. Respirar sem medo. Que o outro não seja muro ou obstáculo, mas alguém para estender a mão, acarinhar. Precisamos uns dos outros, mas livres e com amorosidade. Elizabeth M.B. Mattos – 28 de dezembro de 2018 Torres  morre Amós OZ aos 79 anos.

Os livros de Amós Oz sempre me tocaram, ou me responderam, ou me levaram às questões importantes e inquietaram. Escrever. Escreveu tanto, e foi traduzido em muitas línguas, lutou, trabalhou, se fez presente. Um especialista das grandes solidões e dos verdadeiros amores. Que os livros estejam disponíveis nas melhores livrarias, que não seja esquecido. Beth Mattos ! Ele fez a diferença enquanto viveu, seguirá, silenciosamente o seu trabalho.

infindáveis

Não tenho tempo de ler todos os livros nem autores que selecionei  nas minhas infindáveis listas… alguns, ficaram perdidos no proibido de uma juventude atabalhoada, invertida. Não pude amar para sempre nem contar as histórias de desejo e esquecimento, nem enumerar as raivas, justificar o rancor. Terá sido o caminho tenebroso e cruel o único possível? Não sei explicar porque os amores não foram justos e eternos e divertidos. Alguém escreveu que o melhor momento acontece num átimo…, como que no impossível do possível. Não sei o motivo de não amar o acessível e virtuoso. Desejar o proibido, a negação. De repente estendes a mão, mas tão encabulado!  Eu também não sei fazer/dizer …, como tu, sou esquiva. Não. És inteligente e consciente. Eu, descabelada.  Irresponsável. No meu medo escondo o conforto da ternura mansa, então … Estas leituras picadas dizem tanto e tudo. Vou picotar o texto. Vou adaptar. Vou traduzir do meu jeito. Vou lamentar. Georges Bataille impossível, não consigo. Elizabeth M.B.Mattos – dezembro de 2018 – Torres

 

loucura, igual

Setenta ou setenta e dois, logo setenta e três, loucura igual. Enquanto sentir  imaginar posso transgredir, arriscar, porque respiro. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro 2018 Torres

Liévin continuava sempre no mesmo estado de loucura, em que lhe parecia que ele e a sua felicidade constituíam o objetivo principal e único de tudo o que existia e que agora, ele não precisa pensar nem se preocupar com coisa alguma, pois os outros estavam fazendo e continuariam a  fazer tudo para ele.” (p.433) Liev Tolstói Anna Kariênina

euuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu hoje