corajoso

O amor é corajoso. Corre risco sangra medroso treme balbucia, e se esconde. Aquieta tranquiliza, mas explode no beijo. E.M.B.Mattos – março em Torres – 2018

blog de Liza

o Blog do Terra quando me nomeava apenas Liza encontrei nos guardados …, quanto papel!

convencional

Transgredimos, tu e eu, jeito e forma diferente.

Perdemos pedaços nos excedemos.

Explosões. Saber conhecer encontrar, pois é …

E tanta gente a se desencontrar desconcertada.

Nada é mais convencional do que amar o amor, ou apaixonar. Revolucionário anarquista comunista monarquista republicanos de direita esquerda centro.  Cidade, campo ou alto mar, igual. O descaminho é mesmo se apaixonar.

Elizabeth / Liza/ Beth M.B. Mattos – sábado chuva forte – 2018 março

do passado ao hoje

fevereiro de 2018 eu no hall do edificio

 

 

palavra desejo

Escrevo apressada. Cartas não chegam, não sei …, explico inúmeras reticências: não concluir frase uma hesitação. Lacuna silêncio raiva azeda, represada. Para compreender o que está se passando preciso descobrir de onde a perspectiva está sendo fixada, como num mapa: se tu me dizes x eu devo considerar xy  ou yxb. Se me aventuro a contar sonhos eróticos estarei povoando desejos. Limites do corpo não são limites da biologia. Uma parte minha está contigo em outro lugar. Assim o sentido de escrever se altera. Um fantasma, uma criação. Vou aquietar minha inquietação. Enterrar o desejo. “O amor, como diz Lacan, em última instância se refere a uma carência. Esta conclusão suscita uma pergunta. Se o amor do homem se dirige a uma carência, como podemos distinguir isso do amor de uma mulher? Afinal, vimos como a fraqueza ou a carência do homem são essenciais a ela. Como primeira resposta, podemos dizer que o amor em geral se dirige a uma carência. Onde o amor da mulher se distingue aqui está talvez ligado à  ordem de casualidade: a carência do parceiro tem que ser garantida por ela. […] Os homens nem sempre insistem em ser a causa da carência da mulher, e quando lhes parece que podem estar assumindo essa função, é provável que desapareçam. Entram em pânico e fogem.” (p.99) Darian Leader Por que as mulheres escrevem mais cartas do que enviam?  O livro me foi presenteado em Porto Alegre 2010. Na minha reorganização de estante e seleção eu o reencontro cheio de anotações e penso: embora o tempo o dia se apresse, o outono atropele, eu reconheço: sedução e desejo. Curiosa estranha fantasiosa permanência: presença agarrada nebulosa silenciosa dizendo

Elizabeth M.B. Mattos  –  março 2018 – Torres

LivroooooooooooooooooooooooooooooooooTEXTOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOONARRATIVASSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

coisa da madrugada

Por que te escrevo? Porque estás a ler, e preciso de ti. Mas não choramingo. Não, não quero te pedir nada, nem que olhes nos meus olhos, passou tanto tempo desde o primeiro dia que nos encontramos! Já sei o que sentes. Estás acomodado/ instalado na vida, – e lembranças disparatadas te assombram. Já tens o gosto acomodado na memória organizada do reencontro generoso, e do pequeno prazer de ser tu contigo. Eu atrapalho. Mas repito, preciso de ti. Lembro como és envolvido, abarrotado de tarefas e exigências. Não quero te pedir nada. (sorrindo) Mas não vou esquecer de nós dois. Então eu te conto como sou, porque não sabes, não podes saber tudo. Ainda não sabes (sorrindo). Mais ou menos agitada dispersiva quieta inquieta curando apalpando esquecendo. Mãos na terra cavoucando, mãos nas nuvens. Apago equívoco para te gostar do jeito certo de gostar. Escrevo a lápis, e vou e volto com a borracha. Espalho anotações. Amontoo prazer para te entregar, desordenado, mas nosso. Pega agarra. Sou desorganizada, tu não imaginas o quanto! Ficarias logo aborrecido comigo se eu te perguntasse dos óculos. E a xícara, o casaco (sorrindo) espero que não brigues comigo. Lembras quando deixei queimar a panela Creuset (maravilhosa!), e tiveste uma inundação, um cano com problema num dos banheiros … Estávamos juntos naquela confusão. Fogo e água. Monocleose, perguntas inquietas, paciência. Teu sorriso. Estico o braço para tocar no abraço, depois vou recuando, não virás, não irei. Posso esperar. Não vais acreditar na vontade grande que tenho de te olhar quieto, retraído, tu também esperando. Outras vezes te sinto feliz, esparramado na cama. E sei que sentas para ler, escrever, vagamos pela nuvem virtual, estamos viciados. Vejo pouco televisão, saio pouco, e gosto de andar de camisola pela casa. Faço chá de madrugada, escuto música e respiro. Abro as janelas. Gosto do vento fresco da noite, e acho uma droga que envelhecemos/ envelheço …, afasto este desgosto e penso nas noites ao relento, respiro. Devem existir outras vidas, outras formas de prolongar /esticar porque não damos conta de tanto fazer e tanto sonho! A menina se apressa dentro de mim, espia e aguarda, dá gargalhadas quando me impaciento. Então espero ela adormecer para sossegar o espírito e agradecer. Afinal estás aí do outro lado, mesmo se choro, se suspiro, eu te tenho / penso, e sou feliz para poder derramar tudo no teu colo quando chegares.  E qualquer claustrofobia se desarruma quando me sinto feliz como agora. E volto para os objetos amontoados. O desfazer. Coisas me atrapalham, mas não consigo me livrar dos livros. Vou limpando uma estante depois a outra, decido que não lerei este nem aquele livro, jogo na caixa. Preciso separar os preteridos dos amados. Fiz tantas mudanças ao logo do tempo! Estive a morar aqui e ali. Estes dias lembrei de Montevidéu, da casa e das tardes enormes, do leite do doce da boa comida, das bicicletas dos meninos em grupo com as mochilas nas costas, do fogo da lareira, do bom queijo ralado na massa, o bom vinho e a preguiça. Por que te conto estas histórias? Gosto que me escutas, gosto de te embalar. Enquanto digo/ alongo as palavras. Eu te beijo, e te aperto e assim mesmo fechas os olhos. Estamos um a pensar no outro. Cada um amolecido no corpo. O meu falante, o teu silencioso e amoroso. Como os dias eram enormes, como viver tinha um tempo um tempo um tempo, como vou te explicar … E com tamanho de vida inteira. Sentia saudade das crianças, sempre senti saudade dos filhos, já te contei isso, na minha vida de ser gente grande, mulher, bem, antes dos dezessete anos eu queria apenas ficar gente grande e escrever, mas depois, – esqueci todo o resto. Comecei pelos bebês, pelas crianças. E agora quero te amar assim, devagar com os olhos, com o pensamento, com todas as estas coisas boas que guardamos um para o outro. Elizabeth M.B. Mattos março de 2018

exausta

…,exausta tem um sentido maior do que o próprio cansaço, acho que redime a pessoa de um fazer repetido e contínuo, estar viva …, ou não é bem isso, não sei. É a pressa, o excesso o intenso que transborda nesta exaustão. Mesmo assim não é palavra completa, mas um processo. Gosto de estar escondida invisível no sentimento de sentir intenso. Se sou eu mesma não sei. Daquela que sou sem ser. Apaixono entro na zona perigosa. Saio da caverna. É forte  difícil de ser esta coisa de se apaixonar se perder. Eu me atrapalho. Eu me perco desapareço. Desaparecer, sofrer, entregar … coisas de se apaixonar. Nem eu entendo. Fico furiosa, exigente, burra, inquieta, descuidada. Fico eu, pois é. E.M.B. Mattos, ou Liza – 2018 março Torres

verdade ou mentira

O pensamento obsessivo: a ideia de estar/ser presente, inteira ou fraccionada por um evento, uma palavra, ou mesmo uma reação é inacreditável, inacreditável.  Ele escreveu o que eu estava insegura, a esboçar …, e pensava/ e pensei/ fiz anotações. A energia está solta no ar, captamos/tenho antenas. Estranho/ afirmo porque decido ler este e não outro livro. Escorrego pra leitura enlouquecida. Em dois dias devoro, engulo, mastigo a água. Natural que interrompa o livro para anotar/pensar e questionar. Hoje conversei com um amigo sobre a seleção de textos, fazer uma parte do Amoras ser livro, mesmo sem estória, sendo o texto mesmo a narrativa, assim do nada das impressões, e ele me apoiou sem  antes retomar a ideia da autobiografia: ‘começa com tua mãe e teu pai, derrama queixas, mapeia os fatos’. E lá me fui eu a caminhar, ordenar a cabeça para imaginar por onde iniciaria: guardaria recortes de jornal numa pasta específica, dividiria a vida em fatias, comentaria aleatoriamente, depois faria um corpo para o texto. Ou seria ordenado, seguindo um roteiro. Como professora, no magistério do estado, da escola particular, depois da universidade, ordem e coerência, foco era importante, pensei. A memória/ lembrança me atacou dizendo/ questionando:  como seria/foi a minha vida em sala de aula.  E conclui: acho que sempre tirei tudo do lugar, comecei pelo meio, outras vezes pelo fim. E confessava aos alunos esta metodologia anárquica. Imediatamente estávamos unidos/ juntos, e aprendemos simultaneamente.  Isso foi perfeito. Então ler e escrever pensar tem esta coisa misturada. FAZER. A memória da Elizabeth Liza Beth desde o Colégio Divina Providência de Laranjeiras no Rio de Janeiro se ergueu: essa sou eu ainda hoje. Na hora, no momento, no instante de estar viva estou. Não sei explicar. Volto a leitura de Paul Auster depois de tirar fotos de recortes (péssimas) escrever meia duzia de frases pensar e passear no Facebook. Lavar a louça fazer omelete estender a roupa passar meia duzia de fronhas. Começa a escurecer vou tomar um leite com chocolate, amanhã emagreço. Vou ler terminar o livro (estou agarrada) e dormir. Amanhã de manhã começo a autobiografia. E olha o que encontro …. Exatamente o que andei escrevendo por aí para amigos. Não fui eu, foi ele quem já disse: “A vida de uma pessoa é algo inexplicável, eu dizia a mim mesmo, o tempo todo. Não importa quantos fatos sejam relatados, quantos detalhes sejam oferecidos, o essencial não admite ser contado. Dizer que fulano nasceu em tal lugar e foi para tal cidade, que fez isso ou aquilo, que se casou com fulana e teve tantos filhos, que ele viveu, morreu, deixou tais e tais livros, ou essa batalha, ou aquela ponte – nada disso nos diz muita coisa. Todos queremos ouvir histórias e as ouvimos do mesmo modo que fazíamos quando éramos pequenos. Imaginamos a história verdadeira por dentro das palavras, e para fazê-lo , tomamos o lugar do personagem da história, fingindo que podemos compreender porque compreendemos a nós mesmos. Isso é um embuste.  Existimos para nós mesmos, talvez, e às vezes chegamos até a ter um vislumbre de quem somos realmente, mas no final nunca conseguimos ter certeza e, à medida que nossas vidas se desenrolam, tornamo – nos cada vez mais opacos para nós mesmos, cada vez mais conscientes de nossa própria incoerência. Ninguém pode cruzar a fronteira que separa uma pessoa da outra – pela simples razão de que ninguém tem acesso a si mesmo. ” (p. 268-269) Paul Auster in A trilogia de Nova York

A leitura nos ataca assim e agarra pela garganta, sacode. Não importa a idade que eu tenho, o tempo de vida. Preciso começar a fazer ontem …,  e escrever. Elizabeth M.B. Mattos – preciso acreditar e fazer – março Torres de 2018. VIVER é HOJE! Amanhã é um futuro imaginado fantasia que pode até não acontecer. Ah! Como tenho pressa! Beth Mattos

 

Colégio da Divina Providência

 

pseudônimo codinome

Uma específica publicação, um nome, ou ausência deste nome: confronto nebuloso de identidade. Estamos / estou escondida em tanto pequeno detalhe ausência e vitrine. Somos / sou movimento. Identidade (a verdadeira) quebra opções de um retrato / foto, da narrativa. Mas, nem mesmo um retrato é a imagem real. O agora / momento, ou passado se dilui na velocidade do dia, e no silêncio. Ficção e realidade, uma mistura: personagem fantasma convicção brincadeira séria. Elizabeth M.B. Mattos – março 2018 , no meio de velhos recortes, novas ideias e pressa.

“Se todos os manuscritos tivessem sido publicados […] a ideia trouxe à tona certos pensamentos bizarros e intrigantes: o que significa um autor colocar seu nome em um livro: por que  alguns escritores preferem esconder -se atrás de um pseudônimo: será que um escritor, enfim, possui uma vida real? Perturbou -me a ideia de que escrever sob  um outro nome pudesse ser algo de que eu gostasse – inventar uma identidade secreta para mim mesmo – e me perguntei por que achava essa ideia tão atraente.” (p.257) Paul Auster – Quarto Fechado dA Trilogia de Nova York – tradução Rubens Figueiredo, 1999 São Paulo

jornal.jpg

TAVARES e o amorIBERÊ CAMARGO NOTÍCIA