15 anos da Marília Guaspari, dançando com o Marito, depois Graça Zago e rindo Beth Mattos e Rubinho Borges Fortes
Mês: outubro 2013
Outro tempo jovem
O Vice que ganhou do Presidente

Em 1955, Jango se elegeu vice-presidente com meio milhão de votos a mais do que Juscelino.
ZERO HORA – 7 de dezembro 1996
Getúlio Vargas e Jango Goulart

Nonô Goulart
Luiza
13 de outubro 2013 – PORTO ALEGRE –
Respiro, absorvo o sorriso da palavra, depois sinto o abraço magro, e, mais tarde, lentamente, desdobro teu sorriso. Desenho o corpo, a cabeça. O sulco na folha, ah! este esforço de traçar…sem lágrimas.
Despetalar, desfolhar, desmentir, desvendar, andar. Arrancar a tristeza. A dor que aperta, espeta, arde… Isolar, constranger porque alheio, estrangeiro, imposto. Vou fechar os olhos e ser feliz. Eu posso! Perdoa! O pedal da máquina de costura toca – toca: saia, calça, blusa, e também pinta a sala de seda, renda, linho, percal, tule, e todos os carretéis nas cestas redondas. As linhas se bordam, se misturam nas agulhas italianas. Sou eu que alinhavo, costuro, bordo, e danço em volta da mesa, feliz! Nenhuma lágrima menina! Só palmas! Vou acender um cigarro.
Para Fernanda
Criar um espaço como pessoa, como criatura, tanger o real. A casa na rua X, a cidade no estado K, o estado num país W, eu no tempo. O tempo nos carrega. Somos labaredas informes. Escrever, ou tentar escrever meticulosamente com a ideia de reter, repetir, fazer existir alguma coisa precisa. Seguir, perseguir esta coisa: amorasazuis. Verdade desenvolta! Arrancar uma parcela, um fragmento de memória, ou uma amostra do que poderíamos ser. Ou a escrita deste livro, ou daquela nova leitura, novo olhar. O corte, o molde para nova costura. A escolha do tecido. Com palavras fundir a possibilidade, deixar um rastro, o traço, as ranhuras de um esforço. Escrever como signo, como marca. Como uma conversa solta, e ao mesmo tempo, nossa. Escrever como encontro. Compreensão. Escrever como aprendizado. E possibilidade. Lugares estáveis, permanentes, enraizados, pontos de partida, nascentes. Todas as frutas azuis daquele bosque, daquela árvore serão colhidas e preparadas para ser consumidas no grande grupo glutão! Bem, tais espaços precisos não existem, e porque não existem são questionados. Não há evidência. Não pode ser incorporado ou apropriado. Imagino…
Cansaço com poema
Hoje estou cansada. Cansada. Penso enquanto me debruço nas estantes. Um livro aqui, outro perdido, este achado.
Como escreve Jacques Rigaut, ‘Et même quando j’afirme, j’interroge encore.’ (E mesmo quando eu afirmo, eu ainda interrogo). Peço perdão pelo meu cansaço porque não digo, nem penso, escorrego. Pela audácia dos desabafos nos parênteses. São parte da chuva. Das trovoadas de sexta-feira. Presa! Sufocada! Um dia de textos lidos, estantes remexidas, e um poeta reencontrado. Perguntas sem música, só letras. E Brecht nesta pausa.
E um poema:
Elogio da Dialética
(Bertold Brecht de uma seleção e estudo de Arnaldo Saraiva – Coleção Forma)
“A injustiça avança hoje a passo firme,
(Hoje? Ou foi sempre assim espedaçada esta tal justiça?)
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
(Tanto o roubo, maior o plano! Tanta a ganância maior o jardim, que já é parque. O quintal, o mundo inteiro. Sem limites.)
O poder apregoa: as coisas continuaram a ser como são.
E em todos os mercados proclama a exploração: Isto é apenas o meu começo.
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem:
Aquilo que nós queremos nunca mais alcançaremos.
(Desânimo, desespero, cansaço, e passo pequeno! Cansaço!)
Quem ainda está vivo nunca diga: nunca.
O que é seguro não é seguro.
As coisas não continuarão a ser como são.
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados.
Quem pois ousa dizer: nunca?
De quem depende que a opressão prossiga? De nós.
De quem depende que ela acabe? Também de nós.
O que é esmagado, que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha?
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
E nunca será ainda hoje.”
Como escreve Jacques Rigaut, ‘Et même quando j’afirme, j’interroge encore.’ (E mesmo quando eu afirmo, eu ainda interrogo). Peço perdão pelo meu cansaço porque não digo, nem penso, escorrego. Pela audácia dos desabafos nos parênteses. São parte da chuva. Das trovoadas de sexta-feira. Presa! Sufocada! Um dia de textos lidos, estantes remexidas, e um poeta reencontrado. Perguntas sem música, só letras. E Brecht nesta pausa. Elizabeth M.B. Mattos – 2013



