Inoperância

Lá vão eles. Lá vem eles. Sempre dois a dois. Sempre aos pares, sempre, sempre. O casal. Lado a lado. Juntos. Caminhando. Parados. Conversando. Umas conversas tão sem assunto. Tão sem gosto. Tão sem fé como um chá das noves ervas para os males da monotonia…Um ponto de interrogação para a lógica, e o descaso que cada pessoa possa ter por seu eu, sua vontade própria. Quanta ignorância nesta enganação! Ideia fixa de ser dois. Há que aguentar bem a vida, com paciência, entre trincheiras sejam elas quais forem!

Ora! Na paternidade e na maternidade duvide-se a verdade. Confunde-se gratidão com generosidade, amorosidade com paciência. A linha não é reta, mas paralelogramo de forças. Só o resultado é direção lógica e natural, porque exprime o meio termo humano e o velhíssimo, inevitável, humano bom senso. Mas lá vão os dois! Lá vão eles.  Sempre dois a dois. No entanto, cada alma, um mundo à parte em cada peito… Que inoperância!

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