Eu preciso de você na minha vida. Preciso muito. E foi para lhe dizer isso que pedi para que você viesse aqui hoje. Eu te pedi tantas coisas! Algumas insignificantes, outras contraditórias e muitas, muitas complicadas, eu sei. Enquanto digo você e não uso o tu… pois é, volto para casa. Eu também estou pedindo para voltar a ser eu -, eu como eu era, carioca. E depois… Depois, não sei. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2024 – Torres
As portas são os desafios / qualquer porta, todas as portas. Na retrospectiva e no tempo: passei abrindo portas e sempre, naturalmente, na expectativa – o outro lado, e depois? Portas que se fecham com o vento, ou são chaveadas, ou ficam escancaradas, todas elas desafios. E tem / chega e agarra, o medo. O espelho das narrativas. E chega esta danada angustia que obscurece a visão… O recado? Caminhar, seguir abrindo portas, aos tropeços, abrir. Se o vento fechar a porta, não culpa o vento. Abro outra vez. Uma pedra segura a porta… Ou uso a chave. Eu perco as chaves, se tornou um problema procurar chaves. Procuro as chaves, o controle da televisão, o livro que estou a ler. Eu me perco das coisas. Tenho medo desta memória assustada. Deste tempo apressado. Não estou adolescendo, estou envelhecendo. Não é para ser radical, mas estou atrás daquela lista de vantagens, daquele arrazoado de vantagens… Acho / sem grande máxima / que encontrar as palavras, digitar a voz, derramar a chuva nos canteiros pode ser bom (risos). Tenho que voltar a escrever todos os dias, não importa o ânimo. Não desanimar e abrir a porta. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2024 – Torres
Faz frio neste janeiro de 2024 – as cobertas precisam voltar… Chove uma chuva de escutar a batida, e venta, um pouco. Dormimos tão cedo! Dormimos tanto! É o sono de um cansaço espalhado no corpo. Suponho que preciso de ordem, cuidado. A limpeza se impõe. Talvez seja isso, estou cansada de limpar. Vou colocar as meias. Terminar o livro. Sim, é preciso terminar o que comecei. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2024 – Torres
Olho por olho, gota por gota, palavra do avesso, história da Bossa Nova. O novo usado e medroso dos jovens num período de medo, do proibido. O proibido e o medo se arrastam, os jovens se encolhem… A música é maior, os pincéis por todos os lados, as cores se multiplicaram, os teclados não usam o piano. O cinema rasgou o tabu, tirou a vergonha. Somos outros / se eu pudesse dizer somos/estamos velhos, não posso. Meu querido: teu silêncio adoeceu o jardim. Eu estou presa naquela nostalgia inacabada. Tua visita desarrumou o tédio e levou o perfume da cozinha, sublinhou a lagoa. A chuva veio sensata. E o cinzento, bem, onde estará no meio das cores? Desmaiado, não é? Estou desmaiada de saudade. Por isso (por este motivo) não escrevi nestes dois dias. Para mim, como se fosse um mês de ausência. Ufa! Quebrei o silêncio, volto a me derramar teclando, teclando, teclando… Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2024 ( já estamos a girar o tempo na mudança do ano ) Torres