objetos, coisas e pessoas. neste começo de ano revisito memórias: abro gavetas, escuto sentimentos… distraída com lembranças postadas e com os abraços. encontros, mensagens festivas… cada um, do seu jeito, vai postando o certo, o bom, e a festa… associo, recorto pedaços da minha própria vida e vou converso… converso mentalmente. excelentes lembranças, mas algumas pitadas desagradáveis. deveriam ser só coisas boas, mas as faiblesses, o derramado pequeno pecado, também volta. coisas penduradas por este fio de estupefação, e não esqueço… já não sofro, a ser sincera, nem sei se sofri mesmo, mas marcou. a vida tem estes recortes, vamos guardar os bons. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres
Mês: janeiro 2026
sonhador
enquanto faço as panquecas fico a pensar nos infernos e nos paraísos / aqueles lugares extraordinários em que nos enfiamos enquanto o mundo se apresenta tão quente (calor!) e igual nos desencontros. esta coisa de encontrar pessoas, conversas e abraços parece fantasia de carnaval – pois é – engraçado! não prestamos muita atenção! e os estados nos pertencem… remédio? trabalhar, qualquer coisa / pequena ou grande / trabalhar dentro de si ou num lugar qualquer, vender sanduiche ou sucos, atender numa loja, sacudir as tranças para não se encostar no outro… difícil se relacionar, em casa, consigo mesmo, com os outros… ah! e tão fácil! é preciso olhar…olhar, olhar e ver. não apenas televisão, aliás, o vício dos vícios! e o sonhador, o carente de afeto e cheio de saudade do amor, o vivo e latente estado de sonhar fica ali… esperando. A gente espera sempre, carrega sempre, e nas costas, a placa gigante: SONHADOR. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres com praia e sol e praia… bom pra quem gosta!
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sem história triste… só vontade firme e aquela beleza que a gente batalha, corpo malhado, cabelos tratados / sim, investir na imagem e focar. vestir... luxar por este lado porque o mundo, o respirar está caríssimo. como vou fazer? cortar a grama, tenho a máquina, podar as folhagens, eu posso. curtir a piscina neste calor absoluto, praia, seja com guarda-sol e distancia há de se ter coragem… o sol tá exigindo tudo, o mar lotado. ou tudo isso é imaginação minha? as séries turcas bombando, a televisão dentro da alma… a música e o piano meus / curto / fico feliz / com prazeres absurdos também, lavar a roupa (mania de cheiro cheirosos), passar os lençóis, vibrar com odores de tapetes perfumados. sem poeira, louças bonitas postas em toalhas limpas. comida feita por mim… o viver a vida nas/pelas conversas com o neto, intermináveis falas. deixo correr o amor, leio, inadvertidamente eu leio até deixar os olhos exaustos. iria ao cinema e comeria pipocas do pipoqueiro… comeria balas de gomas. ah! gosto do que foi e do que é… ando sentindo uma certa nostalgia / o corpo precisava ser mais cuidado… mais animado! enfim! Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres / bom sono importa, não esquecer. acho que vou fazer uma tatuagem. vou? entrar / escolher / ou me candidatar a outra tribo… recomeçar.
quem sabe
passo e pensamento
goles pequenos, passos largos e venci a volta na lagoa… atravessei a ponte, encontrei pessoas sorridentes e passantes empenhados, posso dizer, a manhã está fresca e… e alegre. somos transparentes: eu estou alegre. ontem, depois de ficar horas na piscina, encharquei a alma de sol e conversa solta, risadas: muito bom. renovei. dormi a tarde inteira e acabei espichando… numa concentração / mentalização de alegria pura. sim, gosto da minha casa, gosto da minha comida, das pequenas invenções e do piano, os discos de vinil me divertem no tempo com seus chiados característicos… e a vida volta nostálgica e se desenha tão agora, tão hoje, tão perfumada. obrigada Pedro. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres (claro, faltam fotos! vou providenciar)
cavalgada incerta
que estranho sentimento de finitude, quando penso na minha vida, perdas – separações – projetos, cursos ou caminhos e a sensação da cavalgada que me era estranha. eu sempre senti muito medo disto e daquilo. tudo misturado, a vontade de viver , o desejo, o encanto, o outro, o amor agarrado, os filhos… os filhos que precisam ir e ser e acontecer e amar. amar para sempre e sempre, juntos. os amados amores e agora esta aflição aflita de que não sei bem para que serve viver, uma saudade do apartamento da José Picoral, 117 com seu piso de lajotas vermelhas, parede de pedra, grande biblioteca, enorme cozinha e a sacada que nos dava as redes… e o mar logo ali, tão perto, tão ruidoso, e as pessoas, tantas pessoas… tantas risadas e conversas… por que não estou mais ali, por que não estou aonde era, afinal, quem eu sou, como sou… por que abandonei meus alunos e deixei a faculdade, e o esforço, e a cura? aonde joguei meu mestrado, doutorado e paixão por arte, por música, meus amores amados / amigos, queridos. quero tudo outra vez, quero de volta… quero viver, viver, viver… e encontrar a Torres da minha juventude, ver a Porto Alegre dos caminhos, de Petrópolis, da rua Vitor Hugo 229, mas também minhas escolas, o Esplanada, Bloco A na rua André Poente. Quantos sonhos! Elizabeth M. B. Mattos – Torres 2026
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