meu querido tão querido

fizemos muitas muitas loucuras juntos, tu e eu podemos listar e brincar de descobrir. sabíamos ou não se eram loucuras… poderíamos revisitar juntos, ver e rir. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

poderíamos, meu querido, repetir algunhas destas loucuras, tenho certeza…

sensação

a sensação de ser tão e completamente feliz não se explica… a gente sente, e alimenta com o melhor que temos por dentro. importa que seja dividido, continue pingando, deixando rastro, seja guerra ou paz / o mundo e suas esquisitices e armadilhas! uma das outras questões é não levar muito a sério, nem a si próprio, nem aos outros… talvez a natureza. sim, e aqueles afetos que pipocam a nossa volta. encontrar foi um destes motivos de ser feliz, nós nos demos a mão e comemos pastéis juntos, e gostamos de estar juntos. de abraçar sensação de ser feliz de conversar. conversar coisas que sempre existiram… e acreditar, acreditar mesmo no descompasso… sim, tu e eu procuramos o melhor lugar, sentamos a sombra do cinamomo e nos contamos histórias… rimos, comemos sanduiches, às vezes, cochilamos abraçados. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

Se um viajante numa noite de inverno

“Ao contrário da leitura das páginas escritas, a leitura que os amantes fazem de seus corpos (essa concentração de corpo e mente de que os amantes se valem para ir juntos para a cama) não é linear. Começa de um ponto qualquer, salta, repete-se, retrocede, insiste, ramifica-se em mensagens simultâneas e divergentes, torna a convergir, enfrenta momentos de tédio, vira a página, retoma o percurso dirigido na medida em que tende a um clímax, e, em vista desse objetivo, preparam-se as frases rítmicas, as escansões, as ocorrências de motivos. Mas será o clímax o verdadeiro alvo? Ou a corrida para esse fim não será antes contrariada por outro impulso que se esforça contra a corrente para retardar os instantes, para recuperar o tempo?

A improvisação confusa do primeiro encontro, já já se pode ler o possível futuro de um convivência Hoje vocês são cada um o objeto de leitura do outo, cada um lê no outro sua história não escrita.”(p.160) ÍTALO CALVINO

Se eu fosse viajante, sem endereço fixo, sem amor, sem paciência nem sorriso… se eu fosse viajante teríamos, tu e eu nos encontrado? teria visto teu corpo magro, teus olhos azuis… teria corrido para teus braços? Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2025

olhar…

olhar não pode ser apenas ver, um olhar conversa e julga, explica e amplia… assim, peguem um lápis e comecem a escrever o que estão pensando / vocês viram como estava o jardim quando amanheceu? Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

sem acesso

não saber de ti /não poder entrar em contato, não saber aonde estás é… pode ser, não sei como explicar, pensei em ALICE no PAÍS DAS MARAVILHAS quando ela cai…vai caindo, caindo… e, acorda, ou chega, ou encontra, ou…entra no outro mundo… extraordinário, terrível! que seja apenas um sonho… tentei telefonar, não foi bom, tentei mentalizar, não adiantou…

ausência deve ser sonho sonhado, tipo pesadelo que se converteu em… em pesadelo , é isso/ não é sonho / pesadelo é o fragmento que acolho durante o dia o levo para o sono, quando consigo dormir… pesadelo não ter notícias tuas…

aonde estás? um beijo. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres ( céu azul e inquietude cheia de nuvens )

quando

quando alguém de perto / da nossa convivência / deixa de ser feliz / e infeliz já não é mais quem deveria ser / só o fato de estar perto nos deixa não apenas triste, mas infeliz também / mesmo não querendo, ao conviver compartilhamos tudo / tudo e os sentimentos se misturam… Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

velho caderno

Quarta-feira: conversei com o JMB bem cedo, ele já estava na firma. Comprei presentes gregos para a L vou fazer festa para recebe-la, é claro. Amanhã, as novas lentes / para ler / estarão prontas. Fiz uma caminhada. Todos perguntaram pela Ônix. Temperatura mais amena. Eu feliz. O tamanho da felicidade é a L se aproximando. Queria ter comprado abacaxis.

15 horas

Dia de muito sol. Vi dois filmes, o que é mesmo um excesso. Pela metade, sempre partidos / vejo pela metade, e também acompanhei a vinda do Macron (presidente da França) ao Brasil, bisbilhotando a Amazônia, / ou sei lá. Tudo tão absurdo e evidente ao mesmo tempo. Eu me irrito, inacreditável… – sei lá! Tudo tão carnavalesco! Então eu penso no pai, na mãe, pessoas pensantes, objetivas! E penso em tudo que pensar possa significar. Estou me sentindo cansada / é o corpo / é o pensar / o peso natural / a idade parece tanta!

Recolher a roupa lavada / na ansiedade fiz mais dívidas no cartão: comprar o que já tenho / e a toalha pra mesa é menor do que a mesa (q. droga!) – bem esquisito isso. O que preciso é interno ou menor também (risos) – talvez precisasse – talvez eu precisasse apenas descansar o cansaço, suado, ou exausto do fazer – e, voltar a escrever com o valor pesado, o peso de um fazer // o que é preciso é fazer, tentar limpar o dia / a casa e todas as certezas prontas… polidas. A beleza transpira / transpira / inspira / transforma / muda as formas / o começo respira.

18 horas

Mais um pouco de política de pior qualidade / vou deitar agora. Futebol é legal! Duas horas / vi episódio dos VERMES… Não esquecer de buscar meus óculos sábado / passar na farmácia.

30 de março 2024 / sábado. Depois de uma chuva noturna um dia esplêndido com sol e brilho // ontem fui a praia com a Ana e almoçar com ela e o João, no Souza. Dia daquelas alegrias plenas / inteiras ou picotes, não sei. Elizabeth M. B. Mattos – março 2024 – Torres

conversa e fotografia

Caixas / fotos. Imprimia tudo: bom, ou mais ou menos. Rolo todo da Kodak… A história de pensar, pensar veio depois. Fotografar é escrever. Nas caixas o sentimento, o pensamento e a imagem. Coisa boa, coisa ruim num clic… História em detalhe… Foto conta, explica. Tempo animado se revira: fala, repete a coisa toda: eu vivi a liberdade de ser eu.

Hoje, nas caixas ‘a fala’. O registro do tempo que passou, passou… Ainda sou eu: gosto da vida, gosto do silêncio, gosto da musica, e de ser eu, pois é, esta ideia de continuar sentindo… Apegada deve ser ruim, eu acho, generosa seria melhor. Audaciosa também. Deveria trabalhar mais e mais, mas sou diletante, dispersiva, distraída e esquisita. Eu era assim: melhor… eu acho! Depois eu conto…

E ser feliz era contagiante… Luiza com o pai: um raio de certeza. Tantas coisas se acumulavam nas conversas. O passado e o presente: fomos / éramos reis felizes… A fazenda me deu raízes, margaridas e tanta paz! Livros, escrever, pensar veio deste tempo… confessar! Importa? Nestas fotos tem o Lucas bebê / tem Joana / tem Pedro com Luiza, Ana estava na Alemanha neste período. Tem o Jorge. Eu na casa da Roberta Karan / quanta alegria! Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres vou organizar outras fotos e da ilustração as histórias / gostava de ser loira. Queria tanto ser loira! Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

perdoar

doar a dor, perder a dor, não sentir mais, mas é difícil / se a gente tropeça, faz bobagem e se machuca, quebra o braço, ou sei lá… os mosquitos entram, involuntários, ou descuidos nossos… aceitamos, mas quando, inconsciente ou consciente, alguém nos machuca… não sei… ao envelhecer fiquei mais dura. sem lágrimas. sem vontade de entender. é muito ruim / mas acho que tenho que me perdoar por ser assim tão dura! Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres