fotografados, braços dados, sorrisos… não resolveu. a vida precisa de mais seriedade…. menos fotos, e menos encenação. melhor contar os dedinhos… e rever o ridículo… e chega de estrelismos, meu caro! não seja ridículo! Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2025 – Torres
A gente conserta erros com outros erros… Quase sempre. Se o que foi/deu errado tem explicação, não importa… Erros se transformam… Nunca em acertos, mas eles vão se burilando / se modificam com a luz. Não tive um campo em Bagé, como desejariam, acabei morando numa fazenda, num campo em Rio Pardo. Amei o Rio de Janeiro, Montevidéu, Buenos Aires, São Paulo. Tive uma filha… outra. Tive um filho. Tenho netos. Moro no lugar mais desejável do Rio Grande do Sul, Torres. Lembro dos amores incondicionais /perfeitos vividos. Termina o ano. Dias frios / gelados outros estupidamente quentes. Conversas esquisitas, outras incríveis. Bagunça, desconcerto. Terminei de maratonar uma séria turca. Quero ir pra Istambul. Quero me atirar na vida. Quero amar ainda uma vez, quem sabe duas? Quero ser SEMPRE feliz e chorar bastante. Quero. Elizabeth M. M. Mattos – dezembro de 2025 – Torres
“Fiquei perplexo e, admito, um pouco preocupado. Eu deveria ter cuidado? No fim das constas, Musk queria falar sobre questões que estava prevendo para o futuro, e a principal era a IA. Tivemos que deixar os celulares dentro da casa enquanto conversávamos do lado de fora, porque, segundo ele, alguém podia usá-los para monitorar nosso papo. Depois, porém, concordou que eu colocasse no livro o que ele disse sobre a IA. (p.605) Walter Isaacson ELON MUSK
tanta beleza existe… no olhar preso, nesta inquietude que persegue, adormece e acorda, tudo junto. não, não é brinquedo nem distração, é o caçador inquieto e triste, feliz e atento, assim, tudo junto. Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2025 – Rio de Janeiro
meu querido: evidencia e destaque estão juntos / não há como escapar. atrapalha o sonho pequeno, não tem espaço para o coração apertado, dúvida ou qualquer coisa que não possa ser filmado, no foco… não tem dia nublado apanhado, surpresa ou palavra incerta. um jogo permanente sem cantinhos nem sussurros: é claro que surpreende, assusta, mas é deste jeito. o inverso aparece nas dobras, numa vitrine paralela que se desfaz, daquelas com cortinas para não desbotar os tecidos. estamos nesta roda. difícil alterar, ou sair. Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2025 – Torres
Ao entrar em casa fui direto a caixa de correspondência: contas, e uma carta. Senti prazer enorme, era do Paulo. Que surpresa! Uma carta sem eu ter respondido a anterior? Livre e espontânea carta, eu me disse. Agora, inteira de prazer. Ele se importa se escrevo ou não! E lá desci minhas escadinhas rumo ao meu apertamento verde toda vaidosa do amigo.
Não abri logo. Reconhecimento da casa, Luiza esperando gentil, coisa estranha: estamos, as duas, voltando aos estranhamentos. Relações nos consomem. Não abro contas, deixo tudo perto do travesseiro. Durmo cedo. Dormir tem sido a solução: no sono eu venço espaços, converso, visito lugares, soluciono tudo. Estremeço de medo pra acordar e já é outro dia. Acabam os problemas, no sono. Depois vou revendo o tempo numa pergunta doente, o que eu tenho que esperneio sempre quando me apertam? Reclamo. Choramingo. Não tenho mais a risada frouxa ou nunca tive? Passou a novidade e fica na galeria o fantasma inquieto do terror é enfrentar as contradições e o palavrório todo desencontrado de ordens e contra ordens, queixas e lamentos. Na relação direta não é ético comentar. Dou meia volta e estou viajando: se o BAZAR existisse, se estivesse em Torres voltaria a vender livros, perdas doloridas, sonhos acabados. Gostava. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2003 – Porto Alegre
abrimos a caixa, enfileiramos fantoches, nominamos e montamos o palco… seguem estações: verão assim, no inverno diferentes, no outono, no outono eles mudam a cor… não saem da vida, ficam empacotados. a história tem apresentação… eu era assim ou assado, infância colorida, ou desbotada. afeto ou sem afeto, a casa deste jeito, não daquele outro… cada um conta de seu jeito. e repetimos / repetimos. o noivo, por esdrúxulo problema, se despede como no século XIX como sombra do tal Leocádio. estranho! um noivado completamente branco, ingênuo, bobo, talvez por isso… mas o efeito foi catastrófico porque em seis meses, sete, ou foram oito, eu estava me casando com outro… atropelada pela surpresa de ser ‘largada’ / e virgem! Tão completamente menina! sim, a história começa assim. Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2025 – Torres, antes Porto Alegre, logo Rio de Janeiro.
pedaços de memória, coisas miúdas espalhadas pela casa / silêncio. estórias estranhas na televisão, livros////serão livros ou tentativas? escutei o piano e o violino: canções me arrastaram… desordem, tanta! será amanhã? não. não faz sentido o amolecimento. sinto saudades tuas. Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2025 – Torres
eu fico achando que consigo, que dou conta do recado e dos cupins / da roupa, das panelas… e que ainda posso cozinhar, caminhar bastante, ver o mar… eu fico achando…
eu fico achando que tenho quintal, gramado e jardim
” Lembro-me de uma manhã em que eu havia descoberto um casulo numa casca de árvore, no momento em que a borboleta rompia o invólucro e se preparava para sair. Esperei bastante tempo, mas estava demorando demais e eu estava com pressa.
Irritado, curvei-me e comecei a esquentá-lo com meu hálito. Eu o esquentava, impaciente e o milagre começou a acontecer diante de mim. Num ritmo mais rápido que o natural, o invólucro se abriu e a borboleta saiu se arrastando.
Nunca hei de esquecer o horror que senti então – suas asas ainda não estavam abertas e, com todo o seu corpinho que tremia, ela se esforçava por desdobrá-las. Curvado por cima dela eu a ajudava com meu hálito. Em vão. Era necessária uma paciente maturação e o desenrolar das asas devia ser feito, lentamente, ao sol. Agora era tarde demais. Meu sopro obrigava a borboleta a se mostrar toda amarrotada, antes do tempo.
Ela se agitou desesperadamente e alguns segundos depois morreu na palma da minha mão. Aquele cadáver é, eu acho, o peso maior que tenho na consciência, pois hoje entendo bem isso, é um peso mortal forçar as grandes leis. Temos que nos apressar, não ficar impacientes e seguir com confiança o ritmo eterno.” NIKOS KAZANTZAKIS
imagino a borboleta a se apressar…apressar o processo de nascer porque havia uma exigência, aquele calor vindo de não sabia onde / um querer mais forte do que seu poder de nascer e voar. senti um aperto ao ler este texto / as exigências / as pressões conscientes ou não, lúdicas ou sérias, todas elas poderosas, talvez mortais. e a dor do menino diante do acontecido… sim, devemos nos apressar na vida, mas devemos aprender a ler a natureza, a nossa, e ter uma paciência mínima para não cometermos erros fatais, mortais. verdade verdadeira: viver é lento ou pode ser apressado assim como uma exigência mal colocada. Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2025 – Torres