pedacinho…

um pedacinho da folha de papel, um rasgo, um fiapo de imaginação descolado… alegria como água em fio, mágico, e eu engasgo! tanto amo, tanto choro, tanto sinto, eu engasgo, acredito, seguro a água na comcha da mão, formou um lago, e vejo os peixes, as algas…

confio na tua certeza, e a tua certeza se agarra naquela alegria experiente, não vamos errar, vamos tentar! com o tempo eu fui secando sentimentos, cortando raízes, os galhos secos, tiro do caminho, e durmo, amanhã vou colher os jasmins. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023 –

ser agarrado

Ainda que adultos, todos com profissão e exigências familiares,filhas, filho falam como se quisessem voltar para a infância através da língua, como se o que apenas se mostra em emboços ainda assim pudesse se tornar palpápel e ser agarrado, como se o tempo não pudesse passar, como se a infância jamais se acabasse. Como se a infância suportasse o que já passou e o futuro, e que, chegaremos lá…

Aonde chegaremos? Apenas chegaremos sem noção, sem método, com pouco trabalho, revirando o jardim, replantando bulbos, consertando as cercas, regando a horta… E aconchegando o sono. O danado do sono que escapa ardiloso. Sem sono, pouco a pouco, perdendo a ideia, e a tal necessária alegria, a festejar o adulto. o adulto medroso: não faremos nada quando dormimos. Alívio do descanso.

E repetindo as mesmas mesmices sem sentindo, comendo demais, bebendo demais, subindo e descendo ladeira sem entender o que lhe perguntam… cansados. Gastando demais, perderdendo, aos poucos, a energia possível… Triste. Elizabeth M.B. Mattos-abril de 2023- Torres

Vontade arrancar a garganta, costurar os olhos, pular da cama, cantar. Brincar de roda, distribuir os brinquedos que guardei na caixa maior. Entender. Sinto calor calor, os p[es gelados, as costas doem. O tratator passou uma vez, voltou, passou outra vez e não morri… Que surpresa!

capítulo da morte

organiza e limita e as mãos que se encontram se compreendem: o bolo perfuma a sala, o abraço abafa a incerteza e o que amor é amor amor e será… Um arco de cores / brilhos e sou eu… Vampirosos. Tempo: chegar, com certeza, vamos chegar…

seus / meus /nossos e a morte / o fim.

De hoje – ou ou, ou eu. Afinal nossa voz define, acertamos!E o tempo empurra. Elizabet B. M. Mattos – abril de 2013 – Torres

ANA GILBERT

A respiração do TEMPO

o livro volta para a mesa das leituras, abro, releio, leio o que não li? A beleza volta, derruba… faz nascer o que estava ali, e continua a estar, desdobrado, como repeti a mesma coisa: Ana, o livro é de uma beleza completa! OBRIGADA outra vez… O primeiro impacto, outro, e depois de um ano, já não sei mais outro golpe de estupefação! Que estejas escrevendo, escrevendo que as edições se sucedam, que Portugal festeje, que se espalhe o teu sentir… OBRIGADA

És a fotografa, és a escritora, és excepcional! A psicóloga…, não vou enumerar. Vou te admirar outra vez, do começo, do meio, esperar o que perdi Ana.

“É o fim da tarde, o sol desce no horizonte e traz aquele silêncio de um tempo limítrofe. A água do mar me chama, num apelo hipnótico. Entro devagarinho e sinto o silêncio; sobe cálidos pelos pés, pernas, contornos, sexo, cintura. Mergulho e a águaenvolve-me como um afago.” (p.107) O teu rastro em mim – A respiração do Tempo – ana Gilbert

aberto o desejo

desavergonhada estupidez,

estoura / transborda e me acorda.

por que gritas quando estou ao teu lado,

por que sussuras se estás tão longe?

incongruência do amor

no detalhe do teu olhar,

na tua vontade,

dentro do teu esquecimento, da tua dor e do teu sorriso,

lá estou eu. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023 –

será que o calor foi com a chuva, ou a chuva disfarça…

poeira na chuva

se eu dançar acerto, ah!

se eu seguir o teu gesto, teu abraço, tua voz,

eu danço.

se me amas, eu te amo,

se te perseguir, eu te encontro

coisas de coração desnudado: confissões e gritaria.

ah! meu amado perdido, eu te quero tanto!

agora, hoje: sem pejo, nem tempo, neste despedaço envelhecer eu te amo. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023

na poeira da chuva escrevo, na trovoada da tarde, neste desanimo cansado, como seria um desânimo festivo? teu beijo manso

o meu, sem posse

a danada da posse complica a rota…

quero seguir, encontrar o suspiro

e o sorriso,

não posso. Por que não consigo?

a posse.

dividir tem a linha, aquele partido que subtrai.

desenho um círculo com a xícara,

depois escolho o copo,

vou buscar o prato:

todos os círculos se encontram na tua música,

escuto tua voz nas teclas do piano,

estou em transe outra vez,

e te amo. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023 – Torres

eu posso sufocar, mas apenas fecho os olhos e adormeço

arzinho de verão

O verão mandou um vento alegrinho sacudir as árvores, e, deu uma sombreada no ensolarado… Espio. Animo e desanimo, não sei bem o que faço! ah Ângela, com nosso passeio de ontem, tentei encaixar alegrias, mas ainda sobrevoa um objeto não identificado! Sim, se me chamarem, não vou… Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023 – Torres

desvio

Tem / estou num desvio virando rota. Uma lágima sendo rio, uma palavra morrendo, desfigurada… O desânimo salvo: sim, teu sorriso atravessou teu mar e chegou na minha lagoa. Passadas apressadas da manhã, afinal, descansaram… Uma noite atravessada insone, consome um dia, dois, três. Enche de bafos e tristezas a casa. Reagir pode ser mesmo decisão! ah! este cansaço! Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023 – Torres