espichando…

a lembrança não é só / apenas o que a gente viveu, mas principalmente o que sentiu / e estes sentimentos perdidos, depois achados modificados ou inteiros remexem dentro da gente / que bom! significa que ainda estamos espetacularmente vivos! Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres

Foto: Joana Vianna Moog / Nitéroi / visita ao Claudio Belmonte de Athayde Bohrer (primo)

perturbante

turbante / perturbante e terrivelmente constrangedor / não terrivelmente evangélico / eu leio esquisitamente devagar / quase parando / fazendo uma caminhada entre dois parágrafos: tomo leite com chocolate / depois um chá / depois cachorro – quente com coca-cola. eu adoro refrigerantes, todos, mas coca-cola NORMAL é minha preferência. que importa o que faço? sem maiúsculas sem piano, com saudade. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres

uauuuu!

agradeço, eu te abraço, e uauuuuu! tenho certeza que não vais desistir! aquecida estou com a festa: estar assim juntos e ver / ter tudo iluminado. és muito bom em viver! vamo que vamo! beijo Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – TORRES

a gente tem querer ser a gente mesmo / um eu único/ espantalho ou príncipe / um eu reinventado… conhecido, costurado e EU

muito confuso querer agradar, comer fígado, comer massas e batatas, escolher bananas, preferir assados a verduras, cenouras cruas, laranjas, bergamotas, picadinhos…vinhos e sorvetes /e imaginar morar em Pernambuco / vou tentar / o Rio de Janeiro, já sei, o Rio Grande do Sul cansei. fazer as malas e aventurar, sou eu e posso, eu vou. deixar pra traz as dúvidas… eu vou. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres

limite do meu quando deveria ser nosso

o nosso é generoso! nele o meu tem limite expresso / se não pode ser nosso, não é: teu jardim, não meio jardim… enfim, explica logo: meu prato, minha maçã e minha vontade. não divide, não ameaça o generoso, apenas delimita. se é ruim ou pestilento, bom, ao menos é absoluto… e sendo objetivo é bom. o preto tem todas as cores contidas, o branco é branco / o melhor lugar da paz é não ter dúvida. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – TORRES

memória ardida

tenho uma memória ardida que salta e se exibe fora da hora, fantasiada, requebrando, e se despindo faceira… ora ora ora… não se envergonha nem das calçadas, nem dos abraços e do proibido, vai caminhando pelo becos. senta, descansa um pouco, mas logo pega uma avenida… rua com jacarandás e lá vai… Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2025 – Torres, não Montevidéu nem Buenos Aires, sem FT ou racionamento e tanta gastança… a vida com as surpresas agarradas / penduricalhos e chocalhos: surpresas

ler tem qualquer coisa de perambular… perdida ou achada

perambular pelos becos, atravessar rios, queimar os pés na areia quente, esbarrar nas pessoas, sem ver, porque o sol cega, e o vento atrapalha o olhar, e o mar, pois é, o mar carrega feitiço e agita o pensamento… não há quietude na vida beira mar, tudo é constante… não há silencio, mas conversa, conversa, conversa sem pontuação, sem pausa / tipo terços de rosário, e rosário de convento… a desenrolar frenéticos, maníacos, talvez esperançosas orações. Elizabeth M. B. Mattos – novembro escorregando…