o verdadeiro é sempre novo

coisas de Jacques Lacan: “Com efeito, para as imagos – cujos rostos velados é nosso privilégio ver perfilarem-se em nossa experiência cotidiana e na penumbra da eficácia simbólica – a imagem espetacular parece ser o limiar do mundo visível, a nos fiarmos na disposição espetacular apresentada na alucinação e no sonho pela imago do próprio corpo, quer se trate de seus traços individuais, quer de suas faltas de firmeza ou suas projeções objetais, ou ao observarmos o papel do aparelho espetacular nas aparições do duplo em que se manifestam realidades psíquicas de outro modo heterogêneas.” (p.98 Escritos)

ah! estas questões dos escritos e dos falados e do pensado em sequência estranha da memória quando as conversas podiam “se arrastrar” ao som da voz, da argumentação, sem espelho, sem idéias, sem enfeite… porque éramos extremamente jovens. será que faz falta a juventude para esbarrar na vida amorosa e ser pessoa, outra vez, não mais sombra? existem tantos perigos! como ligar para um amado esquecido, desejar uma voz ou um acerto. então, de repente, a loucura, aquele certeza idiota ‘quem eu sou?’. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres sou ainda aquela que se apaixonada e não percebe a sombra… ( sou distraída) ou melhor, não percebe o povo que circula, rodeia quem amamos… amamos?

quem é?

olá!

Francisco José está?

sim / mas ele não fala nestes aparelhos…

ah!

ele está bem?

sim.

quem fala?

a esposa dele.

ah! ele está bem, então.

obrigada.

e tem esposa! (silêncio)

ótimo.

Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres

quando a gente liga… e a conversa é interessante

espelho mata / destrói a alma

três pontos, a certeza de que não paramos de pensar e continuamos… sim, estas coisas de alma, de corpo, pastéis e cerveja. alegria dança, sol e vento… ah! malditos pontos. envelhecer sentada na memória / a palavra. palavra frouxa e solta a se arejar por ai… por ai… espelhos são cruéis, definitivos, ah! se distorcidos fossem… coisas de fada madrinha, conversas velhas, respostas limpas e juntas, ah! se não houvesse espelho seríamos fadas para sempre e gentis. ou iríamos a Marte. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres

parece a mesma coisa…

mas não é. tanta coisa! descoberta, depois de uma, outra. beijo abraço sorriso ou voz // e muito muito muito silêncio bom…gostar é assim, um sentimento que tropeça e desgasta e cresce e volta / desaparece, nasce outra vez. sentir tem um caminho comprido… viver é atropelar o mês de novembro, logo vai chegar o fim deste 2025 / aqui a soma é nove, com um rechiado 2026 a soma tirando o 9 é mais 1 – o que importa. estás começando… Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 TORRES, vou recomeçar.

estranhamento ou ardilosa posição

estes sentimentos tem estantes definidas e… limpo, tiro o pó e me pergunto a validade deles. amores velhos também devem ser dispensados, esquecidos, e as cartas melosas e infantis, cheias de abraços e beijos e vontades repentinas de olhar e tocar, brincadeiras automáticas precisam sumir porque o verão, o sol limpa tudo. o mar, a delícia da praia, as caminhadas com suor pelo corpo que exalam alegria enrolada na liberdade… estes são os bons valores. sou feliz! Elizabeth M. B. Mattos = novembro de 2025 – Torres

uma certa hora

Uma certa hora / um certo ano / um certo dia de um certo amor / um certo momento de amor ou prazer / de repente esquecidos. A forma física é um temperamento que se tornou visível.

31 julho de 2015 / sexta-feira

CUIDADO! Saudade utilitária, cuidado! Tem um sentimento que “dizem” ser saudade, mas é mais necessidade de companhia, “apoio”, uma saudade utilitária. Isso! Cuidado com a saudade utilitária, o amoroso fica soterrado. O outro não é o outro,

mas a bengala, depósito, a segurança.

A saudade deveria ser um sentimento s o l t o de exigências / livre e quando se está com outro é apenas presença / estar com outro. Mas terminamos em apoiar / amarrar a saudade nas carências muito mais do que no afeto. Então, estar perto fica esvaziado de amorosidade (cobrança / exigência / um pedaço de mágoa / do ontem). Nem cuidamos do amado, massacramos em nome da intimidade / familiaridade. Nós nos autorizamos liberdades, mal humor, rabugice, maus tratos em nome de afeto. PO que este equívoco? O sentimento amoroso precisa se apoiar em certa admiração, respeito. Amor com recibo. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres

voltar é encontrar?

sim, encontrar tem um gosto de posse… coisas de viver os amados achados e os perdidos. afinal viver tem este desacerto azedo que significa e importa. sem figurinhas, palavras certas. polir, limpar, jogar fora, encontrar… e dormir com sono. Elizabeth M. B. Mattos – novembro atropelando – 2025 – Torres

descarrilhado

sensação de desastre / um desmoronamento, uma interrupção e o nada. uma canseira desta viagem interminável e difícil, subir os degraus cansa. atrapalhada com o vento, com toda esta areia e as incertezas. uma irritação pesada. também a sujeira / impressionante como se alastra na vontade… a ordem da desordem. estou cansada. igual te mando um beijo, desastrado, um abraço apertado. aquele carinho que importa. os livros estão desinteressantes… Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres

do amor /para o amor / GFPRJAK, sempre amor

de março de 1999 / fragmentos / fatias do bolo recheado com chocolate, nozes, ovos moles e passas e gostosuras como na história de João e Maria. Agora te escrevo sob o impacto de nossas conversas ensolaradas no teu pequeno apartamento. desligavas o telefone da tomada para não chamar… duas gentes sem idade, sem tempo no espaço, em tempo… eu viajava Torres Porto Alegre acelerando / nem barreira nem horário. Eu me surpreendo, busco racionalidade, encontro surpresas e solavancos. Empatia. Nossas necessidades. Abandonamos pesos e mágoas e nos agarramos na alegria de amar o amor. Cuidado!!!! Amor soma, aumenta como fermento age… não magoa, nem na lágrima dói: a mágica do beijo, do abraço e dos olhos fechados: prazer. O outro, se há outro, está esquecido por uma memória que nos faz ser maior e melhor. Não substituímos nada, nunca: ‘ naquilo que tu és insubstituível, tu és insubstituível”. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres

jovens corajosos e guerreiros

histórias mal contadas, enciumadas e trapaceiras… guarda-se na memória sequelada da velhice o que convém… não é a doença problema maior do que a velhice/temos pílulas pros males, bem, pro envelhecer também… a pele de jacaré resiste, grossa, resistente, mas velha…

estou lembrando das perguntas. irmãos? não. eram primos. o pai da minha mãe era irmão da mãe dos três meninos… foco na mais velha, Anita. Formou-se no glorioso colégio São José em São Leopoldo / logo, como professora foi trabalhar /e, ganhavam razoavelmente no magistério / e ela pode comprar uma casa em Guaíba pra Dona Felícia, também professora. os guris: Júlio Clóvis e Telmo meninos ainda. tudo melhorou… dizem que era uma vida alegre. Anita vinha para Porto Alegre, atravessava o rio/lago Guaíba pra lecionar. conheceu o Roberto que morava com a mãe Rita. os ventos tinham mudado, e o pai dele, banqueiro, comerciante / perdeu tudo o portuguesinho. vida complicada: então Anita, não a do Garibaldi, entrou na história. e eles construíram o futuro / minha avó veio morar com eles / nos tempos difíceis e nos abastados: juntos. primos / ditos irmãos foram um para o exercito, outro pra aeronáutica / o mais velho, Júlio, Roberto ajudou / entrou pro SASSE / da Caixa Econômica Federal. E a Felícia foi morar com ele no Menino Deus… Clóvis voou. Telmo casou-se na casa da Vitor Hugo / Anita sempre foi de ajudar / acolher e partilhar… a irmã Joana de Athayde também morava com eles. nossa casa foi sempre festa, gala e farta. Petrópolis / o bairro, cresceu: amigos construíram suas casas e juntos eram uma grande família / pintores, intelectuais se reencontravam em Paris para se atualizarem, fazer cursos / o mundo se alargava. A minha mãe foi… outra vitória de quem não deixa pra ninguém a linha da sua própria história, mas a Ligia, morreu / o acidente do Morro do Chapéu… tudo mudou, as más línguas ferveram… os heróis aguentam… e as histórias fervem enquanto o tempo escreve. Elizabeth M. B. Mattos / novembro de 2025 – Torres – sempre houve TORRES

para meus filhos / o registro… orgulho de ser filha da Anita e do Roberto e dos meus filhos. obrigada. Anita era Roberto / Roberto era Anita / acho que expliquei certo.