coisas de viver / não é possível explicar, colher margaridas e cravos… a neblina não deixa mesmo enxergar / salvo as barbas… e, se escuta /ouço as risadas / é isso mesmo? perdi as palavras. Elizabeth M. B. Mattos – julho de 2025 – Torres
Autor: amorasazuis
atrás do biombo
atrás, escondido, disfarçado, fantasiado… impressionante, desde sempre apenas o CARNAVAL – liberados! permite a liberdade a… sei lá! estamos / somos treinados a conviver com o estabelecido – nossos princípios e nossa moral… depois que a releitura é feita, entendemos Oscar Wilde, D.H. Lawrence, Dino Buzzati, Marguerite Duras, a literatura, a música, a pintura escondem as pessoas (o ser humano), atrás da obra não pode sobressair (existir) uma pessoa que faz normalmente as três refeições e reza no fim do dia – quem faz, o artista, será sempre decapitado. escrevi um post https://amorasazuis.com/2025/07/22/sem-roupa/
provocante / sim, provocante… talvez inquiete o leitor se quiser saber aonde entra a verdade, ou… sei lá. a situação é provocadora. a censura, ou a verdade, ou a ideia de atravessar o amor? estou / fiquei inquieta. Elizabeth M. B. Mattos – julho de 2025 – Torres
de castigo
sentada com lápis e papel – a caneta… o caderno azul. os cadernos se amontoam desordenados, mas, necessários. tanta desordem! a vida não abraça, fica a me olhar desatinada. o que fizeste menina? destas tantas mudanças, destes pedaços alguma coisa, o irrelevante, se admira. dou-me conta que anos e anos passados não perdoei os empurrões e nem curei a dor. a vida se vingou. não sei por que em mim, se vingou de dentro para fora… a minha encarnação, talvez. cantos, espaços curiosos me protegeram, e aceitação. poucas vezes gritei ou usei da ironia, ou enfrentei… recuar e esperar passivamente. levantar cartas, estes castelos abrigavam meus príncipes e minhas princesas. estudar estudar estudar deveria ser o tema / o lema, mas não era, seguia ao sabor das velas nos pequenos prazeres. teria sido tão fácil se eu tivesse dons… aquelas qualidades certeiras. lembro da minha primeira torta de bananas… ocupei a cozinha numa hora silenciosa e limpa, misto de escondido e traquinagem, com medo incerto. mas, mas, mas não foi a torta foi o cheiro do queimado que a todos assustou. lembro das brincadeiras indevidas na sala principal: Magda, Ana Maria e eu fazíamos desfiles com as bonecas de papel ente porcelanas preciosas como colunas de castelos. Claro! Numa rabanada uma peça quebrou, solução? para baixo do sofá… Teria sido uma vassoura desastrada, não nós três. Foi a ultima vez que escolhemos Ah! o inverno! lareiras respondiam com alegria. Labaredas, movimento, encanto. Eram assim aqueles invernos. Este, gelado gelado gelado com memória, mas gelado… Elizabeth M. B. Mattos – julho de 2025 – Torres / sem fogo de lareira, com brilho da lagoa.
pisar em ovos
quebra… e o pensamento desaparece. vontade vai se esfarrapando: fico sem roupa, sensação estranha. entender o tempo / escorregar na ideia ou não fazer absolutamente nada? atordoada sensação. inquietude esparramada, e as palavras não se apresentam, não ne abraçam. a inquietude do tempo aperta o corpo, mas não quero desistir.
querido: vou escrever para não esquecer todos os passos. espero que o sol tenha aquecido teu corpo, e que os canteiros das margaridas estejam cuidados. no inverno as hortênsias florescem, descansa. Elizabeth M. B. Mattos – julho de 2025 – Torres
sem roupa
encontrei o número do telefone. liguei e localizei, precisava saber como ele estava. então, uma voz gentil pequena e doce me respondeu: “sou a esposa” “ele está bem” e eu me surpreendi com alegria súbita a imagina-lo com a boa e gentil esposa num aconchego de amor. e perguntei: danças para ele? sem música, tu danças? ela não desligou, e se surpreendeu. danças para ele? sem roupa, na alegria imaginada pela música: com o corpo a girar, os braços a voarem por todos os lados, a suar feliz para ele tua alegria… eu gostaria que tu dançasses para ele… Elizabeth M. B. Mattos – julho de 2025 – Torres
todos os dias todos os dias
deveria ser assim, todos os dias disposta. mas levantei com preguiça. café acordando, o pão com manteiga, água: bebo muita água de manhã. sem vontade de acordar, eu acordo… envelhecer tem este ranço de reconhecer, esquecer, voltar, pensar, esquecer e fazer. a preguiça espalhada pelo corpo, crescendo. preguiça. danço o amor por ele.
vontade tenho de chegar no teu calor. nas boas lembranças ausentes. colcha de retalhos, estórias que serão história. querido, estou a tentar, concentrada, mas ainda não consegui me refestelar na vida… não fiz o que me pediste para fazer. sinto saudade… sei, não me repreendas, nada de saudade, já escreveste: a passagem comprada, fechaste a casa e trazes presentes. igual sinto saudade. queria ter ido contigo. sinto ciúmes, ciúmes dos teus passos, das tuas mãos, dos teus pés. escrevo escrevo escrevo e vou me distraindo pelo texto… um beijo. Elizabeth M. B. Mattos – julho de 2025- Torres
espiar / verbo
piar / ar / deve ser o ar falando como os pássaros. espiei espreguiçando e estavas ainda dormindo. sai da cama devagar para te surpreender com o festivo. o movimento de ontem alterou a rotina… confiante e festivo estavas. o inverno se surpreendeu… estamos velhos mas amorosidade nos salva e coroa. Bom dia meu querido! Elizabeth M. B. Mattos – julho de 2025 – Porto Alegre
conversa íntima
meu querido: estou atrasada nas cartas, sim, gosto de usar a palavra carta. vejo teus dedos compridos, magros, abrindo devagar os envelopes, e podes, tu também, imaginar minha ansiosa ansiedade lendo tua longa e amorosa carta. ciumenta, imagino quantas cartas de amor já escreveste! quantas outras escreverás que não serão para mim. enlouqueço. enlouqueço apenas um pouco, ainda não posso pensar na fogueira, no pinhão… mas as noites geladas, frias já estão aqui. então, meu querido amado, eu te penso na loucura boa de te amar. volta logo. Elizabeth M. B. Mattos – julho de 2025 – Torres
minuto segundo na hora
a hora de começar está perdida / assim mesmo uma palavra depois da outra a história sussurra e se estica e bate, quer entrar. não entendo por que o porquê, porque estou desfocada? então, eu me sento para escrever sem vontade, sem plano. as notas / as palavras precisam dar-se as mãos… começar está no querer, naquela vontade inquebrantável. também na disciplina, no encantamento… nas margaridas todas daquele jardim. eu plantei, semeei, acreditei que elas cresceriam, as minhas margaridas.

neste frio tão frio elas não estão exatamente felizes, mas reagem, eu cuido, eu cuido dos sonhos, das vontades, das palavras, procuro os vasos perdidos, e vou acomodando os sonhos e as saudades devagar. Faz tanto frio neste inverno. Estou aqui para sentir. Elizabeth M. B. Mattos – 2025 – Torres
Francisco, obrigada. Foi tão bom! De volta o gosto do que vivemos, tu e eu, meninos e adultos. Explodimos o coração juntos – tão fácil, tão bom. Únicos. E quando escuto tua voz acontece tudo outra vez.
misteriosa lacuna de uma leitura
uma leitura ou uma perdida certeza do caminho… a mágica daquela história contada, repetida, guardada entre os brinquedos. indefinida, importante. E. M. B. Mattos – julho de 2025 – Torres