a voz do João, ecoando…

A gratidão vibra no corpo.

O piano penetra nos tímpanos.

As lágrimas escorrem.

A melodia encontra paz.

A emoção não é melancólica.

É grandiosa.

Procura e encontra o universo.

Radiante como um astro luminoso.

Pode-se encontrá-los de dia ou de noite.

A busca é infinita como Ele.

Ao encontrar parte deste cosmo,

A benção da paz abraça com ternura

O poder da gratidão.

Gratidão /João Vianna Moog Brentano 2025 – Torres

eu não disse nada

eu não disse nada, você sabe, tu sabes, com certeza o que eu penso porque tu e eu, eu e tu, não envelhecemos, ainda somos nós… apenas sentimos doçuras e aquelas coisa boas da vida, brindamos. tomamos sopa de ervilha, também aquela com cenouras… adorei o assado que tu inventaste, fazia tanto tempo que não bebíamos uma taça de vinho juntos. obrigada meu querido. fez sol, não vem chuva, não ventou… tens razão, não tivemos tempo de olhar pela janela. somos nós. um beijo. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Torres- prometo, amanhã eu te escrevo e conto tudo o que acontece na semana passada, não tivemos tempo, é verdade. vou adotar uma gata / vou trazê-la para Torres – vou fazer tudo errado, mas eu quero. gosto dos gatos! e os cães me levam a pensar na ônix… engraçado, curioso, fico girando o botão… amanhã eu te conto. outro beijo

ESTUPEFATA! MUDA, surda…INCRÍVEL!

sem coragem de dizer, olhar / ver ou pensar, talvez narrar, como pensar… sei lá, desaprendi a respirar. fim do túnel ou começo de, quanta esquisitice?!?????? estupefata / estupefato. sou culpada. de certo sou brasileira… ou devo investigar, escutar e ver / olhar e mudar? dar opinião. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – TORRES

BRANCO e PRETO / quem, o quê, quem sou eu? ou a sombra, ou a história, pontuações, todas… esquisito momento.

solidariedade

Toutes les existences sont solidaires les unes des autres, et tout être humain qui présenterait la sienne isólement, sans la rattacher à celles de ses semblables, n’offrirait qu’une énigme à débroullier. […] Quant à moi (comme quant à vous tous), mes pensées, mes croyances et mes répulsions, mes instincsts comme mes sentiments seraient un mystère à mes propres yeux, et je ne pourrais les attribuer qu’au hasar,qui n’a jamais rien explique a ce monde, et je ne relisais pas dans le passé la page qui précède celle où mon individualité est inscrite dans le livre universel. Cette individualité n’a par elle seule ni signification ni importance aucune. Elle ne prend un sens quelconque qu’en devenant une parcelle de la vie générale, en ce fondant avec l’indidualité de chacun de mes semblables, et c’est par là qu’elle devient de l’histoire.” George Sand, Histoire de ma vie,Ed Gallimard, coll Bibli.de la Pléiade, t.I, p.307 /

a gente não conta nada de novo, todos tivemos / tiveram o primeiro amante, lágrimas compulsivas. o estado catatônico de não saber o que fazer: nem sexo, nem falar, nem pensar, mas poder correr correr, e correr e chegar em casa, bufando suando e feliz. liberto, apaixonado pelo primeiro amor. e depois quantos foram os anos sem amor entre lágrima, queixa, paciência, tolerância e espera. ah! esta vida de surpresas… estes amores comprimidos numa memória de lacunas. no meio da dança, dos ritmos do tempo certo. volta o gosto e a saudade. Eu? eu estou lá entre passado e futuro, caminhando e correndo. cansada, dolorida e feliz. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Torres – Torres outra vez como ponto final, ou começo?

primeiro amante

primeira rua / primeira casa / primeiro e único amor / primeira infância / primeiro livro . este primeiro será ditado / escrito no atropelo e na prolixidade que me é particular. escreverei soluçando, falando, falando… dançando também. falando até a garganta doer / apertar. repetindo / dizendo, recontando, explicando outra vez até ao cansaço. e será eu te amo / eu te penso / eu te imagino. terá, certamente, a rua Vitor Hugo, Petrópolis, paralelepípedos, ladeiras, joelhos ralados e a história do primeiro amante / para picar o tempo com pimenta, imaginação e tensão: vou misturar tudo e escrever depressa. não há tempo para perfeição, precisa ser assim mesmo, apressado, transbordado, errado tudo, será acerto. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Torres / também contarei das dores súbitas de estar parada, de gritos no poço e passarinhos coloridos na janela. de pão feito em casa e bolos muito doces e chocolate enrolado, não posso dizer nem negrinhos, nem brigadeiros / tudo tem avessos…

cartas – palavras voadoras

voar ao escrever, chegar atrasada na hora do dia, mas, eternamente / era eterno? chegar para ficar, para sempre. cartas equivocadas, publicadas, mas eram / deveriam ser, secretas. a intimidade despida não só pelo destinatário, mas… esparramada, jocosamente, ou… seriam as cartas de Abelardo para Heloisa literatura, ou eram cifradas? queimar a carta de amor. hoje, está tudo no para sempre… a informática, a máquina, a televisão, os verbos disparam para todos os lados, os telefones / celulares revisados, publicados, invadidos / invadidas as cartas / os telegramas. gramas do pão esfarelado contadas… esquisitices dos tempos modernos, não de Chaplin, mas do N A D A / ou tudo invadido. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Torres

ou fotos / impressos

agosto para setembro

Ana Maria e o tempo / sou eu no tempo. A minha pequena atravessa a história e assume o leme. Eu, eu me sinto leve e feliz, ela está comigo / gosto bom de ter filhos. O começo. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Torres

OBRIGADA filha