estranheza do meu tempo

Eu, meu agora claudicante, nublado, não sei definir. Limpo mais vezes a casa, cozinho menos, olho pela janela: o mundo segue apressado, ou distraído. Talvez, talvez inquieto. Sentir importa. Esticar a mão, ou escutar o corpo. Não desanimar.

Fotografia de Ana Moog / única, maravilha, espetáculo. Um olhar arrematado: beleza! Pura poesia, não, romance, ou uma novela, ou apenas ela, a olhar / ver a beleza pelas lentes… Ela agarrou o mundo dela e fotografou para me emprestar!

É bastante! Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2025 – Torres

quase

quase velha / no sentido amplo que significa envelhecer / e o quase…, bem, quase é a reação. um dia dividido em manhã agitada, tarde laboriosa, anoitecer assustado. difícil explicar. transborda tanto sentimento: intenso. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2025 – Torres

maratona

outro dia / outro limite, renascer, ultrapassar, carregar alegria pra chegar na energia… preparar a corrida! beijo, abraço, energia… E saudade boa! faz voar… perto! viver é muito bom! Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2025 – Torres

solavanco

crateras pelo caminho, usar as calçadas um desafio, as ruas, toda atenção! o solavanco pode ser definitivo / ou fatal… fico a lamentar. as ruas e as calçadas eram possíveis, ou já estou na imaginação… ocuparam o apartamento de cima, os feriados, as ditas férias deslocadas, abraços do ano, e estes com chocolate… será que existe mesmo? a surpresa, o gosto, a vontade e sonhos reais? o que eu fazer? receita: o gosto de gostar – boa receita! dia bem bonito por aqui… Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2025 – Torres

tempo remexido

lendo Taras Bulba / Nikolai Gógol – heroica luta do povo ucraniano contra invasores poloneses. cossacos – camponeses russos que colonizaram vastas regiões da Ucrânia no século XVI – o hoje remexido, esquisito, atrapalhado, não sei… direita, esquerda ou nada disso. tu me dizias, gorda! és revolucionária, mas não me explicaste direito. ainda quero te perguntar tantas coisas!

A ignorância era a ciência predominante naqueles tempos, porque todos estavam afastados da experiência.” (p.29) Nikolai Gogól – 1982 – – tradução de Francisco Bittencourt

bobagem ou …

…ir e cair e tanta risada corajosa! o que quis dizer? vivi tanto! muito, intenso. força com vontade. lágrima depois soluço. susto, destemida. agora, apavorante! sonho sombra. caminhei na sombra de outro sonho. era eu aquela? corri tropecei, errei… esquisito pensar. eu levantei. era eu? era o sonho? não lembro… eras tu. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2025 – Torres

doçura volta, abraça – saudade do abraço? não, das confissões, meu querido / penso, nas confissões do amor amado e no jogo das varetas

e…

…e toda a tensão chegou sorrateira, invasiva. estes sentimentos esquisitos entram e se acomodam como se fossem donos da sala, e vão para o quarto, se esparramam na minha cama, ocupam todos os travesseiros. vou para o chuveiro, deixo a água correr, correr e… outra vez, sinto saudade da banheira. ficar quieta na água. não, eu não tenho piscina, nem terra para cavar, o canteiro de margaridas, eu imagino. imagino as singelas flores sacudidas por boa brisa enquanto conversam… rosas e margaridas, talvez as hortênsias estejam floridas. não sei mais o que escrever, nem o que pensar. consegui desligar, desconfigurar os meus programas na televisão… só aulas de culinária, mas não gosto mais de fazer, talvez precisasse caminhar. sim, vou caminhar um pouco e esperar. esperar o tempo passar. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2025 – Torres

ANAÏS NIN (journal 1)

Jamais je n’ai vu aussi nettement que ce soir que tenir mon journal est un vice. Je suis rentrée chez moi épuisé par de magninifiques discussions avec Henry au café; j’étais euphorique en entrant dans ma chambre, jái tiré les rideaux, jeté une bûche sous le feu, allume une cigarette, tiré le journal de sa dernière cachette sous ma coiffeuse, j’ai jeté sur l’ édredon de soi ivoire, et me suis préparé de mettre au lit. J’avais le sentiment que c’est ainsi qu’un fumeur d’opium se prépare pour sa pipe d’opium. Car c’est le momento où je revis ma vie en termes de rêves, de mythe, comme une histoire sans fin. (p.138) Anaïs Nin (1931-1934) Journal 1