doar a si mesmo o prazer de estudar aprender: ar / respirar / capacitação ação / estudar estudar estudar e estudar… estudar
Autor: amorasazuis
fora do eixo
sinto saudade apertada, fora do eixo. descabelada saudade, estranha e esquisita. pedaço? era inteiro, ou o que exatamente era? estranheza. não se trata de sentimento, talvez uma loucura maior… não consigo desabafar. escondo no silêncio atordoado de uma fala sem fim, falar pode ser o som… escutar o silêncio correto. seria isso. o bom silêncio. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2025 – Torres

Voaria se pudesse
Se eu pudesse, verdadeiramente, me libertar do medo eu voaria. Não como Ícaro, acreditando em asas… Eu voaria pelos sentimentos, atravessaria os beijos e os abraços. Seria Eu na minha máxima potencialidade. Talvez, de volta a rua Vitor Hugo, 229 – e o gramado, jacarandás e ciprestes devolveriam minha alegria. Todos nós reunidos, meninas e meninos preocupados em dançar e flertar. Das memórias a vida real. Ontem imaginei que poderia voltar para casa, o apartamento da Avenida Independência e recriar o que chamaria minha vida, meu espaço. Ainda sinto uma dor enorme por ter perdido a minha peludinha Ônix como um aperto de culpa, de negligência, inconveniência da minha parte. EU responsável, ela tirana, mas dependente. Outra vez culpa e castigo como a literatura tantas vezes explicita. A vida contada como deve ser, em detalhes ou sopros, nunca real. Escrever tem este alívio, exala a particularidade da vida, ao mesmo tempo toda a artificialidade do esforço. Viver deveria ser natural. O bebê grita, e estranha. O útero, o conforto e o abrigo certo… Não podemos voltar. É preciso enfrentar. Cultivar a vida, ou o jardim importa. Sozinhos ou acompanhados. Os sons, as vozes, o movimento das calçadas, as bicicletas. Árvores. Pássaros e a água importam. Como seria entre quatro paredes com o vislumbre do céu, sem céu.
Lavar a roupa. Pendurar a roupa. Estar Em Paris, na Normandia, a França, o francês. As janelas. O entusiasmo. Sim, tens razão, viver é apenas um punhado de entusiasmo necessário, e saúde. Escuto o piano – a música responde. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2025 – Torres entre nublado e sol, sem chuva, sem calor, apenas o silêncio da Lagoa do Violão.

Gabo: Gabriel García Márquez

“[…] sua conversa era fluida e agradável, mas ela se sentia um pouco perdida, pois parecia falar não tanto para dizer, e sim para ocultar.” (p.87)
“Nem tão perto quanto você gostaria, nem tão longe.” (p.104)
“[…] tropeçou por acaso no olhar do homem.” (p.106) Gabriel García Márquez – Em agosto nos vemos

senti saudade e chorei
detalhe

no detalhe a beleza

Fotos da Ana Moog
Privilégio – olhou clicou… Detalhe e encanto. Quente / chuva e delícia de janeiro / da conversa – encontro, alegria: viva! E, por que não? Feliz. Saudade da Ônix, muita, muita, muita. Vou ter que apreender tudo outra vez… Ter animais é delícia. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2025 – Torres
Natal de 2024 e a visita

Esta sou eu, a mãe. Gostei: foto, destaque… Livros, o velho tapete, a imobilidade, a pose para o filho fotografar.


Natal desenhado. Escrevo devagar, saio da tristeza da despedida. Reencontro uma volta… O mar transparente e meu. Escolha de tantos anos! Quero contar esta história. E vou. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2025 – ainda Torres
Quando Pernambuco se aproxima, e estou com a Luiza.

Ana Maria e João se divertem para pousar… Esta alegria é boa.
Where is a will, there is a way
Máxima de Hudson: Onde há uma vontade, há um caminho.
A vontade brinca e sofre, ela nos dá tarefas e dificuldades, devaneios de heroísmo e de medos. Mas, por mais diversa que seja em seus impulsos e em suas façanhas, vemos que ela se anima a partir de imagens espantosamente simples e vivas. (p.185) Gaston Bachelard A Terra e os Devaneios do Repouso
Devaneio / vontade de repouso, terra: paz. Espirito estufado de encanto, de vontades e labirintos. Uauuu! Importa estar vivo e o amor brota dentro de uma visita amiga / de um sonho de estar sempre junto, este nunca ir (já tendo ido) -, este voltar e verificar. Beijar, abraçar, e sonhar numa conversa comprida, sem hora e cheia de expectativa… Coisas da vida de um verão quente! De uma noite bonita e dias alegres. É isso respirar! Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2024 – Torres (expectativas) Um feliz aniversário, balões e vontades coloridas, eu desejo, meu querido. Ainda em tempo, arrastando o tempo, antecipando. Um beijo.

TEMPOS MODERNOS
A travessia foi longa. Ninguém indaga de onde veio. Mal sabe os nomes do pai e da mãe. A história individual é uma mancha inexpressiva na paisagem do cotidiano. Somos todos narcisos. Vestidos de jeans, de camisetas que trazem inscrições estrangeiras. Cada qual um deus banal com andrajos, a pregar beleza e exigir aplausos. O mundo é o nosso espelho d’água. Refletidos na poça de lama, excedemo-nos na avaliação dos nossos méritos e perguntamos:
– Afinal, espelho meu, quem é mais belo do que eu?
A cada dia há que dar provas de engenho. Ao amanhecer livramo-nos dos farrapos, a que a vida nos condena, sem esmorecer. Ando pelas ruas com o coração em sobressaltos. Em busca daqueles arranjos humanos que denunciam o esforço feito e vencido. Para isso dispenso a tirania da estética, da absorção de modelos oriundos de uma visão fetichista dos objetos. Entrego-me modestamente ao difícil paraíso da emoção. [p.106] Nélida Piñon o pão de cada dia fragmentos

coisas ditas e pensadas / reconhecimento, encontro. paz de certeza
