agito ou turbulência?

aqui venta muito, tanto! por dentro a ventania ou um jeito estranho de sentir o que passa neste vento e sacode… é tua voz? não sei. passa por dentro a ventania. o vento conversa tudo ao mesmo tempo. sei lá. esta coisa estranha de adoecer de vez em vez, pois é, meu querido, não tenho escrito. resolvi mudar tudo… mas, tens razão, sigo a mesma. estabanada? distraída? ou sei lá… quero mudar. ou quero agarrar o tempo. agarrar… pegar, e guardar o tempo. esta é a saudade que sinto de ti enquanto te estranho… por onde andas? por qual estrada passas? o que, de verdade, sentes? tenho que acalmar e voltar, algumas mudanças se inquietam, percepções, sensações. a gente não consegue explicar, apenas sente. estou sentindo. deve ser coisa de muito amar este sentir. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2024 – Torres

frio em novembro

Sempre fez frio em novembro, ou sou eu que sinto frio? Quero achego, certeza e tudo. É vago? O espaço-casa me acolhe: no lugar que devo estar, estou. Voar nas lembranças e abraçar delicadezas. Ouvir boas vozes, sonhos coloridos. Estou viva e gosto. Aqui e agora. Muito bom. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2024 – Torres

e a surpresa?

vou para a academia, e apreendo a sentir o corpo. especial

bilhete com desenho borboleta

querido, meu amado: abcdefgluarenuvemestrela, todas as palavras transparentes surgem em vermelho com esta tinta mágica. uso da magia de dias e dias em teste – procuro o formato certo para tocar no teu lado avesso a convenções – procuro o menino. o homem se esconde numa seriedade justa, num reverter correto. numa gratidão derramada. o que desejo? apenas rolar pelo gramado e me esconder atrás daquele arvoredo perfumado com jasmins. estaremos presos nos sonhos descascados das laranjas e das bergamotas, lambuzando as mãos. ah! eu te amo inconsequente. lúcido: a felicidade tem lógica colorida. por isso estamos escondidos e incomunicáveis. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2024 – Torres

amarelo amarelo amarelo

Entre uma tristeza interrompida e a vontade de despejar lágrimas e soluços para aliviar os pesos de certas dores imaginárias. O tempo deve virar horas. Encontro daquela memória despida / sem pudor. Nua. Olhar altivo: tu me compreenderás. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2024 – Torres

virando a página

Minhas confissões lotadas de lacunas: imediatamente preenchidas pelas tuas cartas, tuas reflexões. Hoje justificas a gritaria que fazias com tua mãe: teu pai te maltratava com o descaso, desamor. Pesos se faziam necessários. Ele não me ama, ela carrega a culpada. Sou a complicação destes desafetos. E troquei temporariamente de mulher. De casamento em casamento para acertar os enredos das solidões. Nenhum copo de cerveja resolve, mas as mulheres se apresentam, generosas e tolerantes. Eu sobrevivo. Cem estes acertos de amor, sou um pai distraído. Nada fácil nem natural. O modelo da mulher de plantão serve para que eu preencha as necessidades. Quase sempre as dela. Se ela gosta, devo estar acertando. Não questiono o departamento. Reparo no corpo flexível nas roupas combinantes, no carro funcionando, e nos cabelos espichados e compridos / definem o feminino / mesmo que a voz destoe e tenha modos masculinos ou sei lá como descrever. Ela entrou no papel de minha mulher, convicção musical. E tu me perguntas sobre felicidade? Eu proporciono todos os prazeres de consumo que ela me impõe…Não é ótimo? Ah! Comprei um carro novo. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2024 – Torres

envelhecer

a boa definição sobre explicar / escrever sobre esta coisa aborrecida: envelhecer…

pronto, terminou o fazer antes da hora, agora, posso levar toda a energia para o sonho.

sonho de abraçar, beijar o amado,

esquecer dia ou noite, e rir

um cálice de vinho ou só o perfume da noite.

surpresa!

agora há coisas que você não pode fazer mais!

sou tu / não você

por que voltar aos pronomes? alterar o que será / não o planejado,

surpresas – um dia depois do outro: abrir os olhos = viver.

“Envelhecer já é por si só um destino!” Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2024 – Torres debruçada na leitura com Robert Musil

renovação

Tem uma pressa mental que se ‘agarra’ na renovação que pode ser perigosa… Perigosa para o pacato e ‘arrumado’ da vida. Explico. A idade chateia / criança quer ser adulto, atravessa a tal adolescência esquisita e ‘pumba’ / sou gente grande, e agora? Etapas. O envelhecer junto com a consciência… E longa vida. E lá vamos aos tropeços com dúvidas e alegrias. Secando lágrimas e inventando. A tal invenção esquisita… Eu exercitando os músculos, abrindo a rotina, ah! minha boa e conhecida rotina, acerto horários, sacudo a preguiça e coloco no varal a nova energia… Sei lá qual apressada avaliação posso fazer. Arregalo os olhos! Cuidado para não esquecer o óbvio. Meu amado querido! Não posso esquecer de te pensar. E te escrever. Amanhã. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2024 – Torres – vou entrar nos detalhes desta vida nova e me debruçar para te te ver, ao menos pela janela… Como posso ser assim estabanada? O óbvio? Vontade de te beijar,

achas que eu disse coisas que não disse

Eu não as disse. Esclareço. Você sabe como os sonhos se abrem. Sabe, quando sonha, às vezes: você já esteve ali, já falou com aquela pessoa, ou… É como se a gente reencontrasse a memória. Os sonhos se abrem meu querido. Assim, embora tão perdidamente perdido eu lembro. E volto / retomo você, enterro o pronome tu / ele. Passei a usar este pronome depois de o teres sublinhado. Bom gaúcho! Eu sou uma boa carioca, ou paulista, um gaúcha que você. Tanta desenvoltura… Tu me tiraste o você. O sua desenvoltura se esconde na nomenclatura. Você sabe como os sonhos se abrem: dominam, voltam, dançam. Neles, você e eu, Búzios, Buenos Aires e a ladeira que atravessas em Porto Alegre… Ora, meu querido, sempre foi você na estrada por Torres, nas idas e vindas e nos mimos. Reencontrar a memória dá uma força, uma energia menina que me faz dançar nos teus / seus braços e voltar a beijar, beijar e beijar…

Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2024 – Torres (você é a forma mais fácil de tirar a roupa e entrar no mar)

“Agora eu vejo-ouço um mundo em que as coisas estão paradas e as pessoas andam, do jeito de sempre, mas sonoramente visíveis.” (p.507) Robert Musil O Homem sem Qualidades

pó ou pedacinho ou…

Tem alguma coisa dentro da felicidade que se mistura / surpreende. E atrapalha. Define, esclarece e já não é mais aquele vento nem tem perfume, de repente, a definição. Qualquer absoluto ou clareza já estratificado anotado não tem o teu abraço, teu vulto, tuas ideias voadoras de flertar e sair e gastar o sucesso na conquista. E lá vou eu me perguntar aonde estão escondidas, multiplicadas, tuas / nossas exibidas certezas. Partículas, pedacinhos espalhados, pendurados pelas pitangueiras, amoreiras, pereiras, e nas laranjeiras. O teu pomar com limoeiros. E agora as certezas na tua biblioteca, entre os filhos, netos e as gentilezas. Teus irmãos. Que revoada é viver! Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2024 – Torres

existe o meu querido

existe ao meu lado o meu querido, e existe o longe… eu aperto o desejo e faço com que a mágica colorida se espalhe no céu… a conversa não faz sentido, reclamo das generalidades, eu quero saber apenas de ti / não quero derramadas filosofias do que deveria ser ou não ser, quero os teus pecados empilhados e os meus, juntos. trouxe violetas, uma ramo farto, e festejei a sala com flores, e outra vez a música do piano explodiu. dançamos. abri os pacotes das tuas esperanças e misturei com as minhas. somos felizes, que bom estar vivo e ser feliz! amanhã quero o prolongado desejo invadindo a manhã com preguiça, afinal, seremos tu e eu sem hora. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2024 – Torres