a vida se agarra nestas mentirinhas que a gente conta. nada gravíssimo, afinal, elas, as mentiras, tem plateia, testemunhas e etc. conto mentiras pra sustentar a vida como ela é, teatro com plateia e ator ué… acredito na fantasia. todas as fantasias coloridas… Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2025 – Torres
Urgente deve ser falar / falar / falar: viva a terapia da palavra que se derrama na escrita. O pensamento flui como rio… Claro! Existem as margens, (o plural). A travessia. O movimento dos barcos… O movimento. A leitura é rio e travessia. Paradoxalmente, imobilidade. Leio o conhecido, ou escrevo o mesmo. Pode ser gemido, esganiçado… Urgente sobrevivência. O escrito / o pensado, paralisado… Louco, incoerente. E nem mencionar saudade. Saudade tenho de mim mesma. Do que deveria ser / do que deveria ter sido se a escolha fosse outra. Eu, outra. Então, a vontade de gritar! Atravessar o tempo aos gritos, despida de dúvidas. Incrível esta coisa de estar viva e não estar no avião que se espatifa no ar. Nem sentada a escutar intermináveis promessas escondidas num sorrisinho prazeroso de discursar, discursar pipocando no importante. Abriram as pipocas, o milho está saltitando. Um pouco de sal… Que tédio viver na mentira do discurso, na inoperância da fala… Assim mesmo falar / falar / falar dá um alívio imediato. Mesmo na incoerência inocente. Ufa! Eu disse! Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2025 – Ainda em Torres
move o dia a tal da preguiça / se a chuva acompanha… fica selada: não vou ali nem aqui. paralisar / ficar tem preço… eu deveria ir / claro, o melhor é repensar / pensar outras coisas. enfim! mover ou falar ou fazer / equilibrar: verbos no infinitivo.
o outro motiva / estar no mundo agita a imobilidade. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2025
Ao mesmo tempo / enquanto a manhã galopa eu já me recolho outra vez para descansar. Quem desespera no eco das vozes? Aqueles sons a reclamar, aos gritos, por borboletas e pipas. Mundo colorido e morno. A dor precisa acomodar / ceder e dar passagem… Gramado e canteiro querem o cuidado possível. E eu preciso te ver / sentir e te acolher. Recolher teus beijos. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2025 – Torres
Música perfeita / som natural: melodia. instrumento dos instrumentos: passarinhada amanhece lado a lado: humor / alegria e cheiro perfeito: verão.
Fotografo. Absorvo história. Carrego explicações desdobradas, eufóricas. Vida com cheiro de café. Cheiro de sabão e brilho: verão. Agradeço as fitas coloridas da vida. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2025 – Torres
Aparecem e desaparecem. Mistério de viver sozinha e ser acumuladora de papel e detalhes. Mistério misterioso se não fosse também assustador, bastaria um detetive organizador se não fosse o que deixa a pele arrepiada. (risos) Livros e papéis / de repente, um chinelo. Não o par, apenas um, no lugar bem óbvio… Jesus meu Deus! Envelhecer tem muitas facetas engraçadas, não fossem… Nem vou dizer a palavra. Sabemos. Conselhos desnecessários: …, não, não. Nem vou enumerar. O bom! A certeza que ainda detecto o mistério. Faço um bom guisado. Descasco as frutas. Cozinho. E me surpreendo. Elizabeth M. B. Mattos – 27 de fevereiro de 2025 – aniversário da Valentina. Torres
Que tant que je ne serai pas libéré de mon bureau, je serai perdu purement et simplement, c’est ce qui m’apparait clairement pardessus toute chose, il s’agit seulement de tenir la tête haute aussi longstemps que possible pour ne pas sombrer. A quel point cella sera difficile et combien cela absorera de mes forces, c’est ce que prouve le fait qu’aujourd’hui déjà je ne m’en suis pas tenu à ma nouvelle résolution de rester de huit heures à onze heures à ma table de travail, le fait qu’à l’instant même je ne tiens pas cette infraction pour un si grans malheur et que je n’ai fait qu’écrire hâtivement ces quelquer lignes pour m’aller coucher.
Commencé à travailler au bureau. L’après midi chez Max. Parcouru les journeaux intimes de Gothe. Notre distance par rapport à cette vie la montre figée dans sa serenité, la lecture de ces journeaux y met le feu. La clarté de tous les événements les rend mystérieux, comme une grille de jardin calme le regard qui se porte sur des vastes étendues de gazon, tous en nous tenant en respect. A l’instant, Mme X. arrive. qui vient nous voir pour la première fois. (p.73-74)
onda e mar e onda e areia e sal e perfume de colônia e e e e e e, muitos enganchados, perdidos. boas e ruins as ondas desta memória. hoje, literalmente, sonhei com meu pai e minha mãe. ela sorria e feliz, feliz – eu surpresa, emocionada. eles tinham vindo me buscar. ela estava muito tão sorridente! pensei a vida com surpresas, e tantas! pinga felicidade: gotas de estar com os seus / entre os seus. sentido desta / nesta vida: elos, correntes. sonhos, fatias de realidade. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2025 – Torres
Errar ok, a gente erra, e depois? Há conserto ou novo caminho, ou falar no assunto, enterrar… Coisa mais complicada esta coisas de viver. E tomar consciência – saber dos cantos dos tantos mundos… São tantos possíveis! Tudo ao mesmo tempo… E saber dos sentimentos também. A tal possibilidade de discutir as inquietações, arrancar as dúvidas, confessar. E depois? Oxalá os muros se levantem! Tanta confusão! E deixamos de ser pessoas, logo números. Preenchemos exigências! Que saudade do tempo de ser menina sem exigências. Brincar no jardim. Depois ter aquela mãe e aquele pai -, abençoada eu fui. Nasci livre. Pés descalços, risadas e lágrimas soluçadas sem problema. Soluçadas. Era eu sem alma, sem culpa, ou apenas um pecado vivo e livre? Esta coisa de culpa caminhava, mas logo se perdia entre as margaridas, no gramado, ou na calçada. Sempre as frestas da luz eram boas direções. Uns conseguem, outros não. Coisa de sinfonia, da música deste abraço de sons poderosos… Escutar e entender a música, como a gente entende o silêncio. Conversar virou esgrimar. Difícil! Haja maestria e destreza. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2025 – Torres
Depois que a gente envelhece deixamos o coração envelhecer, não para tudo… A gente fica seletivo, deve ser isso. E como!