Atenas, em 411 e 404

“Em Atenas, em 411 e 404, o partido antidemocrático desarmou tanto os pobres quanto a classe média para impor seu jogo. Crítias dependia de uma guarnição de tropas de ocupação espartanas, seus epikouroi.Era para pagar estes soldados que Crítias expropriava os bens de estrangeiros ricos, como Leão de Salamina. O objetivo da casta militar na República de Platão, tal como no Egito, era manter o povo desarmado e incapaz de oferecer resistência a seus senhores.” (p.174) I.F. Stone O julgamento de SÓCRATES – Companhia das Letras – 1988

Esta ideia sobrevive na Carta de Direitos da constituição americana, que assegura o direito do cidadão de portar armas. Hoje em dia esta ideia é destorcida pelo lobby das armas […] mas na época era reflexo de uma experiência que ainda estava muito viva na memória dos homens que fizeram a Revolução. Foi graças à posse individual de armas que os colonos americanos puderam desafiar a coroa britânica. (nota de rodapé)

Platão /Sócrates a história se multiplica e sei tão pouco do que é necessário saber para pensar / escolher e votar. ” Teria havido uma caça às bruxas em Atenas? Teria Sócrates sido vítima de autoritarismo? Como explicar o súbito e incongruente surto de autoritarismo na terra natal da democracia? Ler é um ato investigativo, com certeza. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2024

correspondência / correspondance passionnée

/Clichy/

Dimanche [18 juin 1933]

[Anaïs]

Ce n’est que lorsque j’ ai reçu le télégramme que j’ai pris conscience que tu partais vraiment. Telegramas, chegadas, partidas e saudades: o tempo amoroso de amorar. Je me suis assis dans un café à la Fourche, en proie à d’étranges émotions. Reler / ler correspondências amorosas devolvem o sentimento alerta do amor. Quand je vois des mots comme je parts, au revoir, etc., ça me transperce comme une lame d’acier. Je sais que ce n’est pas pour longtemps, mais, quand quelqu’un part en voyage, cela pose la question d’autres voyages – de derniers voyages. Cela rend immensément et magnifiquement triste. Estas coisas de partir / de chegar / de fazer uma viagem / aquele deslocamento importante que remexe / ativa todas as emoções escondidas. Sim. Eu conheço este ir e vir do outro, e os meus caminhos… Aqueles lugares de amor. ” isso é / se torna imensamente e magnificamente triste” […] Ces conversations avec ton père! Dis-m’en le plus possible, ou plutôt tout ce que tu te sens autorisée à dire à divulguer. Tu te souviens quand je suis parti pour Dijon? Et, comment, aussitôt, nous avons entamé une correspondance, c’était alors Proust et Dostoïevsky? Eh bien, nous y voilá de nouveau.(p.278 279) Anaïs Nin / Henry Miller Correspondance passionée – Cosmopolite Stock – Traduzido do inglês (Estados Unidos) por Béatrice Commengé . Aquelas cartas lidas, relidas. Conversas longas / cortadas e plenas, perto do mar, longe do mar. Perto do amor. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2024 – Porto Alegre

ensolarada e gelada

Porto Alegre avança gelada e hoje ensolarada. Eu gosto / sonho, desejo o urbano. No minuto seguinte, recuo / penso no mar e nas montanhas. Volto ao silêncio quieto de do meu sempre. Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2024 – Porto Alegre

fresta na chuva

cedo nos molhamos, ônix e eu – já sei deste frio que retorna e da chuva miúda que abraça o dia… e as coisas da alma se sacodem e com olhos pesados de sonhos escorrego neste hoje. Olhos pesados de sonhos que mais absorvem do que veem as coisas… pela fresta da chuva eu te espero… estás a demorar. eu te espero, meu querido. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2024 – Porto Alegre

salvar a alma

temos que salvar abraçar a alma, acarinhar e respirar. viver pode ser respirar / primeiro lugar, depois vem o abastecer e acarinhar o sol o vento a tempestade, o amor.

acarinhar! Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2024 Porto Alegre

cinzento, menos frio

o tempo se faz tempo, e as mãos se estendem / entendem.

comunicar / dizer / mencionar ou silenciar, tudo nada muito e tão mais ou menos…

afinal chegamos, no campo, na cidade, na aldeia ou na vila, perto ou longe, não sei. Elizabeth m.B. Mattos – Porto Alegre -agosto de 2024

pais e filhos

filhos querem agradar aos pais, que confusão! pais querem ver/saber de filhos decididos / vivos / donos de suas vidas… e a gente nunca tem certeza, não sabe.

tudo um emaranhado – que confusão! E na verdade, ninguém deve isso ou aquilo / importa é respirar, e, se neste respiro, houver aceitação / compreensão / irmandade no lugar deste laço de descendência… como escreve Cesare Pavese in Oficio de viver

29 de janeiro

A coisa mais trivial se torna interessantíssima, desde que descoberta em nós mesmos. E decorrência disto, que não é mais uma coisa trivial abstrata, mas inaudita de realidade e de essência nossa. (p.146)

e continua escrvendo neste diário:

2 de fevereiro

Se é que somente as conscientizações que coincidem com coisas que já sabíamos (3 de dezembro de 1938) são verdadeiros progressos interiores, então só importa em nós o inconsciente e nele está nossa verdadeira índole e têmpera. O que se aprende na vida, o que se pode ensinar, é a técnica da passagem à conscientização – que se torna deste modo a simples forma de nossa natureza. (p.147)

Esquisitice esta questão das relações.

Eu, e creio que muitos, procuramos não o que é verdadeiro em absoluto, mas o que nós somos.(p.357)

Não resolve morar na mesma casa / que as distâncias se façam, e, seria /sou livre para ser eu… Ser eu importa – sem regras. Elizabeth Mattos – agosto de 2024 – Torres

lucidez

tenho saudade da lucidez de minha mãe e do meu pai; tenho saudade da generosidade, e do brilhante caráter. a inteligência, perspicácia política, opção de vida e cuidado. de ontem para hoje as mentiras e a ganância se debruçam na sesta de frutas e já não sabemos o que colhemos no pomar, ou o que compramos, ou o que alguém, distraído ou não, colocou na mesma cesta… estranho o sentimento que molda a paz e empurra, com facilidade, o conflito. preparei o chá, passei um café fresco, o bolo ficou perfeito, e eu permaneci inquieta.

quero estar na doçura de todas as certezas, em todas as idades, nenhuma é a perfeita, todos são a família. e o jogo de quem seria o melhor, o menos ´perfeito /quem é quem no tempo, não faz sentido nenhum, somos nós de mãos dadas. Elizabeth M. B. Mattos – agosto – 2024 – Porto Alegre, a caminho de Recife com meu amigo amado

respeitado

o vagar necessário / o silêncio, o arrastar das palavras, a não teoria, apenas sentir… como e o quê? aprendo devagar. nestes passos o prazer do quebra-cabeça. e claro, a felicidade. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2024 – Porto Alegre