A última coca-cola.

“Como somos mesquinhos em nossas reminiscências, repudiando os sentimentos virtuosos de nossa juventude e recordando apenas a dissipação irrefletida dos longos dias de verão. Não há sinceridade numa história da adolescência que deixe de fora a saudade da pureza de um quarto de criança, os remorsos e as indecisões de emendar-se, as horas negras que, como o zero na mesa da roleta, surgem com regularidade quase previsível.” (p.65) Evelyn Waugh – Memórias de Brideshead –

Eu colo com farinha trigo e água as memórias do verão em Torres, e volto a tua narrativa que cavou na memória, colou histórias esquecidas e a Lucila voltou, Maria Virginia, Magda e Ana Helena espiou, Nadia se escondeu, Beatriz coroada. Eduardo Merlindo -Kitty linda, Eleonor – ou a lista se pendura pelas janelas…Alcides. OS prenssados, as panquecas de banana, os filés com fritas, e os jogos de carta. Dançar, eu sempre queria dançar. as conversas no Morro do Farol que Nelson e eu prolongavam. Faz sentido mencionar… eram as preciosas lembranças…eu colo com cola de farinha de trigo. Elizabeth M.B, Matttttttos. Torres 2024

nas costas / mundo

Mundo desmaiado nas dores do corpo / não horríveis, dores incômodo – deve ser vazio / ausência, desencanto ou saudade, eu sinto falta. Claro, faço a durona, aguento, empurro o balde, molho as plantas, esfrego os suspiros. Vejo jasmins – florescerão, eu sei. E agarro o livro! A história é boa, o autor ótimo, a descoberta esperta, ah! Surpresa das estantes. Não sei porque as conversas ficam desencaixadas…, sou eu a esquisita. Elizabeth M. B. Mattos – junho 2024 – Torres

beijo chegando

“Um beijo pra ti. Estive lendo um pouco tuas amoras psicodelicamente azuis de todas as cores. Uma viagem por um mundo tão teu que grita, constantemente, para se esfumar na poesia em que vivemos a cada instante. Que coisa ! Nos teus textos, na tua escritura, um constante vislumbre do mistério que és, do que somos. Uma escritura que, às vezes, celebra a ausência como plenitude, a intimidade que intima.” C

Psicodelicamente as palavras voaram por aqui. O dia a brilhar – alegria nossa… Obrigada?! Não… Tudo nosso, de direito, natural neste desencontro achado, apressado.

Devagar, lento o passar do tempo das cartas guardadas: alfabeto se apresenta apressado e fico encabulada. O K e ZM e JOCKC -, as fantasias escondidas no Francisco. Adoro a letra F. Adoro o colorido de flores desarrumadas, amando. Janelas escancaradas e risadas. O violão, canções e desencontros. Fico estremecida, sinto dores no corpo e desconfio. Noites iluminadas, ruidosas lembranças -, mas não durmo de manhã. Conversas desalinhavadas. Sintonia dos segredos. Depois eu me consolo, os segredos nunca soluçam, são segredos. Beijo tímido, encabulado mesmo… Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2024 com sol e colorido – Torres

certo ou errado

às vezes eu acho que está tudo certo, no melhor dos mundos possíveis, depois eu me sinto perdida, solta, impossível fazer sentido.

uma balança de loucura, não razoável: posso te telefonar e tu virias a Torres para me fazer uma visita, conversar tudo o que deixamos nas entrelinhas é o correto. Sim sim, é preciso querer e fazer. Optei em ser livre, e falar contigo, quero que venhas. Elizabeth M. B. Mattos

informação

A pessoa se atrapalha quando a vivência ou a vontade (de acreditar querendo) não agarre a história. A confidência é feita… Emoção choro, certo desespero mesmo, o outro consola. O tempo passa. Neste tempo o colorido da certeza certa desaparece. São as nossas / pessoais que ficam emaranhadas? Não. O emaranhado está nas dúvidas do espectador. Tudo se mistura e atrapalha, acinzenta a narrativa. as cartas, as versões / o documento / a voz… A verdade fica no emaranhado da história.

Quando Iberê morreu ( o meu amigo Iberê Camargo) as cartas eram alvo… Maria Camargo nunca pediu nem duvidou de nenhuma linha / mas, mas mas há herdeiros, embora não tivessem filhos de ideias ou intrigas… As mariposas. O telefone me surpreendeu, um amigo, de certo a minha voz selaria o assunto – perguntou direto sobre Iberê… Era o que eu não diria, ou não era? Achei que perguntaria de todos os amores / não. Apenas do ilustre pintor queria saber. Tive amados de amor ilustres / inesquecíveis, presentes e eternos. Iberê foi amigo, amigo das muitas cartas, nunca se confidencio, nem eu contei histórias. Pintor que conheci no Rio de Janeiro, na Aliança Francesa de Botafogo, amigo do meu sogro, preso em história complicadas que o afastaram de Porto Alegre, mas não era homem de namoradas… O francês. Se alguém quer saber segredos, pergunte em francês. Um idioma amado pode ser céu inferno e infinito. – um amigo ilustre como Carmélio Cruz, Glauco Rodrigues, Danúbio Gonçalves, Vitório Gheno, Jean Lehmans, claro, e Iberê Camargo – esqueci agora as letras, os afetos brotam, não são registros. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2024 – Torres

amoras azuis

amoras azuis, casa azul amorando. menino com os pés enfiados na areia. vai para o mar… mar das amoras, do azul de saudade, cheio de outono. marrom, amarelo: folhas espalhadas. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2024 Torres vestida de cinza.

tesouro este amor: o nosso

Não me perguntas nem o porquê, nem o como, nem o detalhe ou a evidência: enxugas minhas lágrimas, curas as feridas, resolves os atropelos, e abafas minhas inquietações. E a tragédia assustada se encolhe ridícula: tudo resolvido. Consigo dormir uma noite e um dia… Livre! Estou renovada e inteira. Isso não é bom? Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2024 – Torres

querido

meu querido, querido:

Escrever para te contar das banalidades, ou não escrever? O nível das minhas inquietações paralisadas assustam… Comprei chinelos, sim, no plural pantufas quentinhas. No espelho eu me acho ótima, na saudade também. Ao te amar deste amor completo, também… Uma travessa cheia de ideias alegres. Estou a limpar, limpar e desarrumar (risos). Resolves tudo, acertas os meus desacertos, organizas minha vida. Mostras o caminho, e manda flores. Ah! As margaridas! A noite cheia de sonhos lúdicos e a menina acorda! Conviver contigo! Poderia eu viver sem teu abraço? Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2024 – Torres

alguém me disse

Alguém me disse que lembrava de meus olhos azuis, eu pensei, lembra dos olhos que um dia eu quis ter: olhos azuis, cabelos loiros acinzentados. E o mesmo comigo, lembrei de um amigo, amigo de muito muito tempo amigo. A memória veio colorida, com cenário, e conversas deliciosas, jantares e dança, veio com olhos azuis, e ele sempre os teve castanhos. Rimos muito quando depois de 20 ou mesmo 30 anos estas confusões… Bem estes detalhes fossem citados com tanta imprevisão e intimidade. Então, Mauricio confirmou, os olhos azuis são da Virgínia! E o tempo se colocou sério no seu lugar de tempo e doces lembranças. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2024 – Torres – Por que Torres, por que na frente da Lagoa do Violão, namorando com olhos fixos na Serra o Mar… Por quê?