
obrigada
comemos os morangos, tomamos o vinho
o doce aroma do tabaco fundia-se com os doces aromas estivais a nossa volta, e os vapores do doce e dourado vinho pareciam elevar-nos um dedo acima da relva, mantendo-nos suspensos.
– O lugar ideal para enterrar um pote de ouro – disse Sebastian. – Gostaria de enterrar alguma coisa preciosa em todos os lugares onde fui feliz e então, quando estivesse velho, feio e triste, voltar para desenterrá-la e recordar. (p.32) Evelyn Waugh Memórias de Brideshead – São Paulo – Companhia das Letras, 1991
(risos) e é perfeito:
“Imagine-se que a bondade invisível e a distinção de uma pessoa surgissem de repente como um halo de santidade dourado e redondo atrás de sua nuca como nos velhos quadros devotos, embora essa pessoa ande simplesmente pela calçada ou coloque sanduíches no prato na hora do chá: sem dúvida seria uma experiência das mais estranhas e chocantes; e essa força de tornar visível o invisível, ou até o inexistente, é provada diariamente por uma peça de roupa bem-feita!” (p.375) Robert Musil O Homem sem Qualidades

A importância está em colocar, não no desnudar… Acrescentar, sempre. Difícil dizer / falar / ou contar a verdade: há que ser sempre enviesada ou recortada – “uma peça de roupa bem-feita” a verdade. Com certeza, alta costura. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2024 – Torres
álbuns de fotografia / textos e cadernos picotados… o bolo fatiado antes da festa, espaço invadido, loucura vida do outro / preencher espaço / desenhar, a seu modo e jeito, e agarrar. Inventar / engolir o que, afinal, não lhe pertence… verdade, sempre tivemos Torres. os verões cheios daquele sol. apartamentos de um sofisticado sem exibição. pão maravilhoso, mordomias derramadas. o viço de adolescer, casar / dar errado / enfileiras filhos, e, finalmente, estudar. e fotografar coisas empilhadas, livros lidos, textos reescritos e uma saudade sem explicação / não de volta, mas tipo visitação com data certa / tempo definido. Só uma confirmação. A Igreja sabe definir. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2024 – Torres com sol, bastante luz, poda das buganvílias feita e uma exaustão da agitação.

filhos buscam exemplo e se esquecem de reconhecer vitória (adultos vitória) – como de fato são. Os pais, quantas vezes se contorcem na sorte e gostariam / quereriam ser justo aqueles filhos / aquela história. Contorcida narrativa. Esquisita vida debruçada nestes ciúmes escondidos em chocolates, de certo amoroso, curiosamente, estranho atrás de espelho e passos perdidos… histórias que se confirmam estórias com outros pais outras mães e outros sonhos… ou estou equivocada? imagino enquanto vejo. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2024 – Torres

As pessoas cultas que agora encontro não estão satisfeitas. Reclamam de tudo, só veem o excesso ou a insuficiência em toda a parte, a seus olhos as coisas parecem nunca ir bem. […] da exagerada cientificidade e da ignorância, da crueza e do excessivo refinamento, da agressividade e da indiferença: para onde voltem os olhos, ha uma fenda aberta! Seus pensamentos jamais repousam, prendem-se aquele resquício eternamente errante de todas as coisas, que jamais fica em ordem. (p.371) Robert Musil O Homem sem Qualidades
Encostei em ti, sabendo bem que eras somente onda. Sabendo bem que eras nuvem depus a minha vida em ti. Como sabia bem tudo isso, e, dei-me ao teu destino frágil, fiquei sem poder chorar, quando cai. Cecília Meireles / Epigrama 8
limpeza do céu, nas folhas e balanço.
houve um tempo que eu acreditava que ser gentil, correr para fazer, ser solícita e sorridente era a questão… uauuuu!
não era.
na verdade, quanto mais centrados, positivos com as nossas íntimas vontades, que são inamovíveis, mais respeitados seremos.
a vida é engajamento nosso – os outros, são acessórios. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2024 – Torres
“Toda a escolha nos restringe” Zero Hora de hoje… É tudo. (2 de junho de 2024) Não resisti.