trança de sobrinhas / meninas

Tranças bonitas e coloridas / práticas e significativas… No retrato / na foto, as cores dos cabelos sobressaem ao brilho… Por entre os fios palavras amorosas, outras levianas e perigosas. O trançado firma longos cabelos castanhos, dourados e escuros… Para a velha tia, no final da manhã, depois de ir e vir, voltar e puxar a exaustão se completa. Para as sobrinhas viajantes e cheias de pacotes, as voltas encontros se misturam em vozes atentas, ouvidos interessados como se aquilo tudo se nomeasse histórias de família / de amor e segredos, e todas as leviandades que o contar daqui e dali produz excita. As vozes, as histórias escorrem misturadas ao lixo das calçadas, as folhas caídas, uma flor aqui, uma verdade ali e um amontoado de mentiras picantes estremecem as lembranças… Um suspiro, uma risada, então a vida fica toda pendurada naquela trança que fizeram… Elizabeth M. B. Mattos – março de 2024 – Torres

olhos castanhos ternos e doces

Quando ela disse dos olhos, que eram bonitos, e, se demorou na cor dourada / acastanhada: conversa amorosa de mais de meia hora: brilho, gratidão, uma coisa iluminada pairou no amor. Eu já queria que os cabelos estivessem assim ou arrumados, ou tratados, que a barba fosse mais rala… Coisas de ser eu, modificando, pincelando, retocando… Nunca o perfeito do momento. (Esquisita pessoa eu sou, a alegria gorda cheia completa me afoga!)E era exatamente, o perfeito do momento, a beleza dele, e a beleza dela…Aquele fim de manhã – rio sossegado, beleza completa. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2024 – Torres na beira do rio Mambibituba com sol e gentilezas.

mar oferecido

Uauuu! Que mar, que luxo de frescor, que tanto ficar que não deveria terminar! Que delícia! Ontem… Inexplicável! Agradecer a filha e ao neto, o luxo de estar a beira do Mampituba costurando a memória e a delicias: frutos do mar, depois de tanto mergulhos! Elizabeth M. B. Mattos – março de 2024 – Tores

voracidade

Aquela boa e feliz voracidade…Desapareceu também? Eu nunca achei que o sonho da padaria, o pastel da praia, ou as batatas fritas em montanhas… O pão quente, a manteiga, café com leite em caneco, ou todas as latas de leite condensado viradas brigadeiros/negrinhos ou branquinhos deveriam ser vetados ou limitados! Ah! Este prazer! Como impedir alguém de abraçar alguém, beijar alguém no meio do desejo apenas ou porque / porque é preciso não fazer, parar, por ser o correto. Explicar para a criança que brincar ela pode, mas não sujar nem rasgar, nem suar na roupa. Olhar o mar mas não entrar. Ver as flores, mas não colher…Voracidade / vontade / desejo também desaparecem… A droga de envelhecer é assim. O amor termina, a paixão é ligeira, o desejo desconfiado. Estou aqui pensando no livro escrito, feito, impresso, o meu bebê! E depois? O que vou fazer com todo este empenho sem parceiros? Lerei e voltarei a ler os mesmos textos… O empenho do verbo fazer. Faz, termina, não interrompe é o que aconselho a todos. Não deixa de fazer. Descansa, faz a pausa, mas continua, faz, todos os dias um pouco. Termina o quadro, o vestido, o bordado, a vontade, o livro, a reza. Faz o bolo, estica o lençol, toca a empresa. Compra o perfume. Espera. Compra. Verbos bem gordos e poderosos. E no meio da voracidade eu posso me engasgar com o pão, sujar as mãos com geleia e me lambuzar no mel. Comer o feijão com arroz. Correr ou caminhar, para me exercitar. Sim. O dever de casa feito. O livro impresso. Afinal pronto. E quem vai mesmo ler o meu livro? O livro que eu escrevi? E agora, faço o quê com ele? Distribuir aos amigos? Doar nas praças? Deixar no balcão da padaria? Não posso. Ler em voz alta na calçada? Presentear no Natal e na Páscoa? O que vou fazer com o livro que escrevi, preparei, editei. Ah! Os amigos… Se eu pensar bem os amigos já leram, os pobres! Deram retorno. Alguns não, mas comentaram as fotos. Bom que coloquei fotos! Assim descomprometo do texto. Eles abriram o livro… E a minha voracidade tem um fim. Elizabeth M. B. Mattos – março de 2024 – Torres graças! sem aquele calorão fervente… Só estou com expectativa, pequena, de que me escrevas! Ainda sou voraz quando penso em ti.

crocodilo ou lagarto

Não se pode olhar de muito perto, estranhezas… Lupas definem. Definem? Temos tantas possiblidades! As estranhezas do nosso olhar…Eu me surpreendo. Não enxergar, entre tantas perdas, pode ser a pior perda… Eu não sei. Perder é uma chatice, não importa, tenho certa dificuldade. Há quem não tenha. Jogar… Talvez cartas, golfe ou tênis, ou futebol, vôlei. Jogar implica em perder. Perder é tão importante quanto ganhar. Particularmente acho perder uma chatice. Que horror! Bom, mas o foco é pensar em crocodilo ou lagarto… A pele vai ficando assim, transforma-se… Crocodilo e lagarto nasceram com este aspecto geográfico nosso…Enfim! Vamos comer chocolate. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2024 – Torres

desordem nesta ordem

espelho, reflexo, contexto neste texto do mundo: mundo? desencontro e textos inacabados… bem, o mesmo do mesmo. inteligentes somos, reagimos neste agir espreguiçado de nada querer, apenas estar, usufruir… nem os pincéis servem, todos os lápis, os potes com chocolate, as datas festivas dos abraços. Nós, os mesmos lerdos de sempre…preguiçosos? minha ordem diária é minha desordem constante: arredei móveis, renovei o impossível com o mesmo, aqueles arranjos das camisetas em baixo das blusas e as blusas colorindo as saias… nem a moda se inventa mais tanto é tudo tão rápido, comemos o melhor feijão com arroz, os bifes com cebolas e ponto final. quem ensinou o quê? Elizabeth M.B. Mattos – março de 2024 – Torres em ritmo de encontro a ser rejuvenescimento…de certo o mar veio se espreguiçar aos meus pés.

trágico ou cômico

somos as duas anciãs / uma cuida da outra /nem sempre uma escuta a outra / então fica lento, engraçado… uma não deixa a outra dormir, duas tem sono, duas não tem sono… duas tem fome, mas não para comer qualquer coisa / tem que escolher… por quê?

renda

Fragilidade no/do corpo – uma renda. – Pode ser resistente, ou frágil, linda, forte? Aonde a beleza? ‘Interno, por dentro, a ‘loucura’ do pensamento… Avanço retardo, estranha sensação, vontade de ser ‘visitada’ por dentro, por fora: exame médico. Revisões, certeza de que tudo está bem, ou muito bem: o medo retarda visitas regulares aos médicos, atraso emocional… E penso na renda, as rendas preciosas rústicas, e as delicadas e perfeitas… O corpo como uma renda… É o momento de repensar / revisitar e desejar a coragem / altivez da juventude! Medo covarde deste envelhecer…O vigor do corpo importa! Qual será a nossa medida? Elizabeth M.B. Mattos – março de 2024 – Torres

convicções

“Tenho podido viver de acordo com minhas convicções. Politicamente, acredito que não pode existir uma sociedade decente sem liberdade de crítica: a grande tarefa de nosso tempo é uma síntese de socialismo e liberdade. Filosoficamente, creio que a vida do homem se reduz, em última análise, a uma fé – cujos fundamentos estão além de qualquer prova – e que esta fé é uma questão estética, um sentimento de beleza e harmonia. Acho que todo homem Pigmaleão de si próprio. E em recriando a si próprio, bem ou mal ele recria a raça humana e o futuro.” I.F.Stone

Pigmalião, é uma peça teatral escrita em 1913 por George Bernard Shaw, que conta a história de uma mulher do povo transformada em mulher da alta sociedade. A peça conta a história de Eliza Doolittle, uma mendiga que vende flores pelas ruas escuras de Londres em busca de uns trocados.

Pigmaleão, na mitologia grega, foi um rei da ilha de Chipre, que, segundo Ovídio, poeta romano contemporâneo de Augusto, também era escultor e se apaixonou por uma estátua que esculpira ao tentar reproduzir a mulher ideal.