Chuva chuva e chuva: novidade espalhada. Haja coragem de se mostrar o /por inteiro: lacunas da memória… Logo teremos eleições, enfeitadas e desgastadas: surpresas não particulares ao Brasil, estamos todos ajoelhados, rezamos, nem sei bem se temos fé…Talvez eu possa voltar a ter fé, tão inclinada eu fui a certezas! Íamos a missa e sabíamos latim. Regra importante: trabalhar. Resolvi abrir um curso / orientação e debates = textos. O que serão estes ditos textos? O pensamento e a conversa por escrito. Elizabeth M. B. Mattos – março de 2024 – Torres
Noite de doçura especial: hora de caminhar e atravessar as calçadas, agora silenciosas e frescas: mundo ideal. A beleza da lagoa, as garças se acomodam e a passarinhada dorme. Céu estrelado embora tivessem ameaçado com temporal, e, eu, assustada, fechei escotilhas, limpei / lavei o barco. Recolhi as velas, abasteci, e esperei a chuva que traria o calorão silencioso… Noite verão! Amanhã conto detalhes do asfalto, dos novos gerânios e das roupas nas cordas da lavanderia, gavetas perfumadas. E a Páscoa caminhado nas pontas dos pés… Elizabeth M. B. Mattos – março de 2024 – Torres (dormir dormir é preciso)
Perdi o gosto da memória, da saudade… Um nada no abafado verão. urgência de ser agora, mas, o peso das passadas, pequenas caminhadas, deste hoje verão, sem mar… um engasgo. Tua visão da Vitor Hugo se mistura com a ideia de envelhecer, ainda estão por lá os jacarandás? Ou serão todos engolidos, aos poucos, pequenas mordidas, sem mastigar… Nem penso mais, um buraco, um nada. A espera de um estrondoso silêncio apertado. Um beijo. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2024. Torres – este mês irei a Porto Alegre, atravessarei meu cansaço crônico e irei ver /visitar a rua Vitor Hugo, como tu… Eu, desavisada, nem me surpreenderei das mudanças… oxalá possa chorar de tanta saudade e me veja sentada no muro esperando o tempo passar.
Descabelado, sem cabelo ou… Sei lá como explicar. Acompanho o que anda, o passo das dobradinhas, ou será que correm? Ou se perderam nos círculos? Estão telhando os projetos? Colocando telhas… Amargo ou doce parece tão surpreendente!
E o silêncio amigo? O chá, o café, o calor que aperta satisfeito? Desanimo, nem digo nada… Eu quero, mas não me mexo. Para não mencionar a depressão vou empilhando os livros, compro bananas, e faço listas. Troco os móveis de lugar. Ah! Minha amiga Magda sempre encontra solução em se tratando de casa, arquiteta, pronta sabe num lance rápido que a cadeira com orelhas ficará melhor naquele lado da lareira e o tapete não deve sair de onde está… A mesa nova, um excesso, mas as cadeiras se apertam bem e quando estivermos juntos, estaremos em roda festiva. Comprei flores. Outras que não sejam as do campo… Outras. E as folhagens, protegidas se refestelam no verão…O verão das tuas confissões e dos teus beijos! A menina escabelada, sou eu a te amar. Tão bom que abraças! Elizabeth M. B. Mattos – março de 2024 – Torres
amor é um tropeço: o amor é engasgo, um corte, é completo e tão intenso na finitude – acho , penso, imagino que nunca soube definir, mas se define na alegria ligeira e ativa que nos faz ferver: uma fogueira cheia de fagulhas e carvão e luz, luz…, quanto tudo é tão obscuro, escuro e impossível. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2024 – Torres quando o verão se arruma para terminar… eu te amo
P.S. É a Ales Jon Fosse – livro extremamente perturbador
…,talvez a imobilidade, o tal cenário que não muda, ou a expectativa. Sei não. Sei sim. O que eu digo, e, ou, penso importa só pra mim mesma. Vou falando / dizendo, explicando, pensando e escrevendo… Coisa de vício / de entrar no buraco e ficar. A tal famosa caverna, tão comprometida caverna! Melhor não é citar, vamos pensar noutra coisa… Não o que Rousseau fez, mas bah! Ter um castelo, ter um jardim, floresta e distância com mordomia?!… É bom! Nascer do lado certo e aquecer o pensamento, ou melhor, dedicar-se a cabeça / esta coisa que temos em cima do corpo, que… Sim, a cabeça. Que deve ter cabelos e certa celeridade… Enfim! Pensar. E a tal da leitura, não por obrigação. Quem sabe pra alienar mesmo, e não dizer o óbvio. O óbvio atrapalha os outros… Conversar sobre batatas e cenouras e cozidos, ou contar como é a cama de noite, não. Cuidado com o óbvio. Aí você se dedica a comentar / coisa modesta / poderia ser picotar os livros lidos. Enfeitar a leitura com beterraba e alface picada, cebolas… Dar aquela ajeitada para ver se o outro / o amigo / o curioso / ou até o desavisado leia. Tá. Pescou o peixe, ficou com pena, jogou de volta ao mar… Bem, tá tudo onde deveria mesmo estar, em lugar nenhum…
E súbito chega o interesse e a conversa começa: ouviste a notícia?…, que horror o que aconteceu com o rapaz q foi entregar a comida. A lei?! Passa ou não passa. Alguém escandalizou em Portugal numa ênfase desnecessária. Dizer o que pensa? Não. Dizer o que é possível dizer… Parece que a conversa vai ser interessante. Eu me animo. E aí vem perguntas. Perguntas estranhas: tu tens um cachorro? compraste o livro X, lesto o Y? vendeste aquele quadro? viste o fulano hoje? ontem? O que tens comido? Macarrão?… Elizabeth M. B. Mattos – março de 2024 – Torres
Esqueci todas as respostas, ou quem telefonou esqueceu que sou eu do outra lado do fio… Ah! Memória é coisa esquisita, assustadora… Memória? Ou o completo desinteresse das pessoas umas pelas outras?
Saí há pouco no pátio, molhei as plantas. Depois fui tomar café debruçado no portão da rua. Ter um pôr do sol todo rosa, com uma lua crescente (em libra). Tua carta me fez muito bem. E muito mal. Compreendo tudo o que você diz, são coisas que me digo, também. Mas há uma diferença entre você saber intelectualmente da inutilidade das procuras, da insaciabilidade – vixe, que palavra! – do corpo e conseguir passar isso para seu comportamento – tornar ato o que é pensamento abstrato. Os caminhos são individuais / intransferíveis. Meu problema maior é a minha própria moral – ou a que adquiri através da educação, da sociedade, não importa. Meu problema é que tenho dentro de mim, muito claros, os conceitos de “moral” e “imoral”. E que cada “imoralidade” que cometo me deixa um saldo enorme de culpa, de amargura, de sofrimento. Não encontrei Deus ainda, como você. Ele não veio até mim – e digo isso lembrando de um provérbio zen: “Quando o discípulo está preparado o Mestre vem a ele.” Ainda não veio. Ainda não estou preparado. Mas estou mais tranquilo. E percebendo coisas: a memória da gente é safada: elimina o amargo, a peneira só deixa passar o doce. Então eu tinha esquecido que esta cidade te cobra preços altos. Ela é uma mulher ( ou um homem) belíssima (o) que se oferece, tentador, como se amasse, te envolve, te seduz – e na hora em que você não suporta mais de tesão e faria qualquer negócio, ela(e) te diz o preço. Que é muito alto. Quanto a mim a aconteceram – algumas tragédias do coração. Diálogos ridículos, tipo és um mito para mim e eu dizendo […] Caio Fernando Abreu – sábado, 2 de março de 1996
ah! as cartas! sempre trazem uma verdade de pimenta, ou açucarada do momento, um abrir e um fechar, tudo ao mesmo tempo. Houve o tempo manuscrito, apressado, e a carta escorregava numa emoção qualquer querendo uma resposta, um beijo, um aconchego. Nem era carta, mas um desejo de retorno. Uma pressa para chegar no outro que estava mesmo do outro lado, na outra cidade, no outro país… ah! Se era longe a gente cuidava um pouco mais a carta, mas aquela luz iluminava /ilumina um desejo forte nosso… as cartas em comprometem porque revelam um minuto, nunca tudo. o beijo, o abraço, o desejo está, certamente, picotado. Eu sou apaixonada por este esticado elétrico da fala /comunicação / dizer pelas cartas. as histórias se definem nas entrelinhas numa emoção q não está explícita mas tão evidente! eu guardei esta matéria da Zero Hora sobreo Caio F.
a sequencia vai ser censurada, então, não escrevi / transcrevi. censura é modernidade com direito a punição das bravas…, então, confesso, tenho/sinto medo. Mas sempre deixo um rastro…Quem se interessar tá lá ZERO HORA, sábado, 2 de março de 1996 – eu, encolho o meu eu, e… Elizabeth M.B. Mattos – março de 2024 – Torres
” Era real. E feio. Alguma coisa não estava mais lá. A alma? Pode ser.”
um jeito leve…despedida deste calor exagerado? nem tanto… verão é verão… talvez o frio agarre e castigue. o que pensar? livros enfileirados e decepções bem postas, polidas, ordenadas! vida a viver e a escorrer. boa comida! prazer engatado na boa culinária das saladas, dos petiscos e dos chocolates, o bom pão, a manteiga perfumada, as batatinhas gulosas! e aquele assado com bacon, cebolas e alho, pimenta, colorido… arroz, o mágico arroz com passas, nozes e verdinhos brejeiros. É o sábado, o domingo a pensar bolos para o chá. ah! viver a vida é bom! Elizabeth M. B. Mattos – março se preparando… Torres
ah! estes encontros recheados… depois a depressão entrando.
num minuto, o teu olhar / tua atenção, tua ausência define o sentimento
emoção no tato /contato: o encontro define… ah! não desperdiçar! pode ser lento, arrastado, o poder no lugar certo.
o que eu penso? único quente pleno, desejo te encontrar, tocar, agarra.
a vida, ah! este efêmero da vida! não se consegue pertuar.
agarra, agarra, faz acontecer… no mar, na areia, no vento, neste agora. eu amo.
depois, depois é mesmo perder, ou errar, ou correr. não importa chorar, não importa. importa agarrar… porque a vida é mesmo para viver. Elizabeth M. B. Mattos – março de 2024 –
gota a escorrer… vidraças fechadas, mas gosto, ou foi olhar? o carro abarrotado de pacotes, de fetiches, e não todos. amontoam-se prazeres na cadeira e também por cima dos lençóis. todas as vezes que eu exercitar os braços, as pernas e o sorriso, acertar o exercício as flores cobriram as escandas e o perfume contará os dias. Elizabeth M. B. Mattos – março de 2024 – Torres sombrio, cinzento, silencioso e limpo