ponto

possibilidade idade

possível

namoro

descoberta e luz

encontro

todos tudo agora

o teto / a casa

ponto.

ano a terminar

João aniversariar Pedro inquieto Joana envolvida Luiza atenta Ana Maria solução. Lucas presente João a desejar, aniversariando indo a despejar luz, devagar. apressada Valentina menina.

anos dos vinte e quatro: anos pares.

dezembro de 2023 – Torres –

lento difícil complicado

devagar / difícil, aos poucos, tão devagar! por que difícil?

cansada / cansado envelhecer… 

a memória escapando, derrapando.

sem memória a estranhar o tempo cinzento

vai ser azul, mas…

escapa difícil, com vagar / bem lento / aos poucos / sem lembrar.

esqueço de acordar.

atordoada e bonita revoada…

complicado. Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2023 – Torres

eu te amei muito

eu te amei e ousei, eu te amei. a paixão me permitiu seduzir, e ser nós. nossa juventude na liberdade deste amor entrega / sem ou com vergonha, sem pudor,

tantas chegadas / encontros / extrovertido, campeão. teu rumo, teu formato direto e lúcido.

tua lucidez sapateia na minha fantasia de te amar de amor,

seria tarde correr ao teu encontro, seria tarde rir e dormir ao teu lado e acordar cheia de sol nesta noite de amar o amor. JCKCLEBM pelas letras do alfabeto, sem pudor eu te beijo outra vez. Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2023 – enquanto sou a mais velha…

…para nascer nasci, para conter o passo de quanto se aproxima, de quanto me golpeia o peito como um novo coração tremente. Pablo Neruda

secreto, secreta memória escabelada…

Pablo Neruda – Para Nascer Nasci – Mulher Remota

só tu cabes, neste momento, no meu coração para me acordar, ou me fazer dormir nestes desejos secretos de voltar a ser nós.

tu és o meu homem remoto… estou a queimar os pés nas calçadas do tempo, eu te persigo, tu te escondes, eu te encontro, toco, e me surpreendo. os poemas da tua memória, a voz, ah! temos o vivido – para a vida vivemos e sempre teremos um ao outro. Neruda canta, e a surpresa mágica de ser poemas tua memória. a voz embala, presenteia a turbulência de ser possível a vida… obrigada. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2023 – Torres

enroscada / embalada na distância de estar tão perto neste longe…

falta um presente

falta, falta, esqueço… lembro, mas o abraço não chegou, nem o beijo. saudade gorda, feliz, animada… sempre falta um pedaço do Natal que não festejo, mas tem a m o r flutuando! Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2023 – Torres

por que não casei com Marco?

não posso, não sei, ainda responder. os olhos tão azuis! o mundo tão único, perfeito. e aquele futuro aberto. mas, ele tão bonito, próspero, único, eu? eu tinha três filhos, sempre tive filhos… tenho esta sensação. nunca conseguir ser pessoa antes dos filhos. claro! eu depois me casei, depois do Marco. casei com um homem que já tinha dois filhos, e depois de bastante tempo juntos, foram sete, ou oito anos? resolvi que teria mais um filho, aquele filho do sonho, aquele que eu não tive… (risos) aquele que não teria olhos azuis, mais veio com todas as minhas certezas. e fui feliz para sempre. (risos) não, acabei me separando sim, e trouxe minha mimosa (a filha) para Torres. Torres nasceu! Consolidei a certeza de que ser mãe e ser gente e ser livre era o que importava. Dona do meu destino a trabalhar, trabalhar, e, às vezes, comer feijão com arroz,

de manhã

de tarde e…

de noite.

achando engraçada a festa / e nós ríamos.

agora tá tão esquisito?! os dias são grandes e pequenos ao mesmo tempo. o país desaba pela ladeira e se desmancha no mar, no tufão da loucura. tudo bem. tudo bem, a vontade, o desejo cego… como explicar? e o tal do dito tempo aperta os braços, tira o sono, faz bobagens nadando na ansiedade, não tenho mais cabeça? virei precipitação? erro mais do que acerto. enfim!

agora tá chegando o Natal, teu aniversário, tuas alegrias, tua renovação, é melhor mesmo que eu festeje e fique bem. dá um abraço, também aquele beijo fundamental, e corre pra viver a vida, mas vai sem pressa (risos). Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2023 – Torres

devo ao Marco a Itália (Modena) Uruguai, Argentina e São Paulo e o Rio na Prudente de Morais. devo a ele meu reinado de princesa e a leveza perfumada da praia de Ipanema! devo ao Marco esta memória de ser feliz… e tanto! a boa literatura internacional, tenho que agradecer o tempo… o lazer, e claro, as boas massas, os queijos maravilhosos, e os mimos italianos! a lembrar me dou conta que quando temos vinte anos somos estabanados, aos trinta vivemos em euforia como que embriagados.

passo compasso

tem passo costurado, como sombra… penso em Peter Pan / histórias de não querer crescer / histórias. apenas ser / navegar na aventura de querer bem / amar, apegar / saltar de um lugar pra outro, então, isso também desapegar: estranheza da vida / seria o sabor, o gosto… não é exatamente viajar, ou espiar / olhar, antes de mais nada sentir… Elizabeth M.B. Mattos -dezembro de 2023 – Torres

o inesperado é sempre uma ameaça

livros recheados, lotados de velhas e novas leituras, então volto a citar / sublinhar por que, porque é porquê.

“- Mas a impressão de um contato pode durar tanto tempo assim? – perguntou Constance de súbito. – A senhora o sente até agora…- Oh, madame, que outra coisa pode durar tanto? Os filhos crescem e nos abandonam. Mas o home, ah! Mas mesmo isso os corações duros querem matar na gente: lembrança do contato. Até os nossos próprios filhos! quem sabe das coisas? Nós poderíamos ter nos separado, mas o sentimento é coisa diversa. Melhor talvez seja não gostarmos de ninguém. Entretanto, sempre que vejo essas mulheres que nunca foram aquecidas por um homem, tenho a impressão de ver corujas, pobres corujas, por mais que se enfeitem e corram atrás da vida. Não. Nada me faz mudar de ideia. Não tenho grande respeito pelo mundo.” (p.188) David Herbert Lawrence O Amante de Lady Chatterley – fevereiro de 1972 – primeira edição – Editora Civilização Brasileira , Rio de Janeiro – direitos cedidos a Editora Abril – volume 33 – Os imortais da literatura universal – (apenas um recorte) – a leitura tem idade, verdade…

tempo em que o amor nos ama…

diz / canta / raconte uma canção francesa de Charles Trenet Ma route Enchantée: o amor nos ama, naquele tempo…

o amor nos ama e não termina. com certeza o sentimento nos cerca e abraça, Francisco e eu nos encontramos no meio desta onda da juventude. se penso, eu me digo e ele se diz, éramos nós crianças, nós adolescendo (crescendo) e adultos. deste tempo esticado temos saudade. da rua, dos brinquedos, éramos nós. era / é nossa história, a magia da rua Vitor Hugo embala nossas histórias, todas. somos nós a pensar… e nos reencontrar. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2023 – Torres

ansiedade embalada de expectativa e vagares, pois é, tudo muito tão absurdamente lento e indo e voltando, somos nós. ainda é tempo do amor nos amar – a querida imagem hoje na saudade do passado – eu menina.

Porto Alegre – Ipanema – casa do Rubens Menna Barreto Costa