extravagância confetes coloridos…

ah! extravagâncias! excêntrico pensar… afinal está tudo resolvido com tanta antecedência! igual não desisto de pensar, equacionar, tomar posição, como falar é proibido, eu não digo, ninguém diz sim ou não. silencio. não ligo o rádio, nem a televisão. o jornal está fechado…vou escutar um piano. já sabia de tudo, sem conclusões. o errado, o certo. será que a gente sabe?/ ou sabe. o que eu quero? sorvete no café, ou café com leite? leite com chocolate? ou chocolate no café? um pedacinho ou em pó… pois é, não sei. Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2025 – Torres

fotos de arquivo – fatos do recorte – recorte das certezas e tudo tão absurdamente incerto. silencio… silencio / ou silêncio? NÃO SEI! ainda E.M.B. Mattos

sorrateiro…

09 de setembro (09)de algum ano de 19 49 / 1959 ou 1999 ou apenas 1946 que resulta em 79 anos, setenta e nove anos em nove de nove…sou eu festejando com as rosas, margaridas e tempo… Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2////0////2////5 Torres

dosimetria

o que importa? o que importa a presença / a resposta, ou negar ou afirmar, encenar neste teatro? está tudo feito, antecipado, concluído, só a fantasia daria um ar de carnaval: palhaço, arlequim, coroa de ouro, pedras preciosos ou espinhos? os carrascos, usam mascaras, assim agem os executores. a plateia, o publico se diverte com guloseimas e danças / dia de praça pública. assim decapitaram Maria Antonieta – quase distraída! largou as bonecas e foi para a forca. Os livros de História contam… Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Torres

enredo contemporâneo

Meu querido amigo, estás longe, mas te sinto perto. Pensei nos espetáculos! Queria tanto ter a tua opinião / teu entendimento para este espetáculo! Teatro / atores / vilões e heróis. Palco e plateia. O fantasma da ópera trouxe paixão / ciúme. Gaston Lerou / o Duc d’ Anjou, deixou um rastro. Quem não se deliciou com a ópera / música e tudo? Estes eram / foram / serão o deleite. Hoje o teatro perdeu o encanto, ou melhor, entrou no nosso cotidiano como / como / feito julgamentos com cadafalsos / solitárias… Tens assistido aos espetáculos? Reis enlutados na vaidade, com suas capinhas negras! Vaidade é a palavra / sucesso e brilho de um agora / instantâneo cheio de brilho loquaz. As togas: veludo e cetim de outrora. Pasmo! O espetáculo segue. Estou fascinada assim mesmo. O teatro sempre foi / será o ensinamento… A verdade possível. Este é o nosso HOJE, o possível silencioso de assistir, quase sem curiosidade ou impacto, por compromisso com o dia… Vamos aos julgamentos, de certo para apreender. Sinto tua falta, volta logo. Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2025 – Torres com vento…

gotas de saudade

Querido amado: fico a repetir o tamanho do meu gostar: quantos centímetros de saudade? Um metro de sonho, ou, não sei… Cheiro de primavera traz doçura. Estás a chegar. Na meia luz do entardecer teu abraço, teu beijo, teu carinho. Vou acordar. Não preciso de mais nada, nada vezes nada, senão estar aconchegada. Eu vou dizer baixinho, eu vou soluçar nos teus ouvidos a saudade: o silencio do beijo no abraço resolverá o tempo. Te amar é o termômetro da saúde: estou curada, feliz. Esqueço qualquer aperto, ah! meu querido! Não pode ser o antes, o agora define mesmo o tudo. Elizabeth M. B. Mattos agosto de 2025 Torres Ma mère s’affaire toute ja journée, elle est joyeuse ou triste selon les circonstances sans requèrir le moins du monde son entourage par ses humeurs; sa voix claire, trop haute pour le quotidien, mais bienfaisante quand on est triste et que soudain elle vous touche. (p.152) Frank Kafka Journal Intime– editions Grasset -1945

de trás para frente

em frente, sigo, e depois, depois, volto a caminhar, sem pressa, sem certeza, sem vontade, mas sigo. na esquina, o encontro, o possível, o acerto incerto, de trás para frente, com desvios, eu sigo. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Torres

pitada de Anita

Se devo começar pelos noventa anos, ou pelo começo, não sei. Desde sempre quis escrever e contar. De imediato apenas o que eu intuía como fato, mas sempre medo. A sensação de ser vigiada, de perigo, inquietações que, mais tarde, no internato, na escola eram reais. Quem diria que hoje eu ainda teria medo?! Pensar está perigoso. Na verdade, meu pai lia tanto e sempre e ele e minha mãe conversavam tanto e sobre tudo: brilho solar. Apreendi meio encolhida o amor pelos livros / autonomia / conhecimento é (hoje eu sei) a completa liberdade. Minha mãe, mulher talentosa. Viva, exuberante, transbordava o brilho (adoro o verbo transbordar, no excesso o descuido?) Ou… Uma mulher pequena, pele muito, muito clara, olhos castanhos escuros, uma boca larga, e desenhada, bonita. Um rosto perfeito. As mãos lindas, tratadas. Voz cantante. Forte. Desenhava com maestria, letra e desenho… usava as cores. Na decoração (era mestra) – seus estudos a definiam. Nas roupas, tudo o que tocava era especial, arte. Os estudos em Paris a qualificaram. Francês, o português professoral. Inglês, o suficiente para as revistas de decoração, o espanhol agregado / idiomas e o saber. Na Itália, apenas conversou e foi compreendida e se fez entender… Sim, eu me entusiasmo quando defino minha mãe. Está era é a minha mãe. Pela clara, muito branca, a voz do você…, raramente, usava o pronome tu. Inteligente, lúcida. Minha mãe. Conversar era apreender, necessariamente, o novo, o filosófico, o humano se esparramava… Arte. Ela fumava e as pequenas taças de café preto se espalham no meu imaginário. Mulher extraordinária, visionária e brilhante, este era ANITA Alves de ATHAYDE Mattos. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Pernambuco. Porto Alegre. Guaíba. São Leopoldo – Torres – Eu queria comentar das leituras… e o assunto pai e mãe e rua Vitor Hugo e Petrópolis se amontoam e explodem no mesmo tema, minha mãe.

Luiza espiando…

coragem

não basta coragem, nem lucidez nem tempo, meu querido, meu amigo: sinto tua falta. tu ainda tão presente no meu corpo! teu cheiro me sufoca. não és tu como parte da pessoa, mas pessoa inteiro: teu antes, teu antes de menino, teu antes de mim, tu completo a me olhar, querer, e educar. não sei como devo ser / como fazer para que nada termine… e eu, como criança, me atrapalho com teus olhos presos nos meus: mágica de enfeitiçar. por que eu, por que tu? sei lá. muita loucura. a garganta me dói de tanto tanto falar… preciso amarrar o som e ficar quieta, calada, silenciosa e sem dor. o corpo, agora, me dói todo. não bastam os exercícios na academia, o levantar e descer/ segurar os pesos, ou esticar as costas. o comando me deixa tonta. acredito não poder mais seguir, vou desmanchar em pedacinhos pequenos. por favor, coloca tudo no teu bolso e me carrega. se abrires o pacote num dia de sol eu te prometo, vou nascer outra vez. e, eu te prometo também a coragem. faremos tudo outra vez, repetiremos todas as aulas e as vontades se acomodarão, tenho certeza. e logo, o livro do amor estará inteiro nas tuas mãos. não posso desmanchar agora, não podes assumir tudo, vamos dividir, então, nossas vontades e incluir neste gozo os pedaços do passado… vou escrever / vou te receber / vou voltar / vou encontrar a leveza… espera por mim meu querido. não te adiante, não me deixa ainda. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Torres

gosto sabor prazer

prazer do dever cumprido. livre o tempo para nada fazer… usufruir daquela paz gostosa do vazio, do silêncio no corpo cansado. nada mais a ser exigido, nem por mim nem pelo outro. casa limpa, quase perfumada, lustrada. impregnada de capricho e ordem. afinal viver tem o contorno dourado deste prazer. Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2025 – Torres entre sombrio e ensolarado…