coragem

tá me faltando coragem: tem sol, tem dia bonito, tem um tal de calor chegando, tem IA, tem fruta, tem carne, tem dois pacotes de farinha, açúcar, café. tem besteira feito declaração, tem declaração pipocando ameaça, risada e gargalhada. beleza e urso feio. tem cachorro especial, tem beleza esparramada…Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Torres / também tem preguiça, nenhuma, nenhuma mesmo, vontade de caminhar, e eu preciso me mexer.

exibida

Eu sou, não aguento!

Feliz com o tempo conquistado. Vencer, fazer, acontecer, a surpresa do dia, da volta, e do tempo, minha filha! Que bom! Em dia com o dia, o caminho, e a beleza! Ah! Eu acho tão linda a minha garota! Elizabeth Mattos – agosto de 2025 – Luiza, hoje, Recife – Pernambuco

Que os três não fiquem com ciúmes / sou uma eterna apaixonada.

agora no frio

frio / um bom e respeitável inverno. lembranças congeladas, as boas, certamente, as boas. quero refazer todo o caminho, para colher margaridas, claro, e as pedrinhas branca, as tampinhas… houve um tempo em que calçadas eram tesouros, preciosidades. as calçadas nos pertenciam, ralavam meus joelhos, viravam jogo de sapata, e ou plenário de alegria (melhor) e choramingo. estou encolhendo, um medo esquisito, estarrecimento… estremeço, às vezes. não compro rosas embora não venham com espinhos, não entendo… as questões televisionadas atrapalham, eu acho, perco tempo. a novela da politica, os mesmos galãs, e as vozes iguais, promessas e estremecimentos, os mesmos. se o mundo implodir, ou nós explodirmos nasceremos trevos, talvez… há de se acreditar em fadas, lobos e os eternos... o governo do nosso país / o mesmo. velas e bolos / chocolates e sanduiches: servem diariamente. que festa! não termina a banda / a mesma do Chico Buarque. envelheceu o Brasil com tanta festa, esbanjando, festejando, como eu. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Torres, mas podia ser Santa Cruz do Sul, ou o Rio de Janeiro, Rio Pardo, Santo Ângelo, ou Ponta Grossa, não, podia ser Paris.

gosto desta foto

transgressão

toda a manifestação é /ou pode ser /e será transgressão… transgredir sem limite? organizo ou passo de um lado para outro o tempo. busco a lógica ou apenas entendo. quem sou? por que sou? margaridas entram neste meu fazer… revolvo a terra, adubo, rego, observo, conta as pétalas. não existe caminho certo, absoluto, não existe frase correta. ah! as minhas margaridas! não durmo bem como gostaria, mas eu tento entender o sono na noite, fecho os olhos. sigo. caminho, faço o que é preciso ser feito, ou sei lá… faço o sol nascer, a comida ficar gostosa, faço o sorriso do dia, mas não entendo nada. estou a espera, espero compreender, não se trata de aceitar, mas de compreender. por que as rosas não cresceram, e as urtigas invadiram o meu gramado? Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Torres

tirania do literal

vivo a tirania do literal. falar / dizer se transforma em dar um pulo no escuro: perigoso. caminho, e se possível, imagino. imaginação ou lucidez? a essência da ficção é o trabalho solitário: o trabalho de escrever, o trabalho de ler… Elizabeth M. B. Mattos – agosto – 2025 Torres: ainda gelado, limpo e quieto. ruas vazias, hoje, sem vento.

Na Filadélfia, comecei a fazer cálculos que pouco ajudavam, como multiplicar o número de livros que tinha lido nos anos anteriores pelo número de anos que poderia esperar viver, e identificar no resultado de três dígitos não tanto uma intimação da mortalidade, mas uma medida de incompatibilidade entre o moroso trabalho de ler e uma vida moderna superagitada.” (p.199) Jonathan Franzen Como ficar sozinho – ensaios – Companhia das Letras, 2012.

conversa cifrada sublinhada

envelhecer, adormecer, querer e te amar. amor de amar leva os cabelos… a pele, leva junto pedacinhos de memória. certa? incerta. lembro gotas, espio o sol, abro os olhos quando a chuva chega. galopa tempestade e o vento, ah! este vento que sacode vidraças… o sul do rio grande de sul grita, e a moça carioca se encolhe e canta. vida faceira do sol… aonde estou? esta é a Beth Eliza Liza despetalada… Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Torres

migalha

farrapo, trapo, migalha e café. devagar. passo pequeno, dor no braço, pescoço, a boca… vontade esguichada. falo / digo, não sei… não escuto. estremeço. noites esquisitas mal dormidas…perdidas. meu querido, querido, amado. sou eu a te chamar. tua distância gelada, permanente, atrás do teu sorriso. nosso riso. alegria nossa, lenta, lenta e doce felicidade de te amar. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Torres

Há pouco tempo, na primavera passada, Encontrava-me num trem francês com Renata, fazendo uma viagem que, como a maioria delas, não fazia por desejo ou felicidade. Renata me mostrou a paisagem e disse: não é linda? Olhei e concordei. Era verdadeiramente belo. Eu havia visto o belo varias /….varias vezes. Várias vezes, por isso fechei os olhos. Rejeitavam os ídolos plastificados das APARÊNCIAS. Tinha sido treinado, como todo mundo, a ver estes ídolos, e estava cansado de suas tiranias. Cheguei a pensar que o véu ilusório já não é o que costumava ser. A porcaria está se desgastando. Estava pensando no poder das abstrações coletivas, e assim por diante. DESEJAMOS mais do que nunca a vivacidade radiante do amor sem limites e cada vez mais os ídolos estéreis opõem-se a isso. O mundo das categorias desprovidas de espírito espera o retorno da vida. A esperança de uma nova beleza. A promessa o segredo do belo.

O LEGADO DE HUMBOLDT / Samuel Bellow(p.23)