tão complicado e intrincado como parece? tão repetitivo e constante… a gritaria pode ser a mesma em vinte anos, em quinze ou vinte três anos? cinco anos de casada, ou apenas treze? ter dinheiro suficiente, trabalhar bastante… perdoar mais vezes do que amar. arrastar / levar junto / falar mais alto. como decidir o certo? quem ama quem? como é mesmo que a história boa é a bem vivida e, verdade verdadeira, são todas absolutamente mal contadas… o solido são as investidas. a infelicidade coroada de apelidos, de vantagens pequenas / paisagens novas, acervo de praia de / piquenique / barracas e arreia. mar. vamos dar os créditos ao sol, ao mar e as manhãs caminhando pés nas areias. como pode a leitura perturbar, estragar o sono, sacudir a dança, empoeirar a sala. os vidros imundos, tudo com poeira e cheio indefinido. vou colher de botões de rosas. comer um assado bem feito, batatas, arroz e verduras. enfia na bolsa a vontade e caminha; dá uma volta inteira na lagoa / importa. atordoante o livro.se passa na Itália / o mundo precisa ser referenciado, mas DEUS! seremos assim assim tão enlouquecidos? atordoei. afinal viver parece um estado de loucura máxima / e enlouquecer precisa ser diário / comum, com certa continuidade… Marco Frigniani / Modena / RIO de Janeiro, minha terra, por que estou em Torres? não quero mais ficar. Vou para Recife. Com certeza, irei. Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2025- Torres
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soluço
esta coisa de leitura / de gosto ou enfretamento do bom / do gosto… feitiço dos bons livros! um soluço. no meio do parágrafo se surpreende: eu arrepio. o autor fala / sussurra, explica / pensei agora, soluça, depois se atira, volta ao texto, escreve. / revira a alma explica o sentimento, disfarça, inventa o cheiro… ah! passado o inverno chega o momento / a hora de lavar tudo / sou eu e os cheiros. derramo jasmins, converso com o sol, empurro as nuvens… dormir em tardes quentes, acordar nas madrugadas frescas… Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2025 – Torres
FAÇA de conta que digo “verão,”
[…] coloco-a em um envelope, desço com ele até a caixa do correio. Quando você abrir a carta, voltarão à sua lembrança aqueles dias e quanto, mas quanto mesmo, eu te amo.
está tudo dito a cada página, claro, mas eu vou repetir, escrevo outra vez porque te amar / pois é / a certeza de amar a ti e o sentimento foi tão bom! tão completo! sempre é não é? com todos os amores amados é… joga -se tudo para o alto e nós nos jogamos no sentimento… acho que isso nunca mudou / nem vai mudar. talvez agora eu sinta um pouco / apenas um pouquinho menos, mas ainda estou mesmo apaixonada. acho que esta coisa de surpreender acontece e pronto. um beijo / dois hoje, e não te esquece do chá. Elizabeth M. b. Mattos – setembro de 2025 – Torres
Afa! Sandro Veronesi O COLIBRI
Deveria ser de conhecimento geral – mas não é – o início das relações interpessoais é decidido no início, de uma vez por todas, sempre, e que para saber antecipadamente como as coisas vão terminar, basta olhar para como começaram. Com efeito, quando uma relação nasce, há sempre um momento de iluminação no qual também se consegue vê-la crescer, estender-se no tempo, tornar-se o que se tornará e acabar como acabará – tudo ao mesmo tempo. É possível vê-la bem porque, na realidade, tudo já está contido no início, como a forma de todas as coisas já está contida em sua primeira manifestação. Mas se trata, precisamente, de um momento, e então essa visão inspirada desaparece ou é recalcada, e somente por isso as histórias entre as pessoas produzem surpresas, danos, prazer ou dor imprevista. Nós sabíamos disso, por um lúcido, breve momento, já sabíamos no início, mas depois, pelo resto de nossa vida, não soubemos mais. (p.78) Sandro Veronesi O colibri





bombardeio
nem sempre atinge o alvo, o bombardeio, mas o território começa a sofrer, enfraquecer… assim trabalham as ideias, as críticas, os sorrisos enviesados, as observações maldosas… assim, ou fechamos a porta… encostamos as janelas. sei lá! complicado viver / até respirar. Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2025 – Torres
poço existe… água boa / talvez, ou envenenada, também acontece.
convivência preciosa
existem as preciosas e as definitivas. o encontro amoroso do tempo, escada precisa, justa para amizade, certeza e aquele júbilo… ah! viver tem o gosto certo! joelhos esfolados, luz no olhar, o beijo do acaso… tanta certeza boa… encontro sem despedida. Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2025 – Torres

poeira cobrindo as caixas, a mesa / o tempo… tomates / vivos!
cartas escondidas em risadas
Algo flutuava curiosamente bem no fundo de sua risada. E todo a trabalho de teclar, colar, descolar, separar, e a memória biográfica termina numa risada. Estórias em personagens, segredos. Gargalhadas. A risada do gravurista, herdeiro de Iberê Camargo, – Eduardo não devolveu as cartas inconvenientes. Inconveniente? Guardou a seleção das gravuras, e cartas sigilosas…Guardou as temperamentais cartas. Algo flutua, curiosamente, bem no fundo desta memória. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro – 2014 – Torres

exercício fome
like sorry
leve passarinho
no meio do caminho: pedras e risadas e
no meio do caminho eu me apaixonei (risos) coisa engraçada, coisa perigosa e tão bom! escrever pode ser assim, engraçado e perigoso, depois, bem, depois fica tudo absolutamente certo / perfeito / foi dito escrito grafado e ainda se pode apagar, fazer de conta que desapareceu… só fazer de conta porque nada, absolutamente nada desaparece, e aquela coisa de que se transforma, sei lá… fica por ali no ar, na terra, acho eu que não desaparece. as pedras viram pó…as risadas soluços e tanta encrenca! conversar é assim… conversar espalha palavra complica, ajusta. esquisito isso de conversar. Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2025 – TORRE ( tá chegando um calorzão )






