mais ou menos

existe mais ou menos velho?!mais ou menos forte, mais ou menos atento? MAIS ou MENOS matemático… de volta a álgebra? sinais de menos ou de mais? estou aqui atrapalhada na matemática.

acerto ou dou uma volta dentro da volta?

06 de junho / aniversário do meu pai

não sei um monte de coisas / ou sei, penso saber, uma data não move o mundo, moveria? estou esquisita hoje, talvez alguma coisa mais, ou menos, ou muito mais esteja acontecendo. um círculo. sei lá. se fizesse um esforço ou a matemática diria quantos anos ele teria se. se amasse mais ou menos, ou menos dentro do muito. se saudade fosse palpável. se eu abrisse, se eu fechasse. se encontrasse a aliança… voltasse para a rua Vitor Hugo 229. se eu pudesse comprar a casa ( ainda está lá ) se se se se o tempo, se o tempo pudesse me abraçar! se eu pudesse te escrever, meu querido, e te contar como era meu pai, que gostava tanto do teu pai… eu o escuto a falar. escuto a voz mencionando o jurista / ou… ou não importa se sei, na verdade não sei. desenho. desenho. desenho uma árvore, uma flor daquelas com pétalas amarelas, cheia de pétalas. hoje seria um bom dia para dizer: eu te amo. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2025 – Torres

dia 09 de fevereiro de 1968

bateram…

Abri a porta quando bateram. Normal. Não. Eu não abro a porta apenas porque alguém bateu. Estranho, pois não. Eu abro a porta quando eu posso / quando eu quero. Apenas quando o imperioso é abrir a porta. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2025 -Torres

coisas / escritos de Beckett

“Amor platônico, por exemplo, eis um outro que acaba de me ocorrer. É desinteressado. Será que eu a amava com um amor platônico. Difícil de acreditar.[…] Eu pensava em Lulu e, isso não é tudo, já é o suficiente, na minha opinião. […] eu que tinha apreendido a não pensar em nada, a não ser nas minhas dores, muito rapidamente, depois nas medidas a tomar para não morrer de fome, ou de frio, ou de vergonha, mas jamais, sob nenhum pretexto, nos seres vivos enquanto tais ( eu me pergunto o que isto quer dizer ), não importando o que eu possa ter dito ou possa me acontecer de dizer a esse respeito. Pois eu sempre falei, sempre falarei de coisas que nunca existiram, ou que existiram, se quiserem, e que provavelmente sempre existirão, mas não com a existência que atribuo a elas.” Samuel Beckett Primeiro Amor sem página. É um texto-livro objeto de arte e intenso. Como Beckett sabe ser: o sentido é teu, não meu… Coisas de escrever. O amor que sinto por ti é meu, o teu deve ser o que sentes pela vaidade tomada, pela imagem reflexo do que és… Ah! o amor. As explicações que eu possa dar não fazem nenhum sentido. Um dia, uma amiga de muito tempo veio me visitar, Bonita, bem vestida, animada, e, resolveu fazer perguntas sobre meu pai, minha mãe… s olhos brilhavam inquietos: estupefata fiquei, entre duas taças de chá a história da fantasia dela se derramou… Pois eu não estava pronta naquele dia e devolvi o inquérito, o que foi constrangedor. Nunca mais eu quis vê-la. Por quê? Não sei. Não foi um bom momento. Ou sei e não quero contar. Coisas do absurdo. Tão atuais atual! Estou moderna. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2025 – Torres

Primeiro Amor

Samuel Beckett ” Associo, com ou sem razão, o meu casamento à morte do meu pai, em outros tempos. Talvez existam outras ligações, em outros planos, entre esses dois acontecimentos, é possível. Já me é difícil dizer o que julgo saber.” É muito difícil mesmo, as associações passam pela laranja descascada, o leite derramado: saudade crônica do teu besejo (deve ser beijo com desejo). Dos teus bilhetes, agora de tuas reflexões que caminham, passadas (um pé diante do outro, cauteloso) e seguras: vida organizada. Não querido, eu sei, não são organizadas as caminhadas, mas necessárias, não como desejarias… Tu, livre. Eu livre. Como gosto de ter o passo incerto. Virar na esquina e não chegar ao lugar marcado. Peguei o bonde errado. A gente sai por aí a olhar as vitrines e aquele desejo impulso te faz voltar cheia de pacotes, tão desnecessários… Falar pode ser assim, meras e contínuas associações. Não será como cozinhas? Da batata doce, vamos para o feijão que estava de molho, depois os bifes à milanesa. Alface pedindo socorro, tomates fora de época, Por que comprei um abacaxi no inverno. Vou fazer uma farofa. Abrir uma coca-cola. Bom mesmo seria uma caipira e rir contigo. O que estamos fazendo? Desgovernados. Ou apenas dois meninos. Eu diria que me apaixonei pela tua sombra. Coisas de Primeiro Amor -, seria desgovernado amor de amar. Tens razão GJUTW eu adoro o amor, todas as voltas que faz. Estes dias me deu uma urgência de te ver e saber. Pois é, deste farol aonde moro estou no mundo dos sinais de luz… Não te encontrei, mas a luz brilhou e tive as boas notícias. Estás bem. Eu? Daquele mesmo jeito de sempre: distraída, apaixonada, a trabalhar e contar os dinheiros. Que carência este mundo! Depois me dou conta que uma caixa de mantimentos, teu sorriso, tua risada (melhor) faria tudo voltar à festa. Te amo. Que abuso! Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2025 – Torres

porta entrada

tem tanta coisa esquecida… e, paradoxalmente, surpreendentemente lembrada. portas entreabertas para um tempo/período esquecido, passageiro… projetei uma vida, foi uma vida aquele apartamento na Avenida Independência / eu conseguia dizer / fazer e estava trabalhando na Garagem de Arte! foi muito bom. Trabalhar define o quem somos. até hoje não perdoo a forma louca e repentina com que me despediram… depois desta experiência eu me adianto. porta aberta, eu saio. despedir-se antes… sempre antes. será precipitado? acho que vou fritar as bananas. e… Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2025 – Torres

a emoção para o jovem é…

para os mais velhos a emoção tem um custo alto / importa / ‘acontece’ / para os jovens está no varejo, é barata / fácil porque imediata e rasteira? sei lá… custa nada, custa um minuto da vida, vira-se a esquina e já se mergulha noutra emoção…

a emoção para o jovem é barata, a emoção para velhos é cara / assim?

Qual mar?

O tempo não fica de bobeira não, rola ladeira a baixo, fica exausto ladeira a cima. Às vezes descansa, descalço embaixo de um cinamomo. Então / assim a gente tira um cochilo… Porque viver não tem respiro, atenção e luta todos os minutos. Saúde a florir, nunca desfolhar. Sei lá. Atenção! E filhos atentos. Uma enormidade de vida a se esparramar, suar e ventar.

Preciso escrever. Antes, um projeto. Estou feito onda inesperada. Mar manso, mar limpo, mar sobrecarregado, forte, violento, ilustra ou proporciona aquela calma grande?! Tranquilo: um mar destes eu preciso. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2025 – Torres

raciocínio se espraia…

a lógica caminha a colocar o branco no banco, reduz o cinza e impõe o rubro. as questões se fantasiam com vontade e rodopiam… uma valsa? um tango? samba e alegria… consequente? talvez louca, fora do lugar, ou… sentada, exausta, confusa. concordo: bastante dinheiro resolve / aplaca. ou melhor nenhum dinheiro -, bem, tá resolvido. fica o beijo como realidade máxima. no meu caso, o sono e o desejo de ordem e bons cheiros. o raciocínio se espalha e vai a criar outras formas, outros contornos… conversar é dançar com os tambores. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2025 – Torres

caricatura da plástica

deve ser extraordinário se olhar jovem, a mesma, a surpreendente pessoa que não envelhece / o rosto sem sulcos, e a beleza dos seios perfeitos, sem barriga, com cabelos… ah! eu valorizo muito os cabelos! uma vasta cabeleira bem tratada faz toda a diferença! corpo, o corpo magro (segundo a moda atual) dentro das roupas jovens e… pois é. reforma-se o conceito de vida, o gosto da comida…dietas são a pauta do sofisticado: socorro! aonde se esconde o conceito do bom sono, o bom sexo, o beijo de verdade. o olhar de pessoa para pessoa. a boa risada. sem passaporte, com identidade: o caminho é viver. atualmente viver se transformou em consumir. trapacear, janjear por aí. sem trabalhar, politicando no carrossel. plásticas e viajar. ah! acho que o meu conceito de vida… claro! envelheceu. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2025 – Torres, ainda