quem se empenha em respirar, respire… e pode sorrir, ou chorar, mas não tem meia volta a escolha. quando algum encontro é arrependimento / passamos o mata-borrão, desenho em cima, faço de conta que não existiu mas tá lá, esquisita a mancha. viver é coisa séria, a gente sabe…cuidado! Elizabeth M. B. Mattos maio de 2025 – Torres
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o veranico de maio
o veranico de maio coloca tudo no lugar. dá coceira na alma porque, num repente, está tudo como deve ser. vou colher as margaridas e te ver envolvido com os cães esperando o irmão… pois é, sempre tem o irmão chegando pra sacudir a memória. sacudir amores de meninos. eu te digo, meu querido, este juízo bom de estar junto nos salva: bom que estou com vocês! deixei pra trás umas fantasias bobas de pendurar quadros nas paredes e ter ateliê e tintas… vou costurar as palavras e pensar que escrevo. escrevo para que leias e possas sorrir sem mexer a boca, não é dissimulado: sorrir pra dentro. sabes, eu escrevo pra ti, meu amado. um beijo. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2025
qual conceito está no “quero me divertir”
os afins se encontram… no vácuo deste prazer. leitores se encontram com livros, mundanos se encontram em festas, nos bares / festas e convescotes / intelectuais em noitadas filosóficas, músicos nas canções dos violões, praianos na beira do mar / ao sol. os afins se encontram nas suas afinidades. os amorosos se encontram no carinho, os amantes no sexo, os enfeitiçados no fogo. os endinheirados no luxo, os passeadores nos jardins. e as rodas são feitas. os estudantes nas universidades, as rendeiras mexem com as mãos, as doceiras enchem tabuleiros, os pipoqueiros enriquecem as pipocas. mães cercam os filhos, poetas se debruça, no papel e nas palavras. divertir-se é saber certo quem somos e o que queremos… um jogo bom de viver. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2025 – Torres




ela nunca me contou
ela nunca me contou exatamente o que aconteceu… eu? eu não perguntei detalhes, nem para ele, muito menos para ela. certas coisas, a vida nos ensina no silêncio, aos empurrões… o curioso, ainda conversamos, ela e eu sobre tempos idos, mas ela nunca deixa de mencioná-lo com desprezo, ou inquietação raivosa. eu me surpreendo. já se passaram tantos e tantos anos? a esquisitice me surpreende. os anos / estes tantos que vivemos, mais do que meu pai e do que minha mãe, minha tia Joana…pois é, estes anos atravessam a alma e me fazem mais forte, eu quase esqueço… luzes, os filhos, os netos, e me sinto tão viva! eu ainda rezo. abro a porta e, quando vens me ver, sei bem do teu carinho, da tua saudade querido. obrigada. será que as intrigas interessam? sei lá… Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2025 – Torres

…porque me gosto nesta foto que Joana Moog fez qdo fui visitar o primo Cláudio Bohrer e estávamos todos juntos no Rio de Janeiro
histórias se cruzam
Falavam português misturando com árabe, francês e espanhol, e dessa algaravia surgiam histórias que se cruzavam, vidas em trânsito, um vaivém de vozes que contavam um pouco de tudo: um naufrágio, a febre negra num povoado do rio Purus, uma trapaça, um incesto, lembranças remotas e o mais recente: uma dor ainda viva, uma paixão ainda acesa, a perda coberta de luto, a esperança de que os caloteiros saldassem as dívidas. Comiam, bebiam, fumavam, e as vozes prolongavam o ritual, a sesta. (p.48) Milton Hatoum, Dois Irmãos
Bom e precioso escritor. Dor acesa, paixão viva, coisas de escutar o eu, e transbordar na sintaxe. Escrever pode ser juntar letras. Pode ser, mas não é (pensar importa mais). Cito porque escrever me apunhala com a dificuldade – eu, vou a tentar, desanimo, persigo não chego. Agarro os pincéis , escolho as tintas, risco o papel e começo a desenhar… Antes, preparar o papel, mas, antes de preparar o papel escolher a boa qualidade. Depois a cor. Aguada, terebentina, esforço, ou o acrílico. A técnica, não basta. O bonito, não basta, o bom também não basta. Afinal, o que é trabalhar? Produzir? Suponho que seja continuar… Continuar. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2025 – Torres

foto de Ana Moog
(janela pro mar / janela pra lagoa/ janela pra vida)
eu ia contar quantas vezes eu me mudei, quantas eu comecei, quantas recomecei, contei a mesma coisa. casei com o amor amado, com o possível, casei às pressas descasei. rezei bastante. perdi perdão. nunca mais orei, mas estou a rezar o tempo todo. percorri quadras e quadras antes de chegar no lugar certo, e abri a porto do incerto. eu me assustei tantas vezes, eu festejei um milhão de vezes… coisas da vida! viver (começo outra vez, ou é recomeçar?)

pedras se movimentam e a vida rola /muda…
Pedras se movimentam e a vida rola… Este movimento vai desenha o tempo / fotografo objetos e sinto o perfume / odor das coisas, do mundo… será assim? Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2025 – Torres
mães se sacudiram! festa: mirra e ouro de alegria, alegria honesta
viver não é gibi
pois é, assusta
mas eu gosto, gosto e gosto
e ler gibi, bem, eu adoro! Elizabeth M. B. Mattos
limite
fronteira e encontro, cercas: convivência entre países / respeito ao limite. conquista. pessoas espiam, espreitam: amam e depois menosprezam… no sorriso uma lágrima de prazer, coisas de amar.
conhecer os animais / sinto saudade da ÔNIX e repasso o que ela me ensinou / eu me sujeitava? ou apreendi a escuta da atenção… tão complicado… não sei definir, sinto saudade. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2025 – Torres
não parece possível existir guerra / desrespeito, ganância, e logo o beijo / deve ser o perdão – será tudo isso oração?
Cônegas de Santo Agostinho
Papa Leão XIV agostiniano
matemático – eleito dia 8 de maio de 2025 –