outro dia / outro limite, renascer, ultrapassar, carregar alegria pra chegar na energia… preparar a corrida! beijo, abraço, energia… E saudade boa! faz voar… perto! viver é muito bom! Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2025 – Torres
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solavanco
crateras pelo caminho, usar as calçadas um desafio, as ruas, toda atenção! o solavanco pode ser definitivo / ou fatal… fico a lamentar. as ruas e as calçadas eram possíveis, ou já estou na imaginação… ocuparam o apartamento de cima, os feriados, as ditas férias deslocadas, abraços do ano, e estes com chocolate… será que existe mesmo? a surpresa, o gosto, a vontade e sonhos reais? o que eu fazer? receita: o gosto de gostar – boa receita! dia bem bonito por aqui… Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2025 – Torres
tempo remexido

lendo Taras Bulba / Nikolai Gógol – heroica luta do povo ucraniano contra invasores poloneses. cossacos – camponeses russos que colonizaram vastas regiões da Ucrânia no século XVI – o hoje remexido, esquisito, atrapalhado, não sei… direita, esquerda ou nada disso. tu me dizias, gorda! és revolucionária, mas não me explicaste direito. ainda quero te perguntar tantas coisas!
“A ignorância era a ciência predominante naqueles tempos, porque todos estavam afastados da experiência.” (p.29) Nikolai Gogól – 1982 – – tradução de Francisco Bittencourt
bobagem ou …
…ir e cair e tanta risada corajosa! o que quis dizer? vivi tanto! muito, intenso. força com vontade. lágrima depois soluço. susto, destemida. agora, apavorante! sonho sombra. caminhei na sombra de outro sonho. era eu aquela? corri tropecei, errei… esquisito pensar. eu levantei. era eu? era o sonho? não lembro… eras tu. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2025 – Torres

doçura volta, abraça – saudade do abraço? não, das confissões, meu querido / penso, nas confissões do amor amado e no jogo das varetas
e…
…e toda a tensão chegou sorrateira, invasiva. estes sentimentos esquisitos entram e se acomodam como se fossem donos da sala, e vão para o quarto, se esparramam na minha cama, ocupam todos os travesseiros. vou para o chuveiro, deixo a água correr, correr e… outra vez, sinto saudade da banheira. ficar quieta na água. não, eu não tenho piscina, nem terra para cavar, o canteiro de margaridas, eu imagino. imagino as singelas flores sacudidas por boa brisa enquanto conversam… rosas e margaridas, talvez as hortênsias estejam floridas. não sei mais o que escrever, nem o que pensar. consegui desligar, desconfigurar os meus programas na televisão… só aulas de culinária, mas não gosto mais de fazer, talvez precisasse caminhar. sim, vou caminhar um pouco e esperar. esperar o tempo passar. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2025 – Torres
ANAÏS NIN (journal 1)
Jamais je n’ai vu aussi nettement que ce soir que tenir mon journal est un vice. Je suis rentrée chez moi épuisé par de magninifiques discussions avec Henry au café; j’étais euphorique en entrant dans ma chambre, jái tiré les rideaux, jeté une bûche sous le feu, allume une cigarette, tiré le journal de sa dernière cachette sous ma coiffeuse, j’ai jeté sur l’ édredon de soi ivoire, et me suis préparé de mettre au lit. J’avais le sentiment que c’est ainsi qu’un fumeur d’opium se prépare pour sa pipe d’opium. Car c’est le momento où je revis ma vie en termes de rêves, de mythe, comme une histoire sans fin. (p.138) Anaïs Nin (1931-1934) Journal 1
ainda
tempo físico e tempo interior
sinto com maior ou menor clareza esta mudança: quando criança um dia enorme! dormir/ deitar antes do sono um desperdício… agora, pois é, agora os dias estão, assustadoramente, lentos. eu os queria apressados, alegres. os dias me parecem punitivos. eu alegre.
o rio apressado, o dia preguiçoso, ansiedade. sou a medida, relaciono. os problemas sociais não são exatamente solucionáveis… o estudo de grandes problemas econômicos, sociais, raciais repousa em indivíduos. e, no tempo encolhido de cada um. o mundo respira. a duração do indivíduo, uma unidade defeituosa. família, o efêmero / quase circunstancial! vejo os casais apressados…
penso: ócio é mais perigoso para os velhos do que para os jovens… este nada / pensar nada / rodopiar moderno assusta em todas as idades e a vaidade corrida, exagerada! queria ligar o tempo, colocar na eletricidade / energia / conseguir alterar tudo. O esforço muscular não foi de todo eliminado da vida moderna, mas tornou-se menos frequente, quieto. Aonde estão os jardins? Os canteiros, os pés descalços? Os vizinhos? Os corredores… Elizabeth M. B. Mattos –

mundano cinismo
Um cenário… Calçadas, o espetáculo, o palco. Eu me desloco, feliz. Ou infeliz. Não sei. Caminho nas pontas dos pés, sinto os músculos. Depois, muito depois respiro (risos). Respirar não é tão evidente assim… Quero limpar o dia com este sol tímido, talvez a chuva volte e faça tudo por mim. Ando ocupada… Procuro um novo autor, um novo livro, um novo atalho. O novo. Escuto a passarinhada, tão desocupados! Tão alegres! Ontem faltou luz aqui em casa. Eu me acomodei satisfeita no escuro. Desliguei o mundo e fui deitar no perfume da cama, quieta. Durou pouco, súbito, o abajur se iluminou… Os sinais e as vozes voltaram… Levantei e resolvi escrever três parágrafos. Todos os dias investigo ideias. Procuro motivos. Estou agarrada numa moleza crônica. Por quê? As respostas não chegam… Estou sendo taxada, deve ser isso. Estou votando errado, ou escolhi dançar e a hora era de ser estátua. Começo a falar holandês. É isso. Estou desnorteada. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2025 – Torres

mentirinha verdadeira
Aquela explicação comprida justifica, eu dei: fui ao parque ver pessoas, até ao mar constatar as cores. Na casa daquela amiga, saiu para escutar músicas. Andei pela cidade me fui a comprar coisas, investigar vitrines, comer bolo, beber um café e deixar a chuva cair nos /a aos meus pés. Depois faltou luz, uns poucos minutos meio a longos. Vi um filme espanhol. Depois, viciada que sou, uma enfiada / rodada de jornais para saber: subiram, desceram as taxas, e o tal jovenzinho da câmara foi dar um volta, ou duas, atrapalhado está pra poder explicar anistia. anistia? Fez tantos acertos que agora se esquiva… As buganvílias começam a florir, e eu sinto saudade da ônix, ainda. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2025 – Torres



