filhos buscam exemplo e se esquecem de reconhecer vitória (adultos vitória) – como de fato são. Os pais, quantas vezes se contorcem na sorte e gostariam / quereriam ser justo aqueles filhos / aquela história. Contorcida narrativa. Esquisita vida debruçada nestes ciúmes escondidos em chocolates, de certo amoroso, curiosamente, estranho atrás de espelho e passos perdidos… histórias que se confirmam estórias com outros pais outras mães e outros sonhos… ou estou equivocada? imagino enquanto vejo. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2024 – Torres
Uncategorized
as pessoas

As pessoas cultas que agora encontro não estão satisfeitas. Reclamam de tudo, só veem o excesso ou a insuficiência em toda a parte, a seus olhos as coisas parecem nunca ir bem. […] da exagerada cientificidade e da ignorância, da crueza e do excessivo refinamento, da agressividade e da indiferença: para onde voltem os olhos, ha uma fenda aberta! Seus pensamentos jamais repousam, prendem-se aquele resquício eternamente errante de todas as coisas, que jamais fica em ordem. (p.371) Robert Musil O Homem sem Qualidades
em ti
Encostei em ti, sabendo bem que eras somente onda. Sabendo bem que eras nuvem depus a minha vida em ti. Como sabia bem tudo isso, e, dei-me ao teu destino frágil, fiquei sem poder chorar, quando cai. Cecília Meireles / Epigrama 8
metade pedaço naco
cinzento chuviscos e céu claro
limpeza do céu, nas folhas e balanço.
houve um tempo que eu acreditava que ser gentil, correr para fazer, ser solícita e sorridente era a questão… uauuuu!
não era.
na verdade, quanto mais centrados, positivos com as nossas íntimas vontades, que são inamovíveis, mais respeitados seremos.
a vida é engajamento nosso – os outros, são acessórios. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2024 – Torres
MARTHA MEDEIROS
“Toda a escolha nos restringe” Zero Hora de hoje… É tudo. (2 de junho de 2024) Não resisti.
1940 menos, menos
1950 também menos pessoas menos animais domésticos. Menos com menos, pode ser mais… Educação (gentileza) mais e menos petróleo / menos plástico. Não tão apressado, não instantâneo. Menos estrelas, mais olhar e paciência. Menos ganância e mais, muito mais carinho. De solidão sempre se soube… É de dentro a grande solidão… Gentileza e doçura, também deve ser de dentro. Não sei. Quantos trambolhões! Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2024
luz na vontade e nesta coisa esquisita de saber / saber e aceitar a esquisita verdade a gritar
escrever todas as coisas / contar todas as histórias pode ser uma boa mentira. Tavares, por qual estranha vereda a soluçar? Elizabeth, a vida acorda. E.M.B. Mattos – junho de 2024 – Torres
olho no olho

Voz a dizer sem pejo. Esta tal camouflage do charme… É mesmo pelas beiradas. Sei lá o motivo – muitos anos cobrem os devaneios das conquistas – quando Torres tinha um pequeno campo de pouso e nós inebriados pelas férias e aquela liberdade inteira para usufruir, sem olhos vigilantes, usufruíamos apesar do olhar vigilante da Dona Carmem no fundo da boate Marisco. Nós usufruíamos. Nós dançávamos até meia-noite como a Cinderela, sem nos transformar em abóboras. Tu acreditavas / eu acreditava em olhares, intenções e futuro. Estas histórias ficaram. Transformadas em ‘gente grande’! Um monte de fatos nos atropelaram… Éramos tão estupidamente jovens! E amigos: e todas as nossas vontades amontoadas também almoçam no Club aos domingos, não lembro se jogavas golf / acho que não, nem cartas. Não lembro. Bebíamos coca-cola. E nos verões tínhamos Torres. Fomos caminhando… Chegamos não sei bem em qual cerca. O limite gritou. Nós paramos. A história seguiu – agarrou os filhos, definiu luas e infernos. E um dia (neste ano, ou fim do ano passado?) descobrimos a confissão do beijo. Mencionado /falado com naturalidade. Itália? Torres? Estranha surpresa! Todos nós sabíamos: o jogo era apenas sedução, ou parte, ou fantasia. Não era? Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2024 – Torres (ainda)

não dizer nem fazer
Acontece, silêncio grande, mas sem culpa… Apenas silêncio silencioso e quieto. Ela se foi deste jeito: entre obrigada, perdão, ou qualquer coisa… Era renascer / ou adeus definitivo, não sei explicar! O que eu imaginava / ou pensava? Imaginei tudo acertado -, tantas conquistas e risos e permissões, coroamentos. Estava com a vida no desvio. Às vezes, muitas vezes, apesar dos esforços, o sonho se desvia, sai do mar, se coloca de costas para a onda. E vai em direção a terra, sem viagem, apenas atraca naquele porto certo. Foi o que fiz. Fiz o que era preciso… Eu acho. Estas confissões estes acertos não são confessáveis. Todas as terapias do mundo não desvendam nem arrastam estes segredos, ou não seriam segredos. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2024 – Torres em capítulos

