QUE FAZER?

Será que se deve continuar. Questões moais e dúvidas: ou bem isso ou bem aquilo: e assim por diante, até que surja, finalmente, de uma cascata de alternativas, um ato puro – isento de qualquer remorso, de qualquer hesitação. Não é nada fácil decidir, escolher, nem enfrentar o não tanto quanto sim… minha escolha, não o brinquedo do acaso… vai que era e não quero, ou quero e nem foi? Se eu amo: ou bem tenho esperança e então vou agir; ou bem não tenho nenhuma esperança, renuncio…. ainda, não tenho nenhuma esperança, mas contudo… obstinadamente, escolho não escolher, escolho a deriva: eu continuo. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

pensar não é razoável

pensar se tornou jeito fácil de se atordoar… as conexões enlouqueceram: mistura de cor riso alegre com riso nervoso. aos poucos desaprendo a historia (começo / meio e fim) / Carol, socorro? Preciso de ajuda. Lembras? Ordenar um livro, alinhavar um conteúdo, separar histórias de estórias, emoções de verdades. T/á confuso. política deixouou de significar, virou remexer talheres, acomodar empatias / que graça! afirmo que detesto mingau, talvez uma canja, ou quem sabe um sagu. quero meus velhos autores, aqueles que eu me envolvi de amor / de escancarando… Fui visitar, na Noruega. viajei / atravessei mares. agora esta coisa de roupas, as roupas? deveria arrumar o armário? limpar as louças e fazer comida? tá fácil comprar prato pronto. mas, mas estou a engordar mesmo fazendo academia… estou arredondando. será bom? um chá me salvaria / uma tarde de silêncio / nenhum investimento, nem dever dinheiro, caminho perigoso… os bancos fazem coisas incríveis! / floresta/ dança/ canto desafinado. Tá tudo errado. Estou apavorada. Tenho que endireitar o tempo, as contas e as tardes. Mais sono, sono fora de lugar, sono de brincar não de dormir. Será que o mundo vai aceitar a paz / teremos paz e dignidade ou a guerra será em baixo / por baixo do tapete. brincadeirinha. Arrepiar / assustar a notícia. Vou me enfiar nos lençóis e ficar quieta / talvez acorde nova / diferente. aqueles bons milagres. quero escrever um texto / dizer que acredito e dizer, também, que vou me esforçar. Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2025 Torres com sol / deveria dar certo pensar? e se não mudar nada. só flutuamos? vou correr para o mar / de manhã e de tarde. viva o mar! vou apenas descansar.

brincadeirinha pra cá e pra lá

os nomes voam, voarão, e se repetem, os mesmos.tr oca isso e troca aquilo. um é estátua, o outro dá o grito, alto, escondido não, não te mexe, não te mexe, ou sai do jogo… tudo com sol, exercícios e vigilância… não tem mais graça, nem piada, nem certezas, é sério: agora te faz de morto… ah! brincadeirinha cruel de vingar… quem disse que viver é coisa séria? eu vou é me vingar! Elizabeth M, B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

organizações

as organizações estão mesmo cada vez mais organizadas, a inquietude já não causa espanto nenhum. os desencontros muito bem compreendidos e os espaços, suficientemente, arejados. ao saber/ gosto das palavras, dos bons exercícios… claro, acordos fotografados, com mulheres ou sem mulheres, divulgações adequadas. respostas para cá, respostas para lá: abacaxi e verão. segue o rumo e o tédio: envelhecer tem gosto de adoecer e a conversa cheiro azedo, desesperado, suficientemente, investigado. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro – 2026 – Torres com gritaria de criança no corredor.

fofoca

velha na janela, espia. história curiosa. pela janela eu vejo ele sair, ela chegar: ele chegar, sair outra vez, ela fica ou volta? ela? não sei. não sei… não almoçam em casa, almoçam no tempo… eu acho, ela lá, ele cá… isso, afirmo, no inverno e no verão. engraçado ser dois tão separados assim… hoje quem fica sem ficar? sei lá. deve ter gente assim, amarrada, sem respirar… deve ser. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

eu queria te cuidar, ajudar, curar e estender a mão, fazer alguma coisa, mas de nada adiante se tu mesmo não queres, nada disso e muito menos minha ajuda…

afinal, viver é querer, um pouquinho, três minutos, se possível, cinco minutos por dia, mas querer… aquele esforço mínimo. eu diria, se amar, ninguém pode te amar se não te amas, minimamente… consciente ou inconsciente amar e desejar. para alimentar o recém nascido, não basta ter leite, ele precisa querer viver e se alimentar… Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

janelinha

noite cheia de janelinhas… sonhos pensamentos, vozes da televisão ligada… notícias, mil vezes as mesmas… e sono, uma vida dupla tão boa! cheia de eu mesma a ser eu mesma divagando, ando… diva! aquele prazer de ser eu mesma inteira. hoje amanheço assim, inteira. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

beleza

beleza importa? experiência do sentimento, estranhas experiências do sentimento, a beleza é vivência, não é? o que a gente sabe sobre beleza, o que outro vê… não é? ou o que a gente sente por dentro? esquisitices… Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres