bicho / pessoa ou criatura

das calçadas, das vitrines, das roupas ousadas, ou nem tanto… palavra verbo análise ou lógica incerta, pesquisa exaustiva / importante, necessário texto / discurso, biblioteca. nada praiana, nada campestre, nada reclusa e sendo… como vou classificar os sentimentos? contar uma história: começo, meio e fim? ou enfiado de falas /falas / falas…Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2025 – Torres, não América, nem (Amsterdam, Roma, Porto Alegre), ou São Paulo, Rio de Janeiro com certeza, Pernambuco, talvez…Cidades, estados e países na geografia atrapalhada, a minha.

surpresa

cada vez que arrumo uma gaveta sinto falta de uma coisa: da faca, das colheres pequenas… as maiores estão todas, mas aonde, em que lugar misterioso estão os talheres? como podem sumir, assim, de um dia para o outro. as roupas, pois é, as roupas saem do varal pras gavetas, das gavetas desfilam pela calçada, vez que outra estão na feira, ou na farmácia, mas voltam… visitam o sol, e voltam. estou mesmo é intrigada com as facas, os garfos se comportam, as colheres também…

surpresa ter notícias tuas, descanso no que estás a fazer porque gosto, gosto das mesmas coisas que gostas, ainda como pastéis / os da rodoviária esqueci, não vou mais pra cá e pra lá… claro, meu querido, sinto saudade dos sacolejos das viagens. da tua voz, pois é, tens que voltar a Torres, estou aqui, e te espero. eu te espero com menos medo. impressionante, sim, às vezes, o amor assusta. um beijo. Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2025 – Torres COM SAUDADE de tempo…

revisão

afeto carinho amizade saudade do amor amado, do amor passado, aquele amor que eu senti, daquele amor recebido, do compartilhado, do ausente, do declarado, então, presente: aquece a primavera… aquece o sol este amor. a Ônix a ser lembrada todos os dias, nas festas, mais. hoje é festa de 11 de setembro tão perto do 9 de setembro… e até do 7 de setembro, dos meus noves empilhados, os ímpares, ela, minha pretinha

ainda. Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2025 – Torres

extravagância confetes coloridos…

ah! extravagâncias! excêntrico pensar… afinal está tudo resolvido com tanta antecedência! igual não desisto de pensar, equacionar, tomar posição, como falar é proibido, eu não digo, ninguém diz sim ou não. silencio. não ligo o rádio, nem a televisão. o jornal está fechado…vou escutar um piano. já sabia de tudo, sem conclusões. o errado, o certo. será que a gente sabe?/ ou sabe. o que eu quero? sorvete no café, ou café com leite? leite com chocolate? ou chocolate no café? um pedacinho ou em pó… pois é, não sei. Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2025 – Torres

fotos de arquivo – fatos do recorte – recorte das certezas e tudo tão absurdamente incerto. silencio… silencio / ou silêncio? NÃO SEI! ainda E.M.B. Mattos

sorrateiro…

09 de setembro (09)de algum ano de 19 49 / 1959 ou 1999 ou apenas 1946 que resulta em 79 anos, setenta e nove anos em nove de nove…sou eu festejando com as rosas, margaridas e tempo… Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2////0////2////5 Torres

dosimetria

o que importa? o que importa a presença / a resposta, ou negar ou afirmar, encenar neste teatro? está tudo feito, antecipado, concluído, só a fantasia daria um ar de carnaval: palhaço, arlequim, coroa de ouro, pedras preciosos ou espinhos? os carrascos, usam mascaras, assim agem os executores. a plateia, o publico se diverte com guloseimas e danças / dia de praça pública. assim decapitaram Maria Antonieta – quase distraída! largou as bonecas e foi para a forca. Os livros de História contam… Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2025 – Torres

enredo contemporâneo

Meu querido amigo, estás longe, mas te sinto perto. Pensei nos espetáculos! Queria tanto ter a tua opinião / teu entendimento para este espetáculo! Teatro / atores / vilões e heróis. Palco e plateia. O fantasma da ópera trouxe paixão / ciúme. Gaston Lerou / o Duc d’ Anjou, deixou um rastro. Quem não se deliciou com a ópera / música e tudo? Estes eram / foram / serão o deleite. Hoje o teatro perdeu o encanto, ou melhor, entrou no nosso cotidiano como / como / feito julgamentos com cadafalsos / solitárias… Tens assistido aos espetáculos? Reis enlutados na vaidade, com suas capinhas negras! Vaidade é a palavra / sucesso e brilho de um agora / instantâneo cheio de brilho loquaz. As togas: veludo e cetim de outrora. Pasmo! O espetáculo segue. Estou fascinada assim mesmo. O teatro sempre foi / será o ensinamento… A verdade possível. Este é o nosso HOJE, o possível silencioso de assistir, quase sem curiosidade ou impacto, por compromisso com o dia… Vamos aos julgamentos, de certo para apreender. Sinto tua falta, volta logo. Elizabeth M. B. Mattos – setembro de 2025 – Torres com vento…

gotas de saudade

Querido amado: fico a repetir o tamanho do meu gostar: quantos centímetros de saudade? Um metro de sonho, ou, não sei… Cheiro de primavera traz doçura. Estás a chegar. Na meia luz do entardecer teu abraço, teu beijo, teu carinho. Vou acordar. Não preciso de mais nada, nada vezes nada, senão estar aconchegada. Eu vou dizer baixinho, eu vou soluçar nos teus ouvidos a saudade: o silencio do beijo no abraço resolverá o tempo. Te amar é o termômetro da saúde: estou curada, feliz. Esqueço qualquer aperto, ah! meu querido! Não pode ser o antes, o agora define mesmo o tudo. Elizabeth M. B. Mattos agosto de 2025 Torres Ma mère s’affaire toute ja journée, elle est joyeuse ou triste selon les circonstances sans requèrir le moins du monde son entourage par ses humeurs; sa voix claire, trop haute pour le quotidien, mais bienfaisante quand on est triste et que soudain elle vous touche. (p.152) Frank Kafka Journal Intime– editions Grasset -1945