rei rainha

cavando o jardim, plantando batatas, limpando chaminés, panelas, cozinhando, consertando as cercas… costurando as bainhas, repassando os lençóis, arejando os travesseiros, perfumando a casa, serão sempre reis e rainhas… nasceu rei, nasceu rainha. o lugar seja qual for não esconde a coroa, a gente é / pode -se ver a cada gesto ou sorriso. não importa o que está vestindo. coisas de rei e coisas de rainha. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

o inverso é engraçado… o novo rei tropeça, a nova rainha tropeça depois, e, não sabem sorrir… ou seja –nascemos quem somos, valorizamos ou não ser quem somos… a escalada social não se trata de dinheiro, é mais longa do que se possa imaginar…

  • por favor, me traz um margarida…

miúda esta culpa, constante

vida longa, vida curta, intensa ou aos soluços. sozinha não posso / sou outro, com o outro, sinto assim… não existe caixa, parede ou sei qual jeito para me isolar do sofrimento e desta culpa insistente, miúda que amargo. cada decisão me parece definitiva, florida, ou insignificante, sofrida, existe decisão arrependida? existe. confessar, apalpar resolve? pedir desculpas? chorar, resolve. como pode ser difícil apenas respirar! o que importa? não desistir. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

céu tempestade, calçada cheia e muita expectativa

literatura: gosto e sabor

mastigar, sentir o cheiro, abocanhar, engolir devagar… lento, lento, aos pedaços e aos soluços. a leitura se derrama no dia, entra pela noite e se instala nas frestas. posso respirar, posso caminhar e dar voltas pelo jardim, cuidar da horta, molhar as plantas, fazer a poda… cuidar. limpar a casa, exterminar os cupins, fazer a panela brilhar e passar roupa, amar aos poucos, na entrega feliz da entrega. risadas, beijos caídos, abraços sem vergonha ou mesmo envergonhados… amar e cuidar e molhar… a leitura chega deste exercício que atravessa a quietude de observar. sem o ruido da risada… posso caminhar entre livros maravilhada, mas não me seduzo fácil, palavras precisam ser as certas: coroadas. ler por ler não é ler… bem, pode ser brinquedo, passar tempo, outra coisa. porque ler e amar, amar e ler são verbos sérios, intensos. a entrega é completa, absoluta. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026- Torres

gosto de canetas, em especial, desta (presente de minha filha Ana Maria) / gosto de coral, em especial deste colar que foi da minha mãe. aquele gosto da beleza… dos mimos que a vida permitiu – objetos conversam. gosto. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

da beleza

asas apaixonadas

graças! minhas asas apaixonadas proporcionam melhores voos: vejo a beleza de cada objeto – sinto a casa povoada de acertos carinhosos: afinal, gosto da minha vida, da saudade de bons amores, da enorme, forte saudade que sinto de ti, meu amado… livre eu, livre tu! livres… foi a cartilha de amor que herdei. juntos nas trilhas de margaridas. vozes, olhares, gestos. meus filhos, netos! não, eu não poderia ter sido mais abençoada do que fui… incomodada, um pouco. não será para sempre a vida (risos). o perfeito grita e dança: vejo das minhas janelas, encontro nos livros e nas lembranças: carga boa, feliz de vida. obrigada. obrigada aos amigos, aos amados aos meus, minhas irmãs… a melhor herança me deixou meu pai e minha mãe (a grande mulher! o homem generoso), minha tia Joana… enfim, meus queridos! o trabalho também me libertou: os alunos, as escolas, a Ulbra – sou uma mulher de sorte! Obrigada! Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

foi assim

tratei de erguer a cabeça, seguir em frente e ser feliz. aquela felicidade boa de estar no mar, na piscina ou no chuveiro, no sol. passar por uma chuvarada correndo, depois andando… rir muito, sentir frio, depois um banho quente. ser livre, livre e leve, mas claro, sinto a nostalgia de não ter um grande amor, de um encontro com gosto de para sempre, amor dos pouquinhos, do tudo, do sempre… eu gostaria de amar e ser amada… tão bom! Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres ontem eu vi a lua cheia / deitei no sofá e vi a lua escutando no piano um Noturno de Chopin / a delicia das delícias na beleza, e pensei em ti, meu querido

guardados

objetos, coisas e pessoas. neste começo de ano revisito memórias: abro gavetas, escuto sentimentos… distraída com lembranças postadas e com os abraços. encontros, mensagens festivas… cada um, do seu jeito, vai postando o certo, o bom, e a festa… associo, recorto pedaços da minha própria vida e vou converso… converso mentalmente. excelentes lembranças, mas algumas pitadas desagradáveis. deveriam ser só coisas boas, mas as faiblesses, o derramado pequeno pecado, também volta. coisas penduradas por este fio de estupefação, e não esqueço… já não sofro, a ser sincera, nem sei se sofri mesmo, mas marcou. a vida tem estes recortes, vamos guardar os bons. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

sonhador

enquanto faço as panquecas fico a pensar nos infernos e nos paraísos / aqueles lugares extraordinários em que nos enfiamos enquanto o mundo se apresenta tão quente (calor!) e igual nos desencontros. esta coisa de encontrar pessoas, conversas e abraços parece fantasia de carnaval – pois é – engraçado! não prestamos muita atenção! e os estados nos pertencem… remédio? trabalhar, qualquer coisa / pequena ou grande / trabalhar dentro de si ou num lugar qualquer, vender sanduiche ou sucos, atender numa loja, sacudir as tranças para não se encostar no outro… difícil se relacionar, em casa, consigo mesmo, com os outros… ah! e tão fácil! é preciso olhar…olhar, olhar e ver. não apenas televisão, aliás, o vício dos vícios! e o sonhador, o carente de afeto e cheio de saudade do amor, o vivo e latente estado de sonhar fica ali… esperando. A gente espera sempre, carrega sempre, e nas costas, a placa gigante: SONHADOR. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres com praia e sol e praia… bom pra quem gosta!