limpo, lindo

Consegui esvazia a xícara, a caixa, a memória inteira: esquecer o caminho de voltar / estar / ou me deixar ficar. Hoje (enquanto me explicavas) desejei tudo outra vez, e o peso de ser eu comigo ficou enorme! Preciso de outras vidas, tantas vidas para ser apenas a mulher certa para o teu abraço! Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2019 – Torres o frio está caminhando, indo e voltando, as janelas estão abertas e o mundo limpo, lindo!

quanto sol!

A receita era/ é boa, quase perfeita: exata, sem surpresas, previsível. O lugar mais seguro  do mundo no meu caso foi a maternidade. Não desafiei nem testei meus limites. Acho que a resposta seria esta. E quando o sol é tanto eu acho mais fácil dizer cantar dançar e ser mulher! Se o abraço não chega e a voz não alcança, o olhar se assusta com o tato. O que faço para te reter? Nada. Eu me afasto. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2019

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lendo e relendo:  ler e ler e a envelhecer, não é escolha, mas a vida como ela é…

invisível

O invisível esclarece e tonteia. Faz o caminho. Difícil entender a guerra que esperneia e se faz necessária. Não importa o sol, no meio do sol eles querem decidir o lado negro e abusivo. Evidente: eu não quero, eu não sei, eu não posso, eu explico eu digo eu me escondo, mas a bomba cai nas minhas mãos, eu preciso gritar! Viver não me deixa descansar. Outra vez na frente da batalha. Afinal fazer tudo errado deve ser mesmo o certo… Quem precisa aprender? E.M.B. Mattos – agosto de 2019 – Torres

não

A leitura pesou. Engasguei. Não gostei da italiana… Num momento, o texto, o jeito de dizer agradou, depois o tema, nem sei dizer agora, a forma como  se agarrou a descrever e a fazer sofrer! Não gostei da Elena Ferrante.

o mínimo

Bastante frio, tanto frio! Muito e muito frio. Contar história ou inventar. Procuro na margem, na dobra, da textura raiada, naquela foto. Encontro canções nos borrões. Não especial nem instigante, o único no igual.  Fatos notícias. Vozes, reclamações e tanta indignação! Antes o silencio murmurando… Vozes soavam crianças, novas. Surpreendente! Surpreendente! Estou na onda. Uma atrás da outra não me deixa voltar a margem. Afogo – me neste mar. Nadar e atravessar sem surfar. O jogo interno:  competir comigo mesma. Escolher a equipe e planejar adestrar, o jogo. Isolar importa, alienar não. A caverna por mais escura / diferente com sete letras misteriosas. História galopante. Os mesmos contos infantis. Particularidades?  Na infância o excepcional: borrão e semente. Depois, segue – se a corrente. O mínimo: o ponto. E lá estou… Elizabeth M.B. Mattos – 2019 – Torres

bolsa vermelha

O luxo escandaliza. Vertiginosa corrida. Não penso. Nem  perco tempo. Esqueço o estar ou não estar. Tenho.

Vestígio evidente: sou como  planta,  enraizada.  O terreno difere / altera floração, perfume. Dar ou não dar frutos. Detalhes. Sem terra vou morrer,  devagar. Murcho. Cuidar importa. Podar alimentar e pacientar, nunca descuidar. O fruto pode ser o prazer máximo: sou eu e me recolho / ou encolho, sinto. Gosto de maça, bergamotas, pêssegos e tâmaras. Gosto do movimento inquieto do vento, do sol a secar e colorir.Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2019 – Torres: brilho cinzento do inverno e o frio atravessa o vidro.

linda na cadeira bolsa vermelha

Fora do Corpo

FORA DO CORPO: fragmento

Tenho aquela ideia de que todos estão perfeitamente perfeitos nos lugares onde estão: alimentados, sem sono, aquecidos, sorrindo. Não quero ser necessária, quero ser transparente, mas no fundo, lá dentro a questão é mais séria: gostaria de poder me enxergar no centro, mas não sou o eixo, sou o galho que começa a vergar porque não consigo seguir o fluxo. Perde-se o hábito de querer o amor. Desisto de desistir para desviar, terminar para encontrar, recomeçar, a solidão chega como o fim do papel, com a ponta do lápis quebrada, o livro com ponto final, o copo vazio. A solidão pesa com o próprio peso do corpo. Fica tudo invertido. Nem um cálice de vinho, depois outro, pode resolver. Nem o banho de mar, nem o sol. Nem ressuscitar o amigo, a coragem, nada modifica este estranho vazio. Elizabeth M.B. Mattos – 2012 – Torres

MAGDA FRANCIOSI –  “E com o passar dos anos esquece de dizer que as mulheres, principalmente, se tornam invisíveis para os olhares masculinos e até aos femininos também… Isso no começo, incomoda, depois se acomoda…”

Eu:  – Será? As pessoas não ficaram invisíveis aos olhares, não. Os olhares, cansados, deixaram/esqueceram de se olhar, não só para as mulheres, ou das mulheres, ou dos homens… Acho / penso que desapareceu este tempo / tempo de parar no olhar, ver passar. Nem mesmo para ler! Ou pensar. Quem está na janela vendo o tempo passar? Chico Buarque? As pessoas perdem tempo ao espelho… O Império da BELEZA é exigente. E as meninas todas se parecem, e os jovens todos se parecem, e os velhos, os velhos que agora vivem mais se esquecem de ser velhos. Não há doçura em nenhum olhar. E.M.B. Mattos