Pascoa perto longe

Segunda-feira, 5 de abril de 2004.

João, estou com saudades sim, mas, muito preocupada com o tempo que a vovó dispõe para RESOLVER muitas coisas. Agora estou em casa tratando de NOVOS caminhos para minha vida, inclusive, a possibilidade de me aposentar. Sabes o que SIGNIFICA aposentar- se? Receber um dinheiro para ficar em casa e ter, então, comida e roupa. Quem pagou para o GOVERNO um tanto de dinheiro, depois de muitos e muitos anos de trabalho, pode parar por estar ficando velho, velho, velhinho…, acho que é isto.  Quem sabe explicar melhor é o papai. Pergunta para ele. Mas a vovó também  quer ganhar dinheiro…, vou fazer um concurso, vou estudar um pouco mais…se der, deu… TU podes imaginar uma pessoa como eu passando os dias inteiros  numa cadeira de balanço para lá e para cá!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Poderia ler muitas histórias, é verdade, talvez escrever outras,…mas, eu penso que estar trabalhando e ganhando um pouco mais de dinheiro seria melhor.

Bem, a Páscoa e o coelhinho estão chegando, juntinhos. Vou passar estes feriados com vocês. Então conversaremos sobre o TEMPO de FICAR NA CADEIRA de BALANÇO e o TEMPO de FAZER COISAS. TAMBÉM PODEMOS PENSAR no TEMPO de CAINHAR na PRAIA COLHENDO CONCHAS e PEDRINHAS. O que achas? Vovó Beth

 

Por que só agora?

“- Por que só agora? – perguntou alguém que não sou eu. Por que mamãe sempre me…porque eu queria gritar como outrora, quando se ouviam gritos na superfície da água, mas não conseguia…por que agora…

Palavras ainda me deixam em apuros. Alguém que não gosta de conversa fiada me mantém prisioneiro de minha profissão” (p.7) Günter Grass Passo de Caranguejo

Procurei. Procurei o livro: remota ideia de ter estado com ele nas mãos, antes dO Linguado, antes de Nas peles da Cebola. Quase comprei. Ia ser outra vez/mais uma vez  livros duplos. Estes ímpetos! Esqueço… Livros caminham, e caminham, e desaparecem em lugares incríveis! Eles se permitem viajar… Estou feliz! Reencontro e festa! Desejo e vontade satisfeitos. Estou com ele nas mãos: todas as memórias. Günter Grass, eu volto.

Confusão! Grande Sertão: Veredas, vai se misturando! Céus! Ninguém deve ler assim. A disciplina perco pelas esquinas, também no amor o ímpeto. Espera! Sossega! Já vou… Elizabeth M.B. Mattos – abril sempre volta eriçado!  A caixa, outro livro/prazer/luxo com pernas e braços, lembranças de ‘agarrar’!

 

 

 

se apagando, este dizer

SOFISTICAçÂO do Rio casamento de uma ARANHA no RJ

o dizer vai caindo e se apagando… lembro, agarro, seguro

naquele/aquele verão de tanto dizer!

lembro que me mandaste calar: querias tudo contar e contar e eu, a te esperar?! sentia que nunca ia terminar, então, paciente, eu te ouvia, eu te amava, eu te amo

paz tão boa! certeza tão certa!

não foi como sonhei, terminou: sinto saudade, e te pergunto: por quê?

chega logo, sem avisar, mas…chega!

tantas e outras perguntas se questionam mudas

silenciosas, insatisfeitas…quero tanto te ver, um pouco de olhar, apenas um pouco porque merecemos, já expliquei

houve troca/desejo/confusão = nós dois

risada também

encontro e palavra solta e silêncio

o silêncio tem gosto tato cheiro vontade própria e meninice brejeira

tem mundo, tem nós dois: que não somos

tem o verbo cheio de bocas pernas e braços e lembranças meninas

gosto de pensar tu e eu, eu e tu e nada mais: o acaso,  a hora marcada

Elizabeth M.B. Mattos – abril chegando num domingo amanhecendo – Torres de 2019

amontoado

 

amabilidade

Fui à noite a seu apartamento e no princípio tivemos café e amabilidades, sentíamos o que inevitavelmente se sente quando alguém mostra sua obra a outro e sobrevém esse momento quase sempre temível em que as fogueiras se acenderão ou será preciso admitir, escondendo – o com palavras, que a lenha estava molhada e fazia mais fumaça que calor.” (p.57) Júlio Cortázar – argentino bem francês  – Orientação dos gatos -, contos. Este conto Recortes de jornais, tem epígrafe: Embora não ache necessário dizer, o primeiro recorte é real e o segundo imaginário. Tradução de Remy Gorga, filho –  Rio de Janeiro – Nova Fronteira, 1981.

Abril como temperatura. Estado de ânimo e energia, fato. Encantamento, outro. Ando a te pensar e a estranhar os empurrões: aconteceu tão fácil nosso abraço, natural, e assim, como eu vou explicar, estupidamente, trágico e silencioso.

Um ano, não meu querido, dois anos. Eu, de natureza alegre, vou me distraindo com a flor do vizinho, a risada na sacada, a moça do oitavo andar olhando/medindo o sol já de roupa de banho! Hoje é domingo, obrigações cumpridas, um banho de mar…

Afago a preguiça. Quero um dia de não fazer nada. Igual aos gatos espreguiçar e ronronar. Sono domingueiro.

Velhos vícios: vou trocar móveis de lugar, medir espaço e comprar rosas. Omelete de espinafre e as últimas rodelas de abacaxi. Colecionar amor neste teu olhar castanho preguiçoso, inquieto e barulhento. Céus! Aquieta! Respira! As pessoas dizem, repetem assim, respira! Ansiedade e saudade se misturam imprecisas: ioga e mentalização! Aguento  miséria, descalabro e até indiferença. Respira! Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2019 – Torres: Domingo de Ramos , os sinos!livros esta não usei ótimo aquele dia inesquecívelAquele dia foi inesquecível! Quero voltar. Paris e Torres: uma festa em movimento! O farol: iremos/ subiremos o morro e lá de cima, no farol sentiremos o desalento do tempo: mudou. E 1968 foi um ano decisivo e inquietante, sobrevivemos. Tínhamos que ter nos encontrado nos meus dezessete anos, eu sei. Beth Mattos