penitência

…, homem não se vê ser humano, … Ou bebo cerveja gelada, copo de vinho, ou risada fora do lugar, ou me deixo levar …

Espanto sem solução …, extrema pobreza. Extrema indignação … pouco trabalho. Eu me pergunto o que é exatamente usar braços e pernas, ou inteligência? O que pessoas consideram trabalhar/produzir?

Difícil acompanhar  notícias do/no mundo, particularmente, Brasil. Não consigo entender nem polemizar. A natureza ajuda a ceifar com vento, chuva, tempesteaste, guerra.  Este ódio comportamental começa na infância, tem conserto?!

Vou ser eu mesma.  Qual é o rumo? Onde responsabilidade?

Céus! Céus!   Falta dinheiro?Falta gente séria neste país. Falta vontade de querer, … ninguém quer nada …ninguém acha nada. Eu também não quero. E. M.B.Mattos –  janeiro de 2018

 

 

terror

O terror do homem deve ser apenas ser homem. Estou envolvida, embrulhada no conceito de vida  que me foi transmitido como correto, – enfiada na vida do outro dentro do outro, pelo outro. Posso estar, inclusive, na imaginação do outro.  A pessoa que não sou, e não me reconheço neste afã de agradar/participar. Corrompida. É difícil desbravar o território interior, íntimo. Solitário …e,  resta a sensação esvaziada, fantasiada de intenso.

Caiu a chuva que Torres esperava. Sem a força. Chegou mansa aos pingos …, e não vai lavar nem limpar o pecado da invasão. O lixo está  acampado nas calçadas. Carros abarrotados. Descaso. O enfado se atirou na areia da praia. Não existe respeito, nem harmonia. Lágrima chega com a chuva. Desespero miúdo a perguntar por quê? Aquela ideia pequena quando digo: sou quem sou porque me faltou coragem energia para ser diferente. Eu me deixei ficar … Elizabeth M.B. Mattos – janeiro 2018

Lembro-me de acordar depois com a boca amarga e o coração cheio de angústia. Acho que nessa época era uma premonição. Agora é talvez uma confirmação. Seja como for, não me aflige. (p.31) José Eduardo Agualusa  O vendedor de passados

CAetés CAETÉS

Foto: Luiza M.Domingues

imaginação faminta

…, pé ante pé, devagar, atenta subo os degraus …não quero te acordar. A casa dorme. A memória descansa. A saudade doente que sinto de ti, se acalma. Amanhece devagar neste dia primeiro de dois mil e dezoito. Ano par que me devolve o ano dos meus dezoito anos. Esperei tudo devagar, espiando, … Gosto desta piação. A passarinhada amanhece antes de mim. Estou viva, escandalosamente viva! Elizabeth M.B.Mattos  janeiro de 2018

– É você, Henry? – perguntou em voz alta. Não ouviu resposta, mas a casa reverberou outra vez.

– Henry, você entrou?

Mas era o coração da casa batendo, de leve no início, depois mais alta, marcialmente. E abafou a chuva. A imaginação faminta é a que tem medo, não a bem alimentada. Abriu a porta que dava para a escada.” (p. 214) E.M. Forster  Howards End

 

 

citação

“Mil conversas, buscando umas às  outras como raízes de árvores buscando umidade – vidas com sentidos ocultos disfarçados por sorrisos brilhantes, mãos cobrindo os olhos, malicia, febres satisfações.”  L. Durrell – Balthazar

no teu bolso

Não mudamos … assustador!  … vidas repetidas.

Estou apaixonada. Ontem também estava, de certo amanhã também estarei, apaixonada. Estarei encolhida no teu abraço, apaixonada. Eu te amo no amor que sentes por mim, ou que eu penso/imagino que sentes.

Último dia de 2017, logo será o primeiro dia de 2018 …, espera por mim.

Vou te buscar/procurar em todos os livros, pelas estantes, pelos cantos. Depois na praia por todas as praias. Estarei entre as pessoas, sempre a te procurar. Eu te encontro aninhado no mesmo sonho. Estás sentado com aquele olhar perdido no mar …, sempre a pensar/querer! Deste eu gosto, teu sonho azul, também daquele das nuvens: ora peixe, ora urso, ora pássaro. No teu bosque …, na floresta.  Depois caminhas num passeio demorado: volta completa na Lagoa do Violão, eu te vi. Espiei pela fresta. As frestas …! …, e, fui ao teu encontro. E depois do abraço da saudade, demorado, quase aflito nós nos demos as mãos, e seguimos caminhando. Estamos sempre juntos. Quando faço mágica vou parar no teu bolso.

…, perdida/perdido pelas ruas, no teu bolso.

folhassssssssssssssssslindas vivas

Ano que termina, … tantos desastre, tanta loucura e tanto amor!  Estou pensando em ti. ElizaBeth M.B.Mattos – dezembro de 2017 – Torres

bolso

Quando faço mágica vou parar no teu bolso.

fragmento, … da história

Às avessas, primeiro a alma, primeiro por dentro, primeiro o pensamento, a idéia de ser alguém e depois o vulto que se confunde na imaginação e custa a entrar um dentro do outro. A foto, duas, três, quatro fotos e ainda não é ele. Pois ele tem cheiro, tem boca, tem braços, tem corpo, tem olhos bem pretos, cabelo escuro, pele escura, corpo pequeno. Doce, tranquilo, de paz. Observa quando olha. Óculos grandes, os de sempre: todas as fotos, os mesmos. Quero vê-los pequenos, redondos, menores. Unhas retas, longas.  A boca se abre sorrindo, entregue. Observo. Gestos lentos, momento novo, nervoso: “…é quando não se espera mais nada para si mesmo, que se pode amar.”Amiel

Atravessamos a geografia. Estamos um diante do outro. As fotografias enviadas plasmavam uma imagem nas cartas que iam e vinham…Mais rápido do que cartas seladas o computador. O virtual. As fotografias imagem com cheiro, voz. Agora, um diante do outro. Não é alto, nem tem ombros grandes. As palavras espremidas para sair. Quero dizer logo tudo o que penso: o som nos atravessa sem pontuação. Afago à pele lisa, a mão. Estamos no Porto dos Casais. Atropelo tudo na música, não palavras, não lógica. O abraço é fundo, grande, demorado. Demorado o encontro do meu corpo no corpo dele. Sem palavras. Apertado abraço de encontro, de pele. O cheiro. Ficar quieto na curva do corpo do outro. As mãos também apertadas, quietas. O suor do calor parado. A história se escreve sem vontade de largar. Parar o tempo. Apenas, parar o tempo. O espaço escolhe outro espaço, pensa forma; cresce desejo, alimenta sonho este espaço que se abre no abraço trancado de nós dois. Somos muitos. Ele é a pele das palavras:

-Venceram, as cartas. As vozes telefônicas atropelam-se, estranham, choramingam e nem sempre se entendem ou comunicam… Hora errada, tempo curto, ânimo perdido, voz lenta, linhas cruzadas… Enfim!

– Somos dois malucos exercitando, alegremente, as melhores fantasias. Somos muito bons nisso. Em que mais seremos bons? Na possibilidade de nos sustentarmos nos olhos? Na coragem de cometer a loucura? A família, o trabalho, a vida cotidiana nada mais é que nossa loucura controlada. Estamos à beira do abismo. Imagino o salto para o abismo.

Elizabeth M.B. Mattos  – 1999 – Porto Alegre

“Era uma vez, na metade dos anos 60, um homem obstinado em permanecer normal. Por normal ele entendia casado. Marido de uma única vez e de uma vez por todas. Por normal entendia em primeiro lugar: uma vida contrária a de seus ancestrais, cujos amores tinham sido tumultuados, diversos e insuportavelmente doloridos.

Para levar a bom termo esse grande projeto de normalidade, havia cercado seu próprio casamento das mais vigilantes proteções.

Rompera os laços com o pai, por receio de contágio.

Não lia mais romances e via poucos filmes.

 Com a mesma preocupação de evitar riscos, passava sempre ao largo dos lugares que convidam à partida: livrarias dedicadas a assuntos marítimos, antiquários especializados em exotismos, agências de viagens, lojas de lingerie. Em sua casa nenhum mapa de geografia distraía as paredes.

Mas seu aliado principal, sua fábrica cotidiana de felicidade calma e sedentária, era o ofício que escolhera: […] “[3]

2016-04-17 08.41.35

MESA E RASCUNHOSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSs

 

[3] Orsenna, Erik in Longamente.Ed. Companhia das Letras