perturbante
turbante / perturbante e terrivelmente constrangedor / não terrivelmente evangélico / eu leio esquisitamente devagar / quase parando / fazendo uma caminhada entre dois parágrafos: tomo leite com chocolate / depois um chá / depois cachorro – quente com coca-cola. eu adoro refrigerantes, todos, mas coca-cola NORMAL é minha preferência. que importa o que faço? sem maiúsculas sem piano, com saudade. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres
uauuuu!
agradeço, eu te abraço, e uauuuuu! tenho certeza que não vais desistir! aquecida estou com a festa: estar assim juntos e ver / ter tudo iluminado. és muito bom em viver! vamo que vamo! beijo Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – TORRES
a gente tem querer ser a gente mesmo / um eu único/ espantalho ou príncipe / um eu reinventado… conhecido, costurado e EU
muito confuso querer agradar, comer fígado, comer massas e batatas, escolher bananas, preferir assados a verduras, cenouras cruas, laranjas, bergamotas, picadinhos…vinhos e sorvetes /e imaginar morar em Pernambuco / vou tentar / o Rio de Janeiro, já sei, o Rio Grande do Sul cansei. fazer as malas e aventurar, sou eu e posso, eu vou. deixar pra traz as dúvidas… eu vou. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres
limite do meu quando deveria ser nosso
o nosso é generoso! nele o meu tem limite expresso / se não pode ser nosso, não é: teu jardim, não meio jardim… enfim, explica logo: meu prato, minha maçã e minha vontade. não divide, não ameaça o generoso, apenas delimita. se é ruim ou pestilento, bom, ao menos é absoluto… e sendo objetivo é bom. o preto tem todas as cores contidas, o branco é branco / o melhor lugar da paz é não ter dúvida. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – TORRES
o inferno do poder fantasiado / eficiente lunático e exibido… mastigando veneno
memória ardida
tenho uma memória ardida que salta e se exibe fora da hora, fantasiada, requebrando, e se despindo faceira… ora ora ora… não se envergonha nem das calçadas, nem dos abraços e do proibido, vai caminhando pelo becos. senta, descansa um pouco, mas logo pega uma avenida… rua com jacarandás e lá vai… Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2025 – Torres, não Montevidéu nem Buenos Aires, sem FT ou racionamento e tanta gastança… a vida com as surpresas agarradas / penduricalhos e chocalhos: surpresas
ler tem qualquer coisa de perambular… perdida ou achada
perambular pelos becos, atravessar rios, queimar os pés na areia quente, esbarrar nas pessoas, sem ver, porque o sol cega, e o vento atrapalha o olhar, e o mar, pois é, o mar carrega feitiço e agita o pensamento… não há quietude na vida beira mar, tudo é constante… não há silencio, mas conversa, conversa, conversa sem pontuação, sem pausa / tipo terços de rosário, e rosário de convento… a desenrolar frenéticos, maníacos, talvez esperançosas orações. Elizabeth M. B. Mattos – novembro escorregando…
o verdadeiro é sempre novo

coisas de Jacques Lacan: “Com efeito, para as imagos – cujos rostos velados é nosso privilégio ver perfilarem-se em nossa experiência cotidiana e na penumbra da eficácia simbólica – a imagem espetacular parece ser o limiar do mundo visível, a nos fiarmos na disposição espetacular apresentada na alucinação e no sonho pela imago do próprio corpo, quer se trate de seus traços individuais, quer de suas faltas de firmeza ou suas projeções objetais, ou ao observarmos o papel do aparelho espetacular nas aparições do duplo em que se manifestam realidades psíquicas de outro modo heterogêneas.” (p.98 Escritos)
ah! estas questões dos escritos e dos falados e do pensado em sequência estranha da memória quando as conversas podiam “se arrastrar” ao som da voz, da argumentação, sem espelho, sem idéias, sem enfeite… porque éramos extremamente jovens. será que faz falta a juventude para esbarrar na vida amorosa e ser pessoa, outra vez, não mais sombra? existem tantos perigos! como ligar para um amado esquecido, desejar uma voz ou um acerto. então, de repente, a loucura, aquele certeza idiota ‘quem eu sou?’. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres sou ainda aquela que se apaixonada e não percebe a sombra… ( sou distraída) ou melhor, não percebe o povo que circula, rodeia quem amamos… amamos?

quem é?
olá!
Francisco José está?
sim / mas ele não fala nestes aparelhos…
ah!
ele está bem?
sim.
quem fala?
a esposa dele.
ah! ele está bem, então.
obrigada.
e tem esposa! (silêncio)
ótimo.
Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres
quando a gente liga… e a conversa é interessante