espelho mata / destrói a alma

três pontos, a certeza de que não paramos de pensar e continuamos… sim, estas coisas de alma, de corpo, pastéis e cerveja. alegria dança, sol e vento… ah! malditos pontos. envelhecer sentada na memória / a palavra. palavra frouxa e solta a se arejar por ai… por ai… espelhos são cruéis, definitivos, ah! se distorcidos fossem… coisas de fada madrinha, conversas velhas, respostas limpas e juntas, ah! se não houvesse espelho seríamos fadas para sempre e gentis. ou iríamos a Marte. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres

parece a mesma coisa…

mas não é. tanta coisa! descoberta, depois de uma, outra. beijo abraço sorriso ou voz // e muito muito muito silêncio bom…gostar é assim, um sentimento que tropeça e desgasta e cresce e volta / desaparece, nasce outra vez. sentir tem um caminho comprido… viver é atropelar o mês de novembro, logo vai chegar o fim deste 2025 / aqui a soma é nove, com um rechiado 2026 a soma tirando o 9 é mais 1 – o que importa. estás começando… Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 TORRES, vou recomeçar.

estranhamento ou ardilosa posição

estes sentimentos tem estantes definidas e… limpo, tiro o pó e me pergunto a validade deles. amores velhos também devem ser dispensados, esquecidos, e as cartas melosas e infantis, cheias de abraços e beijos e vontades repentinas de olhar e tocar, brincadeiras automáticas precisam sumir porque o verão, o sol limpa tudo. o mar, a delícia da praia, as caminhadas com suor pelo corpo que exalam alegria enrolada na liberdade… estes são os bons valores. sou feliz! Elizabeth M. B. Mattos = novembro de 2025 – Torres

uma certa hora

Uma certa hora / um certo ano / um certo dia de um certo amor / um certo momento de amor ou prazer / de repente esquecidos. A forma física é um temperamento que se tornou visível.

31 julho de 2015 / sexta-feira

CUIDADO! Saudade utilitária, cuidado! Tem um sentimento que “dizem” ser saudade, mas é mais necessidade de companhia, “apoio”, uma saudade utilitária. Isso! Cuidado com a saudade utilitária, o amoroso fica soterrado. O outro não é o outro,

mas a bengala, depósito, a segurança.

A saudade deveria ser um sentimento s o l t o de exigências / livre e quando se está com outro é apenas presença / estar com outro. Mas terminamos em apoiar / amarrar a saudade nas carências muito mais do que no afeto. Então, estar perto fica esvaziado de amorosidade (cobrança / exigência / um pedaço de mágoa / do ontem). Nem cuidamos do amado, massacramos em nome da intimidade / familiaridade. Nós nos autorizamos liberdades, mal humor, rabugice, maus tratos em nome de afeto. PO que este equívoco? O sentimento amoroso precisa se apoiar em certa admiração, respeito. Amor com recibo. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres

voltar é encontrar?

sim, encontrar tem um gosto de posse… coisas de viver os amados achados e os perdidos. afinal viver tem este desacerto azedo que significa e importa. sem figurinhas, palavras certas. polir, limpar, jogar fora, encontrar… e dormir com sono. Elizabeth M. B. Mattos – novembro atropelando – 2025 – Torres

descarrilhado

sensação de desastre / um desmoronamento, uma interrupção e o nada. uma canseira desta viagem interminável e difícil, subir os degraus cansa. atrapalhada com o vento, com toda esta areia e as incertezas. uma irritação pesada. também a sujeira / impressionante como se alastra na vontade… a ordem da desordem. estou cansada. igual te mando um beijo, desastrado, um abraço apertado. aquele carinho que importa. os livros estão desinteressantes… Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres

do amor /para o amor / GFPRJAK, sempre amor

de março de 1999 / fragmentos / fatias do bolo recheado com chocolate, nozes, ovos moles e passas e gostosuras como na história de João e Maria. Agora te escrevo sob o impacto de nossas conversas ensolaradas no teu pequeno apartamento. desligavas o telefone da tomada para não chamar… duas gentes sem idade, sem tempo no espaço, em tempo… eu viajava Torres Porto Alegre acelerando / nem barreira nem horário. Eu me surpreendo, busco racionalidade, encontro surpresas e solavancos. Empatia. Nossas necessidades. Abandonamos pesos e mágoas e nos agarramos na alegria de amar o amor. Cuidado!!!! Amor soma, aumenta como fermento age… não magoa, nem na lágrima dói: a mágica do beijo, do abraço e dos olhos fechados: prazer. O outro, se há outro, está esquecido por uma memória que nos faz ser maior e melhor. Não substituímos nada, nunca: ‘ naquilo que tu és insubstituível, tu és insubstituível”. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres

jovens corajosos e guerreiros

histórias mal contadas, enciumadas e trapaceiras… guarda-se na memória sequelada da velhice o que convém… não é a doença problema maior do que a velhice/temos pílulas pros males, bem, pro envelhecer também… a pele de jacaré resiste, grossa, resistente, mas velha…

estou lembrando das perguntas. irmãos? não. eram primos. o pai da minha mãe era irmão da mãe dos três meninos… foco na mais velha, Anita. Formou-se no glorioso colégio São José em São Leopoldo / logo, como professora foi trabalhar /e, ganhavam razoavelmente no magistério / e ela pode comprar uma casa em Guaíba pra Dona Felícia, também professora. os guris: Júlio Clóvis e Telmo meninos ainda. tudo melhorou… dizem que era uma vida alegre. Anita vinha para Porto Alegre, atravessava o rio/lago Guaíba pra lecionar. conheceu o Roberto que morava com a mãe Rita. os ventos tinham mudado, e o pai dele, banqueiro, comerciante / perdeu tudo o portuguesinho. vida complicada: então Anita, não a do Garibaldi, entrou na história. e eles construíram o futuro / minha avó veio morar com eles / nos tempos difíceis e nos abastados: juntos. primos / ditos irmãos foram um para o exercito, outro pra aeronáutica / o mais velho, Júlio, Roberto ajudou / entrou pro SASSE / da Caixa Econômica Federal. E a Felícia foi morar com ele no Menino Deus… Clóvis voou. Telmo casou-se na casa da Vitor Hugo / Anita sempre foi de ajudar / acolher e partilhar… a irmã Joana de Athayde também morava com eles. nossa casa foi sempre festa, gala e farta. Petrópolis / o bairro, cresceu: amigos construíram suas casas e juntos eram uma grande família / pintores, intelectuais se reencontravam em Paris para se atualizarem, fazer cursos / o mundo se alargava. A minha mãe foi… outra vitória de quem não deixa pra ninguém a linha da sua própria história, mas a Ligia, morreu / o acidente do Morro do Chapéu… tudo mudou, as más línguas ferveram… os heróis aguentam… e as histórias fervem enquanto o tempo escreve. Elizabeth M. B. Mattos / novembro de 2025 – Torres – sempre houve TORRES

para meus filhos / o registro… orgulho de ser filha da Anita e do Roberto e dos meus filhos. obrigada. Anita era Roberto / Roberto era Anita / acho que expliquei certo.

pacífica desordem

esta coisa apertada e atrapalhada… esta vontade forte de tudo ordenar… estantes limpas, os livros quietos, ou cantantes, presentes. o silencio das manhãs dentro das tuas palavras amorosas, urgentes, obrigada meu querido. e agora os discos espalhados por todos os lados, ocupando o imaginário, quando o tempo volta na música, nas velhas cirandas. velhas descobertas. presentes. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres

fazer / fotografar ou sentir

não se deve interromper / deixar de olhar ou sentir / ver tão perto! as fotos da Ana estão… pássaros, terra, olhar, o clic. certeza do momento e sem transformar, enxergar! eu? paralisada com o sol deste dia esplendoroso, sinto a limpeza do vento nas folhas faceiras…

preguiçosa eu me espreguiço: passeio de carro com o João: nossa cidade / não mais balneário. ruas, outras. as mesmas casas, tantos edifícios! tanta luz! esta coisa de olhar, ver, enxergar/ momento de domingo. escreves, e eu acordo. não abro os olhos, talvez o resfriado, a gripe ainda me arrasta. o tempo se alonga como dia… uma história, uma invenção… o sono atravessa a sala, passo miúdo e me agarra. vou dormir, vou dormir errado mesmo, vou sonolejar nesta tarde. e pensar nesta coisa boa de respirar e esperar. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2025 – Torres