O VERANEIO

Veranear em TORRES 1960

O “bem” bonito de Torres
“Desde a hora do início do banho de mar(começa às 11hs da manhã) é constante um vaivém de mulheres bonitas nas areias e por entre as rochas da praia de Torres. Tornaram-se parte real da natureza fabulosa da praia mais elegante do sul. Em pequenos grupos, onde se discute os acontecimentos, ou se marca o programa para logo mais, ou, ainda, jogando tênis-de-praia, elas ficam ao sol. Os maiôs modernos, de uma peça, embora tenham surgido este ano muitas novidades dos últimos lançamentos da moda e colorido sensacional, não conseguiram desbancar a presença dos biquínis (preferidos pela jovem sociedade). Na Guarita, à tarde, continua o desfile de beldades. Ali o vôlei ou frescobol são os passatempos escolhidos. Um pouco além, no campo de golfe, reúnem-se as elegantes. Enquanto jogam pode-se ver o que existe de maior bom gosto no gênero de roupas esportivas. A noite serve de pretexto para trajes esportivos mais sofisticados a SAPT ou a boate do Clubinho para um conjunto de grande elegância. Dificilmente se encontra complementação mais perfeita do que a presença bonita das senhoras da sociedade gaúcha do que na praia de TORRES.”
Paulo Raymondo Gasparotto (idos anos 1960)

076Em Torres 1960

Glauco Rodrigues Salamanca do Jarau

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REVISTA ZERO HORA  Porto Alegre, 22 de outubro de 1989.

Ilustração: a matéria traz Glauco de volta  com exposição em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.  Fecha com a foto (1968)  do biombo  que Glauco fez reproduzindo a lenda.

Salamanca do Jarau é uma lenda gaúcha, também conhecida como lenda da Teiniaguá, que conta a história de uma princesa moura que se transformara em bruxa, e que teria vindo em uma urna de Salamanca, na Espanha, e acabou indo morar em uma caverna no Cerro do Jarau, no rio Grande do Sul.Esta lenda, registrada por João Simões Lopes Neto e publicada pela primeira vez no ano de 1913, inspirou Érico Veríssimo a escrever partes de seu romance O Tempo e o Vento.

O ARTISTA Glauco Rodrigues

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1968  junto ao trabalho de Glauco Rodrigues.

Geraldo  Moog e Beth Mattos

Missivas que contam 1967


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Tu fizeste bem de ir para o Rio onde há tanta coisa bela para se contemplar. E o belo faz bem a alma.”

São Paulo, 21 de setembro de 1967

Le Christ semble dire à tout chrétiens: Tu est destiné eternellement à la joie. Sans doute, Le temps que tu passes sur terre est um temps d’ épreuve. Mais si, au milieu des difficultés, des contracditions et des souffrances tu sais mantenir quand même la joie  dans ton âme, tu me donne la plus grande marque de confiance qui soit, car tu affirme par là ta foi totale em mon amour qui sait, mieux que toi, ce qui te convient.” Abbé Gaston Courtois

As máquinas

As máquinas

01 – março de 1932
Viagem a Caxias.
Parece que a máquina de Pedro Alexandrino está em dificuldades! Roberto Menna Barreto Mattos a esquerda da foto, empurrando.

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A ” Nash” em descanso.

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Da esquerda: Julius, Ary, Sdenko e Roberto.

É História ou estória IBERÊ CAMARGO

 

É História ou estória?

Foto de Iberê Camargo com Ana Maria  Vianna Moog. Rio de Janeiro, Viúva Lacerda. 1975 1976. 1977.

Rio, 11 – 7 – 88. Amiga Beth, Remeto-te estes recortes para que saibas da minha luta, luta que é de todos. Nas entrelinhas sou agressivo para acordar a nossa condição de gente, a nossa nacionalidade. Pena que tu e teu marido tenham visto minhas coisas na Tina Presser, pois, o que não foi vendido veio para o Rio para ser exposto na ocasião do lançamento do livrinho. Vocês terão outra oportunidade de ver quando eu voltar à pintura após esta parada forçada. Devo permanecer no Rio mais um bocado de tempo a fim de ser assistido pelo médico e também porque quero fugir do frio. Disseram-me que aí faz um frio insuportável, frio de renguear cusco. Isto é o efeito estufa. O homem vai matar a terra. O homem é o cupim do mundo. Sua meta glória é ir mais cedo para o cemitério: ir de carro. Diz para teu marido que não precisa um montão de dinheiro para ter meus quadros. Tu sabes que para mim, o amigo é o amigo. Eu também gostaria de saber quando vou para casa nova. Eu apresso a construção como posso, isto é, aos gritos. Desejo que tudo seja bom ti e para os teus. Até breve. Com amizade, o Iberê. Porto Alegre, 13 – 2 – 90. Última hora: Não vou a Santa Maria. Querida Beth, Tua carta tem uma presença quase física, nela tu revelas a alma. Gosto de te ouvir, gosto de te sentir perto de mim. Espero que o muro de Berlim que nos separa, termine por ruir. Não é compreensível, hoje, uma atitude machista, medieval. Não se pode aprisionar um coração. Eu te recordo sempre, com um carinho de amigo, mas a recordação, a lembrança, não tem a concretude do agora, que é o presente da vida que flui. O agora é este momento que já não é mais, quando acabo de pronunciá-lo. O tempo é um rio que nos arrasta, que nos leva para o nada. “Somos seres transitórios” – nos diz Dickens. A certeza desta transitoriedade nos deveria tornar mais vivos, mais atuantes, mais independentes. Somos no fundo bois de carga, passivos, domesticados, vivendo de mentiras. Não sei por que enveredei por este assunto. Amiga, eu sempre procurei e procuro a verdade das coisas, tenho um sentido metafísico da vida. Às vezes atravesso períodos de profunda depressão, sem motivo determinado, objetivo. Estranho e limitado é o ser humano, incapaz de entender o seu próprio ego. Não raro sinto-me como meus ciclistas, que vagam por um mundo deserto, morto. No fundo, querida Beth, eu sou eles. Mas eu tenho que dizer, tenho que pintar a verdade porque só ela importa! E a beleza? Talvez verdade e beleza seja uma só coisa. Gostaria que visses esses meus últimos quadros, esses ciclistas de que falo. Não sei o que foi exposto aí em Santa Cruz. Talvez sejam serigrafias ou desenhos. Estamos planejando ir a Santa Maria na próxima semana, se não começar a chover adoidado. Gosto de rever aquela cidade e, principalmente, reencontrar os poucos amigos que ainda me restam. Para mim é santo o lugar onde estão os meus mortos. Ah, seria bom se na passagem pudesse te ver aí em Santa Cruz. Para ser sincero eu receio os ciúmes do teu marido. Eu não quero te criar aborrecimentos. Não quero magoar ninguém. Eu seria feliz se tu pudesses vir amiga, com muito carinho – o Iberê – Não esquece: eu te quero muito bem.