De lado

De lado

Neste amor não consigo estar de frente como seria preciso. Estou meio saindo, não chegando, nem entrando. De lado. Viciada em me focar, desfocar, tropeço. Não alcanço o real.
Olhar pela janela, voltear a lagoa, fechar as janelas. Buganvílias, silêncio sem mar. Bom o frio ventoso! Gosto do amoroso cheio de amor do outono! Bons trilhos de amar… Sentimentos encaixados. Tua voz, teus braços! Ir além sem exposição. No lápis. Ah meu querido! Estas loucas falsidades do amor! Coisa de voltar pro prazer conhecido! Sempre o mesmo, igual! Aquela esquina igual, aquele momento igual, repetido. A mesma memória de olhos azuis.

Esta noite sonhei com uma figura masculina. Jovem, bonito, perto, com olhar castanho, confiável, terno. Eu me ajoelhei como menina que escuta histórias, e deitei a cabeça nas pernas dele. Eu era eu hoje, e ele jovem! Foi boa a sensação. Conforto! O mesmo prazer do beijo. Como se fosse um beijo! Foi só encostar a cabeça, e já era um abraço…acordei.

As tintas voltam

As tintas voltamSe transforma o ateliê da imaginação. Papel, cartas. Recorte, traço, datas, vontade. Vontade  lavada. Angústia, brincadeira solta, entregue nas tuas mãos. No sonho sonhado volta o amigo. Risco. Perto. Fazendo e relendo.

002 (5)

“Dizem os poetas que o pensamento anula as distâncias. Podemos ver com os olhos da alma a imagem que evocamos, mas – este é o tormento – não podemos tocá-la.Tu estás ao meu lado, assiste-me pintar; eu acompanho teus passos. Tu apareces no meu vídeo, eu no teu. Somos, querida amiga, dois prisioneiros que vivem em celas separadas, alimentando-se um da imagem do outro. Estou acuado vivendo um momento de grande tensão. O diabólico plano do Führer das Alagoas atingiu nosso naviozinho. Agora estamos procurando juntar os destroços para construirmos uma jangada, que errará à mercê dos fétidos ventos de D. Zélia. É irônico e trágico ver a ditadura entrar a passo de ganso pela porta da democracia. Positivamente, o Brasil é um país bandalho. Querida, preocupo-me com os teus desacertos e com tuas mágoas, que são profundas. Gostaria de analisar e discutir estas coisas, pessoalmente. Tu sabes, que te quero bem.   Beth, não descures do teu aspecto físico, pois o que está bom reflete dentro, na alma. Tu és uma mulher bonita. Para não engordar basta seguir um regime. Sei que não se devem misturar hidratos de carbonos com proteínas. Pensa nisso amiga. Junto vai um rabisco, minha imagem por dentro, agora Escrevo-te, às pressas, para que não fiques sem o meu carinho. Beth, o coração guarda segredos. Eu quero te ver.  Com muito afeto o Iberê.” 

Tudo de volta, misturado, aqui. Tenho que fazer tudo outra vez, tu também. Acertar, corrigir, refazer. Reler. Pontuar. Tudo outra vez. As tintas voltam deslocadas. Sinto tua falta, sem entender muito tua ausência agora tão definitiva. Não! Por que o delírio? Estás tão perto! Da conversa. Das tintas. Dos pincéis, em francês, em italiano, em português. No Rio de Janeiro. Em Nonoai, Porto Alegre. Penso no que perdi, e no que não aconteceu. Nada confiável, muito menos a memória. Tua lembrança conto e aplaudo. Volto a cada carta. Silêncio. Dizer, ouvir, desenhar, colorir as palavras. Apagar tudo outra vez. Arriscar. Não há amor, não há ódio, não há amigos, não há inimigos, não há fé, não há paixão, não há bem, não há maldade. Tão poucas vezes juntos! Ao te escrever volto às cartas que não chegaram. Extraviadas, violadas… Por tanto tempo estivemos perto estando separados. Ao te escrever, meu desespero derrama aflições. Tu me acalentaste com tuas preocupações. Eu me apoiei, egoisticamente, no teu brilho. Minhas cartas, tantas vezes ilegíveis, te faziam voltar pra mim… Uma resposta, um desenho. A notícia recortada. Envaidecida descuidei-me delas, tuas cartas perdidas… Elizabeth M. B. Mattos – março – 2014 – Torres

Paulo e BETO RUSCHEL

BETO RUSCHEL

Há 200 anos os membros da Nação dos Sete Povos foram expulsos ou dizimados pela barbárie colonial. Mas sua cultura ficou e, […]Recuperamos assim, um elo perdido na história da música de nosso povo.Há um pedaço grande do Brasil de ontem, e portanto, no de amanhã – porque o folclore é inconsciente coletivo dos povos – na música que ‘Os Tapes” fazem no Sul, de inspiração nativa, e que hoje nós mostraremos ao Brasil. […]

006

004

002

Recorte de ALFREDO AQUINO

Recorte de ALFREDO AQUINO

De todas as formas a pintura continua sendo o suporte mais cobiçado. O martelo atingiu o atril em 878 ocasiões acima do milhão de dólares para obras sobre tela. Em 2003, para estabelecer uma comparação, foram 205 vezes. À frente desta pujança encontram-se os 142,4 milhões de dólares pagos por Elaine Pascal Wynn, a ex-mulher do magnata dos cassinos Steve Wynn, pelo tríptico Três estudos de Lucian Freud assinado por Francis Bacon. O arremate mais caro da história. Mas não está só. A esta bonança também se somam os 105 milhões de dólares obtidos pela venda da tela de Andy Warhol Silver Car crash (Double disaster) e os 58,3 milhões que conseguiu Number 19 (1948) de Jackson Pollock.
Outra leitura interessante que deixa no ano é que a obra gráfica, que tradicionalmente tinha uns níveis baixos de revalorização, ganha força. O volume de peças vendidas é similar ao de anos anteriores mas seus rendimentos anuais são quase quatro vezes superiores. O mercado da gravura, aponta artprice.com, equivale a 260 milhões de dólares, a cifra mais alta de sua história. Nesta categoria mandam os preços de AndyWarhol, Pablo Picasso, Edvard Munch e Odilon Redon, que têm obras que se arrematam acima do milhão de dólares.
Também as esculturas aproveitam essa bonança. Somam vendas de 913 milhões de dólares. Em uma década esta cifra tem se quadruplicado. Nunca tantas obras foram vendidas neste suporte: 22.500. Um espaço no que o artista norte-americano Jeff Koons é capaz de arrematar na Christie’s sua escultura de cromo polida Balloon dog (Orange) por 58,4 milhões (42,5 milhões de euros).
E a fotografia? Nessa área aconteceu algo curioso. Continua sendo inovadora para o mercado, pese a sua implantação generalizada entre colecionadores e museus. Apesar de tudo obtém 153,3 milhões de dólares, o que supõe multiplicar por três seus rendimentos de 2003. E artistas que trabalham com a fotografia, como o alemão Andreas Gursky, podem vender uma imagem de grande formato, Chicago board of trade III, por 2,85 milhões de dólares. A quantia mais elevada em 2013. Na sequência desse ranking de preços estão Richard Prince,Cindy Sherman e Man Ray.
Quanto às supervendas, a classificação dos dez artistas com melhores resultados em leilões em 2013 vem marcada pela recuperação das posições dos criadores ocidentais frente ao reaquecimento do mercado chinês. De fato, esses dez grandes nomes venderam obras por valor de 2,28 bilhões de dólares. Os eleitos? Andy Warhol (367 milhões de dólares), Pablo Picasso (361), Zhang Daqian (291,6), Jean-Michel Basquiat (250), Qi Baishi (230), Francis Bacon (195,7), Gerhard Richter(165,8), Roy Lichtenstein (140,5), Zao Wou-Ki (139,5) e Claude Monet (137,6).
De todos estes preços se beneficiaram as grandes casas de leilão. Em concreto, Christie’s vendia em sua sala de Nova York, no dia 12 de novembro de 2013, em sua oferta de arte de pós-guerra e contemporâneo peças por valor de 609 milhões de dólares. A arrecadação mais elevada jamais alcançada em um leilão de arte, e, por extensão, a melhor marca da casa em 247 anos de história.

Endereços

Cartas. Vencem as cartas. Vozes telefônicas se atropelam. Estranhas… Choramingam, não entendem. Hora errada. Tempo curto. Ânimo perdido, voz lenta, linhas cruzadas… Ou o telefone interceptado.
Há prazer na escrita, agora, escancarada, restabelecida. Todo rabisco, toda a ideia se transforma em texto. Qualquer texto,  leitura.  Cartas são o quebra cabeça. Nelas a vida aparece aos poucos, aos soluços, na emoção confessional. Escrita truncada? Relato, crônica, a carta sem sequência, fragmento? Prazer, quase vício. Cartas são franjas. O momento certo. São degustadas, relidas, depois, jogadas no lixo, ou perdidas.  O curso. A ponte. Caminham lentas, e chegam mansas, as cartas. Caminham… E até chegam atrasadas. E na madrugada tu lês, depois rasgas. Chagam apressadas, e antes de leres tu rasgas. Foi em janeiro, já é outubro e o verão se atrasa, não importa. Devagar, eu te esqueço. Não importa o que digas, não acredito.  Separar o possível do impossível. Volto a quietude. E isso é bom. Elizabeth M.B. Mattos – Lisa – Beth ou Eliza – Torres 2018