Segue a situação inquietante de que não havendo um hoje, volta-se para o ontem sem pensar que futuro pode ser apenas hoje. Então te escrevo convicta de que somos amanhã, e se estivermos olhando uma para outra com as convicções internas ativadas, estamos felizes. Grande, medíocre, quente ou ventoso, o hoje escreve. Esquisito isso de cultivar a ilha da solidão, que não é bem solidão, mas isolamento. Então recebo um bilhete, e já me debruço no amor. Ora, ora! Tantas e tantas vezes desejei este lugar tão apenas meu, meu. Janelas abertas, portas fechadas. Aquele sabor doce de uma conquista tão ao gosto do meu sonho. Escuto Françoise Hardy, não Carla Bruni. Um pouco de antes chega nesta desordem dos discos de vinil, dos livros. Dos papéis, dos lápis obsessivamente apontados. A vontade febril de limpar ordenar. Caminho. O velho prazer de presença se estende preguiçoso.