Estranho desânimo! Particular único. Faço força, mas encolho. Compreendo quem desiste. Sentimento de confinamento. Luta solitária, envelhecer. Não exatamente porque envelhecemos, ou avançamos em direção ao fim, mas, talvez por não entender o início, o começo. O não saber do que se trata, desconhecer o / a essência nos envelhece. É rápido demais. Muda ou se transforma muito depressa. O quintal e o jardim, os mesmos, mas não reconheço as flores, nem as cercas. Alguém semeou. Alguém fez a poda. Debruçada na janela vejo a beleza do outro lado, longe. Há qualquer coisa que escapa a minha lógica: desconheço este mundo. Compreendo a necessidade vital de estar com o outro. O gosto de amar hoje como ontem, como sempre! No entanto, não escuto tua voz. E o tal tempo, o tempo que resolveria não faz nada, escoa. O tempo não faz nada. Se esgota, se fecha nele mesmo. Dias curtos noites pequenas! O corpo importa, o abraço, o passo errado, o caminhar lento desta tarde. Por que o livro não termina? Cem páginas, ou trezentas ou duzentas, ou um poema. Desafio. A televisão aborrece violenta, igual. O som incomoda. Desaprendi a olhar: ver e enxergar. Não quero, não faço, não respondo. Não estou. Está o meu olhar onde se esconde este eu? Não quero nada, não preciso de nada. Não estou. Então, não respondo. Abandono voluntário. Entristecido. Isolado. E os sonhos descem ou sobem rio, e desaparecem. Preciso encontrar a margem. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2017 – Torres
Mês: janeiro 2017
Apaixonados inusitados
Cheguei ao destino. Perfeito lugar de tua escolha. Azul lilás rosa verde. Tanta paz! Tua carta me alegra. Entendimento perfeito. O lago lindo e o silêncio canta. Envelhecer tem dores próprias, mas o perfeito de estar ao teu lado, agora, hoje, não tem idade… O que pode ser ou ter sido melhor do que te encontrar? Reencontrar. Gosto de amoras, teu gosto. Cheiro de mato. E o vento vai trazer a chuva, molhar. Apaixonados inusitados. Nós dois. Quieta e agitada espera. Absorvo teu abraço. Tenho o beijo…
Gostei da mesa, dos papéis, dos lápis apontados e dos Diários de Francisco Brennand: papel de seda amarelo gritando festa. Tua presença está nos detalhes. Tempo incerto, mas acertada nossa hora. Que nada possa impedir o encontro. Estou te esperando. Albertina. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2017



Francisco Brennand – Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand nasceu em Recife no dia 11 de junho de 1922. Artista plástico brasileiro.
Esplendor da VIDA
O amor acende o que há de melhor… Atravessa massacres assassinatos barbáries. Limpa o homem vassalo do veneno apequenado na covardia do poder. Esta energia de transformação que alimenta a vida já é recomeço: nascer / estar hoje aqui e agora eu. Não importa o cabelo branco, a história desta estória diz explica tem o sentido de estar vivo na vida, e beijar beijar beijar o primeiro último amor. Sobreviveu ao tempo, também a guerra, aos tropeços e as ausências. Este último primeiro amor desabrocha no esplendor da vida. Então, eu me debruço no vento, posso. Caminho na areia, e mergulho neste verde aguado do mar vestida de azul, depois, encho as mãos com as conchas da praia. E com o pote cheio de amoras volto ao livro marejada abençoada pelo teu amor. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro – 2017 – Torres

“E sua boca, a fala, que é como um banho, como ele a impregna de tranquilidade. Nenhum homem havia olhado para ela daquela forma, ele vê a carne, a agitação e o tremor sob a pele, e isso a satisfaz”. (p.23)
“Estão sentados na praia e contam histórias de esperas. O Doutor também esperou metade de uma vida, ao menos é essa a sensação quando olha para trás, as pessoas esperam e não acreditam que mais alguém virá, e de súbito é exatamente o que acontece. “ (p.25)
“Agora acredita. É possível acreditar em beijos? Ela quer saber o que ele acha, agora, nesse momento, se ele pensou nisso. Não, não diga, ela sussurra, embora não fique claro por que está sussurrando. ” (p.27)
O esplendor da vida O último amor de Kafka, Michael Kumpfmüller, LPM Editora, 2016

beber amor
Verde, vermelho, amarelo, lilás. Azul paraíso: cheiro de anjo. Posso assobiar gritar dizer sussurrar: tá muito quente este calor! Sem camisa sem sandálias mergulho flutuo. Acordo. Teu beijo no meu beijo. Se adormeço volto para nós. A gente faz amor, e demora, demora, e acabou, mas já volta maior este amor: isso é aventura. É bom demais! Verde, vermelho, amarelo e lilás, e o cheiro de sol nos aquece. Isabel! Vou morrer sem acordar! Francisco, vou adormecer, Manoel, escuta! Antônia?José, Júlia! Não tem escuro no paraíso. Vamos beber amor cem anos mais, mais… Elizabeth M.B.Mattos – janeiro de 2017 – Torres