respingo

Domingo avança morno. Ruídos atravessam venezianas e vidraças fechadas e aborrecem…Ligo o rádio. Estranheza minha. De onde estou posso ver folhas verdes. O vidro da porta-janela está com respingos das novas folhagens, altas, esparramadas, volumosas, encondem as janelas do prédio ao lado. Ias gostar. Sexta-feira afundei-me na compra destes vasos: verdes e verdes para fazer o meu jardim no estreito corredor. Sábado fui ao cinema ver Dogville, excelente filme, talvez o melhor… Depois deitei e fiquei sonambulando no prazer de estar em casa. Nostálgica saudade que sabe ser diluída nas impossibilidades. O curto tempo dos nossos encontros. Diferentes. Não imaginei nenhuma relação homem versus mulher onde beijos e abraços importam. Aconteceu. Enamorados pela possibilidade, ela mesma, do enamoramento. Que vontade eu tive de me deixar acarinhar.

Calor, exaustão, mesmo o desencontro me fez feliz, os impulsos… Gostei do teu olhar. Penso no prazer de cada pedaço de corpo, não uma mulher inteira, mas um braço, um pescoço, um rosto, uma boca: ser possuída pelo desejo do outro. E o prazer caminha lento, manso e morno. Perfeito. Apalpei a vida.

Por que não fui ao teu encontro? Não tinha ceteza. De repente, indecente. Convocar ideias, longas conversas, outras viagens! Elizabeth M. B. Mattos – julho de 2023 – papel solto. Porto Alegre

Pedro Moog – São Paulo – julho de 2023

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